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Análise – TOC Weekly Shonen Magazine #36-37 (Ano 2026).

Lucca 16/08/2026

O feriado de Obon trouxe uma edição que ficou duas semanas nas lojas e foi o suficiente para o público discutir o que faz a Magazine diferente de suas rivais: o digital. Vamos falar disso, do desempenho abaixo do esperado do live action de Blue Lock e muito mais. Tudo isso e mais na nossa análise da Weekly Shonen Magazine, a segunda maior revista shonen do Japão. Começando pela TOC:

  1. Blue Lock (Capa do Filme Live Action, Primeiras Páginas Coloridas) Ch. 356
  2. Fairy Tail Re: Fantasia Ch. 02
  3. Kanojo, Okarishimasu Ch. 435
  4. Banjou no Orion Ch. 107
  5. Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai Ch. 252
  6. Suruga Meteor (Página Colorida) Ch. 70
  7. Gunyuu wo Tsuzuru Ch. 03
  8. Kakkou no linazuke Ch. 306
  9. Mokushiroku no Yonkishi Ch. 248
  10. Dream ✰ Jumbo ✰ Girl (Color Page) Ch. 53
  11. Mayonaka Heart Tune Ch 126
  12. Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 110
  13. Yumene Connect Ch. 88
  14. Kaijin Fugeki Ch. 86
  15. Zero to Hyaku (Página Colorida) Ch. 34
  16. Kurotsuki no Yaergnacht Ch. 56
  17. Sensen Senki Ch. 09
  18. Seitokai ni mo ana wa aru! Ch. 180
  19. Lilim Holic Ch. 12
  20. KILLER+SITTER Ch. 07
  21. Ano shima no Uminesou Ch. 28
  22. Ura Tokyo no Osoroshi Dokoro Ch. 19
  23. Yowayowa Sensei Ch. 177
  24. Gachiakuta Ch. 173
  25. Kanan sama wa Akumade Choroi Ch. 192
  26. Zureta Kaishoku no Bokura Ch. 05

Ausências: Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su Ch. 276, Sentai Daishikkaku Ch. 222, Hajime no Ippo Ch. 1516, Ahiru no Sora Ch. 616 (Hiato)

Capa Alternativa do filme de Blue Lock

A capa dessa semana foi algo um pouco diferente, indo para Blue Lock, mas para a adaptação em filme live action da série. Com essa edição da revista em exposição nas lojas por duas semanas por causa do feriado, o timing foi ideal para promover o filme e atrair também a atenção de gente que não lê a Magazine geralmente, principalmente fãs de histórias de esporte e homens atraentes.

Infelizmente, o filme ficou abaixo da expectativa. No seu final de semana de lançamento, a película fez perto dos 280 milhões de ienes e ficou apenas em oitavo lugar da bilheteria no período. É um desempenho abaixo do filme animado do Episode Nagi.

O culpado principal é o timing. Tiveram vários meses para calcular um lançamento aproveitando o hype da Copa do Mundo, mas os produtores priorizaram um lançamento no verão japonês, quando temos férias escolares e os cinemas lotam. Mas não consideraram a competição e agora pagam o pato.

Não sei se já ouviram falar do mascotinho Chiikawa, mas é um Titã do entretenimento japonês nos últimos anos. Baseado num mangá inicialmente lançado online, os fofos personagens da série são uma sensação no país tanto pela sua fofura quanto pelas personalidades e suas histórias. Enfim, recentemente a série ganhou um filme adaptando um popular arco do mangá, produzido pela ótima Cypic e está demolindo a competição nos cinemas japoneses.

Chiikawa está chegando aos 10 bilhões de iene no Japão e derrotando até o novo Spider-man, fazendo com que o país seja o único no qual o Aranha não está no topo. Nessa batalha do verão também temos outros filmes populares como o mais novo live action de Kingdom, que adapta o sucesso da Young Jump.

Enfim, ficou claro que Blue Lock não entrou na briga contra todos esses hits. A disputa toma até as salas dedicadas e o possível marketing.

Existe uma história que era muito repetida pelo saudoso ex-presidente da Nintendo, Satoru Iwata. Ele dizia que existem dois tipos de oceanos para a competição. O “mar vermelho” no qual muitos disputam um número limitado de consumidores e o “mar azul” no qual você cria um produto e condições que permitam ter sucesso sem confronto direto.

O cadeado azul escolheu o mar vermelho e suas cores não combinaram bem.

A medalha de prata foi para Fairy Tail Re;Fantasia. Não sei se a revista pretende colocar o mangá nas primeiras colocações por sua estadia de 9 capítulos, mas é possível, até por ser uma grande celebração.

E Hiro Mashima já disse que está trabalhando na sua próxima obra. Não é surpresa, ele já havia falado logo após o fim de Edens Zero que pretende voltar para a Magazine com um trabalho futuro.

Mas é um fato que o homem está em todo lugar. No recém lançado game de luta Marvel Tokon, o artista ficou encarregado de desenhar o modo história dos Vingadores. Então temos versões oficiais de Mashima de personagens como Hulk, Capitão América, Homem de Ferro e Pantera Negra.

A popularidade local e intenacional de Mashima o qualifica como um autor que sempre voltará para a Magazine desde que tenha as condições de saúde para uma publicação semanal, o que ainda parece ser o caso.

Completaram o pódio com mais um clássico da Magazine: Kanojo, Okarishimasu. Um dia os detratores do mangá vão descobrir que podem só ignorá-lo, mas não será hoje já que até collab em gacha de Yo-kai Watch chama atenção do Ocidente, mesmo esse sendo um jogo que é cheio de collabs. Assim só provam que em branding, poucas romcom batem de frente com Kanokari!

Em quarto lugar, Banjou no Orion aparece em mais uma edição que parece que os editores estão recomendando o mangá pela TOC. Já que ele não tem tanta presença nas redes por ser um drama num ritmo mais lento, eles precisam tratar a série de forma um pouco diferente das promoções mais bombásticas dos battle e das comédia românticas.

O quinto colocado é Kuroiwa Medaka com mais um capítulo com certas críticas. Pela história ter começado focando totalmente na dinâmica da Mona com o Medaka, foco prolongado nas demais heroínas acaba tendo críticas. É difícil de quantificar o quanto isso influencia o mangá já que apesar da queda em vendas físicas, o mangá tem bons números na Magapoke.

Página colorida para o sexto colocado, Suruga Meteor. Com um foco num personagem mais atraente de forma convencional, o autor deve saber que seria uma edição mais comprada por fãs de Blue Lock, incluindo várias pessoas que gostam de personagens bishonen e de esporte, então ele decidiu por essa arte.

Suruga Meteor é uma série que não tem bons números em vendas físicas, mas que é mais popular entre os leitores semanais da revista. Mesmo assim, sempre acreditei que parte da manutenção da série é justamente por ser uma spokon que pode apelar ao público que gosta de obras como Blue Lock e não tem muitas outras opções do tipo na Magazine moderna.

Seja o pessoal que quer especificamente esporte ou essa conexão entre personagens masculinos bonitos. O próprio Tanaka Drill, autor da obra, já falou que encoraja e torce para ter mais fanarts BL do mangá. Acredito que será uma aposta como anime num futuro não tão distante.

A sétima posição é de Gunyuu wo Tsuzuru num capítulo que muitos acreditaram que focaria em apresentar a heroína da série, que aparece na primeira página colorida do mangá e apareceu de fundo no capítulo anterior. No entanto, o que tivemos foi um foco na relação do protagonista Haku com o velho tio que era amigo do pai dele e o salvou no capítulo anterior.

O autor usou esse personagem para revelar mais do passado do pai de Haku, mostrando-o como um grande general do passado. Isso encoraja Haku a escapar da situação atual com os dois personagens escondidos na cidade sendo procurados pelo exército de Jin, que quer recuperar a super arma roubada por Haku.

É mais um capítulo que demonstra a inteligência do protagonista que usa mais um plano mirabolante para enganar seus perseguidores, mas que também faz sua construção como um outro herói, aquele que lutará pela sua justiça contra Jin.

Na Magapoke o capítulo 3 teve uma queda bem pequena de comentários em relação ao capítulo 2. Os números não são altos, mas se o mangá está agradando quem o lê, pode ganhar uma chance de crescimento em algumas semanas quando for mais promovido.

Oitavo nessa TOC, Kakkou no Iinazuke continua em paz. Muito difícil de prever quando deve acabar.

Já na nona posição, Mokushiroku no Yonkishi entregou um capítulo um pouco controverso mostrando o novo vilão principal do mangá. Alguns gostaram, já outros falaram que é um elemento narrativo repetitivo. Não é possível agradar todos, mas dá para ver que o mangá ainda terá mais alguns arcos longos considerando esse desenvolvimento.

Com uma página colorida para promover seu novo volume, Dream Jumbo Girl é a deixa perfeita para falar do tema da transição para o digital e a percepção do público japonês em relação à Magazine.

Apesar de ser a nova série de Hiroyuki, autor de sucesso com séries como Kanojo mo Kanojo e Aho Girl, Dream Jumbo Girl nunca vendeu muito, com números parados ali na casa das 4 mil cópias mensais por volume. Muitos então pensaram que seria motivo para o cancelamento do mangá, mas não foi o que aconteceu. Indo contra as expectativas convencionais, os editores até encheram a obra de páginas coloridas, algumas sendo as primeiras da edição.

O motivo é simples: Dream Jumbo Girl desempenha muito bem na Magazine Pocket, plataforma digital da Kodansha. Com alguns capítulos recentes batendo mais de 200 comentários, a comédia vai melhor lá até que várias séries que vendem melhor. Um exemplo que dou é Banjou no Orion, que bate os 10 mil volumes mensais, mas tem um teto mais baixo na Magapoke, mais perto dos 100 comentários semanais.

Recentemente, a notícia que a circulação da Jump física caiu do 1 milhão gerou muita discussão no Japão. E alguns aproveitaram a deixa para falar: “por que não contestam a queda das vendas das revistas da Magazine e da Sunday também?”, mas a maioria dos comentários dizia que a situação era diferente porque essas revistas, principalmente a Magazine, colocaram o digital como prioridade.

O que isso quer dizer? Basicamente, apesar da Weekly Shonen Magazine ser a principal revista da Kodansha, seu carro chefe é a Magazine Pocket, um serviço que bate de frente com a Jump+ em popularidade no Japão. O motivo é que existe uma sinergia maior entre a Magapoke com a Weekly Shonen Magazine do que há entre a Jump+ e a Weekly Shonen Jump.

Os motivos são vários, mas o mais dado pelos comentários era sobre como é mais barato e conveniente para acompanhar as obras da Magazine na plataforma do que as da Jump na +, algo que muitos NEM SABEM que é possível.

Com várias campanhas para leitura gratuita, sistemas de pontos mais amigáveis para usuários free e promoções maiores, hoje dá para dizer que um número significativo de fãs da Magazine prefere ler a revista e suas obras pelo aplicativo. Com a assinatura Comic Days, você paga 960 ienes (por volta de uns 30 reais) e ganha a Magazine e mais 17 revistas da Kodansha assim que lançam, já a assinatura digital da Weekly Shonen Jump custa 980 ienes e de bônus só tem a Jump GIGA algumas vezes por ano.

Apesar de perder em vendas físicas, os usuários japoneses elogiam muito como a Magazine é mais simples de acompanhar pelo digital e a percepção é mais positiva. Obras como Dream Jumbo Girl conquistam seu espaço dessa forma.

Em seguida temos Mayonaka Heart Tune em décimo primeiro. Alguns contestam a velocidade para ganhar anime e virar franquia considerando as vendas decentes, mas não enormes. O ponto é: tudo que falei de Dream Jumbo Girl aplica para MayoTune só que em escala maior, além das vendas serem boas para o mercado atual. Acho que um dos grandes dilemas para entendimento do mercado de mangá para os próximos anos será para as pessoas entenderem que os números caíram e isso não tem relação com qualidade.

Ao no Miburo está na décima segunda colocação e continua sendo o mangá histórico da line-up, já que Gunyuu wo Tsuzuru e Sensen Senki são fantasia, apesar de serem histórias medievais.

Dando uma moral para outro mangá consistente e com desempenho digital decente, os editores colocam Yumene Connect como o décimo terceiro do grid.

Kaijin Fugeki, o décimo quarto da edição, continua banalizando a excelência artística para um mangá que sai numa revista semanal. O que Oh Great faz é simplesmente impressionante.

Apesar das cores “apenas” para promoção de volume, Zero to Hyaku conseguiu duas páginas para colorir. É algo raro, ainda mais se tratando de uma série que luta contra o cancelamento. Significa que está seguro?

Até poderia dizer que as melhores colocações recentes poderiam ser sinal do editorial investindo no mangá apesar dos problemas, ainda mais por se tratar de uma spokon, gênero que já foi muito associado à Magazine. Mas o mangá em si está apenas em décimo quinto lugar e o capítulo em si pula diversas partidas e mostra a dupla principal já jogando em nível alto.

Quer dizer que está num arco final de cancelado? Não cravo porque esse mangá já me enganou. Se fosse na Jump, diria que já está com um pé e meio fora, mas aqui a pulga fica atrás da orelha e pode ser só uma decisão narrativa esquisita para tentar chamar atenção.

Décimo sexto dessa TOC, Yaergnacht está no meio de batalha com seu típico loop de Capítulos de Romance -> Capítulos de Luta. Agrada bem o público já que o mangá está com 400 mil cópias em circulação com 5 volumes, um desempenho excelente no atual mercado, ainda mais falando de um gênero visto como nicho como o battle harem.

Sensen Senki é o décimo sétimo lugar com um capítulo um pouco menos badalado que o anterior, que foi um grande hit entre os leitores. A razão é simples, os leitores gostaram mais da batalha do protagonista Raika contra uma vilã mulher do que o capítulo dessa edição que coloca Roro, o mais forte do grupo dos heróis, contra um vilão secundário. É uma queda esperada.

De qualquer forma, o mangá continua sendo elogiado por muitos leitores da revista nas redes sociais, com desejos de ser um futuro pilar da Magazine. É ver se esse povo vai seguir o que fala e comprar o primeiro volume para apoiar um battle nesse momento que é tão difícil para se ter sucesso no gênero.

Seitokai ni mo ana wa aru, o décimo oitavo aqui, é mais um que continua entregando ótimos capítulos e ainda espera seu anime para Outubro. Curiosamente, nem mostraram muito do anime, mas os nomes atrelados ao projeto dão confiança plena em uma adaptação de qualidade.

Apesar de não ser uma posição tão alta, é bom ver Lilim Holic subir um pouco e aparecer em décimo nono lugar. A recepção do mangá continua forte na Magapoke e não seria saudável ver mais uma divisão entre os leitores da revista e do aplicativo.

Vigésimo colocado, KILLER+SITTER terá sua prova de fogo logo com seu primeiro volume. Não estou com as expectativas muito altas considerando os baixos números de comentários sobre o mangá após seus capítulos pagos começarem, além da autora tido um cancelamento recente na Magazine com Jyushin no Katana.

De qualquer forma, a barra é baixa o suficiente que ainda há esperança da quantidade de leitores físicos ser o suficiente para a salvação dessa comédia.

Uminesou em vigésimo primeiro lugar continua sendo um mangá promissor apesar de seu número de vendas já ter caído no volume 2, o que implica que realmente deve apelar primariamente para os leitores que já são fãs do autor.

Um que sofre é Ura Tokyo, o vigésimo segundo colocado. O mangá sempre está entre os mais baixos da TOC e apesar da ligeira subida nessa edição, não deve sair do fundão da revista, ainda mais com os leitores mais desinteressados nos capítulos novos.

Com um foco num personagem secundário de fora da escola, a impressão que passa é que os leitores que gostaram dos demais estudantes não acompanham muito mais o mangá na Magapoke. Atualmente é a obra da line-up com menos engajamento na plataforma. O cancelamento deve chegar perto do capítulo 30.

Da vigésima terceira até a vigésima quinta posição temos séries seguras que só estão aqui por questões de rotação ou, talvez, por uma entrega mais demorada de capítulo. Mesmo assim estão todos seguros, ganharam seus anime e são franquias ativas. Respectivamente, Yowayowa Sensei, Gachiakuta e Kanan-sama.

Fechando a edição temos Zureboku. Como sabemos, estar em último não é sentença de morte, mas não é algo que quer ver com frequência logo no começo, então acende o sinal amarelo para a comédia romântica.

O que mais pode prejudicar o mangá é que depois do polêmico capítulo 2, que os leitores criticaram bastante pela personagem secundária, o número de comentários caiu bastante e os primeiros capítulos pagos não estão indo bem de início. Além de tudo, o capítulo dessa edição trouxe mais um personagem secundário que pode não ser muito popular, algo que a autora não poderia ter mudado agora já que o capítulo é preparado antes dela ter a recepção do público.

Essa edição contou com vinte e seis séries, então foi um sufoco escrever um pouco de tudo e algumas partes eu optei por fazer um comentário mais direto para o texto não ficar ainda maior. Também recomendo a leitura da entrevista que tirei com o mangaka Hideki Tsuji! Até a próxima.

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