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Análise – TOC Weekly Shonen Jump #41 (Ano 2026).

Lucca 08/09/2026

A batalha contra o cancelamento se torna uma verdadeira guerra pela sobrevivência na edição de lançamento de Graykeith no Makai Goyakuroku. E como os primeiros resultados de Yuusha Destroyers e Roku podem implicar no futuro dos dois novatos?

Weekly Shounen Jump #41 (07/09/2026):
Gray Keith no Makai-go Yakuroku c01 (Capa, Página Colorida de Abertura, 54 Páginas, Nova Série de Natsuki Hokami)
01 – Someone Hertz c48
02 – ONE PIECE c1192
Ura no Report c02 (Página Colorida)
03 –  Madan no Ichi c97
04 – SAKAMOTO DAYS c274
Shinobigoto c96
05 – Roku no Okashi na Ie c21
06 – Akane-banashi c221
07 – Exorcist no Kiyoshi-kun c106
08 – Animal Signal c13
09 – WITCH WATCH c261
Boku to Roboco c296 (Página Colorida)
10 – Nue no Onmyouji c160
11 – HAL FORMULA c12
12 – Cannon Master c11
13 – Kagurabachi c131
14 – HUNTER×HUNTER c420
15 – UNDER DOCTOR c31
16 – 2-nen B-gumi Yuusha Destroyerz c19
Weekly Shonen Jump #42-43 (14/09/2026):
Capa e Página Colorida de Abertura: SAKAMOTO DAYS c275
Página Colorida: Gray Keith no Makai-go Yakuroku c01, Roku no Okashi na Ie c22, Exorcist no Kiyoshi-kun c107

Nessa semana tivemos a estreia do segundo e último mangá da nova leva: Gray Keith no Makai-go Yakuroku, de autoria de Natsuki Hokami (Gokutei Higuma e Kimetsu Gakuen). O autor retorna à Jump depois de oito anos após ter sido cancelado com Higuma, mas agora com a experiência de ter conduzido um spin-off de enorme sucesso com Kimetsu Gakuen.

Hokami já havia testado o mangá ao lançá-lo como um one-shot na Jump em 2025, quando esteve numa espécie de Gold Future Cup, com os editores lançando vários capítulos que eram claramente testes com o público. Gray Keith foi um dos com melhor retorno do público que elogiou a narrativa e o mundo de fantasia. Não viralizou nem nada do tipo, mas foi visto como algo consistente e com potencial para se tornar uma história longa.

O mangá é sobre a vida e trabalho de Gray Keith, um tradutor de línguas demoníacas. O setting da história é um mundo no qual 50 anos se passaram desde que o mundo humano e o dos demônios se conectou, com essas décadas moldando uma nova cultura e sociedade influenciada por essa troca cultural. O protagonista Gray Keith estuda os idiomas dos demônios para poder facilitar a comunicação e entendimento mútuo entre os povos.

No primeiro capítulo temos uma palhinha da estrutura do mangá, com um caso individual de uma menina meio-humana meio-demônio querendo entender um livro deixado por sua recém falecida avó, uma imigrante do mundo dos demônios que nunca aprendeu japonês. O capítulo envolve esses temas mais complexos, mas também apresenta aventura e ação — sendo o battle shonen da leva.

Não dá para cravar de imediato a recepção do publico japonês, mas parece pender mais ao positivo, embora sem muito alarde ou um começo explosivo. Precisaremos de mais capítulos para saber se Gray Keith pode quebrar a maldição do gênero battle que não achou um hit sequer na revista em 2025 e 2026 ainda.

Continuando com a lista da TOC da edição, o top 3 das séries ranqueadas é bem comum e recorrente com o combo de Someone Hertz, One Piece e Madan no Ichi. Hertz e Ichi basicamente revezam no topo da revista continuamente desde suas estreias como afirmação de apoio editorial a dois hits recentes e também por suas narrativas que podem agradar mais ao leitor casual semanal. Já One Piece é basicamente fixado na segunda posição quando não recebe uma capa.

Acima de Ichi porém temos Ura no Report com a página colorida tradicional dada para o segundo capítulo de todo estreante. A comédia romântica teve um bom primeiro passo com a recepção de seu lançamento, com os leitores online elogiando o mangá tanto por sua comédia quanto pelo carisma dos personagens, com a heroína Ura ganhando várias fanarts de imediato.

Fanart não é sinônimo de sucesso, já tivemos cancelamentos de mangás que causaram burburinho nas redes, como Ping Pong. Mas entre atrair atenção o suficiente para ganhar artes ou não, ter é sempre um sinal mais positivo.

O que pode dificultar um pouco o cenário para a avaliação de Ura no Report porém é a fanbase digital do escritor Numa Shun. Com duas obras cults na Jump (Samon-kun wa Summoner e Choujun! Chojo-senpai), o nome do autor já atrai sua base fiel de leitores e coloca seu novo mangá em maior evidência que outros novatos.

O problema é que apesar de serem fãs fieis, a ponto de ter levado Chojo para o pódio do prêmio Tsugi Manga Awards, eles não foram o suficiente para garantir que os trabalhos de Numa fossem destaque das line-up da Jump de suas eras.

Para melhor avaliação de Ura no Report em si precisaremos ver como o público novo ao autor reage e se o impacto do capítulo 1 pode ser repetido nos posteriores.

Continuando, temos Sakamoto Days em quarto lugar. O mangá sempre parece que está a uma leva de acabar, mas a batalha final continua. Apesar de vários aniversários e eventos para cobrir na capa, a abertura da próxima edição, que é dupla, irá para Sakamoto Days. Mesmo assim é improvável que o mangá termine em mais 2 ou 3 capítulos, precisando de um pouco mais para sua conclusão.

Shinobigoto ganha mais uma página colorida nessa edição em promoção ao seu novo volume e à primeira light novel spin-off do mangá. Apesar de não estar mais no ápice do apoio editorial, o mangá continua sendo muito bem avaliado e promovido internamente.

Os primeiros resultados da Shoseki para esse novo volume pintam um cenário de estabilidade para o mangá que vende entre uns 18 a 20 mil cópias mensais ao mês, mais do que suficiente para longa permanência na Jump moderna.

Outro mangá muito interessante de se analisar em vendas é Roku no Okashi na Ie que lançou seu primeiro volume. A comédia foi imediatamente considerada um sucesso pelos editores que deram uma segunda capa para o mangá, algo bem raro para um novato sem volumes ainda, e diversas páginas coloridas e posições altas na TOC. Tratamento bem semelhante ao de outros hits como Someone Hertz e Madan no Ichi.

Porém, pela Shoseki o mangá bateu “apenas” 5600 cópias em três dias. Avaliação errada da revista? Não exatamente. Considerando esse resultado e as posições do ranking, ficando acima de Himaten e abaixo de Shinobigoto, é possível prever que Roku vá vender perto das 15 mil cópias no mês ao menos.

Alguns podem ficar desapontados pelo tratamento editorial ter sido tão bom para vendas de “meio de tabela”, mas pode ser o caso do mangá realmente receber muitos votos dos leitores da revista e comédias possuem uma barreira maior em relação à vendas.

Dito isso, como Roku não é um gag igual Boku to Roboco, acredito que suas vendas ainda sejam importantes para sua permanência, então o volume 2 precisará ao menos manter esse nível para que vendas não se tornem um problema eventualmente.

Em seguida temos duas obras com bastante apoio editorial também em Akane-banashi e Exorcist no Kiyoshi-kun. Apesar de não ter recebido um enorme boost de seu anime, Akane ganhou o suficiente de fôlego para voltar a vender mais que Someone Hertz no último mês. Já Kiyoshi ganhará outra página colorida na próxima edição, a quarta nas últimas sete edições da Jump.

Animal Signal se desprende de sua leva. Após ser o único a ganhar página colorida, agora o mangá já é claramente mais bem ranqueado na TOC do que seus irmãos. Nada explosivo ainda, mas um desempenho razoável em oitavo lugar.

Já na nona posição, Witch Watch está dando pinta de que pode acabar nas próximas levas. Dependerá de como o autor pretende desenvolver (ou não) o epílogo da história. Seria uma perda grande para a Jump já que das novas séries desde 2024 apenas Madan no Ichi e Someone Hertz são capazes de vender mais que Witch Watch.

Com mais uma página colorida, Boku to Roboco continua normalmente

Nue no Onmyouji aparece em décimo lugar e seu novo volume deve vender o mesmo de sempre (pouco acima da faixa das 20 mil cópias). Porém a página colorida de abertura que havia sido prometida com os resultados da enquete de popularidade estava datada para Agosto ou Setembro e existe a possibilidade de ter sido adiada. A rota para um anúncio de anime continua longa.

Na décima primeira e decima segunda colocações temos respectivamente Hal Formula e Cannon Master que são tratados de forma muito parecida pelo editorial: sem página colorida e parte mediana-baixa da TOC, mas sem cair no fundão de vez.

Os dois mangás não causam muita comoção na internet japonesa e essa apatia parece ser a razão pelo tratamento das séries. Hal ao menos está desenvolvendo a históra num ritmo normal, mas a narrativa de Cannon Master está acelerada e revelando inúmeros segredos e existem duas possibilidades para isso: ou o autor já foi avisado de seu cancelamento ou ele está tomando decisões drásticas para tentar salvar a obra.

Kagurabachi surpreendeu os fãs e apareceu no décimo terceiro lugar. O caso aqui é bem improvável de ser uma recepção ruim do arco atual com os leitores e mais reflexo dos capítulos mais curtos que o mangá entrega recentemente. O dessa edição contou com 13 páginas.

De qualquer forma isso não remove o papel de pilar de Kagurabachi, como vimos na última capa de grupo. Deve ser o mesmo caso na semana que vem.

Antepenúltimo, Hunter x Hunter fica naturalmente mais para o fim já que sua estadia na revista é sempre curta. Esse capítulo foi o último da leva atual e o mangá voltará ao seu hiato. Alguns fãs acreditavam que essa leva poderia ser de 20 capítulos, mas uma recomendação que faço é que nunca esperem isso de Hunter x Hunter que lança seus capítulos apenas quando estão praticamente prontos e com um volume novo para sair.

Dito isso, o Togashi avançou bastante na produção e o mangá pode voltar já na primeira metade de 2027. A leva atual recebeu ótima recepção do público e as vendas durante o período foram excelentes e acima de qualquer série do mercado não chamada de One Piece.

Penúltimo na TOC e constantemente em má posição, Under Doctor está na corda bamba, mas eu diria que há boas chances de sobreviver à próxima leva com os finais de Sakamoto Days, leva de Hunter x Hunter e um da dupla Hal Formula/Cannon Master. Se o volume 3 cair em vendas e a TOC continuar ruim, o cenário fica muito complicado para a leva seguinte.

Fechando a edição temos o caso interessante de 2-nen B-gumi Yuusha Destroyers. O novo mangá de Hideaki Sorachi, autor do lendário Gintama, está recebendo posições péssimas na TOC por várias semanas, mas teve debut na Shoseki acima de séries estabelecidas como Nue no Onmyouji e Shinobigoto. De novo, erro dos editores?

Assim como acima, não é bem assim. O mangá realmente recebe muitas críticas nos fóruns e redes sociais japonesas, muitos reclamando do elemento de isekai ou do foco em piadas de banheiro, mas mesmo assim sempre houve a expectativa de suas vendas iniciais serem decentes para o mercado atual já que muitos fãs de veteranos começam a ler pelo volume e não pela revista.

É o caso de vários veteranos com séries novas que chegam ao ápice no seu primeiro volume e depois caem, como Negai no Astro de Ken Wakui (Tokyo Revengers) e Samurai 8 de Masashi Kishimoto (Naruto).

Não estou cravando que será o caso de Yuusha Destroyers, mas as vendas não são tão boas quanto as inicialmente esperadas para o retorno de um autor popular como Sorachi e a TOC ruim pode implicar uma queda no volume 2 da comédia. Caso ocorra, o mangá estará em risco. No momento, deve ter vendido o suficiente para garantir sua permanência, mas a guerra pela sobrevivência está apenas começando…

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