Foi anunciado neste dia 17 de junho que Kagurabachi, escrito e desenhado por Takeru Hokazono, entrará em hiato até agosto, com somente mais outros dois capítulos antes da pausa. Após uma reunião editorial, a Weekly Shonen Jump e o autor decidiram paralisar a publicação temporariamente para garantir a regularidade das edições futuras.
Por mais que o motivo oficial não tenha sido revelado, é quase certo que o motivo dessa pausa ocorra por questões de saúde física e mental do mangaká. No passado, Hokazono já chegou a entregar capítulos incompletos ou realizar pequenas pausas de surpresa para priorizar o seu bem-estar.
Essa interrupção ocorre em um momento no qual a série apresenta capítulos eletrizantes, vendas altas e uma adaptação em anime agendada para abril de 2027. Contudo, para grande parte dei leitores, a paralisação é uma decisão acertada; o público deseja evitar situações como as de World Trigger ou D.Gray-man, cujos autores foram obrigados a deixar a revista por não terem mais condições físicas de manter o ritmo de publicação semanal.
Também podemos ver essa mudança como um sinal positivo para a indústria, de fato, o mercado editorial de mangás caminha para uma transformação histórica em sua dinâmica de trabalho, e o caso mais recente envolve justamente um dos maiores fenômenos atuais da revista Weekly Shonen Jump. O movimento segue a tendência de maior flexibilização que vem sendo desenhada nos bastidores da Shueisha nos últimos anos, distanciando-se do ritmo historicamente implacável.
Um dos principais fatores que impulsionam essa mudança é a própria evolução visual dos quadrinhos japoneses. Os mangás modernos, em geral, exigem um nível de detalhismo e complexidade na arte maior ao padrão de décadas passadas. No passado já vimos outros autores tendo uma maior flexibilidade, como Kohei Horikoshi (Boku no Hero Academia) que teve um aumento substancial em suas pausas e, nos últimos volumes, reduziu o número de páginas por capítulo. Já Eiichiro Oda (One Piece), mantém há anos uma rotina de interrupções regulares, no mínimo, uma ao mês.
É inegável que o próximo passo lógico para a consolidação de uma indústria mais sustentável seria a implementação de pausas obrigatórias para todos os autores das revistas, atreladas a uma quantidade fixa de capítulos publicados. Embora parte do público consumidor, habituada ao imediatismo, tenda a protestar contra a quebra de ritmo nas leituras semanais, a grande maioria começa a compreender que a saúde dos autores é o único caminho possível para manter o mercado de mangás ativo, criativo e, acima de tudo, humano.
