O possível anime de Kagurabachi, novo mangá de esporte e uma leva inteira jogada no lixo. Venha ver a TOC da edição #20:
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Nesta edição, ocorreu a estreia de Natsu to Mushikago, o segundo mangá deste ciclo e mais uma investida no gênero de esportes. Talvez Natsu to Mushikago figure como uma das apostas esportivas mais promissoras da Weekly Shonen Jump nos últimos anos; contudo, mesmo assim, sua sobrevivência é complexa. Em um período no qual o público demonstra menor engajamento com os mangás da revista, o gênero esportivo é o que mais sofre com o desinteresse geral.
Já a comédia sobrenatural Roku no Okashi na Ie, que estreou na semana passada, apresentou um desempenho inicial desanimador, registrando baixas visualizações na Jump Plus. A obra ocupou apenas a nona posição entre os títulos mais lidos do dia (resultado insatisfatório para um lançamento) e obteve menos de 100 mil leituras, o que eleva consideravelmente as probabilidades de cancelamento. Para garantir sua permanência, Roku no Okashi na Ie precisará converter esse reduzido número de leitores em uma alta densidade de votos, fenômeno raramente observado.
TOP 5
A primeira colocação foi ocupada por Madan no Ichi, que, em conjunto com Someone Hertz (nesta semana na terceira posição), destaca-se na classificação da TOC. O motivo de tais classificações favoráveis reside no fato de ambos serem os êxitos mais recentes da revista, configurando-se como as melhores novidades para promoção editorial.
Em segundo lugar, tivemos Sakamoto Days, que segue sua trajetória rumo à conclusão.
Assim que surgirem novos títulos que alcancem um desempenho comercial satisfatório (acima de 20 mil exemplares vendidos em um mês), é provável que o corpo editorial impulsione essas obras para as cinco primeiras posições, reduzindo a frequência com que Madan no Ichi e Someone Hertz ocupam o topo. Anteriormente, havia uma alternância maior na liderança entre os novos lançamentos; entretanto, atualmente, poucos títulos prosperam, fazendo com que Madan no Ichi e Someone Hertz figurem quase invariavelmente entre os três primeiros colocados.
Na quarta posição, observamos Exorcist no Kiyoshi-kun, que realizou a manobra conhecida como “pulo do gato” do não-cancelado. Quando uma série não apresenta alta popularidade e ocupa posições inferiores, geralmente recebe esse salto estratégico como uma sinalização dos editores de que a obra não será descontinuada de imediato. Na realidade, trata-se de uma forma sutil de promover o autor, evidenciando que ele ainda dispõe de uma oportunidade de recuperação.
Entretanto, Exorcist no Kiyoshi-kun realmente corre risco de cancelamento? Embora tanto ele quanto Himaten tenham recebido classificações mais baixas ultimamente, não enfrentam risco iminente. Enquanto os editores não viabilizarem novos sucessos para ocupar as lacunas deixadas pelas séries encerradas, esses dois títulos tendem a ser mantidos. Atualmente, o catálogo da revista conta com 19 séries em vez das habituais 20.
De fato, a conjuntura é grave ao ponto de a revista manter uma vaga em aberto por ausência de conteúdo substituto adequado. É um cenário preocupante.
Concluindo o TOP 5, tivemos Ao no Hako, que, a exemplo de Sakamoto Days, caminha para o encerramento. A diferença é que Ao no Hako parece ter recebido um sucessor na temática de basquetebol: a nova série Natsu to Mushikago, que mescla o esporte com elementos narrativos singulares em uma obra visualmente refinada e com um capítulo inaugural competente. Na próxima semana, analisaremos sua recepção na coluna da TOC.
ZONA INTERMEDIÁRIA
No dia 27 de abril, haverá um anúncio relevante relacionado a Kagurabachi durante a Jump Press, que também trará novidades sobre outras séries. Tudo indica que se trata da confirmação da adaptação em anime da obra. Caso o anúncio ocorra antes do terceiro aniversário, será uma vitória significativa para os padrões vigentes, sinalizando um possível retorno ao cronograma de lançamentos de animes no terceiro ano de vida dos mangás.
Contudo, embora circulem vazamentos (leaks) que dão como certa a produção, ainda não há confirmação oficial. Tais fontes utilizam a antecipação da Jump Press para ganhar relevância.
Caso o anúncio ocorra de fato em 27 de abril, é quase certo que o lançamento do anime se dê entre outubro de 2026 e abril de 2027, sendo esta última data a mais provável. Kagurabachi é um dos mangás sem adaptação televisiva com melhor desempenho comercial no mercado, um fenômeno global e, fundamentalmente, essencial para que a Weekly Shonen Jump recupere sua relevância no cenário nacional.
Ainda sobre adaptações, na oitava posição figurou Akane Banashi, que não tem registrado um incremento substancial em suas vendas. Conforme mencionado em meses anteriores, lançar um anime quando a obra já possui mais de 20 volumes publicados reduz as chances de um aumento explosivo na comercialização. Embora ainda seja possível, o investimento necessário para o leitor adquirir 20 volumes é elevado; logo, exige-se um anime de impacto excepcional para motivar essa conversão de consumo.
Akane Banashi é uma produção competente e possui um público fiel, mas não se consolidou como o destaque absoluto da temporada ou um fenômeno comercial de grandes proporções. Consequentemente, o público não se sente compelido a adquirir a coleção completa. O resultado é nítido: apenas o primeiro volume consegue figurar entre os 500 mais vendidos, enquanto os demais apresentam um crescimento inferior a mil cópias semanais.
BOTTOM 5
Enquanto Himaten ocupa uma posição desfavorável, porém sem risco imediato, as obras Alien Headbutt, Kaigeki no Kinato e Under Doctor enfrentam a possibilidade real de cancelamento. Isso configuraria o segundo ciclo consecutivo em que todos os três mangás estreantes seriam descontinuados, um evento extremamente raro na história da Weekly Shonen Jump, comprovando a gravidade da crise atual.
O público demonstra escasso interesse por estas novas séries e, mesmo aquelas com uma recepção mediana, devem ser canceladas. Embora parecesse improvável o lançamento de mais um ciclo de três mangás, existe a possibilidade real de, caso Hunter x Hunter retorne em breve, tenhamos um ciclo de quatro lançamentos nos próximos meses. Os novos títulos têm tido um desempenho tão aquém do esperado que os editores são compelidos a iniciar grandes levas de substituição continuamente.
A estratégia de lançar grandes ciclos de novidades não é ideal, pois sobrecarrega o leitor. Tais fracassos reiterados acentuam a percepção de declínio da revista; por isso, a implementação de ciclos menores e mais assertivos seria fundamental. Contudo, diante da baixa popularidade dos novos mangás, a editoria carece de opções para seleções mais precisas, restando apenas a manutenção desta alta rotatividade de títulos.



