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Análise – TOC Weekly Shonen Magazine #31 (Ano 2026).

Lucca 06/07/2026

A estranha (e má) consistência dos novos mangás battle, finalmente o anime de Seitokai está chegando, o desempenho de vendas de Blue Lock e como vai a luta pela sobrevivência de Ura Tokyo em semana caótica na Shoseki. Tudo isso e mais na nossa análise da Weekly Shonen Magazine, a segunda maior revista shonen do Japão. Começando pela TOC:

  1. Kakkou no linazuke (Primeiras Páginas Coloridas) Ch. 301
  2. Sensen Senki Ch. 04
  3. Kurotsuki no Yaergnacht Ch. 52
  4. Blue Lock Ch. 352
  5. Dream ✰ Jumbo ✰ Girl Ch. 48
  6. KILLER+SITTER Ch. 02
  7. Kanojo, Okarishimasu Ch. 430
  8. Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su Ch. 271
  9. Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai Ch. 228
  10. Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 105
  11. Ano shima no Uminesou Ch. 23
  12. Sentai Daishikkaku Ch. 221
  13. Yowayowa Sensei Ch. 173
  14. Suruga Meteor Ch. 66
  15. Seitokai ni mo ana wa aru! Ch. 176
  16. Gachiakuta Ch. 170
  17. Mayonaka Heart Tune Ch. 122
  18. Mokushiroku no Yonkishi Ch. 243
  19. Kanan sama wa Akumade Choroi Ch. 187
  20. Kaijin Fugeki Ch. 82
  21. Yumene Connect Ch. 85
  22. Ura Tokyo no Osoroshi Dokoro Ch. 15

Ausências: Lillim Holic Ch. 08, Zero to Hyaku Ch. 30, Banjou no Orion Ch. 103, Hajime no Ippo Ch. 1516, Ahiru no Sora Ch. 616 (Hiato)

Teresa Ikeda

Capa para idol, mas as primeiras páginas coloridas são de Kakkou no Iinazuke que ultrapassou os 300 capítulos. A comédia romântica, atualmente em seu arco final, é uma das obras mais importantes da Weekly Shonen Magazine na década e uma homenagem pela longa estadia é mais do que merecida.

Mesmo com queda nas vendas físicas, a obra é também um dos grandes atrativos da Magazine Pocket, o aplicativo digital da revista. O mangá faz parte da geração da transição das vendas físicas para as digitais, que é uma migração muito mais forte do que muitos pensam; recentemente vi o primeiro episódio do anime Kore Kaite Shine, baseado em mangá premiado, e lá até é comentando, como dando voz ao seu autor, como o digital é a preferência da maioria dos leitores modernos.

Não estou querendo dizer que você pode pegar as vendas de qualquer mangá e dobrar falando do digital, já que muitos leitores fazem sua leitura por aplicativos e não comprando volumes inteiros, mas é importante afirmar isso para entender parte do fenômeno da queda de vendas gradual da maioria dos mangás de longa duração no mercado moderno.

Pelo andar da carruagem, Kakkou no Iinazuke ainda tem um tempinho e irá aproveitar esse arco final para fechar todas as pontas, sem correr.

A vice liderança vai para Sensen Senki, que recebe uma grande promoção dos editores aqui. Ainda é cedo para dizer que é reflexo da recepção com os leitores da revista e pode ser o caso apenas deles acreditarem no potencial da história, que possui uma arte incrível e um ar de segurança na escrita.

O que quero dizer com isso da escrita? Basicamente, o autor apresenta um mundo imenso com vários conceitos, apresenta mapas com vários países diferentes, situações políticias únicas entre eles e implica uma jornada longa que mistura fantasia e aspectos militares clássicos.

O problema é sempre o mesmo, nada adianta se os leitores não se interessarem pelos capítulos de forma individual. Muita gente na internet fica revoltada com cancelamentos precoces de histórias que enxergam potencial a longo prazo, mas o fato é que leitores precisam se satisfazer com o AGORA e não só promessas. E Sensen Senki vai cumprindo isso?

Nessa semana tivemos o primeiro capítulo pago do mangá na Magazine Pocket. Depois de comentar que os três primeiros capítulos, gratuitos, do mangá tiveram um número similar, mas um pouco melhor, aos de Ura Tokyo, finalmente chegamos ao primeiro capítulo pago na plataforma e não foi tão animador.

A situação é sempre similar para todo novo mangá: o primeiro capítulo recebe um grande número de comentários, o segundo perde metade deles e o terceiro apresenta outra queda. Tudo isso é normal, a questão é a escala: ir de 800 para 400 é bem melhor do que ir de 400 para 200. O primeiro exemplo representa algo próximo ao desempenho de Lilim Holic, já o segundo define Ura Tokyo, Sensen Senki e Killer+Sitter; existe uma clara semelhança entre as novas obras battle shonen.

A esperança maior para Sensen Senki era justamente que a queda foi um pouco menos pesada que a de Ura Tokyo, mas o primeiro capítulo pago já derrubou os comentários para apenas 29. Muito próximo dos 20 de Ura Tokyo, que atualmente amarga as últimas colocações da TOC. Não é animador.

Não é como se o público leitor tivesse grandes críticas do mangá, como tiveram a Yashou no Kito. Parece mais uma questão das obras nunca chegarem ao seu público alvo ou serem ignoradas. É um desempenho muito ruim dos battle shonen recentemente na Magazine.

Esse fenômeno nem é exclusivo dela, a Jump e a Sunday também estão sofrendo para conseguir novos sucessos no gênero, com o único hit confirmado nos últimos dois anos da Jump sendo uma comédia romântica (Someone Hertz). O público ainda ama battle shonen, que vende muito e consegue enorme sucesso em anime, mas é como se eles não estivessem interessados em nada novo de mangá.

A esperança será o público comprador da revista apoiar o mangá com votos e vendas físicas de volume.

Fechando o pódio, temos Kurotsuki no Yaergnacht que consegue quebrar a barreira do battle shonen ao ser uma obra que é também um harém, com cenas e designs fanservice. É algo eficiente para vender bem, mas também impõe um limite de teto na obra, que nunca será mainstream como outros battle shonen. Portanto, é algo muito bom de existir, mas a revista também precisa de mais títulos convencionais para manter uma line-up robusta e de grande alcance.

O quarto lugar é de Blue Lock, que está com um desempenho bom na Shoseki com diversos volumes aparecendo nas Shoseki diárias e semanais. Não é a série toda ranqueando, como acontece com vários eventos de boost, mas volumes diversos. Isso implica que muitos podem ser leitores que estão voltando para a obra, apesar das vendas decentes do volume 1 também indicarem alguns novatos.

Como o boost chega pela Copa do Mundo, ele pode logo passar com a eliminação rápida da seleção japonesa, mas por enquanto o desempenho ainda está no patamar do começo do evento. De certa forma, exibições de grandes craques como Mbappe, Haaland, Harry Kane e Messi podem até ajudar a manter o público japonês interessado no futebol.

Até poderia ser o caso de termos mais volumes ranqueando, mas o caos causado pelos scalpers, explicado em outros artigos do site, fez com que a Shoseki fosse inundada de obras antigas que não estão sendo compradas por leitores, mas sim por esses revendedores, que se desfaziam dos mangás depois de pegar os bônus limitados.

Parecendo até uma reação à aparição do mangá nos indicados do Tsugi Manga, Dream Jumbo Girl é o quinto colocado.

Apesar de vendas físicas que estão entre as menores da revista, o mangá possui um desempenho bem decente na Magapoke e é mais um exemplo da mudança de hábito dos leitores. Isso significa que o mangá tinha fãs o suficiente para ser indicado ao prêmio, algo que não ocorreu com séries da Jump como Under Doctor, que vendeu mais de 20 mil cópias no seu primeiro volume.

Não dá para cravar Dream Jumbo Girl como enorme sucesso, mas satisfaz seu nicho e deve superar metas internas para se manter bem na revista.

Sexto do grid, KILLER+SITTER entrega o segundo capítulo com uma história mais simples: dessa vez um assassino, que se inspira no Unabomber, decide tentar matar o bebê plantando bombas pelo prédio. Nogawa, o Log Killer, impede isso usando sua audição incrível. No entanto, é mostrado que ele não entendeu que era um tentativa de assassinato, já que Nogawa não entende como a vida “normal” é, gerando efeito de comédia.

É um capítulo sem luta e mais focado no humor em si, mais similar a algumas maluquices em Kill Ao do que Sakamoto Days, falando do subgênero. A obra deve revezar entre as situações.

Falando de desempenho… de novo, muito similar a Ura Tokyo e Sensen Senki. É como se fossem sempre os mesmos lendo todas as novas séries de ação, um limite cada vez mais difícil de superar. Os editores precisam ver como tentar promover melhor essas novas séries já que o problema parece ir além do “recheio” das obras em si, mas também um geral da revista e do mercado.

O sétimo colocado é Kanojo, Okarishimasu, a obra mais velha da line-up nesse momento de hiato de Hajime no Ippo.

Já a oitava posição fica para Shangri-la Frontier, ainda na mesma luta que comento sobre toda semana. Estou gostando dela e acho interessante o mangá não apressar o ritmo e focar mais na igualdade do poder dos dois personagens, mas também não me deixa muita coisa diferente para falar aqui. Dito isso, continua indo bem como sempre.

Nono colocado, Kuroiwa Medaka termina o arco da viagem com menos mudanças do que esperava para o mangá. De qualquer forma, sabemos que a segunda temporada do anime chegará em Janeiro de 2027, um intervalo de dois anos entre as duas temporadas.

É bem mais do que o esperado e o ideal para um mangá que não teve um anime bem recebido e a chance de voltar a crescer é quase nula, é possível que a produção passou por problemas para essa demora, sem uma grande mudança em visuais.

Ao no Miburo é o décimo dessa edição em um capítulo quase todo de diálogos. Se quiserem saber um pouco mais do autor, podem dar uma checada no artigo do top 10 mangás de futebol mais vendidos da história. Lá o Nicolin falou um pouquinho de DAYS, o grande sucesso anterior do autor.

Décimo primeiro na TOC, o capítulo de Uminesou parece feito especificamente para dizer aos leitores que querem algo mais próximo ao tom de sucessos mais antigos de Seo Kouji, como Fuuka, para largarem mão. O tom do mangá é mais de comédia, igual a Megami Café. Considerando o forte desempenho inicial, a escolha está justificada.

Na décima segunda posição, Sentai Daishikkaku é beneficiado pela crise dos battle. Com novas obras não superando os números em venda da casa dos 6 ou 7 mil, o mangá fica ainda mais seguro para seguir em seu arco final com a paz que precisa.

Yowayowa Sensei é o décimo terceiro colocado em uma semana comum. Às vezes penso como o mercado nacional mudou aliás, o mangá já recebeu um anime e mesmo assim não deve nunca ser lançado oficialmente aqui. A falta de chance que o ecchi encontra em alguns mercados internacionais não afeta a Magazine ao menos, que ainda publica essas obras para sucesso no Japão.

A falta de páginas coloridas nessa edição se deve, em parte, por algumas terem ido para a promoção da nova temporada em anime de Daiya no A, obra da revista já encerrada. O grande sucesso do mangá e outros spokon do passado justifica a manutenção do décimo quarto colocado, Suruga Meteor.

Para quem não acompanha sempre, essa spokon nova de baseball foi promovida antes por um spin-off de Daiya no A e recebeu recomendação do autor. Suas vendas porém ficam apenas na faixa dos 2 mil, agradando mais aos leitores semanais da revista do que os compradores de volumes físicos.

De qualquer forma, Suruga Meteor é o mangá mais clássico possível e é exatamente o que os editores querem de um mnagá de baseball. Eles devem acreditar num crescimento posterior quando receber um anime, portanto não fica em perigo.

Falando em anime, finalmente recebemos a notícia da data do debut do anime adaptação do osso décimo quinto colocado, Seitokai ni mo Ana wa Aru. O anime virá em Outubro de 2026.

É uma surpresa muito positiva que o anime já chegará nesse ano, permitindo um boost maior para a obra. A adaptação conta com um time de elite e a chance de ser um das grandes animes dessa temporada é grande. Sei que alguns podem estranhar, mas o mercado japonês tem espaço para obras de vários nicho explodirem quanto bem adaptadas e SeitoAna já é um dos mangá shonen mais vendidos sem ter um anime, além de ter um número imenso de merch incomum para um mangá, até com figures.

Com o lançamento tão próximo, o marketing deve se intensificar nos próximos meses e a chance de uma capa para a obra é altíssima. Ficaremos de olho e trazendo as novidades.

Gachiakuta está em décimo sexto lugar e continua impressionando seus leitores com os visuais incríveis que desafiam o que é esperado de uma revista semanal. Torço para uma recomendação de Urana para Sensen Senki, uma obra no qual a influência de Gachiakuta é grande.

Décimo sétimo da edição, Mayonaka Heart Tune vai preparando terreno para seu evento com fãs no dia 18 desse mês. Já foi anunciado até uma apresentação pelos seiyuu da série, com um roteiro inédito aprovado pelo Igarashi, autor da série, que será encenado lá (por voz, apenas).

Apesar da animação com problemas, o projeto em torno do anime é decente e bem promovido. É possível que tenhamos mais novidades da segunda temporada do anime lá também.

Mokushiroku no Yonkishi é o décimo oitavo da vez. Nada fora do normal para o mangá numa revista que a TOC muda muito a cada semana.

Com o anime encerrado, Kanan-sama é o décimo nono colocado. Curiosamente, a grande surpresa do anime foi a popularidade da mãe de Kanan, Lillum, que foi adorada pelo público novo e até entrou na trending do Twitter japonês, algo que Kanan, Jeanne e demais personagens não conseguiram.

O capítulo da semana apresentou a mãe de Tekka pela primeira vez e minha reação de imediato foi pensar se isso foi reflexo ao sucesso de Lillum no anime. A autora pode ter achado um novo nicho de personagem para agradar seus fãs…

Antepenúltimo, Kaijin Fugeki aparece mais embaixo pela rotação. É um capítulo importante, então acho que poderiam ter deixado mais para cima, mas não significa muito.

Penúltimo, Yumene Connect faz o seu combo habitual de posição baixa seguida de página colorida na edição seguinte. Representa bem seu papel de sucesso nicho na revista.

E na última posição, Ura Tokyo em situação crítica. As vendas não foram um desastre completo e o mangá ainda estava ranqueando na Shoseki diária até o cardume de scalpers arruinar a usabilidade do ranking, então era possível que o mangá ganhasse mais algumas centenas de vendas.

Claro, não significa muito já que continuaria abaixo de tudo tirando Suruga Meteor, que se safa por outras métricas, e Zero to Hyaku, que possivelmente será cancelado nas próximas edições. De qualquer forma, pode dar alguma esperança dos editores tentarem mais uma promoção da série, é questão de esperar para ver.

O fato é que o battle shonen é o calcanhar de Aquiles da Weekly Shonen Magazine que se agarra a Shangri-la Frontier para ter um grande hit de mercado no gênero. Como falo, é essencial eles acharem outra obra de grande patamar, mas o caminho é duro.

Na próxima edição teremos mais um novo mangá: Sureta Kaishaku no Bokura de Kashiwagi Kano. A autora teve um sucesso médio na Magazine Pocket com Maid no Kishi-san e lançou uma comédia romântica posteriorment na revista principal, Kimi ga Megami Nara Ii no Ni, cancelada em 25 capítulos em 2022.

Não dá para dizer muito sobre o novo mangá ainda, mas chutaria que deva ser um romance também. A autora chegará para sua segunda tentativa de sucesso depois de alguns anos no qual deve ter trabalhado com os editores para o conceito de um novo mangá.

Os editores poderiam facilitar minha vida traduzindo o mangá, mas a falta de novas publicações simultâneas me deixou com expectativas baixas. De qualquer forma, trarei o resumo e a recepção desse novo título. Até lá.

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