No dia 6 de junho, publicamos uma matéria explicando como Logan Paul possivelmente criou uma bolha no mundo dos mangás, levando vários scalpers a mirarem nos volumes e revistas da Shonen Jump para ter um lucro imediato. Quase um mês depois, a situação que prejudicava alguns volumes escalou para uma situação na qual, possivelmente, 465 dos 500 volumes mais vendidos dos dias 1º e 2 de julho (Ranking Shoseki) estão sendo alvos de scalpers.
Para quem não sabe, scalpers são pessoas que compram grandes quantidades de produtos para gerar escassez artificial e revendê-los rapidamente por preços substancialmente inflacionados, lucrando com a compra e revenda da obra, sem se importar com o valor real daquela arte. Scalpers são diferentes de colecionadores reais, que tendem a zelar e cuidar do produto, já que veem valor em colecionar aquela determinada obra.
A situação começou quando Logan Paul decidiu comprar por um valor muito acima do mercado a Weekly Shonen Jump de One Piece e Dragon Ball, e estimulou, logo após, mais pessoas a começarem a comprar mangás para revender. Muitos consideraram isso manipulação de mercado para promover a sua plataforma de revendas. O resultado, porém, foi claro: começou uma cultura de scalpers que ainda não tinha chegado ao mundo dos mangás, com scalpers esgotando o primeiro volume de várias séries para revendê-los por três ou quatro vezes o preço.
Mas por que a situação piorou tanto em um mês? A Shueisha decidiu colocar um card metálico de bônus em vários dos seus volumes, levando esses novos scalpers a saírem em busca desses possíveis cards, esvaziando lojas e pedindo reembolso quando não encontravam um volume com o card. O objetivo não é mais vender os volumes das séries da Shueisha/Shonen Jump, e sim simplesmente vender esse card exclusivo por preços que possam superar 8 mil ienes. O volume, após a compra, é simplesmente jogado fora ou revendido por um preço muito abaixo do normal.
Os volumes mais vendidos são os de Kagurabachi, que estão todos os onze no TOP 20 de mais vendidos dos dois primeiros dias de julho. Em seguida temos Ichi the Witch, Jujutsu Kaisen, Sakamoto Days, Akane Banashi, Kimetsu no Yaiba, Blue Box, Someone Hertz, Hunter x Hunter, Dr. Stone, One Piece, My Hero Academia e Shinobi Undercover.
Os leitores reais das séries estão indo às livrarias e encontrando uma situação desesperadora: a situação está tão grave que algumas lojas tiveram seus stands e vidros quebrados pela busca dos “volumes especiais”. Muitos japoneses estão culpando os estrangeiros por estarem comprando em massa esses volumes, já outros argumentam que a maioria é de japoneses, criando ainda mais tensão em relação ao tópico.
Com o lançamento dos novos volumes dos mangás da Weekly Shonen Jump, é possível que a situação se torne ainda mais caótica nos próximos dias, podendo levar tanto as livrarias quanto as editoras a adotarem medidas de emergência, como uma menor impressão e um controle sobre o número de cópias vendidas por indivíduo, o que pode vir a prejudicar colecionadores e também o lucro de vários autores.
Devemos agora observar o que irá acontecer nas próximas semanas.


