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Análise – TOC Weekly Shonen Jump #34 (Ano 2026).

Leonardo Nicolin 16/07/2026

Na edição após a ressaca da conclusão de Ao no Hako, a Weekly Shonen Jump entrega uma terrível TOC para os amantes do autor de Gintama. Venha ler a TOC #34 de 2026:

Weekly Shounen Jump #34 (20/07/2026):
Boku to Roboco c290 (Capa, Página Colorida de Abertura, Aniversário de 6 anos)
01 – Akane-banashi c215
02 – SAKAMOTO DAYS c268
03 – Madan no Ichi c91
04 – Nue no Onmyouji c154
Someone Hertz c42 (Página Colorida)
05 – UNDER DOCTOR c25
Cannon Master c05
06 – Shinobigoto c90
Tobi no Ongaeshi (Página Colorida, 47 páginas, one-shot de Kongon)
07 – WITCH WATCH c255
HAL FORMULA c06
08 – Exorcist no Kiyoshi-kun c101
Animal Signal c07
09 – Roku no Okashi na Ie c15
10 – HUNTER×HUNTER c414
Haiso Gakuen pt. 2 (17 páginas, one-shot de Hayashi Seiji)
2-nen B-gumi Yuusha Destroyerz c13 (Página Colorida)
11 – Natsu to Mushikago c14
12 – Kaigeki no Kinato c24
Ausentes: Kagurabachi c126 (Hiato), ONE PIECE c1189
‘
WSJ#35 (27/07/2026):
Capa e Página Colorida de Abertura: SAKAMOTO DAYS c269
Página Colorida: Nue no Onmyouji c155; Exorcist no Kiyoshi-kun c102; one-shot de Kawaguchi Yuki)

AVISO: Por causa da ausência da TOC nas últimas semanas, decidi lançar a TOC #34 na Quinta-Feira, contudo, a TOC sempre será lançada normalmente no domingo. Para as próximas semanas teremos em alguns casos rotação de escritores para garantir que tenhamos TOC toda semana.

Como capa tivemos Boku to Roboco, que está prestes a comemorar 6 anos: quem imaginava, quando lemos o primeiro capítulo em 2020, que a obra se tornaria a terceira série mais antiga da revista, e ainda por cima um dos clássicos modernos da comédia da Weekly Shonen Jump? Quase ninguém. O que Boku to Roboco alcançou nesses seis anos de lançamento é simplesmente um resultado espetacular que merece o respeito de todo mundo, independentemente de você gostar ou não da série.

Tivemos página colorida para Someone Hertz, que se tornou no Japão o substituto de Ao no Hako, porém, Hertz, na minha visão, tem um apelo internacional um pouco menor do que Ao no Hako, pelo fato de suas piadas serem mais localizadas, por isso, é possível que o mangá não tenha o mesmo impacto e alcance que Ao no Hako. De qualquer modo, a Weekly Shonen Jump não deve apostar em ter somente um mangá de romance na revista, mas sim entre dois e quatro mangás seria uma quantidade ideal. É o momento de continuarem lançando novas obras do gênero para ver se conseguem encontrar romances que tenham grande popularidade no Japão e no exterior.

Um caso interessante é a página colorida de 2-nen B-gumi Yuusha Destroyerz, mangá do autor de Gintama. A obra teve uma página colorida no Bottom 3, normalmente um sinal claro de que a recepção do mangá está bastante ruim e o destaque acabou sendo apenas por “obrigação”. Mas como uma obra de autor veterano pode estar sendo mal recebida? Isso acontece continuamente, e existe uma possibilidade de que o humor de Sorachi não esteja funcionando bem com a nova geração.

Ainda é certo que 2-nen B-gumi será cancelado? Nem um pouco, a próxima leva deve ter a conclusão apenas de Kaigeki no Kinato, no máximo de Natsu to Mushikago, por isso teremos tempo para ver as posições das próximas TOCs e as vendas do primeiro volume de 2-nen B-gumi para sabermos verdadeiramente a sua popularidade (mesmo que exista uma possibilidade real de que os scalpers distorçam esse número). Uma coisa é certa: atualmente a obra não está sendo tratada como um sucesso.

Em primeiro lugar tivemos Akane Banashi, que, mesmo com a presença de Madan no Ichi, os editores preferiram classificar no topo o mangá de rakugo: o motivo? Animação em exibição, além da grande qualidade dos últimos capítulos da série. A Weekly Shonen Jump sempre teve um mangá “diversificado” em seu line-up: Shokugeki no Souma, Hikaru no Go, Act-Age, Death Note e, agora, Akane Banashi, e esses mangás normalmente conseguem ter um grande público fiel, se tornando destaques de suas gerações.

A questão é: quando Akane Banashi terminar, qual mangá diversificado irá assumir o lugar? Será curioso de se acompanhar.

Em segundo lugar tivemos Sakamoto Days, que continua com os rumores de que irá terminar naturalmente em agosto (daqui a um mês) para dar lugar ao retorno de Bleach. A conclusão de Sakamoto Days é inevitável, contudo, eu repito o que eu disse no Twitter: não gosto de ver séries veteranas que tiveram suas conclusões anunciadas na revista retornando. Eu tolero, por motivo de marketing, séries veteranas retornando em minisséries (de um a três volumes), contudo, mais do que isso, eu realmente acredito que seja prejudicial à revista.

Mesmo com a diminuição da população no Japão, a Weekly Shonen Jump deveria continuar apostando no público jovem (dos 14 aos 25 anos): a expansão internacional é uma boa solução para encontrar um aumento nas vendas em um período de crise. Entretanto, quando você traz de volta mangás encerrados há anos, o resultado é um público acima de 25 anos ditando os gostos da revista, afastando ainda mais o público mais jovem.

A presença de mangás como Hunter x Hunter já causa isso indiretamente (embora One Piece consiga mitigar esse problema justamente com a animação passando no horário de programas infantis na TV); com Bleach substituindo Sakamoto Days, a idade média da revista pode vir a aumentar ainda mais. De qualquer modo, existe uma possibilidade de que o retorno de Bleach seja somente um one-shot ou uma minissérie de no máximo três volumes apenas para manter o “hype alto” enquanto procuram um novo sucesso, como tentaram com Jujutsu Kaisen Módulo. Devemos esperar para ver.

Em terceiro lugar tivemos Madan no Ichi, que continua estável na revista.

Em quarto lugar tivemos Nue no Onmyouji, que conseguiu dar um bom pulo do gato: o estúdio Pierrot seguiu a obra no Twitter, o que pode indicar um anime sendo adaptado por eles. É a escolha ideal? Sendo sincero, não seria a melhor opção, contudo, levando em consideração que Nue no Onmyouji não vende mais de 30 mil cópias atualmente, ser adaptado por um estúdio histórico com animes de qualidade mediana para boa é, sim, algo bom.

Eu ainda acredito que Nue no Onmyouji, com uma adaptação de alta qualidade, teria potencial de superar a marca de 50 ou 60 mil cópias vendidas por volume, nada de espetacular, mas com o Pierrot não deve conseguir superar a marca de 35 mil cópias. A menos que o Pierrot entregue um anime com a qualidade de Bleach, o que é possível, já que a sua staff deve estar livre para trabalhar em um novo projeto.

Em quinto lugar tivemos Under Doctor, que recebeu o boost das vendas do seu primeiro volume: os editores provavelmente decidiram promover o mangá justamente por ser o primeiro sucesso deste ano. As vendas superiores a 10 mil cópias, mesmo que tenham sofrido influência dos scalpers, fizeram a série deserve uma chance maior. Agora, Under Doctor terá que convencer os leitores da revista a comprarem os volumes 2 e 3. A sua vantagem é que, como a sua leva deu errado e a seguinte também parece estar indo mal, ele talvez vá ganhar ainda mais tempo para poder se estabelecer na Weekly Shonen Jump.

E até mesmo que Under Doctor não chegue a vender acima de 10 mil cópias, existe uma possibilidade real de que complete um ano de vida se vender acima de 8 mil cópias, sendo o importante que a votação na TOC também sustente a sua sobrevivência, o que parece estar acontecendo atualmente.

Em sexto lugar tivemos Shinobigoto que, com o sucesso de Under Doctor, pode começar a receber um pouco menos de destaque por parte dos editores, dependendo de qual dos dois vai ter uma melhor performance na votação da TOC. Em sétimo lugar tivemos Witch Watch, que continua estável na revista.

Em oitavo lugar tivemos Exorcist no Kiyoshi-kun, que está exatamente na situação de Under Doctor: o mangá nunca chegou a deslanchar em vendas, contudo, por causa da dificuldade crônica da Weekly Shonen Jump em encontrar novos sucessos e do contínuo encerramento dos mangás mais antigos, acabou que suas vendas se tornaram boas o suficiente para justificar a sobrevivência. Entretanto, desde 2025, os editores pararam de dar atenção a Exorcist no Kiyoshi-kun, e cada vez mais a obra só está “existindo” na revista.

Em nono lugar tivemos Roku no Okashi na Ie, que, por incrível que pareça, está sendo o mangá de sua leva com as melhores posições na TOC, podendo indicar uma melhor recepção; entretanto, os editores mesmo assim não estão promovendo Roku no Okashi na Ie como um novo grande sucesso, na verdade, não estão promovendo ninguém da sua leva, o que indica sinceramente que a obra é simplesmente o “menos pior” e pode vir a ser cancelada ainda este ano. Em uma situação um pouco pior, na décima primeira colocação, tivemos o mangá de basquete Natsu to Mushikago, que muito provavelmente será cancelado.

Concluindo, na última colocação tivemos Kaigeki no Kinato, que deve ser cancelado com certeza na próxima leva, já que está estacionado na lanterna da TOC. Atualmente a revista tem 20 mangás (contando Hunter x Hunter e Kagurabachi, que inclusive possivelmente retorna na última semana de julho), por isso está totalmente em aberto quantos mangás serão cancelados na próxima leva. Pode ser somente um, pode ser dois ou até mesmo três, dependendo se esperam ou não Hunter x Hunter voltar ao seu hiato. É uma situação curiosa que devemos continuar de olho para entender. Como eu disse, somente Kaigeki no Kinato é um cancelamento certo.

EDIÇÃO 33

Na semana passada tivemos uma edição histórica com a conclusão de Ao no Hako. O fim da série, em minha análise, é um marco para a Weekly Shonen Jump. Em seus cinco anos de publicação, Ao no Hako conseguiu se tornar um pilar para a revista, protagonizando várias capas e ótimas classificações de vendas. Mas o que torna a obra um mangá histórico é o seu inegável impacto na visão do público geral sobre “o que é a Weekly Shonen Jump”: a série apresentou um romance misturado com esporte de um modo realista e sensível, muito parecido com o que Touch tinha feito na Weekly Shonen Sunday nos anos 80.

Contudo, na Shonen Jump, poucos mangás de romance criaram um impacto tão grande na visão do público geral, que agora vê como necessária a busca da revista por um novo mangá do gênero para preencher a vaga de pilar de Ao no Hako. O romance, que antes era visto como um “algo a mais”, agora é considerado um pilar fundamental. Someone Hertz parece que vai ocupar essa posição, mas outras obras do gênero devem surgir nos próximos meses e anos. A realidade é que Ao no Hako elevou o romance de um “gênero que ocupa a line-up” para o status de pilar.

É uma pena, entretanto, que muitos japoneses não estejam conseguindo acompanhar a conclusão da série por causa da crise de scalpers e cambistas, que estão comprando em massa a edição (e depois jogando no lixo) para ter o card de One Piece que está vindo com ela, vendendo esse item por meros 800 ou 1.000 ienes, um lucro de 700 ienes (menos de dez reais) por edição. Muitos leitores estão reclamando que não estão encontrando a edição nas bancas e a autora teve que pedir desculpas por causa desse problema.

Cada vez mais, a situação dos cambistas está prejudicando o mercado.

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