A Fórmula 1 retorna para a Weekly Shonen Jump, em uma TOC cheia de surpresas e com dados de vendas que está deixando todos os analistas loucos!
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Nesta edição, tivemos a estreia de Formula Hal, o segundo mangá da leva atual. A obra conta a história de um japonês de 20 anos que sonha em ser piloto de WF1 (a versão da Fórmula 1 de seu universo); entretanto, ele ainda está na WF4 (categoria de base, abaixo da WF1, WF2 e FW3) e sua equipe está prestes a demiti-lo no meio da temporada. Agora, com a ajuda de seu irmão, o protagonista terá que encontrar a coragem para se tornar um grande piloto após vários fracassos.
Como comentei com o outro escritor do Analyse It, Lucca, no Discord do nosso site, o título conversa bastante com a trajetória de seu autor, Terasaka Kento, que está em sua última tentativa na revista após ter falhado com outras duas publicações.
A Fórmula 1 ainda é um esporte muito popular no Japão, mesmo não havendo nenhum piloto representando o país atualmente: o último foi Yuki Tsunoda, que, após uma péssima temporada na Red Bull no ano passado, acabou rebaixado para piloto de testes. Essa grande popularidade da categoria, somada à ausência de um competidor de destaque, pode levar os japoneses a abraçarem o protagonista da série, aumentando suas chances de sucesso. O autor já é muito querido entre os leitores hardcore da revista, precisando apenas conquistar de 5 a 10 mil leitores casuais (que comprem os volumes) para garantir sua sobrevivência.
Por enquanto, o novo ciclo começou com duas boas estreias: Animal Signal e Formula Hal. Será que o terceiro e último integrante da leva, Canon Master, também conseguirá entregar um bom primeiro capítulo? Na próxima semana iremos descobrir.
Em primeiro lugar tivemos Akane Banashi, que não conquistava o topo desde o capítulo 184, lançado na Edição #52 de 2025 — portanto, há mais de seis meses. A série, desde a estreia de sua adaptação em anime, recebeu várias promoções, mas nunca a primeira colocação da TOC. De qualquer modo, após um começo lento, um episódio de alta qualidade com um rakugo emocionante está levando os japoneses a comprarem os volumes antigos da obra, resultando em um boost superior a 20 mil cópias nesta semana.
Não é nada comparado ao fenômeno de Jujutsu Kaisen ou até mesmo de Dandadan, mas trata-se de um modesto aumento comercial que demonstra que a animação ainda tem potencial para mudar a realidade do título. Quem sabe a história, impulsionada pelo anime, não passe a vender acima de 50 mil cópias? Esse resultado, que no passado seria considerado ruim, no mercado atual coloca o projeto como um dos destaques da década. É ótimo ver Akane Banashi não apenas na liderança, mas também expandindo sua circulação.
Em segundo lugar tivemos One Piece, que continua desenvolvendo o seu arco de Elbaf com uma quadrinização que, para muitos, está densa. A discussão ao redor da narrativa visual de Oda é bem complexa: alguns argumentam que se deve à ausência de um editor de punho mais firme; outros, que é a necessidade de terminar a obra o mais rápido possível (levando o autor a sobrecarregar os capítulos com informações). Eu acredito que, independentemente do motivo — do qual atualmente não temos dados para precisar —, a série ainda assim consegue manter uma excelente base de leitores: seu público está tão engajado na trama e nas reviravoltas que continua comprando os volumes assiduamente.
Em terceiro lugar figurou Madan no Ichi, que se mantém sempre em destaque; contudo, o status de “Último Battle-Shounen de sucesso da Jump” pode estar prestes a ser transferido para Under Doctor, que acumulou 12 mil cópias vendidas de seu volume 1 em apenas 4 dias. Ainda são números inferiores aos de Madan no Ichi, porém, caso o novato sobreviva mesmo com posições baixas na TOC, testemunharemos essa transferência de coroa.
A revista precisa continuar encontrando novos títulos de sucesso em todos os gêneros para voltar a ter um grande line-up. Com um catálogo forte, mais leitores compram a publicação e, assim, todas as histórias em circulação aumentam suas vendas. Por isso, atualmente, a menos que você seja uma obra em risco de cancelamento (Alô, Exorcist no Kiyoshi-kun), a realidade é que todos comemoram quando a redação encontra um novo acerto. As duas autoras de Madan no Ichi vão transferir esse posto de novidade com muito orgulho para Under Doctor (se a série realmente sobreviver).
Em quarto lugar tivemos Sakamoto Days, que continua sua caminhada para o encerramento, embora seja possível que só termine em 2027. Under Doctor seria um ótimo substituto, pois tem muitos pontos em comum; contudo, não me agrada quando o sucessor é muito parecido com o anterior. Quando Hoshin Engi terminou, Naruto havia acabado de chegar para ocupar o espaço. Quando este chegou ao fim, Boku no Hero Academia tinha acabado de estrear, e quando este último se encerrou, vimos a chegada de Madan no Ichi. Todos esses mangás estrearam no período de um ano (antes ou depois) do fechamento de um pilar; contudo, todos eles são diferentes de seus antecessores, mesmo compartilhando certos aspectos.
A Weekly Shonen Jump não deve viver de uma sombra do pilar anterior; pelo contrário, cada era deve ter suas obras únicas que representem muito bem o seu tempo. Under Doctor não é uma cópia de Sakamoto Days, mas lhe faltam elementos de originalidade para se destacar de forma própria: quando definimos um projeto como “O Novo Sakamoto Days” por ser muito parecido, não é um elogio, mas sim um demérito. Honestamente, espero que a revista encontre mais Battle-Shounen únicos ao mesmo tempo em que mantém o novato.
Em quinto lugar tivemos Someone Hertz, que é um bom exemplo dessa diferenciação na substituição: a obra vem justamente para ocupar o espaço de Ao no Hako, que está terminando, mas consegue se distanciar bastante do estilo da série vizinha. Ambos pertencem ao romance; contudo, o primeiro trabalha com uma dinâmica de comédia mais voltada ao universo das redes sociais e do rádio, o que é uma proposta totalmente diferente do tom sério focado em esportes de Ao no Hako. O traço de ambos — com Hertz combinando mais com o estilo “digital” — também aproxima o título ainda mais da nova juventude japonesa. A série parece ser uma substituta à altura.
Em sexto lugar figurou Shinobigoto, que continua estável na revista, sem nenhuma surpresa. Não deve vir a ser cancelado, mas só deve ganhar uma adaptação em anime após completar três ou quatro anos de estrada.
Em sétimo lugar tivemos o mangá de basquete Natsu to Mushikago, seguido pelo novo trabalho do autor de Gintama, 2-nen B-gumi Yuusha Destroyerz, em oitavo lugar; o outro título da mesma leva é a comédia Roku no Okashi no Ie. Quis agrupar esses três projetos pois eles se encontram em uma situação similar: tiveram boas recepções na internet (embora alguns, como Natsu e Roku, tenham registrado baixas visualizações), mas nenhum deles, por enquanto, ganhou uma página colorida para consolidar o seu desempenho.
É preocupante que todos eles estejam sem esse destaque visual, enquanto o corpo editorial está literalmente repetindo páginas coloridas para Shinobigoto ou Nue no Onmyouji (ambos títulos que precisariam de menos divulgação que os três citados). É possível que essas obras estejam sem espaço pois os editores ainda não estão convencidos de seus respectivos sucessos, preferindo aguardar a próxima leva para posicionar ao menos dois deles no Bottom da TOC. Destroyerz, entre eles, é o que possui mais probabilidade de dar certo; contudo, maior chance não é garantia de êxito… Então é melhor ficarmos de olho.
Em nono lugar tivemos Kagurabachi, que só está esperando o seu anime estrear em abril de 2027. Em décimo primeiro lugar tivemos Witch Watch, que deve ter uma recepção muito boa em sua animação, mas deve se concluir em 2027, antes mesmo de a sua segunda temporada estrear. Isso é algo bem comum atualmente: a maioria das obras é encerrada antes da primeira temporada ou no intervalo entre a primeira e a segunda fases.
Em décimo segundo lugar tivemos Exorcist no Kiyoshi-kun, que continua na revista de forma estável, mas com muito menos divulgação, já que a preferência tem sido dada a Shinobigoto. O título se tornou a obra “fantasma” da edição: existe porque há produções piores para serem canceladas, mas nem a própria Shonen Jump demonstra acreditar mais em seu potencial.
Em décimo terceiro lugar tivemos Himaten, que caminha para o fim, mas ainda não deu sinais de quando exatamente isso ocorrerá. O capítulo mais recente de Ao no Hako, que nesta semana ganhou página colorida, apresentou uma passagem de tempo; por isso, é provável que a série termine no próximo ciclo, enquanto Himaten tanto pode se encerrar nessa mesma leva quanto durar um pouco mais, dependendo do ritmo do autor e do que foi acordado com os editores.
Em décimo quarto lugar tivemos Nue no Onmyouji, que deve ter seu anime anunciado na Jump Festa ou no aniversário de quatro anos da obra; eu, particularmente, acredito que será no evento.
Em décimo quinto lugar ficou Under Doctor e, em décimo sexto, Kaigeki no Kinato. Enquanto o primeiro acumulou 12 mil cópias em 4 dias, o segundo registrou 5 mil; mesmo sob a influência de possíveis scalpers, estima-se que as séries tenham vendido acima de 10 mil e 3 mil unidades, respectivamente. O desempenho comercial de Kaigeki no Kinato não justifica a salvação do mangá, tornando suas chances de cancelamento elevadas; contudo, no caso de Under Doctor, o ideal seria conceder mais tempo e espaço de divulgação, avaliando se os números vão se estabilizar, encolher ou expandir no volume 2.
Em um ano no qual, até agora, não presenciamos nenhum grande sucesso, Under Doctor pode vir a ser o primeiro.




