Conheça Zureta Kaishaku no Bokura, a nova comédia da Weekly Shonen Magazine, com sinopse e primeiras impressões do público. Como autores como Suzuki Nakaba, de Mokushiroku no Yonkishi, se adaptam ao mercado moderno? O hiato inesperado de Sentai Daishikkaku pode salvar alguma série? Tudo isso e mais na nossa análise da Weekly Shonen Magazine, a segunda maior revista shonen do Japão. Começando pela TOC:
- Zureta Kaishaku no Bokura (Nova Série da autora Kashiwagi Kano, Primeiras Páginas Coloridas) Ch. 01
- Banjou no Orion Ch. 103
- Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai Ch. 229
- Mokushiroku no Yonkishi Ch. 244
- Mayonaka Heart Tune Ch. 123
- Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su Ch. 272
- Seitokai ni mo ana wa aru! Ch. 177
- Suruga Meteor Ch. 67
- Yumene Connect (Página Colorida) Ch. 86
- Sensen Senki Ch. 05
- Kakkou no linazuke Ch. 302
- KILLER+SITTER Ch. 03
- Kurotsuki no Yaergnacht Ch. 53
- Blue Lock Ch. 353
- Dream ✰ Jumbo ✰ Girl Ch. 49
- Kaijin Fugeki Ch. 83
- Kanojo, Okarishimasu Ch. 431
- Zero to Hyaku Ch. 30
- Ano shima no Uminesou Ch. 24
- Lilim Holic Ch. 08
- Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 106
- Kanan sama wa Akumade Choroi Ch. 188
- Death Game (Oneshot)
- Gachiakuta Ch. 171
Ausências: Ura Tokyo no Osoroshi Dokoro Ch. 16, Yowayowa Sensei Ch. 174, Sentai Daishikkaku Ch. 222, Hajime no Ippo Ch. 1516, Ahiru no Sora Ch. 616 (Hiato)

Apesar de termos um novo mangá, a capa vai para uma modelo. As primeiras páginas coloridas vão para nosso novo estreante, Zureta Kaishaku no Bokura de Kashiwagi Kano, oficialmente abreviado como Zureboku, que é como chamarei pelo resto do artigo.
Primeiramente, um pouco de contexto da autora. Kashiwagi Kano fez seu debut nas revistas Magazine com Maid no Kishi-san em 2020, na Pocket. A comédia sobre uma empregada que precisava resolver os problemas de seu jovem mestre teve uma popularidade decente e fez com que a revista principal buscasse a autora em 2022 para lançar uma comédia romântica em estilo harém, Kimi ga Megami Nara Ii no Ni (Kimimega). Apesar de um bom começo, o público rapidamente perdeu interesse na obra, que foi cancelada com apenas 25 capítulos.
Quatro anos depois, ela volta com uma nova comédia romântica, Zureboku. É provável que autora e editores estiveram pensando em idéias para uma nova série, vendo potencial para um hit na autora.
O título do mangá resume o que se esperar, com sua tradução sendo algo como “Nossas Percepções Um Pouco Desconectadas”, com o subtítulo Our Misunderstandings (Nossas Confusões) em inglês ressaltando ainda mais a premissa.
O primeiro capítulo apresenta Omoi Meguri, a presidente do conselho disciplinar de sua escola. Vista como uma garota de extrema classe e beleza, a história inicia com ela colocando luvas para recolher um mangá “pervertido” que está numa mesa de uma sala da escola. Com várias fãs, que existem por causa de sua elegância, elogiando como Meguri protege o colégio da indecência.
O twist é que Meguri leva o mangá para um altar escondido no qual existem vários exemplares e outros produtos dessa obra. Ela até menciona que as luvas a permitem tratar o volume com o respeito que merece. Sim, seu segredo é que Meguri é uma enorme otaku por essa comédia romântica, Mira Kyan [Mirror Cam? Não sei como romanizam isso].
Mira Kyan é uma comédia romântica de traço fofo, mas com algumas cenas ligeiramente ecchi de fanservice. Meguri porém enxerga nela um comentário social profundo, com os momentos fanservice sendo reflexos das condições psicológicas e/ou emocionais de seus protagonistas.
Ela chega a ponto de ficar discutindo na internet com críticos ou outros fãs do mangá, julgando-os idiotas por não entenderem o mangá de forma tão profunda quanto ela. Megumi acredita ser a única que compreende Kouno-sensei, autor da obra, sonhando com a chance de o conhecer pessoalmente.
Ao mesmo tempo somos apresentados a um garoto do mesmo colégio, Fukanose, que chama atenção de Meguri por ter mercadoria inédita de Mira Kyan. Assim ela começa a vê-lo como um rival, fazendo perguntas para identificar o quão fã do mangá ele é. Fukanose acredita que Meguri tem nojo da série.
Como vocês podem imaginar, logo é revelado que Fukanose é o autor do mangá, mas que está insatisfeito com o trabalho. Originalmente, ele queria escrever sobre delinquentes, mas sua arte fofa fez com que os editores o fizessem criar Mira Kyan. Ele faz suas reuniões num café perto de onde eles moram.
Meguri reconhece o local no mangá e vai para lá em busca do autor e encontra Fukanose. A questão é que logo ela assume que ele é um fã “melhor” do que ela e percebeu antes que era o café do mangá. A jovem decide então se provar desafiando ele para uma discussão sobre a história, revelando a “profundidade oculta” e os sentimentos do autor ali. Fukanose acaba pensando que ela sabe mais de seu mangá que ele mesmo, mesmo o odiando.
Assim começa essa dinâmica confusa com os dois tendo a percepção errada das intenções alheias.
Primeiramente, preciso atentar que diferente de Kimimega, o foco aqui parece ser na dinâmica entre um casal apenas a princípio. Um dos problemas da série anteriora da autora foi justamente o número grande de heroínas ter escanteado a principal logo de cara, que era a que mais interessava os leitores. Além disso, a arte melhorou muito.
Kimimega começou vendendo mais de 9 mil unidades no seu primeiro volume, com uma queda gradual nos dois volumes posteriroes. São números de sobrevivência na Magazine atual, então é claro porque os editores confiam num retorno melhorado da autora. Obviamente, as vendas caíram no mercado inteiro, então não esperem uma performance melhor por vendas físicas em si.
Os números na Magapoke ficaram próximos aos demais estreantes do ano, com exceção de Lilim Holic, com um pouco mais de 400 comentários. A retenção deixará mais claro o apelo do mangá, que recebeu elogios pela comédia na plataforma. Usuários comentaram que se assemelha às rotinas de comédia do Anzash, popular dupla de manzai dos anos 2000, que focava em criar situações no qual dois personagens conversam por um longo tempo criando concepções erradas do que o outro está falando. Aparentemente, é uma possível inspiração do mangá.
As críticas existiram porém, mas focaram mais nos editores. Falei da exceção de Lilim Holic ali, mas alguns leitores apontaram que o editorial não deveria ter lançado duas obras com premissas similares tão perto uma da outra: os dois mangás são sobre belos casais de garota e garoto otaku. De fato, também pensei isso enquanto lia. Apesar do tom das duas obras ser muito diferente, a premissa similar pode afastar o público de uma das séries, prejudicando mais Zureboku que saiu depois, enquanto Lilim parece ser um sucesso.
De qualquer forma, o mangá é competente e carismático. É ver agora se os próximos capítulos podem conquistar o público.

A vice liderança foi para Banjou no Orion, com o capítulo final do arco que estava em andamento nos últimos meses. Foi um daqueles grandes capítulos da obra, que une bem as batalhas de shogi ao lado emocional. Ganhou destaque por clímax e ser daqueles capítulos que podem até trazer novo interesse para a obra, enquanto agrada seus fãs já existentes.
O pódio fecha com Kuroiwa Medaka, que é uma das séries estabelecidas de longa duração da revista. Apesar de receber menos destaque recentemente, ainda é importante e eventualmente aparecerá entre os highlights semanais, ainda mais com a segunda temporada do anime em produção.
O quarto lugar é Mokushiroku no Yonkishi. O autor Suzuki Nakaba anda comentando na revista sobre seu novo editor, que ele diz ser mais novo que seus primeiros lançamentos na indústria. Ou seja, o editor é nascido depois de 1998 ao menos, ano no qual Nakaba lançou Rising Impact na Weekly Shonen Jump.
Com 49 anos idade, Nakaba já é um autor experiente, tendo publicado em todas as principais revistas shonen semanais. A perspectiva de um editor na casa dos 20 anos é interessante já que, segundo ele, permite discutir suas idéias com uma perspectiva mais nova e alinhada aos leitores mais jovens.
A idéia da passagem de tempo e gerações é um dos núcleos temáticos principais da franquia Nanatsu no Taizai, com o arco atual apresentando a “terceira” geração de personagens da história. Escritores precisam de experiências e Nakaba fiz que essa nova perspectiva está contribuindo para a evolução narrativa.
É até engraçado porque a idade da franquia já é uma barreira natural para leitores mais jovens. A história anterior e seus personagens são envolvidos diretamente com o que acontece em Mokushiroku no Yonkishi, então não é exatamente fácil de começar por ali. Dito isso, um autor precisa estar em constante evolução nessa indústria para não perder até seus leitores antigos já que obras novas são competição direta na indústria, então vejo com bons olhos a revista tendo editores mais jovens.
Quero acreditar que a quinta colocação de Mayonaka Heart Tune nessa semana veio da qualidade artística incrível do capítulo da semana. Se existe algo que o Igarashi merece mais elogios é na capacidade de desenhar seus personagens em roupas estilosas e bem detalhadas.
Já o anime continua esperando pelo seu evento. Também sempre fico chocado com o quanto lidaram melhor com a transformação do mangá em linhas de produtos em comparação a Kuroiwa Medaka, que vendia melhor antes. A estrutura da história permitiu melhor que a idéia de múltiplas heroínas fosse transformada em merch.
Vamos falar do sexto colocado. A batalha atual finalmente chega ao seu fim em Shangri-la Frontier e o mais incrível é o quanto a escrita detalhada de Katarina e a arte frenética de Fuji Ryosuke conseguiram fazer com que os leitores não enjoassem de uma peleja de meses entre dois personagens humanos.
Não que eu ache ruim, mas os leitores online vivem reclamando de lutas “longas” para quase todos os mangá shonen, se passou de 3 capítulos, já temos comentários assim quase sempre.
E apesar de ser apenas Julho de 2026, a terceira temporada do anime já ganhou um trailer mais longo. Chegará em Janeiro de 2027 e terá a ótima qualidade habitual do estúdio C2C, focadíssimo na série.
Outro anime que está num ritmo promocional é o do sétimo da TOC, Seitokai ni mo ana wa aru. Com a data de lançamento para a temporada de Outubro, estamos naquele período que novidades da série serão anunciadas praticamente toda semana, como visuais para personagens, merch, eventos, etc.
Na oitava posição, Suruga Meteor continua a partida dramática em andamento. O investimento dos editores na obra me faz pensar que é possível do mangá receber um anime cedo, assim podendo elevar seu patamar de popularidade para algo além de bons votos entre os leitores da revista.

Mais uma página colorida para o nono colocado, Yumene Connect. O mangá recebe muitas páginas coloridas — sei disso por salvar todas as coloridas de todas as edições e ele está entre as séries com mais imagens aqui, muito pela capacidade do autor, que entrega quase vinte páginas toda semana, com poucas paradas e uma qualidade artística elevada.
A promoção para o novo volume faz os comentários básicos de pequenos extras e a remoção de qualquer censura que existe na revista. Obra de nicho que foca no seu apelo.
A décima posição vai para Sensen Senki que vai construindo a figura do Imperador como um grande vilão de presença e nuance. Traz lembranças de Takauji em Nige Jouzu no Wakagimi, da Jump.
Não sei dizer se os leitores estão tendo uma impressão tão positiva quanto eu. Os números da Magapoke estão acima de Ura Tokyo, mas já ficando abaixo de Killer+Sitter. A competição está acirrada e a necessidade da Magazine por sucessos battle pode causar uma falta de chances para séries que já não comecem bem, já que eles podem dar o espaço para outro battle tentar a sorte.
Uma expectativa é que os volumes possam vender mais já que muitos leitores battle podem só conhecer o mangá pelo lançamento físico em livrarias, o que pode ter explicado as vendas de Ura Tokyo acima de Zero to Hyaku, mesmo com uma média pior na TOC.
Décimo primeiro lugar é de Kakkou no Iinazuke com um capítulo de Natal fora de época. Apesar de estarmos no arco final, foi um capítulo bem episódico, de novo marcando o quanto os editores estão ok com o mangá ser publicado pelo tempo que quiser.
KILLER+SITTER é o décimo segundo colocado e teve uma ótima queda nos comentários da Magapoke na semana, com seu terceiro capítulo basicamente mantendo os números do anterior. Um mangá sempre começa com grande atenção em todas as revistas, já que o leitor médio costuma ler debuts, então a batalha principal é pela retenção e esse pode ser o primeiro sinal de desempenho decente por Killer+Sitter.
O terceiro capítulo foca numa história com Nogawa, o Log Killer, levando o bebê para um parquinho próximo de sua casa e criando amizade com um outro novo pai lá. Eles trocam dicas de como cuidar das crianças, com Nogawa usando exemplos de suas experiências como assassino, sem o outro pai entender.
Os leitores gostaram bastante da dinâmica e como a caracterização do protagonista ficou mais carismática com o desejo sincero dele de ser um bom pai e uma pessoa normal. O slice of life pode ser o caminho para agradar leitores mais casuais, com os momentos de ação funcionando melhor depois quando tiverem um vínculo emocional maior com os personagens.
Décimo terceiro da TOC, Yaergnacht monta terreno para mais uma leva de capítulos de ação. É uma constante da obra variar entre alguns capítulos de romance e alguns de ação.
Mais abaixo que o seu normal, Blue Lock é o décimo quarto da edição. Nada demais já que a TOC varia muito na Magazine e o mangá é seu principal pilar.
A dúvida que tinha se o boost da Copa do Mundo para o mangá acabaria depois da eliminação do Japão foi sanada: não, está vendendo ainda mais na Shoseki diária, com vários volumes ranqueando. O número poderia ser ainda maior sem os scalpers comprando vários volumes da Shonen Jump no mês.
Como podem ver, a “controvérsia” nas redes não diminuiu o apelo de Blue Lock com o público casual, que geralmente nem sequer sabe desses casos, ou simplesmente não se importa.
Dream Jumbo Girl é o décimo quinto lugar. Não deve chegar nem perto de ganhar o Tsugimanga, mas vamos ver se o prêmio pode trazer algum crescimento para o mangá. Os resultados devem vir entre o final de Agosto e começo de Setembro.
Décimo sexto, temos semana morna para Kaijin Fugeki.
Já Kanojo, Okarishimasu, décimo sétimo dessa TOC, completa nove anos em publicação! Parabéns e vamos por uma década já que chegamos até aqui. Mas sério, pelo ritmo não vejo o mangá acabando em menos de um ano, então deve chegar na marca.
Com mais um hiato (de semanas) repentino para Sentai Daishikkaku, será que existem chances renovadas para a manutenção do nosso décimo oitavo lugar, Zero to Hyaku?
Se ele já foi cancelado internamente e está publicando seu capítulos finais, não. Mas se ainda estavam esperando, pode dar uma mínima ajuda. A spokon de basquete até teve um crescimento na Magapoke, com fãs dedicados, e se sai melhor lá do que série como Ura Tokyo, apesar de ainda estar entre as menos populares da revista.
O mangá tem tudo para ser cancelado já. Agora que a partida dramática acabou, é capaz da narrativa seguir para um encerramento, mas já tivemos casos de obras com desempenho muito ruim durante um ano praticamente, como Bacchiri Scratch. É ver se esse mangá teve essa sorte também.
Apesar de ser um grande sucesso, Uminesou apareceu de novo nas partes mais profundas da TOC, sendo o décimo nono da semana. A prova de que isso não importa muito está na revista mesmo, que anuncia a comédia romântica como ganhadora das primeiras páginas coloridas da próxima edição. É o equivalente de uma série jovem, com menos de um ano, ganhar a capa da Jump: sinal de sucesso que os editores planejam tratar como importante peças nos próximos anos.
Mais um mangá de bom desempenho para baixo em Lilim Holic na vigésima posição. Esse aqui não temos os dados de vendas ainda, então não é impossível dele fazer igual Dream Jumbo Girl e Idolatry de conseguir ótimos números na Magapoke que não se traduzem em vendas físicas. Mesmo assim, essas duas séries continuam em publicação, o que pode mostrar que forte recepção online pode ser o suficiente para Lilim Holic.
Notícia feliz para os fãs do vigésimo primeiro lugar, Ao no Miburo: o mangá está FINALMENTE lançando seus capítulos em inglês oficialmente no K-Manga. A série já recebe o lançamento dos volumes físicos nos EUA, mas acredito que é muito mais fácil ganhar mais popularidade por um aplicativo de leitura online acessível. De negativo é que ainda estão longe dos lançamentos atuais, só vão precisar de quase 170 capítulos para alcançar…
Antepenúltimo, Kanan-sama está para começar mais um arco que deve ser mais longo, como os do Inferno e o do Festival Escolar.
Abaixo de um oneshot, Gachiakuta fecha a edição. Como sempre, importante ressaltar que isso não significa nada negativo, com vários teorias para as colocações mais baixas do mangá, como escolhas editoriais e tempo de entrega dos capítulos. Na Magazine, as vendas sempre importam mais que a TOC.
Ainda acompanhando com afinco os estreantes, voltaremos na semana que vem com mais um artigo. Até lá.
