Skip to content
Analyse It

Analyse It

O melhor site sobre o mercado de mangás!

Primary Menu
  • Português
    • Português
  • Home
  • TOC
    • TOC Weekly Shonen Jump
    • TOC Weekly Shonen Magazine
    • TOC Weekly Shonen Sunday
    • TOC Weekly Young Jump
    • TOC Jump SQ
    • TOC V-Jump
    • TOC Ultra Jump
    • TOC Ribon
    • TOC GFantasy
    • TOC Monthly Afternoon
    • TOC Action Hiken
    • TOC Jump GIGA
  • Artigos
    • Artigos Especiais
    • Retrospectiva Shonen Jump
    • Reflexões
    • Melhores do Ano
  • Notícias
  • Recepção Japonesa
  • Vendas
  • Patreon
  • Youtube
  • Podcast
  • Home
  • 2026
  • maio
  • Análise – TOC Weekly Shonen Magazine #21 – #22/23 (Ano 2026).

Análise – TOC Weekly Shonen Magazine #21 – #22/23 (Ano 2026).

Lucca 08/05/2026

O feriadão da Golden Week chegou e com ele a edição dupla da revista. Boa oportunidade para o clássico recap de todas as séries da revista: seguros? Proximidade do fim? Para celebrar a Semana Dourada, ressaltarei os pontos de Ouro de cada uma. Além disso, acompanhamento das vendas, comentário dos anime em andamento (mais Quintúplas!) e série nova da autora de Koi to Uso vindo? Tudo isso e mais na nossa análise da Weekly Shonen Magazine, a segunda maior revista shonen do Japão.

Edição 21: 

  1. Mokushiroku no Yonkishi (Primeiras Páginas Coloridas) Ch. 235
  2. Mayonaka Heart Tune Ch. 114
  3. Yutosei no Kakushigoto (Oneshot)
  4. Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su Ch. 263
  5. Kurotsuki no Yaergnacht Ch. 44
  6. Kakkou no linazuke Ch. 293
  7. Ura Tokyo no Osoroshi Dokoro Ch. 06
  8. Seitokai ni mo ana wa aru! Ch. 170
  9. Kanan sama wa Akumade Choroi Ch. 180
  10. Blue Lock Ch. 344
  11. Yowayowa Sensei Ch. 164
  12. Banjou no Orion Ch. 96
  13. Kanojo, Okarishimasu Ch. 422
  14. Suruga Meteor Ch. 57
  15. Yumene Conneect Ch. 76
  16. Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 96
  17. Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai Ch. 219
  18. Danshi Kokosei no Susume (Mini Série) Ch. 01
  19. Guilty Library (Mini Série, FIM) Ch. 02
  20. Dream ✰ Jumbo ✰ Girl Ch. 41
  21. Zero to Hyaku Ch. 21
  22. Ano shima no Uminesou Ch. 15
  23. Omae ga Yattandaro! (Capítulo Especial da Bessatsu Shonen Magazine)

Ausências: Kaijin Fugeki Ch. 75, Gachiakuta Ch. 166, Sentai Daishikkaku Ch. 214, Hajime no Ippo Ch. 1516, Ahiru no Sora Ch. 616 (Hiato)

Ozono Rei

Edição #22/23: 

  1. Suruga Meteor (Primeiras Páginas Coloridas) Ch. 58
  2. Yowayowa Sensei Ch. 165
  3. Kaijin Fugeki Ch. 75
  4. Seitokai ni mo ana wa aru! Ch. 171
  5. Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su Ch. 264
  6. Kanojo, Okarishimasu Ch. 423
  7. Banjou no Orion Ch. 97
  8. Kanan sama wa Akumade Choroi Ch. 181
  9. Kakkou no linazuke Ch. 294
  10. Blue Lock Ch. 345
  11. Kurotsuki no Yaergnacht Ch. 45
  12. Zero to Hyaku Ch. 22
  13. Mayonaka Heart Tune Ch. 115
  14. Ura Tokyo no Osoroshi Dokoro Ch. 07
  15. Mokushiroku no Yonkishi Ch. 236
  16. Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 97
  17. Gachiakuta Ch. 166
  18. Yumene Connect Ch. 77
  19. Sentai Daishikkaku Ch. 214
  20. Usoda Minori no Daiyou Ryouri (Capítulo Especial da Bessatsu Shonen Magazine)
  21. Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai Ch. 220
  22. Ano shima no Uminesou Ch. 16
  23. Omae ga Yattandaro! (Capítulo Especial da Bessatsu Shonen Magazine)
  24. Danshi Kokosei no Susume (Mini Série, FIM) Ch. 02

Ausências: Dream ✰ Jumbo ✰ Girl Ch. 42, Hajime no Ippo Ch. 1516, Ahiru no Sora Ch. 616 (Hiato)

Hono Tamura

Primeiramente, um pedido de desculpas. A edição 22/23 saiu um dia antes do normal e acabou me fazendo perder o timing do texto da 21. Perdi o combo de lançar toda semana certinho por isso, infelizmente. Dito isso, é uma oportunidade do recap eventual aqui, já que qualquer TOC pode ser a primeira vez que um leitor conhece as séries da Shonen Magazine. Mas para deixar interessante, falarei o que — pessoalmente — vejo como um ponto dourado, de destaque, das séries; pode ser algo que agrada outros leitores ou até um aspecto que acho subestimado. Vamos seguindo a ordem da 22/23, mas falarei de todas:

SURUGA METEOR (Tanaka Drill)

Gênero: Esporte Lançamento: 2025

Quem acompanha um pouco mais da indústria já sabe disso, mas estamos vivendo a grande crise do esporte nas principais revistas shonen; Shonen Jump, Shonen Magazine e Shonen Sunday. Desde o lançamento de Blue Lock, em 2018, não tivemos nenhum grande hit no gênero nessas três revistas.

Minha definição de hit não é exagerada: uma obra regular que dure por anos e/ou ganhe um anime. Dentro dessa definição, dá até para chamar Red Blue, de MMA, da Sunday como um “hit” por ter ganhado uma adaptação live action. Mas é uma série muito nicho e que pouco vende. Já a Jump e a Magazine não acharam absolutamente mais nada mesmo.

O problema não é o gênero, já que hits e obras promissoras como Dig It (Afternoon) tem aparecido. Também não é a demografia shonen exatamente, já que as plataformas digitais também estão criando novos sucessos e obras de grande potencial de mercado, como Oblivion Battery, na Jump+, e Hana Basu, na Magazine Pocket. A crise é focada nas revistas tradicionais.

Suruga Meteor chegou como uma jogada do editorial da Magazine que queria muito achar um substituto para a sua obra de baseball, Daiya no A. O esporte é o mais popular do Japão e está em alta graças ao grande ídolo Shohei Ohtani. Entretanto traduzir essa popularidade está difícil.

Apesar de baixas vendas (por volta ou menos de 3 mil cópias ao mês), o mangá continua com prestígio editorial. Segundo eles, o mangá recebe grande número de votos dos leitores da revista e uma popularidade decente na Magazine Pocket, plataforma digital da revista. Receber as páginas de abertura da edição dupla deixam uma coisa clara: Suruga Meteor não está em risco iminente de cancelamento e, após completar um ano de existência, deve se manter como o representante do baseball nas páginas da Shonen Magazine.

PONTO DOURADO: Tanto seu ponto forte quanto fraco são o mesmo: o tradicionalismo. Se você já leu um mangá de baseball, você SABE o que esperar de Suruga Meteor. Montar um time de jogadores excêntricos, rivalidades, torneios, o sonho de alcançar o Koshien. Está tudo ali, da forma mais clássica possível.

E é por isso que o mangá é tão elogiado por tantos autores famosos. George Morikawa (Hajime no Ippo), Hiro Mashima (Fairy Tail), Yuuji Terajima (Daiya no A) e, nessa edição, Takuda Mitsura (Major). As vendas modestas podem ter a ver com leitores novos não tendo muito interessa numa boa execução da estrutura tradicional, mas agrada aos leitores que vão às livrarias toda semana comprar o novo exemplar da Shonen Magazine.

Suruga Meteor
Yowayowa Sensei

YOWAYOWA SENSEI (Fukuchi Kamio)

Gênero: Comédia Romântica / Ecchi Lançamento: 2022

Um da dupla dos ecchi mais estáveis da Shonen Magazine atual, com os dois com anime em andamento nessa temporada. Yowayowa Sensei começa focando mais na comédia ecchi, mas com o tempo desenvolve uma história de progressão mais linear contando a história de como Abikura tenta ajudar a sua nova professora, Hiyori, a se aproximar da sala; ao mesmo tempo ele se apaixona por ela e situações ecchi ocorrem enquanto o elenco se expande.

O anime trouxe um nível de atenção novo para o mangá que, apesar de seus quatro snos de publicação, mantinha uma consistência em vendas, geralmente de 6 a 7 mil cópias mensais. O anime permitiu que o volume novo vendesse… um pouco a mais, entre 7 a 8 mil. Nenhum boost então?

É diferente aqui. Todo mangá da indústria foi afetado pelo crescimento do público que compra mangá digital, mas os ecchi foram ainda mais afetados, já que a privacidade é mais mantida online. Entre as obras da temporada, Yowayowa Sensei está longe dos maiores hits como Nippon Sangoku e Witch Hat Atelier, mas está tendo resultados ótimos na Amazon: ficando no top 200/100 para seus primeiros volumes em vários dias; o boost está maior ao seu colega Kanan-sama, que possui um anime de melhor qualidade de produção.

Isso se dá por dois motivos: Yowayowa Sensei já era mais popular pelo traço “fofo” da autora, o contraste com as situações ecchi agradava os leitores online desde o começo. O segundo motivo é a falta de censura no anime, algo mais raro nos dias de hoje, mas que atrai atenção desse público que gosta do ecchi.

PONTO DOURADO: As imagens ilustrando esses resumos (tirando as de Suruga e Mokushiroku, que também tem suas páginas coloridas) representam os pontos que ressaltarei aqui. Para Yowayowa Sensei é o que já falei, a arte de Fukuchi Kamio.

A autora era mais acostumada a fazer mangás fofos e fazer um ecchi tão intenso surpreendeu alguns que a conheciam de trabalhos anteriores. Mas justamente essa mistura dos designs fofos com as situações e designs escandalosos é o diferencial da obra. Os editores mesmo falam que a autora não tem limites e a sua capacidade em criar designs de roupas e cosplays é um trunfo. Os leitores de ecchi esperam situações apimentadas, mas a execução da arte de Kamio, com expressões “moe” e tantas vestimentas únicas fazem com que Yowayowa Sensei seja a escolha de ecchi de vários leitores.

Kaijin Fugeki

KAIJIN FUGEKI (Oh! Great)

Gênero: Batalha Lançamento: 2024

Autor de vários sucessos como Tenjo Tenge, Air Gear e Bakemonogatari (mangá), o renomado Oh! great hoje publica Kaijin Fugeki nas páginas da Shonen Magazine. Em um mundo no qual desastres naturais são monstros titânicos, apenas xamãs podem derrotá-los, usando o poder da dança para invocar deuses e poderes especiais. Jin e Gao são dois jovens de origens completamente distintas, mas precisarão criar sinergia para salvar aqueles que amam.

É uma loucura completa, como podem ver por um resumo bem bem básico. Entretanto, o mangá vende mais de 15 mil cópias ao mês, além de vendas digitais fortes, e justifica as constantes promoções que recebe. O nome do autor definitivamente ajuda a vender uma premissa tão fora da caixinha, mas não existe sucesso garantido na indústria de mangá e a excentricidade certamente atraiu fãs para Kaijin Fugeki pelo que é.

A Magazine, assim como as rivais, está sofrendo para arranjar grande hits no gênero battle e Kaijin Fugeki é um sucesso muito importante para manter a atenção desse pessoal. Conhecida como “revista das romcom”, a Magazine não quer ser vista apenas assim, precisando de vários gêneros diferentes presentes em forma. É tanto uma questão de variedade, quanto de imagem. O mangá não está perto do fim e se tornará ainda mais importante com um futuro anie — que terá como maior desafio preservar a impressão forte do desenho de Oh! great, considerando por vários como um dos melhores desenhistas de mangá atuais.

PONTO DOURADO: Seria fácil só falar “arte do Oh! great” porque é óbvio pra qualquer um o quão impressionante os desenhos dele são. Mas eu irei mais longe e direi que o melhor aspecto de Kaijin Fugeki é a arte e o natural como tema.

Kaijin Fugeki foi criado quando Oh! great quis provar que a IA generativa não é capaz de substituir a inovação humana. Os primeiros capítulos do mangá inclusive abordam bem esse tema, com um comentário bem específico do autor sobre como o binário só pode reproduzir “aproximações” do natural, mas não o real.

Essa mentalidade permeia a obra que é uma declaração de amor ao que é natural e ao que é humano, e a conexão desses dois lados. A dança em Kaijin Fugeki é forma de luta, mas também apresentado como expressão artística dos personagens, assim como os belos quadros do autor são uma expressão artística dele. Existe uma harmonia específica que remete ao sincretismo religioso do Japão, que mistura o budismo e o xintoísmo. Pode soar como se eu estivesse exagerando e o texto é “confuso” até para os leitores locais, mas essa energia toda girando em torno de um tema só, que é uma paixão do autor, deixa essa uma leitura das com mais identidade dentre os shonen semanais.

Seitokai ni mo Ana wa aru!

SEITOKAI NI MO ANA WA ARU! (Muchimaro) 

Gêneros: Comédia / Comédia Romântica Lançamento: 2022 

Alguém pode olhar os gêneros que listei e pensar “mas uma comédia romântica já não é uma comédia por si” e, pode soar estranho, mas diria que não. SeitoAna é um mangá que tanto preza pela comédia pura, sem intenções românticas, quanto pelas desventuras amorosas de seus personagens. Isso varia muito de capítulo a capítulo e por isso fiz a distinção.

Contando a história de um conselho estudantil caótico num colégio aonde todos são excêntricos, essa comédia faz muito uso das piadas “sujas” de duplo sentido, às vezes sendo abertamente mais ecchi e às vezes apenas focando nos jogos de palavras e situações engraçadas. Até por isso, o mangá foi promovido inicialmente como um sucessor de Seitokai Yakuindomo, outra comédia sobre um conselho estudantil esquisito e piadas sujas, que foi publicado na revista entre 2008 a 2021.

Entretanto, ao longo de quatro anos de publicação, SeitoAna formou sua própria identidade e alcançou enorme popularidade. Vencedor do Tsugi Manga em 2023, o mangá chegou a vender por volta dos 50 mil mensais no seu ápice, tendo caído para perto dos 40 mil, mas ainda sendo um dos maiores sucessos da Shonen Magazine.

A questão da queda de vendas, inclusive, pode ser apenas uma transição de parte do público para a mídia digital, aonde a comédia performa ainda melhor. Nas redes sociais japonesas, o número de fanarts e conteúdos virais da série estão por todo lugar, sendo uma das obras shonen de mais força nesse ambiente. Isso mesmo sem anime — que apesar de anunciado e com promessa de um staff estrelado, ainda não possui data de lançamento. Mas a implicação é de ser um dos maiores hits do mercado no momento que sair, ainda teremos muito Seitokai nessa revista.

PONTO DOURADO: Na imagem escolhida, coloquei um dos capítulos mais sérios e focados no desenvolvimento de uma personagem. O ponto é que SeitoAna sabe dosar e variar seu tom: um capítulo pode ser uma comédia pastelão clara, enquanto outro pode ser sobre a importância do trabalho. Outro pode ser só para uma cena ecchi enquanto o da semana seguinte pode focar nos sentimentos de um personagem se entendendo.

O autor poderia se contentar com o sucesso da comédia apenas pelas piadas, mas ele continua indo mais a fundo e respeitando todos os seus personagens. Qualquer secundário pode ter sua trama própria que o eleva além da sua “excentricidade” inicial; personagens podem ser apresentados como arquétipos, mas evoluem ao longo de vários capítulos individuais ao longo da obra, criando a perceção de um mundo vivo ao redor do nosso conselho estudantil.

Shangri-la Frontier

SHANGRI-LA FRONTIER (Katarina [história] e Ryosuke Fuji [arte])

Gêneros: Batalha /Aventura Lançamento: 2020

Sunraku é um gamer capaz de terminar qualquer jogo ruim, mesmo os mais bugados. Certo dia ele decide encarar um dos melhores jogos atuais, Shangri-la Frontier. O MMORPG em VR imerso é conhecido pela sua qualidade incrível que atraiu uma comunidade imensa, mas também pelos seus boss invencíveis, fazendo o jogo praticamente imbatível até o momento. Sunraku assume o desafio de zerar o game e suas aventuras são a história desse que é um dos mangás mais importantes da Magazine.

São mais de 16 milhões de cópias em circulação para 26 volumes e números mensais físicos para os volumes novos batendo os 100 mil mensais, assim fazendo Shangri-la Frontier um dos maiores battle shonen do mercado inteiro. Poucas séries da Jump atual competem nesse nível com ShanFro e os demais battle da Magazine não chegam perto.

Adaptação de uma web novel, o mangá tem uma origem diferente da maioria dos battle de sucesso do mercado, mas mostra uma visão moderna dos editores que foram atrás da obra. Não é que é uma adaptação de uma light novel, o mangá Shangri-la Frontier é a adaptação original da novel que era postada de forma independente na internet. E seu autor, Katarina, é diretamente envolvido com a adaptação para os quadrinhos.

Sua adaptação em anime também foi um sucesso, com duas temporadas de duas cours cada já completas e uma terceira anunciada para janeiro de 2027. De produção excelente, o anime é essencial para o sucesso ainda maior da série.

Considerando a web novel, ShanFro não está nem perto de acabar. A escala de sua história coloca-o numa escala One Piece de duração, o que é extremamente útil considerando a dificuldade de achar outros hits no gênero. Desde que estejam com saúde, os autores terão todo o tempo do mundo para manter a obra como um dos pilares históricos da Weekly Shonen Magazine

PONTO DOURADO: Apesar de ser apenas uma história sobre um grupo de pessoas jogando videogame, a história se leva a sério. Diria que é um dos elogios mais recorrentes de ShanFro; a história compreende que, apesar de ser um jogo, essas pessoas estão investidas no mundo do jogo e tratam as batalhas como uma prova pessoal. Existem motivações diferentes, alguns ligam para o roteiro do jogo, já outros querem provar suas habilidade, mas todo mundo ali se importa muito com o MMORPG.

O que os leitores gostam é que esse sentimento é o de um fã de videogames mesmo. Pode ser alguém competindo em um Street Fighter ou um jogando o novo Dragon Quest e se emocionando com a história, o mangá compreende o sentimento dos jogadores e passa essa sensação pela escrita e pela arte.

A aventura de Sunraku é como se fosse alguém jogando Dark Souls sem armadura. Essa facilidade de se ver nos personagens e entender o quanto é gostar de um jogo faz de ShanFro uma série divertida e empolgante.

Kanojo, Okarishimasu

KANOJO, OKARISHIMASU (Miyajima Reiji)

Gênero: Comédia Romântica Lançamento: 2017

Independente do que se fale, Kanokari é uma das obras mais famosas da Shonen Magazine atual. A história do desajeitado Kazuya, deprimido após um término de namoro, com a namorada de aluguel Chizuru é uma narrativa tão conhecida a ponto de não precisar muito mais do que isso para fazer uma apresentação básica.

Tirando Hajime no Ippo, Kanokari é a obra mais velha da line-up, com quase 9 anos de publicação e sem indicação de que acabará logo, então provavelmente baterá uma década na revista.

São 15 milhões de cópias em circulação para 45 volumes, fazendo do mangá um dos maiores sucessos do gênero. Apesar de uma caída gradual nas vendas físicas que colocam os volumes novos mais perto das 30 mil cópias ao mês, a caída do mercado também garante a continuidade de Kanokari como uma das principais romcom do mercado.

A narrativa será concluída no tempo do autor, sem pressa da Kodansha ou do comitê do anime, que está atualmente transmitindo sua quinta temporada e sempre com uma grande quantidade de merch das personagens para as vendas. Num mercado que vendas de volumes são cada vez mais difíceis de conseguir, a importância de Kanokari como uma IP lucrativa em várias mídias e formas dá mais importância para a série.

PONTO DOURADO: A forma mais pé no chão como Reiji retrata as cenas românticas dá um tom similar ao de um dorama de romance para a obra. As cenas tem uma certa intimidade em como retratam os cenários da cidade, os personagens são bem desenhados, mas sem tantos exageros visuais e as roupas, principalmente das heroínas, são elogiadas.

Alguns podem ver Kanokari, em termos narrativos, como algo próximo aos dramas e twists de uma novela latina, incluindo arquétipos como a mocinha e a vilã. E de certa forma, a história realmente parece com elas em certo ponto, mas para o público local é fácil de ver como uma narrativa casual e com situações de dramas televisivos, diferentes da escola Urusei Yatsura de situações fantasiosas. Obviamente, não é o primeiro a fazer isso, mas a execução fez dar certo numa revista shounen.

Banjou no Orion

BANJOU NO ORION (Arakawa Naoshi) 

Gêneros: Drama / Romance / Esporte Lançamento: 2024

Yuuhi está numa série de derrotas consecutivas e pensa em desistir do shogi competitivo até conhecer Kayamori em um bar. Essa garota estranha é genial em shogi e sonha em ser a primeira mulher profissional do jogo, algo nunca feito antes na história. Banjou no Orion aborda a história deles e de mais jovens no mundo do shogi, o dito “xadrez japonês”, e o quanto isso influencia seus desenvolvimentos pessoais na adolescência.

Arakawa, o autor, teve um grande sucesso anteriorment na revista com o romance Shigatsu wa Kimi no Uso, mas seu retorno com Atwight Game não deu certo. Banjou no Orion foi uma nova tentativa dele, que deu certo. Apesar de ter elementos de romance, o foco aqui é maior no drama interpessoal e nas partidas de shogi, o que até pode dar brecha para chamá-lo de spokon (apesar de não tradicional).

A narrativa fisgou os leitores, que levaram o mangá a vender mais de 15 mil cópias mensais logo de cara. A narrativa se diferencia dos demais romances da revista pelo seu tom dramático.

No momento, a obra está naquela “zona” de anúncio de anime, chegando aos 100 capítulos, e não dá pinta de estar acabando. É uma das principais séries para os próximos anos, com chances de crescimento uma adaptação em anime ou live action.

PONTO DOURADO: O shogi, um jogo de tabuleiro de estratégia de 1 contra 1, faz com que grande parte da narrativa exista por monólogos e pensamentos internos. Além de pensar nas táticas e tentar prever o próximo passo do oponente, esses momentos permitem que os desenvolvimentos pessoas e as conexões entre os personagens sejam passadas por uma narração introspectiva.

Ou seja, os personagens refletem a própria vida e suas conexões durante as partidas (e também fora delas). É um mangá que assim cria um tom contemplativo. Muitos o comparam com Sangatsu no Lion, outro drama sobre shogi, mas vejo foco maior nas partidas em Orion, no sentido das maiores transformações existirem frente ao tabuleiro.

Não acho que existe jeito “certo” de escrever, mas para ter sucesso, uma tática comum é se diferenciar dos concorrentes. Na Shonen Magazine atual não existe nada como Orion nessa forma de estruturar sua narrativa entre jogadas e pensamentos.

Kanan-sama wa Akumade Choroi

KANAN-SAMA WA AKUMADE CHOROI (nonco)

Gêneros: Comédia Romântica / Ecchi Lançamento: 2022

O romance de uma garota demônio, que é mais molenga que qualquer coisa, com um adolescente comum, de certa forma mais excêntrico que sua amada, Kanan-sama é um dos ecchi de sucesso da atual Shonen Magazine.

Com seu anime em exibição, Kanan-sama parece estar no seu ápice de popularidade no momento. A bem produzida adaptação pelo Studio Kai traz uma animação bonita, direção inteligente e um ritmo que mantêm o caos do mangá, enquanto perfeitamente adapta o mangá, de capítulos curtos, para uma estrutura de episódios de 24 minutos.

Isso se dá pela recepção positiva do mangá desde o começo. O autor nonco era famoso por publicar tirinhas de comédia nas redes e teve uma chance de criar um trabalho original na Magazine Pocket. Provavelmente vendo potencial no autor, o editorial o trouxe para a revista principal com uma nova série, Kanan-sama, que de cara conquistou um público pelo mix de forte comédia e designs e situações ecchi quentes.

Claro, ganhar um anime decente ainda é uma questão de sorte de conseguir um staff decente para o projeto e, muitas vezes, isso corresponde mais aos interesses dos animadores e condições do estúdio. Mas é um fato de que Kanan já tinha um certo amor pelo público otaku e certos criadores.

O mangá vende entre 6 a 7 mil, pouco menos que Yowayowa Sensei, e está com um boost decente na Amazon digital, junto de Yowayowa aparecendo bem acima de séries da Jump como Akanebanashi, Kill Ao e Marriagetoxin. Podem não aparecer na Shoseki, mas ambas obras devem garantir segurança de continuidade por mais anos, caso os autores desejem.

PONTO DOURADO: Mesmo sendo bastante ecchi, com designs focando no exagero e fanservice em toda situação possível, a obra também consegue trazer momentos de doçura inocente entre o casal principal.

Não, não estou falando que esses momentos são mais importantes para o sucesso do que o fanservice. Não tem como um ecchi dar certo se o fanservice for ruim e nonco é extremamente habilidoso como artista. Mas como escritor é uma surpresa maior que ele mesclou bem esse lado mais apimentado com os momentos íntimos doces de Kyougi com Kanan. Esses momentos de namorico são inclusive parte da razão do anime estar dando mais certo no Ocidente que Yowayowa, mais popular no Japão. Fãs diferentes que prezam por aspectos diferentes, Kanan tem seu espaço.

Kakkou no Iinazuke

KAKKOU NO IINAZUKE (Yoshikawa Miki) 

Gênero: Comédia Romântica Lançamento: 2020

Uma série que exemplifica bem a importância dos veteranos para a Shonen Magazine. A autora Miki simplesmente está no seu terceiro hit em três séries: Yankee-kun to Megane-chan em 2006, Yamada-kun to Nananin no Majo em 2012 e Kakkou no Iinazuke desde 2020. Pela maior parte dos últimos 20 anos, Miki foi parte da line-up, conseguindo anime para todos seus mangás.

O nome da autora e a recepção dos leitores da revista levou o mangá a vender mais de 40 mil cópias no seu primeiro volume e crescer nos volumes seguintes a ponto de ter chegado num pico de mais de 130 mil unidades vendidas no seu sexto encadernado. Entretanto, depois disso o mangá foi decaindo a ponto de vender por volta de pouco mais de 30 mil cópias recentemente. Os números ainda são muito acima da média do mercado contudo.

O anime até poderia ter ajudado a obra mais, mas foi uma adaptação mais simples. De qualquer forma, Kakkou no Iinazuke ainda é um dos grandes hits da Magazine na década e mais um sucesso para a lista de Yoshikawa Miki.

Agora em seu arco final, a narrativa está fechando as pontas mais rápido do que imaginei antes. Não dá para cravar quando a publicação se encerrará, mas o palpite mais provável é questão de alguns meses. Três? Quatro? A era dos pintinhos está acabando, mas a chance da autora voltar para a revista é alta, desde que esteja em condições de saúde — o que parece estar pela quantidade imensa de páginas coloridas que ela faz, ao mesmo tempo que publica também Hiiragi-san no Kyuuketsu Jijou na Bessatsu Shonen Magazine (mensal).

PONTO DOURADO: Os fãs japoneses comentam muito de um termo para romcoms, a famosa heroine race (corrida das heroínas). Basicamente a disputa entre as heroínas por si só é o atrativo principal para vários leitores, que torcem para sua favorita ganhar ou simplesmente só estão interessados nessa dúvida de quem formará casal no fim.

Um dos principais trunfos de Kakkou no Iinazuke são as heroínas de personalidade forte e conflitante. Erika, Hiro, Sachi e Ai, todas tem seus fãs próprios. Não é algo raro para romcoms da Magazine, mas atualmente o tom parece mais ameno em como isso é feito. Kakkou no Iinazuke abraça o lado clássico da disputa, que não chega a ser agressiva nem nada, mas usa bem de reviravoltas para deixar os fãs se perguntando qual delas é o melhor para o protagonista Nagi.

Blue Lock

BLUE LOCK (Kaneshiro Muneyuki [história] e Yuusuke Nomura [arte])

Gênero: Esporte Lançamento: 2018

O carro chefe da Weekly Shonen Magazine e uma dos principais mangá do mercado inteiro, Blue Lock é um dos titãs da indústria, a maior spokon pós-Haikyuu e um sucesso global.

Eu chuto que a maioria lendo o texto saiba o básico do roteiro de Blue Lock, mas vamos na resumida básica: um monte de jogadores entram num reality show que visa criar o melhor centroavante possível para a seleção japonesa. Quem passar dos desafios avança de fase, quem perde basicamente perde a chance de atuar pelo time nacional. A disputa é basicamente para ver quem tem mais ego para se tornar o melhor.

A questão é que roteiros que são simples em premissa, mas interessantes em desenvolvimento fazem grandes sucessos e esse é o caso de Blue Lock. Em Setembro de 2025, o mangá já possuia 50 milhões de cópias em circulação no mundo, fazendo-o um dos maiores sucessos da história.

Não é por acaso que o mangá já ganhou duas temporadas em anime, spin-offs, peças teatrais, inúmeros produtos e tem seus eventos próprios, além de muitas promoções no mercado internacional. Além disso já temos anunciada mais uma temporada da animação para esse ano e um filme live action, ambos surfando no hype da Copa do Mundo — não é incomum ver Blue Lock prromovido nos comerciais de jogos de futebol no Japão.

As vendas físicas mensais até estão em queda, “perdendo” milhares de cópias a todo volume. Entretanto, essa queda é natural e Blue Lock é daqueles títulos que continua vendendo praticamente sempre, não importa muito na escala que está.

Havia uma questão sobre o mangá estar em seu arco final e não achei a tradução disso tão precisa, mas mesmo que o arco atual fosse o derradeiro, ele está num ritmo que demoraria vários anos ainda para o fim da spokon. Acredito que Blue Lock ainda carregará o posto de pilar da Magazine por um tempo.

PONTO DOURADO: Geralmente spokon prezam pelo poder da amizade, laços entre membros do time e protagonistas de boa índole. Blue Lock sabe como subverter as expectativas do gênero, mas sem abandonar o amor ao esporte, o futebol nesse caso.

O ponto é que Blue Lock não está abandonando o futebol ao focar em protagonistas de grande ego e um time que está abertamente em relação de antagonismo. Ele abraça o outro lado do esporte, o de conquistas pessoais e sobrevivência acima de tudo. O mangá dá a impressão de ser escrito e desenhado por pessoas que entendem a intensidade do futebol, a idéia de vida ou morte dentro de campo.

A representação visual dos personagens é como se os dois lados fossem igualmente “distorcidos” e isso deixa os conflitos e a narrativa únicos. Numa era que as spokon sofrem ao serem tradicionais demais, Blue Lock demonstra que outros caminhos podem ser traçados.

Kurotsuki no Yaergnacht

KUROTSUKI NO YAERGNACHT (Suzumoto Kou) 

Gênero: Batalha / Romance / Ecchi Lançamento: 2025

Se não fosse pelo sucesso de última hora de Someone Hertz na Shonen Jump, este seria o maior hit de um autor sem sucesso prévio em 2025 para as principais revistas shonen.

A dificuldade para conseguir novos battle de sucesso é algo complicado para a Magazine moderna, vista como revista de romcom. De certa forma, Yaergnacht apareceu no momento ideal, unindo os elementos de romance e ecchi com o de battle shonen, assim trazendo um Battle Harem para um público disposto a gostar de um mangá do tipo.

A história é basicamente sobre um jovem adulto encontrando uma garota “fantasma” e após uma batalha, os dois acabam se apaixonando. O tom da obra é um mix de fantasia dark com um romance ecchi harém espalhafatoso, um estilo comum em obras dos anos 2000.

Falando em vendas, são 200 mil cópias em circulação para três volumes, já tornando Yaergnacht em um dos maiores sucessos da revista e extremamente promissor para o futuro, quando receber um anime, algo que já é com certeza negociado.

Claro, idealmente a revista ainda tentará outros battle num estilo mais tradicional e mainstream, mas acertar e conquistar grupos mais nicho ainda é muito lucrativo e ajuda a montar uma line-up forte e com variedade. Yaergnacht fará parte da geração que definirá a segunda metade da década da Shonen Magazine.

PONTO DOURADO: A obra consegue ao mesmo tempo apelar para o lado nostálgico daqueles que curtiam VNs, light novels e mangá battle harem dos anos 2000 quanto agradar novos fãs que estão tendo um contanto mais direto com um gênero que teve uma queda nos anos 2010 e começo dos 2020.

A inspiração no Nasuverse não poderia ser mais óbvia para quem o conhece. A primeira impressão de vários com o primeiro capítulo de Yaergnacht foi justamente apontar o quanto lembrava Tsukihime e Fate, em termos de tom e alguns designs. A narrativa, porém, é própria e tem sua própria balança entre o romance, o fanservice e a ação.

Recentemente, um certo movimento de busca dos elementos dos anos 2000 parece estar acontencendo em obras japonesas. A co-existência do dark e do fofo é parte essencial dessa era e do que Yaergnacht é.

Zero to Hyaku

ZERO TO HYAKU (Edo Shoichiro)

Gênero: Esporte Lançamento: 2026

Se Suruga Meteor é a nova aposta num spokon tradicional de baseball, Zero to Hyaku é o mesmo para o basquete, outro esporte que teve sucesso anterior na revista em Ahiru no Sora. A questão aqui também é: existe público interessado nisso?

A história aborda o encontro entre dois garotos, o apelidado de “Zero”, zoado na escola por lançar a bola usando as duas mãos (algo visto como não masculino pelos personagens) e “Hyaku” (100), um jovem com experiência de basquete de rua. A combinação dos dois gera um resultado surpreendente com grande sinergia, agora os dois farão parte do mesmo clube de basquete na escola.

É o clássico do clássico. Algo que soa até arriscado no mercado moderno considerando os resultados recentes do gênero. E, de fato, os números iniciais não são muito positivos, com menos 2 mil cópias ao mês e um começo lento nas redes e Magazine Pocket.

A esperança existe numa chance de crescimento, já que a obra começou a ter mais comentários pela recepção positiva daqueles que gostam de obras nesse estilo tradicional. Basicamente, está em risco, mas ainda não é certeza de dizer se será cancelado já quando bater os 30 capítulos (a média do cancelamento na Magazine).

PONTO DOURADO: O aspecto mais promovido pelo marketing e o mais elogiado pelos leitores é o mesmo: o impressionante realismo e dinamismo da arte.

Alguns mangás de esporte, como Blue Lock, preferem representar os feitos de seus atletas por meio de analogias visuais basicamente. Se tornam guerreiros, monstros, entidades de fantasia, etc. Seus movimentos são representados por poderes. Já outras obras tentam tomar o rumo de um realismo e mostrar domínio sobre a movimentação do corpo humano e como deixar esses movimentos interessantes em quadros sequenciais ou “frames” congelados.

Zero to Hyaku mostra uma técnica impressionante, que faz muitos compararem com a arte de Slam Dunk e Ahiru no Sora, também mais pé no chão. O autor claramente estudou esses mangás e passa sua visão do basquete com maestria.

Mayonaka Heart Tune

MAYONAKA HEART TUNE (Igarashi Masakuni)

Gênero: Comédia Romântica Lançamento: 2023

Um garoto quer encontrar a voz da menina pela qual havia se apaixonado na internet e, para isso, entra no clube de rádio de sua escola. Lá encontra quatro garotas: uma quer ser uma vtuber, outra quer ser uma anunciante, uma quer cantar e outra virar seiyuu de anime. Além de descobrir qual delas é a garota secreta, ele precisa ajudá-las a realizar seus sonhos.

A premissa de Mayonaka Heart Tune é daquelas que já dá para entender como foi aprovado. É simples, mas direta e com uma estrutura basicamente perfeita já para uma série. Como falei antes no texto, fazer o simples é muitas vezes o melhor em termo de construção e a profundidade pode vir da execução do cnceito e foco nos personagens.

E foi feito, Igarashi que já havia conseguido dois hits anteriormente com Senryuu Shoujo (na Magazine) e Mattaku Saikin no Tantei Tokitara (em outra revista) fez de MayoTune um sucesso praticamente de imediato, com o volume 1 vendendo suas 10 mil unidades e tendo vários reprints.

A série se estabeleceu na casa das 15 mil cópias físicas ao mês, em média, que é um número bom para o mercado moderno. Além disso recebeu um anime rapidamente, que foi ao ar com três anos de publicação. A qualidade da animação não foi das melhores, mas foi o suficiente para deixar a história ainda mais popular com o público internacional, aonde já possuia um desempenho bem decente.

Chutar uma estimativa de final para a obra é quase impossível no momento. Enquanto as personagens progridem em suas tramas pessoais, a impressão é de que o romance será “resolvido” no momento que Igarashi decidir. Mas por desempenho, a revista não tem motivo para acelerar MayoTune em momento algum.

PONTO DOURADO: Não dá para não citar o protagonista Yamabuki, praticamente um consenso entre os leitores japoneses e de fora. Eu nem sou daqueles que não gosta de protagonistas mais tradicionais para romcom, mas a personalidade mais forte e efusiva dele permite dinâmicas mais únicas com as garotas, além de deixar o romance rápido fácil de digerir.

Meus personagens preferidos ainda são as garotas, mas a existência do Yamabuki como ele é permite que elas mostrem mais lados e tenhamos mais situações interessantes, já que ele ativamente se envolve em tudo. O ritmo da história segue o ritmo do seu protagonista e isso faz com que a leitura de Mayonaka Heart Tune seja divertida de acompanhar, com vários arcos em seguida mas sem parecer corrido.

Ura Tokyo no Osoroshi Dokoro

URA TOKYO NO OSOROSHI DOKORO (KOJIRO)

Gênero: Batalha Lançamento: 2026

Com apenas sete capítulos, temos o mais novo battle shonen da Magazine: Ura Tokyo. O mangá conta a história de um garoto com o poder das maldições mais poderosas preso ao seu corpo e que decide ingressar na escola mágica de Ura Tokyo, aonde vários alunos com diversos poderes aprendem a lidar com suas habilidades para proteger o mundo.

É uma premissa tradicional também para um mangá de ação. Uma escola permite que o autor não precise criar situações diferentes para cada encontro entre os personagens, e esses podem ser facilmente adicionados à história por serem alunos ou professores.

O mangá é novo e nem teve seu primeiro volume à venda ainda, mas as impressões iniciais não me parecem tão positivas. Não é que muita coisa seja criticada, mas o nível de interesse parece baixo e diminuindo a cada capítulo. Na Magazine Pocket, os capítulos pagos já estão colocando números abaixo dos 20 comentários, próximo a como Zero to Hyaku performa.

Isso não significa cancelamento porque a Magazine dá mais tempo às obras que a Jump e o marketing começa, de fato, com o volume 1. Esse período sempre é acompanhado de certo crescimento para todo mangá, o problema é que Ura Tokyo precisará crescer bem e rápido, já que está pronto para ficar na zona de risco.

PONTO DOURADO: Cada vez mais é comum backgrounds serem só algo sem tanta importância, com assistentes fazendo eles ou até mesmo com os autores usando fotos no lugar de desenhos. Entretanto, Ura Tokyo sabe que a cidade é parte integral do mangá e foca muito bem na ambientação.

A história apresenta Ura Tokyo como a cidade paralela mágica que existe em relação à cidade de Tokyo real, e então é feita toda uma ambientação única para mostrá-la na mesma escala de tamanho, mas com elementos mágicos. No cenário temos outdoors com produtos mágicos, lojas, ruas, etc. Tudo desenhado em todo momento para manter a imersão do leitor ativa.

Infelizmente, pelo momento parece que é algo subestimado pelo público. Mas acredito que o autor se importa muito em criar seu próprio mundo de fantasia com suas próprias características e isso me deixa mais inclinado a torcer pelo mangá.

Mokushiroku no Yonkishi

MOKUSHIROKU NO YONKISHI (Suzuki Nakaba)

Gênero: Batalha / Aventura / Fantasia Lançamento: 2021

Sequência direta de Nanatsu no Taizai, você não precisa de um resumo sobre o que Mokushiroku no Yonkishi é, pois se não conhece, o ideal é voltar e ler o mangá anterior! Dito isso, é um mangá de batalha num mundo de fantasia, inspirado nas lendas arthurianas e com um quê de Final Fantasy na narrativa, uma inspiração mencionada pelo próprio Nakaba.

Com 55 milhões de cópias em circulação (data de três anos atrás), Nanatsu no Taizai é um dos maiores sucessos shonen da história. Um pilar enorme da Magazine que dava para a revista um pilar no gênero battle, o maior da demografia. Mokushiroku no Yonkishi tinha o grande peso de suceder o mangá.

É uma continuação com novos personagens de protagonistas, mas os antigos ainda parecem. Mas, igual todo mangá sequência, Mokushiroku no Yonkishi vende menos que seu predecessor. E é uma questão simples de muitos leitores se sentirem satisfeitos, sem sentir necessidade de continuar com outros personagens.

Idealmente, o mangá poderia vender mais, mas com o declínio do mercado seus números fazem sentidos e são bem acima da média, fazendo Mokushiroku o quarto mangá que mais vende físico num mês na Magazine, mais de 40 mil unidades. Atrás apenas de Blue Lock, Shangri-la Frontier e Hajime no Ippo.

A história parecia estar rumando para uma possível guerra final, mas o roteiro trouxe novos antagonistas e uma promessa de mais aventuras. Os cavaleiros do apocalipse devem continuar firmes na Magazine pelos próximos anos.

PONTO DOURADO: Um talento subestimado em Nakaba é a sua qualidade na criação de coreografias de ação, representação de movimento e quadrinização. Tecnicamente, ele está muito na frente da maioria dos autores de shonen, já que muitos focam mais em quadros estáticos bem desenhados.

Ler Nanatsu no Taizai ou Mokushiroku no Yonkishi é divertido se você está querendo ver lutas fáceis de acompanhar, mas belas no seu visual. Os designs também tem um quê de old school, mas particularmente gosto ainda mais dos desenhos dos cavaleiros com armaduras que são um misto de uma apresentação real de como elas pareciam “bobas” quando vestidas e um elemento de horror corporal quando eles ficam todos deformados ou esticados. Lutas do tipo fazem a leitura valer a pena por si só.

Ao no Miburo

AO NO MIBURO (Tsuyoshi Yasuda) 

Gênero: Histórico / Drama Lançamento: 2021

Fiquei pensando se deveria colocar “batalha” como um dos gêneros que definem Ao no Miburo, mas perguntei a mim mesmo se é o tipo de obra que recomendaria para alguém que especificamente só quer ler lutas e, não, não cabe aqui. Temos algumas batalhas, mas o foco de Miburo é em representar sua era e as pessoas delas.

Uma ficção histórica do período Meiji, Ao no Miburo é um mangá que aborda a criação do Shinsengumi, um grupo militar especial de samurais primariamente pobres, e os eventos históricos que transformaram o grupo numa espécie de símbolo de idealismo anti-corrupção no Japão.

Não são poucas as séries que pegam essa idéia do Shinsengumi incorruptível e popular, contrariando vários relatos negativos deles na época. Gintama é um exemplo. Obviamente, não sou contra essa representação porque acredito que ficção seja o espaço para transformação da idéias, mas Ao no Miburo parte para um lado mais cinza, mesmo que ainda “do lado” do Shinsengumi.

O autor Yasuda já vinha de dois hits, Over Drive e Days. Duas obras de esporte (ciclismo e futebol), então Miburo trouxe uma nova perspectiva dele. A força dos veteranos aparece de novo aqui.

As vendas do mangá nunca decolaram muito porém, ficando ali perto das 10 mil unidades. Um número suficiente para sobreviver na atualidade. Entretanto, seu anime conseguiu grandes números na TV, estando sempre entre os mais assistidos semanalmente no Japão — parte disso é por passar perto do imenso Detetive Conan, mas as características mais próximas de um drama histórico agradam mais fãs que assistem televisão que os leitores da Magazine, fazendo assim Ao no Miburo uma franquia lucrativa para manter na line-up.

O mangá está indo certinho na ordem dos eventos históricos do Shinsengumi, então dá para saber que ainda temos um tempinho até chegarmos ao fim do grupo. Talvez uns dois anos? Depende do ritmo da narrativa.

PONTO DOURADO: Como falei, o Shinsengumi é um pouco mais cinza aqui do que na maioria das representações deles em obras populares. Alguns membros são violentos, existe muita traição, assassinatos entre os próprios integrantes, corrupção. Os designs e ação mais realistas permitem que a atmosfera inteira da obra mantenha esse tom de seriedade em relação à representação dos eventos.

Apesar de saber a história real, saber como represnetá-la visualmente é parte integral do trabalho do autor é e difícil não elogiar o quão pesados certos momentos são e o quanto os desenvolvimentos políticos da época parecem imensos nos termos da narrativa.

Gachiakuta

GACHIAKUTA (Urana Kei) 

Gênero: Batalha Lançamento: 2022

O jovem Rudo é morador de uma sociedade “no céu”. Após ser traído, ele é julgado e condenado a viver no lixão, o mundo inferior no qual aqueles considerados inferiores vivem. O garoto quer vingança e para isso precisa retornar, em busca de pistas ele se junta a um grupo de personagens excêntricos em aventuras, mistérios e batalhas nesse novo mundo.

Se alguém pensa num battle shonen moderno da Magazine no Ocidente, a chance é alta de Gachiakuta ser o nome que vem à mente primeiro.

Alguns pegam isso para dizer que Gachiakuta não é popular no Japão e isso não é verdade. Os volumes atuais chegam perto das 30 mil cópias mensais, o que faz de Gachiakuta uma das maiores obras da Magazine e acima da imensa maioria dos shonen modernos. A indústria reduziu e a média das vendas, obviamente, veio junto.

De qualquer maneira, o mangá ganhou um anime de um excelente time do estúdio Bones e ficou ainda mais popular. Também há um jogo para consoles e PC da série sendo feito, a franquia tem muito valor, principalmente no mercado internacional e o de streaming, aonde teve grande performance no Crunchyroll.

A Kodansha, assim como toda editora, tem um desejo de expandir suas IPs para o mercado intencional e Gachiakuta é parte essencial dessa expansão. O mangá fará parte da line-up da Magazine pelo tempo que for necessário para que Urana conte sua história.

PONTO DOURADO: É obviamente a estilização do mangá, que possui aspectos tanto de mangá e fashion japonesa quanto do grafite de rua, com muita influência ocidental. Essa mescla é o que, inicialmente, atraiu tanto a atenção do público no Japão e, principalmente, fora dele.

A arte de Urana é impressionante por si só. É uma das grandes artistas do battle shonen no momento, com uma arte impressionante em todos os aspectos. Quadrinização, sombras, coreografia. Alie tudo isso a um estilo próprio único e que traga uma variedade visual e você tem uma obra que esbanja atitude.

Atitude, no sentido de rebeldia, que é um dos temas centrais da história. A harmonia entre todos os aspectos faz de Gachiakuta um mangá de forte personalidade e identidade visual.

Yumene Connect

YUMENE CONNECT (SAWADA KOU)

Gênero: Ecchi / Comédia Romântica Lançamento: 2024

Também conhecido como o “To Love-ru moderno”, Yumene Connect é muito similar à inspiração principal que tem. Yuuhi é um garoto que quer amigos e que recebe a ajuda da garota alien Nano, que traz mil bugigangas espaciais para seu auxílio. Obviamente, elas sempre dão errado para causar as situações ecchi, enquanto um elenco de heroínas é aos poucos apresentado ao leitor.

Yumene Connect é um mangá que ignora totalmente a idéia das revistas reduzirem seus níveis de ecchi e o fanservice parece o de uma obra típica dos anos 2000. Esse é o seu apelo principal para os leitores que estão em busca de obras do tipo, que não são mais encontradas em revistas como a Jump e a Sunday.

Falando em números, Yumene Connect está entre os que vendem menos no físico na line-up atual, variando de uns 4.5 mil a uns 6 mil, dependendo do mês (mais pela questão de quantos dias tem no Shoseki). É um número que se tornou aceitável agora que as séries sofrem para vender acima até de 2 mil unidades. Um cenário inimaginável até alguns anos atrás, mas que não é culpa de Yumene, que se aproveita para se fixar na revista.

Recentemente ganhou as primeiras páginas coloridas de uma edição, demonstrando apoio editorial. Yumene tem uma performance melhor no digital que várias outras séries como Ao no Miburo, então os editores devem ver um potencial maior na franquia. Um anime provavelmente já foi aprovado ou está em negociação.

PONTO DOURADO: Poupei o Nicolin de postar algo muito gráfico aqui, se quiserem ver, leiam o mangá. Mas o principal componente do mangá é o seu elevado nível de ecchi e a arte do autor, que usa truque similares aos de Yabuki Kentaro, autor de To Love-ru, para publicar sua obra dentro dos limites permitidos.

Não são incomuns os comentários dos capítulos serem algo como: “pode isso?”, “como o autor conseguiu que deixassem isso passar?” e semelhantes. É inegável que ele sabe que bater esses limites é a forma ideal para ele competir no gênero, que tem outras obras na Magazine e mais autores novos vindo interessados em debutar mangás similares.

O traço do autor é variado o suficiente para fazer bons momentos de comédia também, com expressões impactantes e vários momentos pastelão em meio aos momentos fanservice.

Sentai Daishikkaku

SENTAI DAISHIKKAKU (Haruba Negi)

Gênero: Batalha Lançamento: 2021

E se um dos capanguinhas dos monstros decidisse derrotar os Rangers por conta própria? Sentai Daishikkaku é isso, e muito mais, com inúmeras reviravoltas e mistérios, o mangá é mais uma vez o autor Negi subvertendo expectativas de um gênero, assim como fez no final de seu hit anterior, Gotoubun no Hanayome.

Porém, Sentai Daishikkaku causa mais controvérsia pela sua essência aqui. Uma distorção de uma história de Super Sentai (a série japonesa que inspira os Power Rangers), o mangá começou com vendas altas pelo nome do autor, que teve um sucesso enorme na revista anteriormente, mas foi perdendo leitores ao longo da história.

De certa forma, os fãs de sentai não parecem ir com a cara da história de Sentai Daishikkaku, enquanto a obra não tem muito em comum com Gotoubun no Hanayome. Então o número de leitores foi se limitando até chegar aos cerca de 10 mil compradores atuais — número que se mantêm na revista, mas aquém do que o pretendido, claramente.

O mangá mesmo assim teve seu anime de duas temporadas, com a segunda adaptando dezenas e dezenas de capítulos em apenas 12 episódios e dando a impressão de que a série não ficará completa naquela mídia.

O contraste com Gotoubun no Hanayome é até curioso. O mangá que não durou nem três anos já adaptou tudo que tinha, mas agora anunciou mais uma série de anime, adaptando novels escritas depois do fim do mangá e alguns OVAs especiais. A franquia é absurdamente ativa e popular ainda, apesar de já ter acabado tem anos.

De certa forma é o caso no qual podemos ver o autor fazendo uso de um sucesso anterior para colocar outras idéias que, pessoalmente, o interessam em papel. Sentai Daishikkaku não será apressado ao fim, com a história completa preservando o ideal do artista. Estamos no arco final, mas ainda devemos ter alguns meses com a obra.

PONTO DOURADO: A impresivibilidade dita o mangá. Quem é vilão e quem é herói é completamente maleável dentro da narrativa criada por Negi e essas voltas deixam a leitura mais interessante e rica. Não é que ele faça twists só por fazer, mas existe um cuidado para que a lógica interna das coisas tenha sentido, os mistérios são resolvidos dando mais peso às ações e decisões dos personagens.

Apesar de ser chamado de subversão, tanto por fãs quanto críticos, o mangá sempre me pareceu mais uma espécie de homenagem ao super sentai como franquia e gênero. Ele desmonta as pecinhas para mostrar como cada elemento é importante para a criação de uma história do tipo. As pessoas adoram os heróis, mas sem os vilões, até os mais fracos, as ações deles parecem menos grandiosas. É um interesse em mostrar o porquê daquilo funcionar.

Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai

KUROIWA MEDAKA NI WATASHI NO KAWAII GA TSUJINAI (Kuze Ran)

Gênero: Comédia Romântica Lançamento: 2021

A garota mais bonita da escola tenta seduzir um garoto que a ignorar, sem saber que ele tem votos religiosos para isso, e aos poucos um romance nasce entre os dois.

Kuroiwa Medaka está longe de reinventar a roda, mas é daquelas séries que vai muito bem num aspecto específico e isso é o suficiente para o público. Nesse caso, a arte que é considerada agradável e delicada a ponto de ter conquistado leitores logo de cara pela semelhança com o traço de Kawashita Mizuki, autor de Ichigo 100%.

O mangá que já chegou a ficar ali perto da faixa dos 30 mil mensais, hoje vende mais entre 15 a 20 mil. Uma queda normal pelo tamanho da obra, além da migração para o digital. Também dá para se dizer que alguns elementos da história como mudar a dinâmica 1 a 1 entre Mona e Medaka para uma estrutura de harém com várias heroínas alienaram alguns leitores, mas não o suficiente para impactar o mangá. A obra também é uma das mais lidas na Magazine Pocket.

O pior para Kuroiwa Medaka foi seu anime, com uma produção bem bem modesta e que causou piadas nas redes japonesas pelas aberturas com danças de pouca animação. Uma segunda temporada foi anunciada e ficamos mais de um ano sem notícias, com rumores indicando que novidades sobre ela chegarão logo. Pode ser uma forma de tentar melhorar a qualidade do anime, mas é difícil de imaginar um boost para a série que, apesar de tudo, ainda não parece perto do fim e deve seguir segura até lá.

PONTO DOURADO: O principal ponto de vista da história é da heroína Mona e não do garoto Medaka. Esse elemento por si só deixa a história mais engraçada já que Mona é uma personagem com mais “falhas” dee caráter, sendo um tanto narcissista e tramando novos planos para seduzir o jovem.

Não é que seja algo 100% inédito, mas a perspectiva ser de Mona traz um elemento mais incomum às romcom shonen, principalmente comparando com os demais mangás do gênero na revista.

Ano Shima no Uminesou

ANO SHIMA NO UMINESOU (Seo Kouji)

Gêneros: Comédia Romântica Lançamento: 2026

Com seu primeiro volume lançado, já dá para afirmar Ano Shima no Uminesou é o novo hit da Weekly Shonen Magazine. Em seu primeiro mês, o mangá já praticamente bateu 20 mil cópias físicas e se firma como mais um hit o do autor Seo Kouji em sua longa história com a revista.

Os hits anteriores do autor incluem Suzuka, Kimi no Iru Machi, Fuuka e o recém encerrado Megami no Café Terrace. É um número imenso de obras de sucesso e que criaram uma fanbase própria para o autor, que o acompanha de trabalho para trabalho, com a segurança de seu nome como fator de qualidade. Não que as obras dele sejam para todo mundo, mas aqueles que gostam, sabem que podem acompanhar seus novos trabalhos.

A nova premissa é bem simples: um garoto se muda para uma ilha para trabalhar na pousada de sua tia, lá conhece diversas moradoras e as circunstâncias de vida de cada uma. É bem similar ao conceito básico de Megami Café, que também tinha essa dinâmica de um cara trabalhando em meio a um grupo de garotas. As obras são até abertamente conectadas, com conexões entre alguns personagens, embora sem aparições diretas do elenco anterior.

De qualquer forma, os leitores rapidamente foram com a cara dos novos personagens e fizeram do mangá um sucesso. Agora ele durará o quanto o Seo Kouji desejar e o editorial não poderia ficar mais feliz com isso. Ignoram as TOCs mais baixas, já que na Magazine isso não importa tanto, deve ser apenas uma questão quanto o ritmo de leitura.

PONTO DOURADO: A maior diferença entre Megami Café e Uminesou é definitivamente o foco maior no humor, mais escrachado e exagerado do que o do mangá anterior, que também tinha seus momentos, mas em menor número.

Isso é primariamente representado pelo protagonista Kazuma, que é introduzido como discípulo de Ami, a heroína “cômica” de Megami Café. Ele é parecido com ela no sentido deles serem mestres de arte marciais e romperem o limite da atmosfera mais pés no chão do resto do mangá. Kazuma é capaz de derrotar um bando de valentões com seus movimentos que parecem saídos diretamente de um filme de ação comédia de Hong Kong.

Pensei que essa atmosfera mais maluca poderia assustar alguns leitores que desejavam uma romcom mais comum, mas pelos positivos resultados até aqui, parece que foi a jogada certa para que Uminesou se destacasse.

Dream ✰ Jumbo ✰ Girl

DREAM ✰ JUMBO ✰ GIRL (Hiroyuki) 

Gênero: Comédia Lançamento: 2025

Aqui temos mais um autor veterano de vários sucessos com Hiroyuki de obras como Doujin Work, Aho Girl, Mangaka-san to Assistant-san e seu mais recente sucesso na Magazine, Kanojo mo Kanojo. Todas as obras do autor foram adaptadas para anime, então a reputação dele é forte.

De certa forma, Dream Jumbo Girl lembra um pouco Kanojo mo Kanjo em vários pontos. O novo mangá aborda a história de duas garotas que recém graduaram o ensino médio e ganharam uma bolada na loteria. Uma delas é completamente avoada e quer gastar todo o dinheiro com toda besteira que vem à cabeça, enquanto a outra está desesperada tentando impedir que elas torrem tudo.

As aventuras consistem basicamente em elas se meterem numa situação esquisita tentando ajudar outra menina com algum problema. Seja ele a yakuza ou a sua carreira de idol. O poder do dinheor ajuda com tudo. Ao final de cada arco, as garotas começam a morar com elas de uma forma que o leitor sempre pensa “ok, essa é a última do elenco principal” antes de sermos introduzidos à mais personagens.

A dinâmica lembra o harém absurdo de Kanojo mo Kanojo, mas agora apenas com meninas. O absurdismo e a estrutura também me lembram um pouco 100 Kanojo. A comédia guia tudo que acontece aqui igual nessas obras.

As vendas, porém, não foram lá essas coisas. O mangá varia entre uns 4.5 mil até uns 7 mil dependendo do mês, mas não cresce daí. Os editores porém afirmam que a popularidade do mangá entre os leitores da revista é alta, além da série ter sua popularidade na Magazine Pocket. Assim é um dos que mais recebe páginas coloridas, com algumas sendo as iniciais — me leva a acreditar que um anime já esteja em desenvolvimento, assim como Kanojo mo Kanojo ganhou um em menos de um ano.

No momento, não parece correr risco. Mas também consigo imaginar Hiroyuki fazendo dessa uma série mais curta, entre 100 a 150 capítulos.

PONTO DOURADO: Em algum momento eu parei de desejar que o elenco fixo não crescesse mais e aceitei que a melhor coisa para Dream Jumbo Girl é manter o elenco absurdamente grande da série. Cada um com sua personalidade esquisita para adicionar mais situações desastrosas à história.

De certa forma, Hiroyuki está lidando bem até com essa expansão rápida de personagens e não parece que elas são escanteadas quando começa o arco de uma nova garota. É hilário ver como todo mundo se movimenta para ajudar de sua maneira, até causando mais problemas às vezes.

O autor é elogiado jsutamente pela comédia e a possibilidade de ter mais peças para mais piadas é o que faz o mangá funcionar e não ficar no marasmo.

Hajime no Ippo

HAJIME NO IPPO (George Morikawa) 

Gênero: Esporte / Batalha Lançamento: 1989

A data de lançamento ali não está errada não, Hajime no Ippo começou na década de 80! Estamos falando aqui de um dos mangás mais longos e relevantes da história da indústria, além de ser, junto de Kindaichi, o mangá mais vendido da Weekly Shonen Magazine, com 100 milhões de cópias em circulação.

A história aborda a história do modesto Makunoichi Ippo no mundo do boxe, aonde o jovem encontra paixão, objetivos e rivais. Ao longo de décadas de construção, vemos diversas lutas que vão moldando e evoluindo todos esses personagens, com o boxe sendo um meio de mudar a vida.

Morikawa, o autor, é um dos pilares da Shonen Magazine e não é incomum vê-lo comentar sobre novos autores na revista e estimular a competição para que a qualidade suba. Tanto a obra quanto seu criador são lendários e parte integral da identidade do que é a Magazine.

Dito isso, é óbvio que Ippo sempre está seguro. Quem quiser ler, pode ir à vontade e degustar de um clássico imenso. O problema, em anos recentes, é só a questão de saúde de Morikawa, que já foi internado duas vezes esse ano e está atualmente num hiato, se recuperando bem. O homem tem 60 anos e mais da metade desse tempo de vida fazendo mangá semanal, então é uma situação completamente compreensível.

E mesmo que ele volte a um ritmo mais regular, a narrativa parece contar ainda com mais alguns anos de gás no tanque. Existem vários enredos para diversos personagens e cada um terá sua resolução no seu tempo, sem pressa.

PONTO DOURADO: Anos e anos de prática criam a perfeição. Não consigo imaginar alguém entender melhor como passar a movimentação, a velocidade e a troca de socos do boxe que George Morikawa. O dinamismo é absurdo e o traço parece se modernizar com o tempo, fazendo com que a leitura sempre pareça “em dia” com as inovações em quadrinização e arte. Um mestre que continua sempre se atualizando e melhorando.

Enquanto alguns podem reclamar de certos capítulos mais curtos, pelo número menor de páginas e a luta não ter tantas falas, eu convido todos a relerem essas partes agrupadas em vários capítulos depois. A sensação é diferente e permite enxergar a visão maior do autor. É uma movimentação que flui perfeitamente.

Guilty Library

CURTAS 

Nessas duas edições tivemos também alguns curtas para preencher espaço. O primeiro foi a comédia yuri Guilty Library, que eu comentei que teve ótima recepção e seria considerada para publicação e… boom, o autor confirmou que recebeu a oferta e o curta virará uma série na Magazine Pocket. Poderia ter vindo para a revista física, mas provavelmente a recepção foi melhor online, então acharam melhor ir por lá. Boa sorte para o autor, muito legal de ver um curta tendo sucesso tão rápido.

Já o segundo foi Danshi Koukousei no Susume, uma comédia estrelando garotos adolescentes. Dentre as mini que eu cobri até agora, acho que essa foi com a recepção mais morna. Se as demais serão consideradas para publicação, essa é mais provável que o autor volte para a fase de planejamento.

Os demais oneshots também não fizeram muito alarde e penso se essa era de oneshots pode estar chegando ao fim com mais uma série chegando para a line-up.

NOVA SÉRIE, LILIM HOLIC

E no final da edição dupla foi anunciada uma nova comédia romântica para a revista com o título de Lilim Holic, um romance com uma garota súcubo. A autora é Tsumugi Musawo, que criou Koi to Uso, um sucesso do aplicativo Manga Box.

Admito que nunca havia lido o mangá ou assistido seu anime, então comecei a leitura da série para me preparar para o novo mangá. Com um volume só já entendo o porquê de irem ido atrás dela, é um tipo de obra que encaixa bem no perfil atual do público da Magazine com um foco em heroínas fofas e um clima de comédia leve. Existe também uma vantagem no traço dela que apela mais também para o público feminino, assim talvez é mais uma tentativa do editorial de lançar uma romcom de apelo demográfico mais expansivo.

A minha dúvida é como ela lidará com a publicação semanal, já que no Manga Box ela podia publicar capítulos curtos e depois ela foi para a Bessatsu Shonen Magazine, que é mensal. Talvez os capítulos de Lilim Holic sejam mais curtos também? Os editores aceitam, é o caso de Kuroiwa Medaka e Kanan-sama. De qualquer forma é uma aposta válida, ainda mais considerando o sucesso da autora numa plataforma digital e o foco da Kodansha em fortalecer a Magazine Pocket.

—

Por fim, eu não imaginei que esse texto ficaria tão grande. Lá pelo meio estava até com remorso, mas fico satisfeito de ter concluído ele, espero que quem tiver interesse, leia e curta. Vale a pena dar uma chance para as séries da Shonen Magazine.

Continue Reading

Previous: SHONEN JUMP: A Procura pelo Próximo Sucesso Comercial!

Related Stories

SHONEN JUMP: A Procura pelo Próximo Sucesso Comercial!

SHONEN JUMP: A Procura pelo Próximo Sucesso Comercial!

28/04/2026
Os Bastidores da Criação da Jump! – A História da Shonen Jump (Ano 1968: Parte 1).

Os Bastidores da Criação da Jump! – A História da Shonen Jump (Ano 1968: Parte 1).

23/04/2026
Análise – TOC Weekly Shonen Magazine #20 (Ano 2026).

Análise – TOC Weekly Shonen Magazine #20 (Ano 2026).

20/04/2026
APOIE-NOS NO PATREON! Become a member!

Analyse It Mangás

Este é o canal youtube do site Analyse It Mangás!

Analyse It Mangás
Acesse o Site do Analyse It para matérias especiais e as TOCs da principais revistas: http://www.analiseit.com/

PATREON: https://patreon.com/AnalyseIt?utm_medium=unknown&utm_source=join_link&utm_campaign=creatorshare_creator&utm_content=copyLink

Nossas rede sociais:
Discord: https://discord.gg/nshUkBQ5n7
Twitter: https://twitter.com/Analyseitbr
Facebook: https://www.facebook.com/analyseitbr
Instagram: https://www.instagram.com/analyseit/

Redes Sociais do Leonardo Nicolin:
Twitter: https://twitter.com/AnyoneNico

Edição: Kath
O DIA QUE SLAM DUNK ACABOU!
Subscribe

Siga-nos no Twitter

O NICOLIN ENLOUQUECEU! O Analyse It mudou de cor, layout e ainda por cima trouxe grandes novidades!

Venha ver o "NOVO ANALYSE IT" AGORA: https://t.co/qUPILDGXfk pic.twitter.com/ck6Gv080HW

— Analyse It (@Analyseitbr) June 26, 2021

Vale a Pena Ler

Análise – TOC Weekly Shonen Magazine #21 – #22/23 (Ano 2026).

Análise – TOC Weekly Shonen Magazine #21 – #22/23 (Ano 2026).

08/05/2026
SHONEN JUMP: A Procura pelo Próximo Sucesso Comercial!

SHONEN JUMP: A Procura pelo Próximo Sucesso Comercial!

28/04/2026
Os Bastidores da Criação da Jump! – A História da Shonen Jump (Ano 1968: Parte 1).

Os Bastidores da Criação da Jump! – A História da Shonen Jump (Ano 1968: Parte 1).

23/04/2026
Análise – TOC Weekly Shonen Magazine #20 (Ano 2026).

Análise – TOC Weekly Shonen Magazine #20 (Ano 2026).

20/04/2026
Copyright © All rights reserved. | MoreNews by AF themes.