Texto escrito por Hilbert Jun

O comodismo cobrou seu preço
Há vários anos, a Jump SQ era criticada por ser extremamente dependente de mangás que já tinham mais de cinco e, em vários casos, mais de dez anos de estrada. Em 2026, porém, o comodismo gerado por essas obras e o péssimo gerenciamento editorial finalmente cobraram seu preço: basicamente, vários dos pilares da revista resolveram concluir suas histórias no mesmo ano.

A queda dos pilares
Em 2026, obras como New Prince of Tennis, Owari no Seraph, Kemono Jihen e Kono Oto Tomare! chegaram (ou estão chegando) ao fim, deixando um enorme buraco no faturamento. Sozinhas, elas eram responsáveis por uma fatia generosa de todos os volumes vendidos da revista, o que deve causar um rombo gigantesco nos lucros.
Inclusive, já foi anunciada a redução na tiragem dos exemplares físicos, reflexo da queda de público nesse formato. Por outro lado, a versão digital tem absorvido parte desses leitores, o que talvez amorteça o impacto.

Quem fica para segurar as pontas?
Mesmo perdendo peças importantes do seu catálogo, a revista ainda mantém alguns sucessos. O principal deles é World Trigger, mangá iniciado em 2014 na Weekly Shonen Jump antes de ser transferido para a Jump SQ. A obra possui um público fiel até hoje e lidera o ranking de vendas da revista.
Além dele, mangás como Yuukoku no Moriarty, Dark Gathering e Rurouni Kenshin: Hokkaido-hen surgem como pilares sólidos para a publicação.
Entretanto, uma obra que não deve aguentar por muito mais tempo é Ao no Exorcist. Sendo um dos maiores sucessos da história da revista e provavelmente o mangá que mais tem a cara da SQ , ele deve sobreviver ao ano de 2026, mas é muito provável que tenha seu encerramento natural na primeira metade de 2027, gerando mais uma grande perda financeira.

Em quem devem apostar?
Atualmente, a revista conta com quatro obras que devem receber um marketing mais agressivo do departamento editorial:
• Gokurakugai: O mangá de ação é provavelmente o maior sucesso da revista nesta década. Com fortes rumores de uma adaptação em anime em produção, deve continuar recebendo muitas capas e páginas coloridas.
• Phantom Busters: Uma comédia de exorcismo escolar que não começou vendendo bem, mas, por ironia do destino, virou um fenômeno viral (leia mais sobre o caso). Apesar de possuir uma grande base de fãs feminina, o público começou a se dissipar, resultando em uma queda nas vendas do último volume. Para salvar a obra, a revista anunciou uma Light Novel para reacender o interesse dos leitores.
• Akanabe-sensei wa Tereshirazu: Embora tenha vendas bem menores que os dois anteriores, é uma aposta válida. Se a editora conseguir convencer o público de que a waifu da história merece atenção, a obra pode gerar bastante receita com produtos licenciados, no mesmo molde de vários romcoms da Shonen Magazine.
• Iroha no Mon: Deve finalmente receber o espaço que merece. Há quem defenda que o mangá é uma promessa de grande sucesso apenas esperando para ser descoberta pelo grande público, e é bem possível que os editores passem a ouvir essa parcela dos leitores.

E as novas estreias?
Como resposta à catástrofe deste ano, o departamento editorial lançou sete novos mangás, atirando para todos os lados na esperança de que algo vingue nesse solo infértil. A leva inclui ecchi (Rabbit Chaser), ação (Ao no Kai), autores novatos (Ray by Day) e até autor consagrado vindo de outra revista (Odaroku).
As reações a esses lançamentos têm sido mistas e, em alguns casos boas como Odaroku que mesmo sem nem se quer ter um volume ainda já foi indicado a prémios no Japão, já em outros casos inacreditavelmente esquisitas. Como foi o caso de Boku no Kanojo wa Kessen Heiki, o último mangá da leva, que recebeu um hate desproporcional do público japonês por conta de um suposto “erro” de kanji no primeiro capítulo.
O editorial explicou que não se tratava de um erro, mas sim de uma leitura intencional diferente. Ainda assim, foi o suficiente para gerar uma onda de xingamentos ao autor , uma pena, já que a obra é uma das mais sólidas lançadas este ano, com uma boa arte e premissa interessante.

Como fica a revista agora?
É difícil dizer o que vem a seguir, talvez o revista finalmente volte a encontrar sucessos ou realmente se contente a viver dos poucos sucessos que a resta, a única coisa que sei é que a revista precisa se reencontrar e principalmente fazer algumas mudanças dentro do editorial… Sério quem aprovou mangas como Kodomo no Kuni e Ookami Otoko to Nurikabe-chan achando que iriam barbarizar nas vendas deveria ser exilado.
