Um tal de Fairy Tail voltará? O anime de Yowayowa Sensei, impressões iniciais! Seitokai oficial em inglês? A briga da degola está se formando… Em semana com capa para Kanan-sama, as páginas coloridas estão também mais apimentadas. Tudo isso e mais na nossa análise da segunda maior revista shonen do Japão, a Weekly Shonen Magazine. Começando pela TOC:
- Kanan sama wa Akumade Choroi (Capa e Primeiras Páginas Coloridas) Ch. 178
- Sentai Daishikkaku Ch. 212
- Mayonaka Heart Tune Ch. 112
- Gachiakuta Ch. 164
- Kanojo, Okarishimasu (Color Page, Celebration for Anime 5th Season Start) Ch. 420
- Ura Tokyo no Osoroshi Dokoro Ch. 04
- Kurotsuki no Yaergnacht Ch. 42
- Seitokai ni mo ana wa aru! Ch. 168
- Banjou no Orion Ch. 94
- Ano shima no Uminesou Ch. 13
- Blue Lock Ch. 343
- Kakkou no linazuke Ch. 292
- Suruga Meteor Ch. 55
- Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai Ch. 217
- Mokushiroku no Yonkishi
- Yumene Connect Ch. 74
- Zero to Hyaku Ch. 19
- Kaijin Fugeki Ch. 73
- Tengoku Renji (Oneshot)
- Dream ✰ Jumbo ✰ Girl Ch. 39
- Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 94
- Yowayowa Sensei Ch. 162
- Tegami o Moratta Hito (Oneshot)
- Aoku Somero (Capítulo Especial da Magazine Pocket)
Ausências: Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su Ch. 262, Hajime no Ippo, Ahiru no Sora Ch. 616 (Hiato)

O aviso foi dado no começo da matéria, mas com a capa e grande foco promocional, Kanan-sama traz seu fanservice habitual para as páginas inicias dessa edição. A celebração é pelo seu anime, que estreou na semana passada, mas que inverteram em arte com o seu ecchi irmão Yowayowa Sensei, também com anime na temporada.
Enfim, de qualquer forma Kanan ganhou seu merecido destaque. A Magazine costuma dar capas para suas obras que chegam à adaptação, então é uma recompensa justa para uma revista que raramente não estampa modelos ou idols.
O segundo episódio do anime foi ainda melhor que o primeiro: o roteiro fluiu melhor com a adaptação de capítulos diferentes que possuiam conectividade temática e de personagens, a direção esteve mais criativa ao representar as piadas e animação e arte mais consistentes.
E isso levou a um boost? Não no físico, nada na Shoseki. Existe um movimento melhor no digital, com o backlog do mangá indo melhor na Amazon, o volume 1 estando entre os 200 volumes mais vendidos de mangá shonen no momento que escrevo essa matéria — resultado bem decente, mas o efeito não chegou aos volumes mais para frente ainda; o nono está lá para casa dos 2000 a 3000, por exemplo.
Mas não é nada fora do comum para o momento atual da indústria. Boosts com números fortes de backlog vendendo se tornam cada vez mais raros e os dessa temporada devem ir mais para obras como Witch Hat Atelier e Yomi no Tsugai, de apelo mais mainstream.
De qualquer forma, recentemente até a Shueisha admitiu que, com o mercado em declínio, extrair mais de uma obra é importante também além das vendas. Kanan-sama está trazendo produtos até como figures oficiais para o mercado. É popular para seu nicho.
O problema da Magazine é não estar conseguindo novos hits mainstream junto desses. Kanan-sama está com um anime de qualidade, mas deve ter desempenho similar da maioria dos novos anime da revista. Isso não ajuda a melhorar as vendas da Magazine em si, mas atrai mais gente para Pocket. É complicado.
Enfim, o autor nonco tem nada a ver com isso e recebe suas promoções e colaborações merecidamente. Também tivemos a publicação da primeira arte de uma colaboração entre Kanan-sama e Yowayowa Sensei, mas deixarei para postar a imagem mais pro fim da matéria.
Medalha de prata, Sentai Daishikkaku ganhou um raro destaque para um mangá que já está acabando e com poucas novidades comerciais. Pode ter sido um caso de respeito mesmo por uma obra longa e um autor de sucesso, destacando um capítulo que traz algumas revelações interessantes para o arco final.
Fechando o pódio, Mayonaka Heart Tune não deixará de ser promovido mesmo com o fim da primeira temporada de seu anime. A segunda já está engatilhada e recentemente tivemos revelados o resultado da enquete de popularidade da comédia romântica: Iko foi a grande vencedora, seguida da Rikka, Shinobu e Nene.
O termo usado para esse tipo de disputa entre diversas heroínas entre os otaku japoneses é “Heroine Race”, a corrida das heroínas. É um dos aspectos principais do subgênero harém, mas apesar dessa disputa, o autor precisa lidar bem com todas as personagens para agradar a totalidade de seus leitores. MayoTune é até estruturado dessa forma a fazer uma rotação de arcos pelas garotas, mas sem deixar de desenvolver cada uma de maneira signifcativa. Apesar da popularidade acima do normal para um protagonista, penso que o autor deve ter ficado aliviado que ele não foi mais votado que uma participante da corrida.
Quarto lugar, Gachiakuta volta finalmente com um capítulo de tamanho normal e, melhor ainda, tem o nome marcado no preview da edição seguinte. Já fazia um tempo que o battle não tinha dois capítulos em seguida na revista.
A dificuldade para encontrar novos battle de sucesso elevam ainda mais a importância da manutenção de Gachiakuta na revista. É uma obra que tem um patamar de vendas que a maioria dos novatos nem sonha alcançar e um anime em produção pelo excelente estúdio Bones, além de um apelo internacional grande.

Na quinta colocação para sua quinta temporada de anime, temos o famoso Kanojo, Okarishimasu, que é a obra mais velha da Weekly Shonen Magazine em semanas sem Hajime no Ippo.
A série chegou a um ponto que novas temporadas basicamente não tem muito efeito em novos compradores. São mais de 40 volumes, não é um número “boostável”. Seu anime basicamente existe para agradar aos fãs já existentes e manter a IP em alta, com novas mercadorias e produtos. O material promocional da temporada, incluindo a revista da semana, promovem bastante os singles das músicas de abertura e encerramento, por exemplo.
Enquanto o mangá faz um raro passeio com Sumi, o anime teve uma performance incrível de Yuuki Aoi apresentando o passado de Mami. Foi uma semana feliz para os fãs de heroínas secundárias de Kanokari.
Sinal amarelo para o sexto colocado, Ura Tokyo. Estamos apenas no quarto capítulo, mas o começo é essencial para um mangá shonen, ainda mais um battle e o problema é que os números da Magazine Pocket não estão bonitos.
Apesar do lançamento “dentro da média” com seus capítulos gratuitos, o primeiro capítulo pago apresentou uma queda imensa de comentários, sendo apenas 18 após centenas de comentários nos anteriores. É um número baixo para ser considerado ao avaliar os prospectos futuros da obra.
Não quer dizer que já está cancelado, mas que precisa convencer os leitores da revista e futuros leitores de volume físicos a darem uma chance para um novo battle em estilo tradicional. O gênero não para de sofrer na Magazine, mas com o número de séries fixas, incluindo o sinal de segurança para Yumene Connect, Ura Tokyo provavelmente irá batalhar por sua existência logo. Terá que torcer por alguns encerramentos naturais para facilitar o seu caso.
A sétima colocação é de Kurotsuki no Yaergnacht que termina o capítulo com o começo de uma grande batalha envolvendo vários personagens. Possivelmente será o maior conflito da história até agora então pode receber umas promoções para esse lado battle em destaque.
Surpresa para o oitavo lugar, Seitokai ni mo ana wa aru! A comédia chegou do nada ao K-Manga em inglês, com todos os capítulos até agora e prometendo a publicação simultânea dos capítulos futuros.
Um dos principais empecilhos para a cobertura completa da revista no serviço é o nível de ecchi das obras, algo que os aplicativos detestam, além de talvez uma questão de imagem. Sinceramente, eu não concordo com nada disso e acho que o ideal seria trazer a revista toda, então essa vinda foi um passo positivo.
Embora não seja exatamente um ecchi, Seitokai tem vários capítulos com ou focados no fanservice, até pela natureza da comédia de piadas sujas do mangá. Pelo que vi, alguns capítulos são censurados (com aquelas barras pretas horríveis), mas parece inconsistente e varia de capítulo a capítulo.
Com o sucesso do mangá no Japão e a chegada de um anime de muita qualidade para o futuro, a Kodansha deve ter sugerido trazer a série logo. Idealmente, a editora faria um versão browser do K-Manga para poder lançar seus capítulos sem tanta censura, respeitando assim a arte original e seus autores. Fica a sugestão, mas já grato pela vinda de SeitoAna.
Em nono lugar, Banjou no Orion dá início para mais uma partida de muita relevância ao roteiro. Chegando perto dos 100 capítulos, o mangá continua na espera de uma adaptação.
A décima posição vai para Uminesou, que ganhará mais uma página colorida na próxima edição, agora promovendo seu primeiro volume. O ponto crucial da obra é manter o maior número possível dos leitores de Megami Café, e para isso teremos até ilustrações especiais dos personagens da obra anterior de Seo Koji. É ver se a jogada dará certo.
Blue Lock é o décimo primeiro colocado em um capítulo que volta total para as raízes de ego do projeto Blue Lock. Curiosamente, é quase o oposto da forma atual da seleção japonesa, com a maioria das análises destacando que, mesmo sem um jogador estrela, o time nunca teve um patamar tão alto geral de qualidade — no lugar de ter um cara muito bom e vários medíocres, a seleção é formada por vários jogadores decentes numa formação que explora a coletividade da equipe.
Não que isso influencia no mangá e sua recepção, mas é algo curioso.
O décimo segundo da TOC é Kakkou no Iinazuke com um capítulo que continua escalando o drama familiar desse arco final. É difícil de dizer quando Kakkou e SenDai devem acabar, as narrativas das duas séries ainda parecem ter um pouco de gás no tanque.
Considerando futuros cancelamentos, colocações como a décima terceira dessa semana continuam sendo de muito valor para Suruga Meteor. Sem um número expressivo de vendas, a TOC acaba sendo o melhor termômetro para a spokon — se continuar ficando mais para cima significa apoio editorial e segurança.
As contas de Kuroiwa Medaka, o décimo quarto da edição, continuam postando sobre o anime, então mais notícias devem vir nos próximos meses. Já o mangá está focando mais do que o esperado no casal secundário.
Mokushiroku no Yonkishi apresenta seu novo grupo de vilões com a narrativa já de volta para o nosso grupo de protagonistas. É um mangá de muita popularidade, mas já longo e focado mais na sua própria base.
Vamos aproveitar então a conexão entre a franquia Nanatsu com Fairy Tail, já promovidos juntos antes na revista, para falar da volta do clássico de Hiro Mashima.

São 20 anos de Fairy Tail e a celebração terá vários eventos começando em 2026 e vários durante 2027, isso inclui diversas lojas, merch, eventos, etc. Mas o que interessa mais à revista é o fato de que Fairy Tail retornará para uma serialização CURTA.
É essencial ressaltar que é curta porque diversas páginas de anime e mangá por aí se importam mais com cliques e omitiram essa parte importante. Não é o Mashima voltando a fazer Fairy Tail na Shonen Magazine a longo termo, mas uma celebração.
A volta será em Agosto de 2026 e eu chutaria que como a volta de Daiya no A, é mais provável ser de um volume; ou seja, um pouco mais de dois meses. É uma grande oportunidade de ter esses leitores de Fairy Tail de volta checando a revista. A queda de vendas da Magazine ao longo da última década foi forte, então muitos leitores antigos estão por aí.
E não seria surpresa nenhuma que a revista fizesse algo parecido que fez com a volta de Daiya. Na ocasião, usaram a volta de uma spokon de baseball para promover sua nova spokon de baseball, Suruga Meteor. Então é bem possível que junto de Fairy Tail eles tentem lançar um novo battle, talvez de fantasia, que possa interessar a esses leitores.
A tática funciona? Não exatamente. A leitura digital permite que muitos só leiam o que querem, sem folhear o resto da revista, e Suruga Meteor não vende nem perto de Daiya no A, mas ainda é uma oportunidade que vale a pena abraçar. Qualquer tipo de ajuda é útil nesse mercado cada vez mais difícil para novas obras.
Mashima e sua magnum opus merecem a homenagem e a revista abraça novas chances comerciais.
Continuando, temos Yumene Connect em décimo sexto lugar. O mangá deu uns sustos nos seus fãs com desenvolvimentos recentes dando cara de um possível final, além de várias posições baixas na TOC. Porém, toda essa narrativa agora vai pro ralo já que a revista anunciou que a comédia ecchi ganhará as primeiras páginas coloridas da próxima edição! É um apoio editorial forte e que tira o mangá da disputa contra a degola, deixando a situação mais crítica para algumas outras obras.
Em décimo sétimo na TOC, Zero to Hyaku é quem mais precisa se preocupar com as movimentações recentes da TOC, como Suruga Meteor não caindo do meio e Yumene com apoio editorial. A spokon de basquete não teve números expressivos nas vendas e se começar a ranquear com frequência perto do fundão, se torna o candidato mais provável para o próximo cancelamento.
A qualidade artística da obra é impressionante e um post sobre o desenho foi o maior número de interações que a obra já recebeu no Twitter, então estão tentando promover mais por esse lado, mas sem muitas reações no momento.
A Jump também lançou um novo mangá de basquete, Natsu to Mushikago, então será interessante poder traçar paralelos entre a recepção das obras. No momento, vejo caminho complicado para as duas obras.
Kaijin Fugeki é o décimo oitavo colocado, ainda sem seu anúncio de anime. Em compensação Oh Great continua promovendo seu nome por aí, com o lançamento de Smoke, seu mangá colorido, em Abril. Além disso, o artista esteve na colaboração recente entre a Capcom e o hololive fazendo a arte oficial de um torneio de Street Fighter 6, com foco na vtuber Botan e a personagem Juri.
Esses torneios são bem populares no Japão, aonde Street Fighter tomou o posto de e-sport do momento e ganha números excelentes em stream. Aproveitaram a oportunidade para promover Kaijin Fugeki lá e fazer uma exposição de artes do Oh Great, algo que traz o nome do artista para um público mais jovem. Geralmente não pego muitas imagens fora das páginas coloridas, mas deixarei algumas do evento aqui.


Após um oneshot, vemos Dream Jumbo Girl na vigésima posição. Nada fora do normal para uma revista de grande rotação.
Vigésimo primeiro colocado, Ao no Miburo também traz um capítulo menos prioritário, mais focado numa interação simples do que nos grandes desenvolvimentos e batalhas. Obviamente, não acho que isso seja o ponto forte de todo mangá — inclusive achei esse capítulo interessante justamente por humanizar novamente personagens e período, mas o editorial costuma promover aquilo que é mais chamativo para alguém de fora, ainda sem ler a obra, ou o clímax narrativo de suas séries.

A arte colaborativa citada lá no começo da matéria está aqui com o meu comentário sobre Yowayowa Sensei, que fecha a edição em termos de séries estabelecidas (temos dois oneshot depois). A escolha parece intencional: Kanan começa a edição, Yowayowa fecha; promoções conjuntas entre os dois mangá ecchi com anime na mesma temporada.
Falando do anime agora. A abertura estática me assustou um pouco, mas o anime em si está dentro da média dos ecchi, que não é lá muito alta, mas aceitável. Existiu um foco em preservar a arte, com os traços originais da autora Fukuchi Kamio sendo visíveis no anime, detalhes como a forma que ela desenha os olhos e boca da Hiyori, heroína titular, foram preservados e isso é importante para agradar os fãs do trabalho original.
A atuação de Kouno Marika também foi bem elogiada, capturando a voz esperada da sensei: fofa, mas num tom mais baixo e menos efusivo. Ela já havia sido voz da personagem em PVs da série, basicamente atende às expectativas dos leitores.
O episódio adaptou de forma bem direta o começo do mangá. A adaptação deixa clara a evolução da autora ao longo da obra, já que o humor é um pouco mais seco sem o caos que toma conta da obra com a introdução de mais personagens.
Sem boosts físicos no momento, mas o volume 1 está em 257 no ranking de shonen mangá da Amazon no momento. Similar a outras obras da Magazine, o movimento do público parece vir mais do meio digital. O novo volume do ecchi chegará às livrarias japonesas no dia 16 de Abril e pode ter algum crescimento em relação aos anteriores, com o fenômeno do retorno dos leitores. Ficarei de olho.
Bom, ficamos por aqui com mais uma TOC lançada mais tarde. Até a próxima.
