Retorno de Sentai Daishikakku, sucesso explosivo de Sensen Senki, a popularidade de Uminesou e o review final de Sensen Senki. Tudo isso e mais na nossa análise da segunda maior revista shonen do Japão, a Weekly Shonen Magazine. Começando pela TOC:
- Ano shima no Uminesou (Primeiras Páginas Coloridas) Ch. 33
- Fairy Tail Re: Fantasia Ch. 08
- Blue Lock Ch. 362
- Onryou Biyori Ch. 04
- Kakkou no linazuke Ch. 312
- Sentai Daishikkaku Ch. 222
- Kanojo, Okarishimasu Ch. 441
- KILLER+SITTER Ch. 13
- Seitokai ni mo ana wa aru! Ch. 185
- Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su (Página Colorida) Ch. 280
- Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai Ch. 238
- Zero to Hyaku Ch. 40
- Dream ✰ Jumbo ✰ Girl Ch. 58
- Sensen Senki Ch. 14
- Kanan sama wa Akumade Choroi Ch. 197
- Banjou no Orion (Página Colorida) Ch. 112
- Kurotsuki no Yaergnacht Ch. 61
- Gunyuu wo Tsuzuru Ch. 09
- Mayonaka Heart Tune Ch. 131
- Mokushiroku no Yonkishi Ch. 254
- Lilim Holic Ch. 16
- Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 116
- Yowayowa Sensei Ch. 183
- Suruga Meteor Ch. 76
- Zureta Kaishoku no Bokura Ch. 11
- Ura Tokyo no Osoroshi Dokoro Ch. 25 (FIM)
- Yumene Connect Ch. 94
Ausências: Kaijin Fugeki Ch. 94, Gachiakuta Ch. 174, Hajime no Ippo Ch. 1516, Ahiru no Sora Ch. 616 (Hiato)

Uma idol estampa a revista, mas os lutadores de Uminesou é que dão abertura para os mangás nessa edição. Pode surpreender quem não lê o mangá já que é uma comédia romântica, mas Seo Kouji está se divertindo parodiando mangás de batalha na série e com essa página de abertura celebra a entrada direta de Ami, personagem de sua série anterior, no novo trabalho.
Com mais de 100 mil cópias em circulação com os resultados de seus dois primeiros volumes, Uminesou é promovido como parte da line-up da Magazine que terá espaço para o restante da década. Ao mesmo que é uma nova porta de entrada para leitores, também agrada os fãs de Megami Café que já acompanhavam a revista por anos e não tiveram que esperar muito entre o final de uma obra e começo de outra.
O capítulo da semana também conta com uma pequena coluna mostrando os cenários reais que inspiraram a ilha que é o cenário do mangá.
Continuando o artigo, usarei os bullet points pelo grande número de séries (27) nessa edição, com um foco maior nos destaques.
Fairy Tail Re:Fantasia: Poucas novidades para o curto retorno de Fairy Tail. Esse penúltimo capítulo conclui a parte de ação e o final deve ter um momento mais relaxado entre os personagens.
Re:Fantasia sempre ficou nas primeiras posições da TOC e revela que a Magazine também vê o espaço como um de prestígio e que vai usá-lo para promover o que lhe interessa. Fairy Tail ainda terá mais projetos a serem anunciados na próxima edição e ao longo do ano, sendo uma das franquias mais importantes da Kodansha.
Blue Lock: Outro que esteve sempre no topo recentemente foi Blue Lock, principalmente desde que seu filme live action entrou em exibição. Já o mangá parece estar abordando a discussão futebolística sobre: “futebol ficou chato depois do Guardiola?”
Onryou Biyori: Mais uma vez em destaque já que é apenas sua terceira semana em publicação (os capítulos 1 e 2 foram lançados juntos), Onryou Biyori teve o último capítulo daquela leva que já havia saído na revista quando foi uma série curta.
Esse quarto capítulo teve uma recepção muito boa originalmente já que muda a fórmula dos três primeiros. Nos anteriores, a personagem principal nunca se assusta com os espíritos e os salva de forma casual, mas nesse ela decide atacar um que está para ferir sua amiga fantasma. O público adorou na época e deve ter sido uma das razões para sua serialização normal.
Entretanto, por ser um capítulo pago que você pode ler gratuitamente no site da Magapoke indo em outra página, foi o com menos repercussão no site. E isso é o mangá até aqui, apesar de ter ido bem antes, o pessoal já leu e não fala tanto sobre. O próximo capítulo será inédito e deve ser mais interessante de analisar.
Kakkou no Iinazuke: Capítulo que gerou um certo burburinho, mas nada muito controverso e que nem afetaria vendas. Não que importe muito no final do mangá também.
Sentai Daishikkaku: Em hiato por várias semanas por questões de saúde, Sentai Daishikkaku retorna e o autor Negi Haruba disse que acredita estar bem para continuar o mangá num ritmo normal e sem problemas.
Apesar da Magazine ter uma rotação de autores mais flexível e que permite mais paradas, ainda se trata de uma revista semanal com os autores tendo que completar capítulos na maioria das semanas. Isso acaba desgastando autores com o tempo e Negi Haruba já está nessa tem anos, então não é surpresa que ele precisou de uma parada.
O arco atual é o final e acredito que uma revista como a Jump poderia considerar transferir o mangá para outra revista e usar o espaço na revista, mas a Magazine faz mais questão de preservar a relação com o autor. Apesar de Sentai Daishikkaku estar longe de seus maiores sucessos, se trata do autor que lhes conferiu um dos maiores sucessos na sua história com Gotoubun no Hanayome.
A história voltou ao normal continuando com a história bem fora da norma que é a desse arco final. Se você não soubesse o título do mangá ou o traço do autor, seria difícil de imaginar que se trata de um mangá com temática super sentai. Mas essa quebra de expectativas é justamente o forte de Negi.
Kanojo, Okarishimasu: Mais um capítulo que é basicamente o Miyajima falando “esse realmente será o arco derradeiro para definir o romance de Kazuya e Chizuru”. Será que os leitores acreditam? Eu sim, mas pode ser que muitos duvidem.
KILLER+SITTER: As vendas da primeira semana de Killer+Sitter chegaram: 3400 cópias. Pode parecer pouco, mas foi basicamente o mesmo resultado do trabalho anterior da autora, Jyuushin no Katana, que vendeu… 3500 cópias em sua semana inicial.
Pode parecer algo negativo considerando que Katana foi cancelado, mas deve-se pensar que a média de vendas do mercado caiu e que esse número agora é um pouco melhor. Além disso, o problema da série anterior não foi essa abertura, mas a queda em vendas gradual.
Ranqueando no ranking diário da Shoseki todos os dias na sua segunda semana, Killer Sitter deve garantir ao menos 5 mil cópias no mês e garantir sua permanência por mais alguns volumes, precisando se provar neles.
Na Magapoke o mangá não está lá essas maravilhas, mas seu apelo no mercado físico pode ser sua salvação.
Seitokai ni mo ana wa aru: Com o mini arco da Komaro acabando, acho que voltaremos ao conselho completo para a estréia do anime que acontece em Outubro. Aliás, a CAPA (sim, capa) da próxima edição é de Seitokai.

Shangri-la Frontier: É bem interessante o quão regularmente o anime é promovido durante o ano, mesmo com a próxima temporada só saindo em 2027. Diria que eles tem noção da importância da obra e precisam deixá-la sempre na mente dos fãs de anime.
A revista também conta com explicações das mecânicas do jogo mobile de ShanFro. Parece o habitual desses jogos licenciados, mas vamos conferir como se sai quando lançar.
Kuroiwa Medaka: Foi um capítulo. Ainda esperando mais novidades da segunda temporada do anime.
Zero to Hyaku: Ótima posição para a spokon, que sai um pouco do fundão e respira um ar mais limpo. Dá para pensar agora que realmente os editores estão deixando o mangá continuar. Não sei se dá para dizer que está seguro por longo tempo, mas com a vinda de novatos, Zero to Hyaku tem mais espaço para tentar ir sobrevivendo mesmo com vendas baixas.
Dream Jumbo Girl: Esse capítulo conclui o arco que estava em andamento nos últimos meses e alguns leitores se assustaram com a idéia da história estar possivelmente acabando, mas acredito que seja apenas o ritmo do Hiroyuki que é um autor que nunca gostou de enrolar muito.
Sensen Senki: Ok, já falamos do sucesso de Sensen Senki no artigo anterior, mas temos o número da primeira seman aqui, o mangá chegou a praticamente 17 mil cópias na sua primeira semana — um número mais do que excelente.
Isso já colocaria Sensen Senki como um dos battle shonen mais promissores do mercado. Mas como falei antes, seu grande problema é identificar o quanto disso é interesse do público, que realmente está elogiando a boa qualidade do mangá, e o quanto é afetado pelos scalpers que decidiram comprar o volume 1 e não devem aparecer no segundo volume.
O capítulo da semana encerra o primeiro arco depois da introdução e deixou uma ótima impressão ao construir heróis e vilões, além de mostrar um sistema de batalha divertido e muito bem representado pela ótima arte. O mangá tem tudo para ser um sucesso no gênero que a Magazine mais precisava de um hit.
Kanan-sama: Capítulo que introduz mais uma personagem. Temos anos de Kanan pela frente.

Banjou no Orion: O autor do nosso querido Ahiru no Sora, nosso eterno hiato, certa vez disse que queria provar que um mangá pode se vender apenas pela qualidade e decidiu não desenhar mais capas para seus volumes, focando apenas no conteúdo dentro dos encadernados.
Eu meio que não concordo porque é um mercado complicado e nem sempre você terá uma chance mesmo com uma obra de qualidade. Mas alguns mangás parecem superar barreiras tradicionais apenas por sua escrita mesmo assim. É o caso de Banjou no Orion que apesar de mal existir ou ser promovido por suas contas em redes sociais, é um dos mangás mais estáveis em vendas da revista, sempre batendo seus 10 mil mensais.
O capítulo da semana é mais um forte uso da narrativa que entrelaça dramas pessoais e partidas de shogi, com a arte colorida promovendo o novo volume.
Yaergnacht: Do nada um capítulo com gore? Situações que podem acontecer numa revista no qual o editorial dá liberdade para os artistas.
Gunyuu wo Tsuzuru: Mesmo numa semana com os capítulos gratuitos, o crescimento do mangá na Magapoke foi muito pequeno e está sendo o pior desempenho de um novato no ano pela plataforma. Com um debut fraco, comentários em capítulos gratuitos estacionando nos 50 posts e a TOC repetidamente baixa, Gunyuu wo Tsuzuru precisará de um ótimo desempenho nas vendas físicas para se salvar. Cenário complicado.
Mayonaka Heart Tune: A comédia romântica completou três anos de publicação e o autor Igarashi celebrou no Twitter com uma arte original até, algo raro para gente que faz mangá semanal e não tem tempo para dedicar extras assim para os fãs. Então achei bacana.
A obra continua firme e forte, tanto como mangá quanto pelo projeto do anime. A narrativa está desenvolvendo gradualmente e o marketing não para.
Lilim Holic: Apesar do resultado decente do primeiro volume e dos bons números na Magapoke, a comédia romântica não sai da parte do fim da TOC. Não significa recepção ruim e pode estar aqui ainda por ter menos prioridade que as demais séries do gênero.
Ao no Miburo: Mais momentos de peso no mangá que está na mesma batalha por alguns meses.
Yowayowa Sensei: Nas últimas semanas a revista tem sido mais óbvia com os maiores sucessos na frente e os ecchi perto do fim e não foi diferente aqui. Nada demais para Yowayowa que continua firme.
Suruga Meteor: A impressão que passa é que Suruga Meteor está ranqueando pior desde que foi ultrapassado por Zero to Hyaku em vendas, mas seu ritmo continua normal em narrativa e o apoio editorial é existente, então talvez seja mais apenas o caso de promover o novato mais no momento.
Zureboku: Outro mangá novo que ficou gratuito na Magapoke na semana e não performou muito bem. Comentários na média dos 100 posts nos capítulos, número um pouco acima de Killer+Sitter. O problema é que a autora de Zureboku não tem enormes sucessos de mercado para garantir vendas do nível de Killer+Sitter, então as expectativas de vendas ficam mais complicadas.
Estando em posição baixa, o mangá poderá estar em risco já se continuar aparecendo no fim da TOC.
Ura Tokyo: Chegou ao fim após um desempenho muito fraco com os leitores. Review abaixo.
Yumene Connect: Continua aparecendo no fim da revista, sendo o ecchi com menos prioridade. No entanto, a narrativa não está implicando algum final e o mangá recebeu páginas coloridas frequentemente. Obras como Gunyuu wo Tsuzuru e Zureboku podem servir de almofadas para que Yumene continue apesar dessas baixas colocações.
REVIEW
URA TOKYO NO OSOROSHI DOKORO

Num cenário cada vez mais complicado para novos battle shonen conquistarem o sucesso, Ura Tokyo chegou à Magazine prometendo trazer uma fórmula clássica de ação com um grupo grande de personagens num mundo de fantasia, mas com a temática moderna do exorcismo. Entretanto, a série acabou com apenas 25 capítulos, sendo um dos cancelamentos mais rápidos dos últimos anos. Como isso aconteceu?
Ura Tokyo conta a história de Soma Kuroniwa, um garoto que invadiu uma área proibida e teve o corpo possuído por diversos poderosos espíritos. Entretanto, o jovem conseguiu os prender ali sem perder sua autonomia, podendo usar parte deles para lutar. Ele decide entrar na escola de exorcista de Ura Tokyo, a cidade secreta mágica que existe debaixo da Tokyo real.
O mangá começa apresentando essa cidade fantástica e mostrando o quão diferente é do mundo normal. Tudo ali funciona na base da magia, desde trens até outdoors. E aí já começa o primeiro problema do mangá: a premissa era ser sobre um mangá escolar, mas demoramos mais de um mês só para chegar à escola, com o autor detalhando todos os momentos da chegada dos personagens ao “vestibular” do colégio até a caminhada para a escola.
Os leitores queriam ver logo a escola para criar novas dinamicas e situações interessantes, mas o autor não acertou na prioridade ao preferir usar esse tempo para mostrar Kuroniwa enfrentando inimigos aleatórios pelas ruas.

Quando chegaram à escola os leitores ficaram ansiosos para finalmente termos mais detalhes do elenco principal, mas logo eles foram enviados para uma missão que focou em mais batalhas, aonde a maioria dos alunos não tiveram muita oportunidade para brilhar. O pior é que os leitores haviam gostado da heroína Haruho Nanbu, que foi o ponto de vista inicial do mangá para introduzir Kuroniwa, mas ela foi deixada de lado nesse arco imediatamente.
O foco foi para o Kuroniwa e uma outra aluna que é claramente inspirada por Erza Scarlet de Fairy Tail, passando a impressão de que a guilda do clássico de Hiro Mashima era o que ele estava tentando reproduzir em questão de sentimento de camaradagem.
Porém a obra não deu tempo ao tempo e a rotação de personagens mais desinteressou os leitores que viam os personagens que gostavam prontamente substituídos em poucos capítulos, com apenas Kuroniwa sempre presente. Isso era um problema ainda maior considerando o quanto o protagonista é tímido e reativo. Com poucas falas, o foco era sempre nos seus aliados.
Provavelmente procurando por saídas para salvar o mangá após o crescente desinteresse dos leitores ficar claro, o autor Kojiro decidiu fazer um arco que veio a ser o final da obra, no qual Kuroniwa vai estudar com um ex-aluno do colégio, sem mais nenhum estudante de sua sala presente no arco.
Lá ele enfrenta um dos vilões do grupo acima enquanto o autor foca o desenvolvimento quase todo nesse mentor. Simplesmente os leitores não se interessaram e preferiam ter continuado com os personagens que já haviam gostado e sentiram pouco aproveitados.
O arco foi se transformando conforme o cancelamento ficava óbvio, com revelações corridas e uma luta final que, segundo o mangá, era épica, mas para o leitor desinteressava já que o conflito não envolvia os personagens mais interessantes do mangá.

Ura Tokyo possui qualidades em construir um mundo de fantasia visualmente interessante e que passa a impressão de ter sua própria história e estrutura. O autor Kojiro também faz um trabalho decente em criar designs, com personagens chamativos e de apelo (homens e mulheres). Sua arte é num geral bonita e com um traço característico que dá charme à ação.
Seu maior problema é justamente ter os ingredientes e não acertar a medida. O autor focou demais em batalhas consecutivas contra inimigos fracos e narrativamente desinteressantes e pouco nos personagens centrais, que já haviam chamado a atenção dos leitores. Kuroniwa também precisava de mais personalidade ou ao menos personagens secundários fixos para conduzirem a história junto dele.
A escola foi pouco aproveitada também. Apesar dos personagens de Fairy Tail não ficarem o tempo todo na guilda, ela era presente o suficiente na história para os leitores se importarem com o local, era um símbolo da união entre eles. O mesmo não pode ser dito da escola de Ura Tokyo, pouco presente no mangá.
O mangá até teve um número razoável de vendas no primeiro volume, mas despencou no segundo. Mostra que haviam qualidades visíveis ali, mas que a condução foi o que perdeu o interesse dos leitores. Acertar o ponto será essencial para Kojiro voltar à revista com um novo mangá.
O final de Ura Tokyo apresentou vários conceitos não usados antes de partir para páginas finais que eram uma mensagem direta do autor para seus leitores: “eu quero voltar e prometo melhorar”. Estarei esperando e confiando que ele ainda pode criar um mangá único que dê vida para os bons esqueletos que já cria.

