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Análise – TOC Weekly Shonen Magazine #43 (Ano 2026).

Lucca 29/09/2026

Retorno de Sentai Daishikakku, sucesso explosivo de Sensen Senki, a popularidade de Uminesou e o review final de Sensen Senki. Tudo isso e mais na nossa análise da segunda maior revista shonen do Japão, a Weekly Shonen Magazine. Começando pela TOC:

  1. Ano shima no Uminesou (Primeiras Páginas Coloridas) Ch. 33
  2. Fairy Tail Re: Fantasia Ch. 08
  3. Blue Lock Ch. 362
  4. Onryou Biyori Ch. 04
  5. Kakkou no linazuke Ch. 312
  6. Sentai Daishikkaku Ch. 222
  7. Kanojo, Okarishimasu Ch. 441
  8. KILLER+SITTER Ch. 13
  9. Seitokai ni mo ana wa aru! Ch. 185
  10. Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su (Página Colorida) Ch. 280
  11. Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai Ch. 238
  12. Zero to Hyaku Ch. 40
  13. Dream ✰ Jumbo ✰ Girl Ch. 58
  14. Sensen Senki Ch. 14
  15. Kanan sama wa Akumade Choroi Ch. 197
  16. Banjou no Orion (Página Colorida) Ch. 112
  17. Kurotsuki no Yaergnacht Ch. 61
  18. Gunyuu wo Tsuzuru Ch. 09
  19. Mayonaka Heart Tune Ch. 131
  20. Mokushiroku no Yonkishi Ch. 254
  21. Lilim Holic Ch. 16
  22. Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 116
  23. Yowayowa Sensei Ch. 183
  24. Suruga Meteor Ch. 76
  25. Zureta Kaishoku no Bokura Ch. 11
  26. Ura Tokyo no Osoroshi Dokoro Ch. 25 (FIM)
  27. Yumene Connect Ch. 94

Ausências: Kaijin Fugeki Ch. 94, Gachiakuta Ch. 174, Hajime no Ippo Ch. 1516, Ahiru no Sora Ch. 616 (Hiato)

Nao Kosaka

Uma idol estampa a revista, mas os lutadores de Uminesou é que dão abertura para os mangás nessa edição. Pode surpreender quem não lê o mangá já que é uma comédia romântica, mas Seo Kouji está se divertindo parodiando mangás de batalha na série e com essa página de abertura celebra a entrada direta de Ami, personagem de sua série anterior, no novo trabalho.

Com mais de 100 mil cópias em circulação com os resultados de seus dois primeiros volumes, Uminesou é promovido como parte da line-up da Magazine que terá espaço para o restante da década. Ao mesmo que é uma nova porta de entrada para leitores, também agrada os fãs de Megami Café que já acompanhavam a revista por anos e não tiveram que esperar muito entre o final de uma obra e começo de outra.

O capítulo da semana também conta com uma pequena coluna mostrando os cenários reais que inspiraram a ilha que é o cenário do mangá.

Continuando o artigo, usarei os bullet points pelo grande número de séries (27) nessa edição, com um foco maior nos destaques.

Fairy Tail Re:Fantasia: Poucas novidades para o curto retorno de Fairy Tail. Esse penúltimo capítulo conclui a parte de ação e o final deve ter um momento mais relaxado entre os personagens.

Re:Fantasia sempre ficou nas primeiras posições da TOC e revela que a Magazine também vê o espaço como um de prestígio e que vai usá-lo para promover o que lhe interessa. Fairy Tail ainda terá mais projetos a serem anunciados na próxima edição e ao longo do ano, sendo uma das franquias mais importantes da Kodansha.

Blue Lock: Outro que esteve sempre no topo recentemente foi Blue Lock, principalmente desde que seu filme live action entrou em exibição. Já o mangá parece estar abordando a discussão futebolística sobre: “futebol ficou chato depois do Guardiola?”

Onryou Biyori: Mais uma vez em destaque já que é apenas sua terceira semana em publicação (os capítulos 1 e 2 foram lançados juntos), Onryou Biyori teve o último capítulo daquela leva que já havia saído na revista quando foi uma série curta.

Esse quarto capítulo teve uma recepção muito boa originalmente já que muda a fórmula dos três primeiros. Nos anteriores, a personagem principal nunca se assusta com os espíritos e os salva de forma casual, mas nesse ela decide atacar um que está para ferir sua amiga fantasma. O público adorou na época e deve ter sido uma das razões para sua serialização normal.

Entretanto, por ser um capítulo pago que você pode ler gratuitamente no site da Magapoke indo em outra página, foi o com menos repercussão no site. E isso é o mangá até aqui, apesar de ter ido bem antes, o pessoal já leu e não fala tanto sobre. O próximo capítulo será inédito e deve ser mais interessante de analisar.

Kakkou no Iinazuke: Capítulo que gerou um certo burburinho, mas nada muito controverso e que nem afetaria vendas. Não que importe muito no final do mangá também.

Sentai Daishikkaku: Em hiato por várias semanas por questões de saúde, Sentai Daishikkaku retorna e o autor Negi Haruba disse que acredita estar bem para continuar o mangá num ritmo normal e sem problemas.

Apesar da Magazine ter uma rotação de autores mais flexível e que permite mais paradas, ainda se trata de uma revista semanal com os autores tendo que completar capítulos na maioria das semanas. Isso acaba desgastando autores com o tempo e Negi Haruba já está nessa tem anos, então não é surpresa que ele precisou de uma parada.

O arco atual é o final e acredito que uma revista como a Jump poderia considerar transferir o mangá para outra revista e usar o espaço na revista, mas a Magazine faz mais questão de preservar a relação com o autor. Apesar de Sentai Daishikkaku estar longe de seus maiores sucessos, se trata do autor que lhes conferiu um dos maiores sucessos na sua história com Gotoubun no Hanayome.

A história voltou ao normal continuando com a história bem fora da norma que é a desse arco final. Se você não soubesse o título do mangá ou o traço do autor, seria difícil de imaginar que se trata de um mangá com temática super sentai. Mas essa quebra de expectativas é justamente o forte de Negi.

Kanojo, Okarishimasu: Mais um capítulo que é basicamente o Miyajima falando “esse realmente será o arco derradeiro para definir o romance de Kazuya e Chizuru”. Será que os leitores acreditam? Eu sim, mas pode ser que muitos duvidem.

KILLER+SITTER: As vendas da primeira semana de Killer+Sitter chegaram: 3400 cópias. Pode parecer pouco, mas foi basicamente o mesmo resultado do trabalho anterior da autora, Jyuushin no Katana, que vendeu… 3500 cópias em sua semana inicial.

Pode parecer algo negativo considerando que Katana foi cancelado, mas deve-se pensar que a média de vendas do mercado caiu e que esse número agora é um pouco melhor. Além disso, o problema da série anterior não foi essa abertura, mas a queda em vendas gradual.

Ranqueando no ranking diário da Shoseki todos os dias na sua segunda semana, Killer Sitter deve garantir ao menos 5 mil cópias no mês e garantir sua permanência por mais alguns volumes, precisando se provar neles.

Na Magapoke o mangá não está lá essas maravilhas, mas seu apelo no mercado físico pode ser sua salvação.

Seitokai ni mo ana wa aru: Com o mini arco da Komaro acabando, acho que voltaremos ao conselho completo para a estréia do anime que acontece em Outubro. Aliás, a CAPA (sim, capa) da próxima edição é de Seitokai.

Shangri-la Frontier: É bem interessante o quão regularmente o anime é promovido durante o ano, mesmo com a próxima temporada só saindo em 2027. Diria que eles tem noção da importância da obra e precisam deixá-la sempre na mente dos fãs de anime.

A revista também conta com explicações das mecânicas do jogo mobile de ShanFro. Parece o habitual desses jogos licenciados, mas vamos conferir como se sai quando lançar.

Kuroiwa Medaka: Foi um capítulo. Ainda esperando mais novidades da segunda temporada do anime.

Zero to Hyaku: Ótima posição para a spokon, que sai um pouco do fundão e respira um ar mais limpo. Dá para pensar agora que realmente os editores estão deixando o mangá continuar. Não sei se dá para dizer que está seguro por longo tempo, mas com a vinda de novatos, Zero to Hyaku tem mais espaço para tentar ir sobrevivendo mesmo com vendas baixas.

Dream Jumbo Girl: Esse capítulo conclui o arco que estava em andamento nos últimos meses e alguns leitores se assustaram com a idéia da história estar possivelmente acabando, mas acredito que seja apenas o ritmo do Hiroyuki que é um autor que nunca gostou de enrolar muito.

Sensen Senki: Ok, já falamos do sucesso de Sensen Senki no artigo anterior, mas temos o número da primeira seman aqui, o mangá chegou a praticamente 17 mil cópias na sua primeira semana — um número mais do que excelente.

Isso já colocaria Sensen Senki como um dos battle shonen mais promissores do mercado. Mas como falei antes, seu grande problema é identificar o quanto disso é interesse do público, que realmente está elogiando a boa qualidade do mangá, e o quanto é afetado pelos scalpers que decidiram comprar o volume 1 e não devem aparecer no segundo volume.

O capítulo da semana encerra o primeiro arco depois da introdução e deixou uma ótima impressão ao construir heróis e vilões, além de mostrar um sistema de batalha divertido e muito bem representado pela ótima arte. O mangá tem tudo para ser um sucesso no gênero que a Magazine mais precisava de um hit.

Kanan-sama: Capítulo que introduz mais uma personagem. Temos anos de Kanan pela frente.

Banjou no Orion: O autor do nosso querido Ahiru no Sora, nosso eterno hiato, certa vez disse que queria provar que um mangá pode se vender apenas pela qualidade e decidiu não desenhar mais capas para seus volumes, focando apenas no conteúdo dentro dos encadernados.

Eu meio que não concordo porque é um mercado complicado e nem sempre você terá uma chance mesmo com uma obra de qualidade. Mas alguns mangás parecem superar barreiras tradicionais apenas por sua escrita mesmo assim. É o caso de Banjou no Orion que apesar de mal existir ou ser promovido por suas contas em redes sociais, é um dos mangás mais estáveis em vendas da revista, sempre batendo seus 10 mil mensais.

O capítulo da semana é mais um forte uso da narrativa que entrelaça dramas pessoais e partidas de shogi, com a arte colorida promovendo o novo volume.

Yaergnacht: Do nada um capítulo com gore? Situações que podem acontecer numa revista no qual o editorial dá liberdade para os artistas.

Gunyuu wo Tsuzuru: Mesmo numa semana com os capítulos gratuitos, o crescimento do mangá na Magapoke foi muito pequeno e está sendo o pior desempenho de um novato no ano pela plataforma. Com um debut fraco, comentários em capítulos gratuitos estacionando nos 50 posts e a TOC repetidamente baixa, Gunyuu wo Tsuzuru precisará de um ótimo desempenho nas vendas físicas para se salvar. Cenário complicado.

Mayonaka Heart Tune: A comédia romântica completou três anos de publicação e o autor Igarashi celebrou no Twitter com uma arte original até, algo raro para gente que faz mangá semanal e não tem tempo para dedicar extras assim para os fãs. Então achei bacana.

A obra continua firme e forte, tanto como mangá quanto pelo projeto do anime. A narrativa está desenvolvendo gradualmente e o marketing não para.

Lilim Holic: Apesar do resultado decente do primeiro volume e dos bons números na Magapoke, a comédia romântica não sai da parte do fim da TOC. Não significa recepção ruim e pode estar aqui ainda por ter menos prioridade que as demais séries do gênero.

Ao no Miburo: Mais momentos de peso no mangá que está na mesma batalha por alguns meses.

Yowayowa Sensei: Nas últimas semanas a revista tem sido mais óbvia com os maiores sucessos na frente e os ecchi perto do fim e não foi diferente aqui. Nada demais para Yowayowa que continua firme.

Suruga Meteor: A impressão que passa é que Suruga Meteor está ranqueando pior desde que foi ultrapassado por Zero to Hyaku em vendas, mas seu ritmo continua normal em narrativa e o apoio editorial é existente, então talvez seja mais apenas o caso de promover o novato mais no momento.

Zureboku: Outro mangá novo que ficou gratuito na Magapoke na semana e não performou muito bem. Comentários na média dos 100 posts nos capítulos, número um pouco acima de Killer+Sitter. O problema é que a autora de Zureboku não tem enormes sucessos de mercado para garantir vendas do nível de Killer+Sitter, então as expectativas de vendas ficam mais complicadas.

Estando em posição baixa, o mangá poderá estar em risco já se continuar aparecendo no fim da TOC.

Ura Tokyo: Chegou ao fim após um desempenho muito fraco com os leitores. Review abaixo.

Yumene Connect: Continua aparecendo no fim da revista, sendo o ecchi com menos prioridade. No entanto, a narrativa não está implicando algum final e o mangá recebeu páginas coloridas frequentemente. Obras como Gunyuu wo Tsuzuru e Zureboku podem servir de almofadas para que Yumene continue apesar dessas baixas colocações.

REVIEW

URA TOKYO NO OSOROSHI DOKORO

Num cenário cada vez mais complicado para novos battle shonen conquistarem o sucesso, Ura Tokyo chegou à Magazine prometendo trazer uma fórmula clássica de ação com um grupo grande de personagens num mundo de fantasia, mas com a temática moderna do exorcismo. Entretanto, a série acabou com apenas 25 capítulos, sendo um dos cancelamentos mais rápidos dos últimos anos. Como isso aconteceu?

Ura Tokyo conta a história de Soma Kuroniwa, um garoto que invadiu uma área proibida e teve o corpo possuído por diversos poderosos espíritos. Entretanto, o jovem conseguiu os prender ali sem perder sua autonomia, podendo usar parte deles para lutar. Ele decide entrar na escola de exorcista de Ura Tokyo, a cidade secreta mágica que existe debaixo da Tokyo real.

O mangá começa apresentando essa cidade fantástica e mostrando o quão diferente é do mundo normal. Tudo ali funciona na base da magia, desde trens até outdoors. E aí já começa o primeiro problema do mangá: a premissa era ser sobre um mangá escolar, mas demoramos mais de um mês só para chegar à escola, com o autor detalhando todos os momentos da chegada dos personagens ao “vestibular” do colégio até a caminhada para a escola.

Os leitores queriam ver logo a escola para criar novas dinamicas e situações interessantes, mas o autor não acertou na prioridade ao preferir usar esse tempo para mostrar Kuroniwa enfrentando inimigos aleatórios pelas ruas.

Quando chegaram à escola os leitores ficaram ansiosos para finalmente termos mais detalhes do elenco principal, mas logo eles foram enviados para uma missão que focou em mais batalhas, aonde a maioria dos alunos não tiveram muita oportunidade para brilhar. O pior é que os leitores haviam gostado da heroína Haruho Nanbu, que foi o ponto de vista inicial do mangá para introduzir Kuroniwa, mas ela foi deixada de lado nesse arco imediatamente.

O foco foi para o Kuroniwa e uma outra aluna que é claramente inspirada por Erza Scarlet de Fairy Tail, passando a impressão de que a guilda do clássico de Hiro Mashima era o que ele estava tentando reproduzir em questão de sentimento de camaradagem.

Porém a obra não deu tempo ao tempo e a rotação de personagens mais desinteressou os leitores que viam os personagens que gostavam prontamente substituídos em poucos capítulos, com apenas Kuroniwa sempre presente. Isso era um problema ainda maior considerando o quanto o protagonista é tímido e reativo. Com poucas falas, o foco era sempre nos seus aliados.

Provavelmente procurando por saídas para salvar o mangá após o crescente desinteresse dos leitores ficar claro, o autor Kojiro decidiu fazer um arco que veio a ser o final da obra, no qual Kuroniwa vai estudar com um ex-aluno do colégio, sem mais nenhum estudante de sua sala presente no arco.

Lá ele enfrenta um dos vilões do grupo acima enquanto o autor foca o desenvolvimento quase todo nesse mentor. Simplesmente os leitores não se interessaram e preferiam ter continuado com os personagens que já haviam gostado e sentiram pouco aproveitados.

O arco foi se transformando conforme o cancelamento ficava óbvio, com revelações corridas e uma luta final que, segundo o mangá, era épica, mas para o leitor desinteressava já que o conflito não envolvia os personagens mais interessantes do mangá.

Ura Tokyo possui qualidades em construir um mundo de fantasia visualmente interessante e que passa a impressão de ter sua própria história e estrutura. O autor Kojiro também faz um trabalho decente em criar designs, com personagens chamativos e de apelo (homens e mulheres). Sua arte é num geral bonita e com um traço característico que dá charme à ação.

Seu maior problema é justamente ter os ingredientes e não acertar a medida. O autor focou demais em batalhas consecutivas contra inimigos fracos e narrativamente desinteressantes e pouco nos personagens centrais, que já haviam chamado a atenção dos leitores. Kuroniwa também precisava de mais personalidade ou ao menos personagens secundários fixos para conduzirem a história junto dele.

A escola foi pouco aproveitada também. Apesar dos personagens de Fairy Tail não ficarem o tempo todo na guilda, ela era presente o suficiente na história para os leitores se importarem com o local, era um símbolo da união entre eles. O mesmo não pode ser dito da escola de Ura Tokyo, pouco presente no mangá.

O mangá até teve um número razoável de vendas no primeiro volume, mas despencou no segundo. Mostra que haviam qualidades visíveis ali, mas que a condução foi o que perdeu o interesse dos leitores. Acertar o ponto será essencial para Kojiro voltar à revista com um novo mangá.

O final de Ura Tokyo apresentou vários conceitos não usados antes de partir para páginas finais que eram uma mensagem direta do autor para seus leitores: “eu quero voltar e prometo melhorar”. Estarei esperando e confiando que ele ainda pode criar um mangá único que dê vida para os bons esqueletos que já cria.

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