Anime de Kagurabachi, a nova leva já em risco, final vindo para Alien Headbutt, como vai o anime de Akane-banashi e o aniversário de Nue no Onmyouji. Dê um giro por todas as obras da Weekly Shonen Jump com a TOC da edição #25:

Assumi a missão de fazer a TOC da Jump dessa semana, mas não poderia deixar de falar do grande anúncio recente. Então vamos falar primeiro das séries ausentes nessa edição.
Primeiramente, HUNTERxHUNTER está deixando os fãs alucinados, já que seus capítulos parecem prontos, mas não voltou na leva anterior como o esperado. É possível que o retorno do mangá venha na próxima leva que deve começar após o fim dos oneshots, mas não é nenhuma certeza ainda. Os editores devem estar esperando um momento oportuno que potencialize o retorno dos leitores de HxH para a revista.
Depois temos ONE PIECE, que recebe uma de suas paradas habituais para proteger a saúde do Oda. O mangá está numa grande batalha e o anime retornou à TV, então ganhará a capa da próxima edição ressaltando a grande fase.
E a terceira ausência se deu pelo break repetindo de Kagurabachi, que na edição anterior havia anunciado seu anime na revista (o anúncio original veio pela Jump Press). Como vimos anteriormente, o autor Hokazono teve alguns problemas depois de páginas coloridas e, portanto, o break é até normal. O mais estranho é não ter sido planejado antes com os editores, que poderiam ter noção da carga de trabalho do artista.
Quanto ao anime, ele será feito pela Cypic (antes chamada de Cygames Pcitures) e sairá em Abril de 2027. Depois de tantas críticas feitas aqui no site pela lerdeza para que a Weekly Shonen Jump anunciasse e lançasse seus anime, Kagurabachi ganhou um anúncio rápido e lançará num momento ideal, com menos de quatro anos de publicação. Um acerto em cheio por parte da Shueisha e do comitê do anime.
Muito isso se deve à popularidade explosiva de Kagurabachi, sucesso tanto no Japão quanto no mercado internacional, mas também ao trabalho eficiente da Cypic, que vem se firmando como um dos principais estúdios de anime nos últimos anos, com sucessos como Umamusume Cinderella Gray e Hikaru ga Shinda Natsu, além de projetos muito elogiados como Apocalypse Hotel. A qualidade artística dos projetos é altíssima.
O anime de Kagurabachi, inclusive, tem um grande nome na sua direção, com Takeuchi Tetsuya no comando. O animador, com experiência de décadas na indústria, é famoso por suas grandes sequências de ação, vistas em séries como até o Naruto clássico, mas mostrou sua qualidade como diretor recentemente em Akuyaku Reijou Tensei Ojisan, um projeto mais modesto que ele conseguiu transformar num anime com consistência artística, bons cortes de animação e uma direção inspirada. A série está com nomes muito confiáveis.
Apesar de tudo, fica o alerta para o editorial da Weekly Shonen Jump se comunicar melhor com o autor para providenciar as paradas necessárias para que o mangá continue normalmente na revista por mais anos, já que será um dos seus pilares. As vendas já são ótimas e o crescimento com o anime pode elevar ainda mais o patamar de Kagurabachi.

Agora falando da edição dessa semana. A capa e as páginas coloridas de abertura são de Nue no Onmyouji, que está celebrando três anos de publicação. O mangá battle harem havia ganhado a capa pelo seu primeiro aniversário, mas não no segundo, mostrando certa instabilidade de apoio editorial. A capa agora é uma forma de afirmação definitiva de que o mangá está seguro e sendo promovido.
Junto com a capa, veio também o anúncio da primeira enquete de popularidade da obra, com a votação sendo feita por meio de cartelas distribuídas junto da compra dessa edição da Jump e do próximo volume da série, que sai no mês que vem (Junho). Os resultados sairão entre o fim de Agosto e começo de Setembro.
Essa data pode implicar mais uma capa para Nue no Onmyouji, já que o anúncio diz que o autor Kawae fará uma arte colorida com o top 10 e mais um personagem especial da enquete extra (que envolve apenas personagens não nomeados), implicando uma provável arta dupla. O mangá em si não está entre os maiores da revista, então outra capa tão cedo passa grande possibilidade de ser um anúncio de anime, similar a Kagurabachi, que anunciou sua adaptação junto do resultado de sua enquete de popularidade.
Houve um claro plano de marketing ao redor desse aniversário, com novas páginas oficiais e campanhas comerciais, incluindo uma apresentação do mangá no Ohasuta, um popular programa infantil japonês, aonde foi promovida a batalha do atual arco da história. Essa batalha veio logo após o fim do arco anterior e assim existe a impressão que os editores já fizeram todo planejamento pensando na promoção.
Apesar de ser uma série mediana, as cópias em circulação de Nue no Onmyouji são de 1.6 milhões em 14 volumes, com um crescimento dessa média em relação aos números anteriores – similar aos resultados de Yozakura-san nessa mesma fase, garantindo seu lugar na revista que sofre para achar grandes hits.
O primeiro lugar da TOC numerada é de Someone Hertz, que já bateu 300 mil cópias em circulação com apenas três volumes e consegue fortes números nos rankings físicos, com seu volume mais recente batendo novamente as 50 mil cópias.
Os editores estão promovendo bastante a comédia romântica, quase sempre aparecendo no top 3 da TOC e pegando o primeiro lugar várias vezes quando Madan no Ichi ganha uma página colorida. A razão é simples, o sucesso imediato e a expectativa de crescimento com mais promoções e prêmios, sendo Someone Hertz um dos favoritos para vencer o prestigiado Tsugi Manga, que ajudou no crescimento de seus vencedores anteriores Kagurabachi e Madan no Ichi.
O apoio está vindo de várias formas: colaborações com Jujutsu Kaisen e Futari Bus (novo hit da Shonen Sunday), PV com música do Creepy Nuts e a capa da próxima Jump GIGA. Está chegando tudo cedo para Someone Hertz, que como único sucesso de 2025 (fora Modulo) será preparado como um grande franquia da Weekly Shonen Jump.
O segundo lugar é Sakamoto Days que está com o filme live action em exibição. Apesar estar indo bem, fazendo 2B de Yen na bilheteria e tendo mais de 1.5 milhões de espectadores em três semanas, não parece estar gerando um grande boost para o mangá, que alcançou um ótimo patamar até antes do seu anime, mas não se elevou muito daquele ponto.
É um dos grandes sucesso da Jump na década de 2020, mas a passagem de bastão para Kagurabachi e Madan no Ichi está chegando, talvez em alguns meses. Na história, estamos vendo a luta final do Shin e logo devemos ir para a batalha final, com grandes chances do fim do mangá nesse ano. O anúncio do anime de Kagurabachi deixa essa transição mais segura para Shonen Jump.

Madan no Ichi recebe uma página colorida para promover seu novo volume e o arco atual, mostrando os novos personagens nessa arte. Como Nue recebeu a capa de seu aniversário, esse foi o primeiro volume de Ichi que não foi capa da Jump. Normal, só mostra o quão bem o mangá está se saindo com menos de dois anos de publicação.
Apesar de não ter recebido grande boost logo após a vitória do Tsugi Manga, os volumes recentes de Ichi estão com ótimo crescimento. O mangá está batendo ali perto da casa das 100 mil cópias num mês e assumirá o posto de pilar com a transição da era de Sakamoto Days e Ao no Hako para a nova.
As posições altíssimas na TOC — quase sempre em primeiro — também implicam que o mangá pode ser num gênero que interessa a promoção dos editores para a demografia “base” da revista, jovens. Apesar de ter batalhas e até certo drama, o tom é um pouco mais ameno que outros sucessos recentes como Jujutsu Kaisen, Kagurabachi, etc.
A terceira posição é de WITCH WATCH que também está em seu suposto “ato final”. Diferente de Sakamoto Days e Ao no Hako porém, é um pouco mais difícil de estimar quando seu final chegará. O roteiro tem grandes desenvolvimentos, mas a natureza de misturar comédia, romance, ação, drama é uma menos linear.
Os editores também parecem estar dando um destaque um pouco maior para WITCH WATCH que Ao no Hako nas TOCs, o que pode implicar que ele só acabará depois do romance.
Natsu no Mushikago aparece logo após, ainda não ranqueado. Sem vendas e posições na TOC avaliar um mangá sempre é focado no que é visível online e, nesse sentido, a spokon de basquete não se destaca. São poucos comentários e o interesse não parece alto.
Além disso, alguns leitores estão apontando problemas como repetição nos capítulos (a maioria deles termina com uma enterrada), a falta de destaque para o resto do time tirando os dois principais e reclamações sobre o protagonista ser arrogante demais sem sequer ter feito algo. Quer dizer que o mangá já está morto? Não, pode ser que o público casual menos online goste do mangá, mas considerando o desempenho recente das spokon na revista, acredito que as expectativas são mais negativas no momento.

Depois temos o oneshot Blood Marriage, que pelo visto está com uma recepção decente nas redes sociais. Talvez a melhor dessa leva de oneshots.
Em seguida, mais um não ranqueado ainda com 2-nen B-gumi no Yuusha Destroyers. O novo mangá da comédia e ação de Sorachi, autor de Gintama, chamou muita atenção logo que foi anunciado, tendo viralizado apenas com seu anúncio.
Praticamente um mês depois, o quadro não são mais flores. Nos fóruns japoneses e no Twitter existe uma queda de engajamento nas redes e um visível grupo de críticos do mangá, que não gostam das piadas de banheiro que são parte integral da história até o momento. Além disso reclamam da falta de um elenco secundário, um dos destaques de Gintama, já que até o momento apenas os dois personagens principais foram apresentados.
Apesar disso, a obra deve ter vendas decentes no seu primeiro volume, como ocorre com frequência em novos trabalhos de autores de grandes sucessos. A demografia principal de Gintama, o público feminino, também não é tão bem representado por fóruns. De qualquer forma, Sorachi ainda deve convencer mais leitores e o desenvolvimento dos próximos capítulos é a grande oportunidade para isso.
O quarto lugar (sim, mesmo depois de falar de tantas séries) é de Shinobigoto, uma obra que o editorial possui muita confiança. Pode ser uma questão de votação da TOC e o mangá atingir as demografias ideais dos editores, vemos com frequência esse battle alcançar posições altas e recebe páginas coloridas com frequência.
Com vendas decentes para o mercado moderno, Shinobigoto não está em risco algum de cancelamento e deve ser parte da revista pelos próximos anos, justificando a promoção editorial para um dos que vai ser parte da ala de sucessos médios, essencial para uma line-up saudável.
Logo mais vemos mais um novato com Roku no Okashi na Ie. A nova comédia de Nakamura Atsushi, autor de Agravity Boys, está naquele cenário complicado de disputar diretamente com o novo mangá de Sorachi.
Dito isso, um autor sem sucessos derrotar um veterano é um cenário que aconteceu várias vezes na história da revista. O problema é que Roku teve números péssimos de leitura na Jump+ (não se confundam com o Mangaplus, estou falando dos leitores japoneses), o que pode demonstrar grande desinteresse dos leitores pela comédia.
Números baixos lá não são garantia de fracasso, já tivemos séries como Himaten! fazendo bem mais sucesso com os leitores da revista e dos volumes físicos que com o público do digital, mas mesmo assim os de Roku são baixos o suficiente para ligar um sinal amarelo. Apesar de tudo, Roku está sendo mais elogiado nos fóruns que seus rivais de leva, principalmente pelos capítulos individuais apresentando cada personagem. O desempenho real veremos nas próximas semanas.
Em quinto lugar, Akane-banashi que está com seu anime em exibição e um dos ápices da história no mangá, em termos de recepção nos comentários online dos leitores.
Com excelente resposta do público logo no início, o mangá chegou ao seu pico perto das 60 mil cópias mensais pelos volumes 5 e 6 e depois foi sofrendo uma queda gradual comum da indústria moderna até o ponto de ficar pouco acima das 40 mil cópias, número ainda muito acima da média para o mercado. Entretanto, é evidente que a demora para o anime não ajudou a história sobre rakugo.
Com o anime chegando tarde, o backlog de volumes é muito grande para um público cada vez mais consciente sobre sua economia pessoal. Então o boost da obra não está grande, similar ao ocorrido com outros anime recentes da revista. O mangá ainda ganhará novos fãs e seus volumes devem voltar a crescer, mas o ideal é um lançamento mais cedo, ainda mais que, apesar de bom, o anime de Akane-banashi não tem uma produção daquelas que chama atenção por si como a de grandes sucessos da temporada, como Witch Hat Atelier e Nippon Sangoku.

Para promover seu vigésimo sexto volume, Boku to Roboco ganha uma página colorida. Fica mais para baixo pela menor prioridade de Roboco, um mangá gag que parodia e promove várias outras séries da Weekly Shonen Jump, mas entre os que menos vende da base estável da revista junto de Kiyoshi-kun.
Num sexto lugar mais baixo que o habitual, temos Ao no Hako. O mangá ficou bem menos priorizado pelos editores nos últimos meses que preferem dar mais destaque para Someone Hertz, que é um romance novo, enquanto Ao no Hako está em seu arco final.
Alguns leitores inclusive acreditam que a partida atualmente em andamento pode ser a última da história, o que implicaria num encerramento nas próximas levas. Esse movimento de dar posições mais baixas na TOC para mangás que estão chegando ao fim é o habitual da Weekly Shonen Jump.
De qualquer forma, perder um mangá que vende mais de 100 mil cópias físicas num mês e é uma franquia com anime em andamento é ruim, obviamente. O mangá já durou mais que qualquer outro romance da história da revista e ainda receberá páginas coloridas, como na próxima edição, e marketing até seu final.
Em sétimo lugar, que é ao mesmo tempo o bottom 5 pela quantidade de não ranqueados, temos Exorcist no Kiyoshi-kun. É o comum da série, que é menos regular que Shinobigoto na TOC e pode aparecer tanto mais para cima quanto basicamente no final da revista.
Pelas suas vendas, na casa das 10 mil cópias e competindo com Roboco, existem alguns críticos da continuidade do mangá na Jump. Porém, é preciso ver que os novos mangás não conseguem chegar nem perto das vendas de Kiyoshi e o grande número de obras em encerramento causa uma situação de maior segurança para esse battle, que vai chegando perto dos 100 capítulos e entra naquela zona de possível anúncio de anime.
Pode ser que o autor e/ou os editores planejem uma história mais curta e encerrem o mangá de forma parecida a Kill Ao no futuro, mas pelos números atuais, Kiyoshi é uma obra segura para o momento.
O oitavo lugar é de UNDER DOCTOR, que está frequentando o bottom 4/3 com frequência. O mangá é bem invisível na esfera online, tanto no Twitter quanto fóruns japoneses, então se existe alguma popularidade ela deve estar na esfera casual e/ou infantil. Algo possível, já que Kiyoshi vende 10 mil cópias mesmo com pouco engajamento online.
Apesar das posições não muito animadoras na TOC, Under Doctor não está fixo no bottom como Kaigeki no Kinato e Alien Headbutt e recebeu uma página colorida antes. A história também está num ritmo sem pressa alguma. É muito provável que o mangá já está seguro para a próxima leva, os autores cancelados já foram avisados e Under Doctor ainda terá tempo para tentar reverter o cenário. Pelas pré vendas da Amazon, o cenário não é tão animador, com a história de medicina e batalhas figurando abaixo de Kinato, mas faltando semanas para seu volume 1, ainda não dá para craver algo definitivo.
Nono lugar e antepenúltimo da TOC, Himaten! recentemente anunciou estar perto de seu final no volume recém lançado. Isso não quer dizer que o mangá automaticamente acabará na próxima leva em algumas semanas, a história parece ter um pouco de gás no tanque e é possível que seu final seja natural no sentido dos editores e do autor terem se reunido e decidido encerrar o mangá, que ainda vende acima de Kiyoshi e Roboco.
O cenário ficará mais claro com o final da obra. Caso ganhe um anime e uma página colorida de despedida, pode ser visto como um encerramento “natural”, talvez mais apressado pela falta de perspectiva de crescimento, mas não algo dramático de interomper tudo no meio.
De qualquer forma, as posições na TOC são de mangá em fase final, com menos destaque, e já temos promoções recentes da revista sem a presença de Himaten, mas ainda com Kiyoshi. Chutaria que não acaba na próxima leva, mas na seguinte.
Décimo e penúltimo lugar da edição, Kaigeki no Kinato amarga o bottom 2 fixo por semanas e já poderia ser declarado como cancelado se não fossem por alguns motivos.
O grande número de encerramentos naturais e cancelamentos pode dar sobrevida à história de aventura. Caso a próxima leva seja de apenas dois mangás, depois de várias levas de três, já teríamos os cancelados claramente: JK Yuusha, que teve seu lugar substituído por uma leva de oneshots e Alien Headbutt, que obviamente está se despedindo.
Assim, mesmo com péssimo desempenho na TOC, Kinato seria poupado ao menos até a próxima leva. O cenário continuaria muito complicado, o mangá tem uma recepção vocal muito negativa nas redes e fóruns japoneses, criticando os personagens que vão e vem na história, elementos que dizem vir de Hero Academia e Black Clover sem identidade própria e a forma com que o poder do protagonista é usado na história.
Mesmo assim, ele sempre foi o que teve fãs mais vocais também, em relação a Under Doctor e Alien Headbutt. Há gente que adora os designs e arte da obra. Se for poupado, Kinato precisará superar os rivais da parte debaixo da revista para sobreviver.
Décima primeira e última posição para Alien Headbutt, que já está cancelado. Sempre em último na TOC, o mangá está para começar sua batalha final na história e deverá concluir.
Enquanto Kinato está num arco de treinamento, sem dar sinais de estar acabando, Alien Headbutt claramente recebeu o aviso. É razoável a chance da série ser cancelada sozinha na próxima leva, mostrando que realmente não tinha jeito e o público não teve interesse algum pelo battle shonen.
Com números bem abaixo dos seus rivais de leva em visualizações no Youtube, muitos fãs japoneses teorizam que o público não gostou do design do protagonista e da premissa do roteiro, levando ao seu cancelamento rápido.
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A nossa análise então fica por aqui, ficou longa até porque o Nicolin me encorajou a dar minhas opiniões sobre a situação de cada série para contraste. Recomendo a leitura do artigo sobre a história da Weekly Shonen Jump, escrito pelo Nicolin que passou muito tempo em pesquisa e tradução para trazer esse conteúdo inédito, que não se acha facilmente nem na mídia em inglês. Obrigado pela leitura e até a próxima.
