Hunter x Hunter está de volta a Weekly Shonen Jump? O queridinho do ocidente Alien Headbutt foi cancelado? Kagurabachi indo mal na TOC? Isso, e muito mais na análise da TOC #27 da Weekly Shonen Jump!
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A edição abre com mais uma Capa e Página Colorida de Abertura para Someone Hertz, o maior sucesso de 2025 da Weekly Shonen Jump. Com vendas altas, acima de 50 mil cópias, a série já se estabeleceu como um dos “Pilares do Futuro” da revista. Cada ano tem sua grande aposta: em 2023, tivemos Kagurabachi; em 2024, Madan no Ichi; em 2025, Someone Hertz; e agora a revista está em busca do sucesso de 2026, sendo, por enquanto, o mais provável 2-nen B-gumi Yuusha Destroyerz, o mais novo mangá do criador de Gintama.
Nesses dois anos de gestão, Saito encontrou duas séries que venderam acima de 30 mil cópias e cinco que venderam acima de 10 mil cópias em um mês (Shinobigoto, Himaten e Exorcist no Kiyoshi-Kun). As que venderam acima de 30 mil cópias foram Madan no Ichi e Someone Hertz, justificando a grande aposta na comédia romântica Someone Hertz. Além disso, a obra possui outras qualidades que tornam sua intensa promoção vantajosa: é um dos principais mangás com chances de ganhar o Tsugi Manga, apresenta características que agradam bastante aos estúdios de anime japoneses e pertence a um dos gêneros mais queridos do Japão, a comédia romântica.
É cedo para dizer se Someone Hertz se tornará um pilar da revista, já que, para isso, é preciso que não encontrem nenhum outro grande sucesso do tamanho de Madan no Ichi nos próximos dois ou três anos – o que, sejamos sinceros, seria uma terrível notícia para a publicação. Entretanto, é inegável que Someone Hertz será um grande destaque do line-up por pelo menos os anos de 2026 e 2027.
Em primeiro lugar na TOC, tivemos Madan no Ichi, que é o maior sucesso da gestão de Saito e o segundo maior mangá sem anime atualmente na Weekly Shonen Jump. Como Kagurabachi, Madan no Ichi precisa de uma adaptação de alta qualidade anunciada antes do seu aniversário de três anos. A revista não pode cometer os mesmos erros cometidos com Akane Banashi, Sakamoto Days e Ao no Hako, nos quais o anime estreou quando o hype já havia passado.
O maior problema, contudo, é encontrar o estúdio adequado. A maioria dos estúdios de alta qualidade ainda está ocupada com produções como Kimetsu no Yaiba, Jujutsu Kaisen, Ruri Dragon e Sousou no Frieren, entre outras. Alguns que possam estar livres podem não se interessar pelo projeto, diminuindo ainda mais as possibilidades de escolha. É nesse momento que o Departamento de Expansão de Mídias precisa ser criativo: do mesmo modo que conseguiram concluir um negócio espetacular para Ruri Dragon, assinando com a Kyoto Animation, o departamento precisa mover os pauzinhos, não apenas esperando que as produtoras cheguem com boas propostas, mas também mostrando a elas e aos estúdios que seus produtos valem mais do que diamante.
Em terceiro lugar, tivemos Akane Banashi, que sofreu com os dois problemas apresentados acima: a ausência de um estúdio “Tier S” para sua adaptação e a demora para anunciar o seu anime. Talvez, de forma isolada, a obra ainda pudesse ter alcançado um grande boost em vendas; contudo, somados, esses fatores se tornaram um grande problema para a série. O anime, mesmo sendo bom, não é espetacular e, assim, não desperta no público a urgência de comprar os volumes, que continuam vendendo entre 40 e 50 mil cópias (um resultado bom, mas que não colocará Akane Banashi no panteão dos maiores sucessos comerciais da atualidade).
A quantidade de volumes acumulados, causada pela demora no lançamento do anime – que estreou quatro anos após o início do mangá -, somou-se à qualidade da animação (que, repito, é boa, mas não é “S Tier”). Com o Japão em crise econômica, a inflação em alta e os salários permanecendo inalterados, o poder de compra dos japoneses reduz-se a cada ano. Desse modo, muitos precisam cortar gastos com colecionismo ou hobbies, o que prejudica bastante o mercado nacional de mangás. Mesmo com as vendas digitais, Akane Banashi não está vendendo como deveria. Entretanto, números de vendas não definem qualidade, e Akane Banashi continua sendo um dos melhores mangás da atualidade, uma leitura obrigatória para quem gosta da arte de criar quadrinhos.
Em quarto lugar, tivemos Witch Watch e, em quinto, Sakamoto Days, que sofreram com os mesmos problemas que Akane Banashi; contudo, Sakamoto Days alcançou um sucesso um pouco maior por ser uma obra já muito popular quando seu anime estreou. Agora, ambas as obras estão caminhando para a sua conclusão e, mesmo sendo o reflexo de um período complicado da revista, acredito que entrarão para a história quando comentarmos sobre as maiores obras dos anos 2020.
Sakamoto Days é um dos maiores Battle-Shounen da década e apresentou, ao longo de seus capítulos, uma ação de altíssima qualidade e uma arte que fez os leitores perderem o fôlego, além de ser um dos poucos mangás que vendem acima de 100 mil cópias físicas atualmente. Já Witch Watch é uma grande comédia que solidifica ainda mais o legado de seu autor, Kenta Shinohara, que também criou o sucesso comercial SKET Dance. Ambas as obras têm sucessos similares (levando em consideração o padrão de vendas de cada época), o que ajudou Shinohara a ser conhecido tanto pelos Millennials quanto pela Geração Z.
Em sexto lugar, tivemos a comédia Roku no Okashi na Ie, que recebeu sua primeira classificação. Estrear no TOP 6 parece uma boa notícia, mas, sem uma página colorida, o resultado ainda é inconclusivo. A série teve uma recepção positiva nos fóruns japoneses, mas registrou baixíssimas visualizações na Jump +, indicando baixo interesse por parte do público. Precisamos esperar pelas próximas TOCs, por uma página colorida e pelas vendas do primeiro volume para dizermos se a obra será um fracasso ou um sucesso.
Em sétimo lugar, tivemos Exorcist no Kiyoshi-Kun, que continua estável na revista. A obra deve vender um pouco menos de 10 mil cópias em um mês com este último volume; entretanto, não corre risco de cancelamento. A revista está com um line-up reduzido e possui vários mangás que devem terminar nos próximos meses: Witch Watch, Sakamoto Days, Ao no Hako e, talvez, Himaten. Por isso, mesmo com a redução nas vendas, a menos que haja uma queda drástica nos próximos volumes ou que os editores encontrem uma quantidade absurda de novos sucessos, é improvável que Exorcist no Kiyoshi-Kun se encerre em 2026 ou 2027.
Em décimo oitavo lugar, tivemos Ao no Hako, que ultimamente vem recebendo posições mais baixas na TOC, o que acredito ser causado pelo destaque proposital dado a Someone Hertz, e não por uma recepção ruim do romance esportivo. Ao no Hako está caminhando para a sua conclusão; desse modo, os editores já estão destacando Someone Hertz para fazer com que o público amante de romances comece a migrar lentamente para o novo sucesso do gênero. Sim, Ao no Hako e Someone Hertz são obras diferentes, já que uma é um drama e a outra é uma comédia, contudo, é provável que acabem partilhando do mesmo público.
Ao no Hako caminha para a sua conclusão como um mangá que será muito lembrado pelos japoneses, já que acaba sendo o Touch da Geração Z. O mangá conseguiu surpreender muitos adolescentes por causa de três elementos: 1 – a arte e os balões extremamente expressivos; 2 – os personagens com altíssima profundidade e realism; 3 – a combinação improvável (embora não inédita) entre esporte e romance em um mangá shonen. Esses três fatores transformaram Ao no Hako em uma obra única para a Geração Z e ajudaram o título a se tornar um dos pilares da revista durante a década.
Em nono lugar, tivemos Himaten, que muitos acreditaram que seria o substituto de Ao no Hako, mas, devido a inúmeros fatores internos da obra e externos (como o tratamento editorial), acabou não vingando e nunca chegou a vender o suficiente para se tornar o “romance da próxima geração da Weekly Shonen Jump“, título que acabou indo para Someone Hertz. Assim, por decisão do autor ou por determinação editorial, a obra está caminhando para sua conclusão. Não sabemos quando Himaten irá terminar, mas, ainda assim, é certo que não deve passar do ano de 2027 – com altas chances de não superar nem 2026.
Com a conclusão próxima, Himaten tem chances reais de receber o anúncio de um anime em seu último capítulo, como aconteceu com Kill Ao e Choujun! Chojo-Senpai – não esperem um grande estúdio ou uma adaptação maravilhosa, caso aconteça, mas ainda assim é positivo que até mesmo séries mais curtas estejam recebendo adaptações em anime na atualidade.
Em décimo lugar, tivemos Boku to Roboco, que continua sendo uma incógnita sobre quanto tempo irá durar. Alguns acham que a obra terminará este ano, outros acreditam que será no próximo ano, e a maioria aposta que se tornará o novo KochiKame.
Página Colorida – Tamura-ke Hyaku Monogatari (One-Shot)
Em décimo primeiro lugar, tivemos Kagurabachi, o que despertou mais discussões sobre os motivos pelos quais o mangá não é bem classificado de vez em quando. Não acredito que seja por ausência de votos na revista, tampouco por um possível desapoio editorial; o motivo principal deve ser a saúde do autor e a violência da série, que a torna menos acessível para todas as idades. Contudo, apesar disso, Kagurabachi continua sendo o mangá mais promissor da revista.
Com o anime estreando em abril de 2027 pela Cypic e sob a direção de Takeuchi Tetsuya, é quase certo que a obra terá uma adaptação de alta qualidade e com cenas de ação bem animadas, o que aumenta consideravelmente as chances de Kagurabachi alcançar vendas expressivas após a exibição. Se venderá acima de Dandadan, de Sousou no Frieren ou até mesmo de One Piece, somente o tempo dirá, mas, se tanto a Weekly Shonen Jump quanto a Cypic acertarem no marketing e na adaptação, o potencial da série é o maior entre os mangás lançados na década de 2020 na revista.
Em décimo segundo lugar, tivemos Nue no Onmyouji, que continua nas últimas colocações, mas, ainda assim, não corre risco de cancelamento. É muito provável que a obra tenha o seu anime anunciado na Jump Festa de dezembro, mas não esperem um grande aumento em vendas após a exibição, ya que a série deve sofrer com os mesmos problemas de Akane Banashi, Witch Watch e Sakamoto Days: o acúmulo de volumes, o que, na economia atual, torna muito cara a compra da coleção inteira.
As últimas três colocações restaram para a leva de Under Doctor, Kaigeki no Kinati e Alien Headbutt – todos eles parecem que serão cancelados cedo ou tarde, com Under Doctor talvez tendo uma sobrevida em relação aos demais. Sim, os editores estão divulgando Under Doctor como uma obra que teve “ótima recepção”, mas isso é apenas marketing para ver se o primeiro volume consegue vender bem, o que atualmente parece bastante improvável.
O cancelamento de Alien Headbutt nesta edição despertou uma discussão nas redes sociais, já que o Ocidente gostou bastante da obra, enquanto o Japão não a comprou. Em uma postagem amanhã (segunda-feira), irei discutir em detalhes essa diferença, mas um ponto importante que vocês devem considerar é que, mesmo o público internacional sendo relevante, a Shueisha e a Weekly Shonen Jump ainda dão prioridade ao público nacional, pois possuem uma margem de lucro maior no território.
Os volumes lançados no Japão têm uma porcentagem de retorno maior para a editora, e até mesmo os autores recebem, em média, 10% das vendas desse volume, contra 3% das vendas no mercado internacional. Desse modo, tanto os autores quanto as editoras utilizam o público japonês como fonte principal de receita, o qual acaba tendo um peso maior de importância. O público ocidental é importante e não deve ser ignorado, mas, no mercado atual, não é mais relevante do que a visão do público nipônico. Um mangá não pode sobreviver sendo rejeitado pelo Japão; ele precisa de ao menos uma recepção positiva, mesmo que não seja um grande viral, como é o caso de Centuria (Jump +).
E eu gostaria de concluir com um rumor: Hunter x Hunter poderia estar retornando? Parece que sim! O volume 39 deve ser lançado em Julho, e o Togashi já concluiu uma leva de dez capítulos, por isso é bem provável que entre Julho e Setembro teremos o retorno de Hunter x Hunter para a alegria geral da raça humana!
Amanhã teremos, além da matéria de Alien Headbutt, também uma matéria dedicada as três novas séries. Fiquem de olho!

Página Colorida de Abertura – Someone Hertz
Página Colorida – Shinobigoto