Em semana de leak de novo anime, a revista traz uma declaração de vida de Zero to Hyaku e do gênero spokon, Seitokai ni mo ana wa Aru! se torna um dos maiores sucessos da temporada e mais testes para um autor promissor. Tudo isso e mais na nossa análise da Weekly Shonen Magazine, a segunda maior revista shonen do Japão. Começando pela TOC:
- Zero to Hyaku (Lead Color Pages) Ch. 42
- Kanojo, Okarishimasu Ch. 443
- Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su Ch. 282
- Ano shima no Uminesou Ch. 35
- Blue Lock Ch. 364
- VS. Onee san (Oneshot de Akagi Suu)
- Kakkou no linazuke Ch. 314
- Mokushiroku no Yonkishi Ch. 256
- Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai Ch. 240
- Seitokai ni mo ana wa aru! Ch. 187
- Gunyuu wo Tsuzuru (Página Colorida) Ch. 11
- KILLER+SITTER Ch. 15
- Kurotsuki no Yaergnacht Ch. 63
- Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 118
- Zureta Kaishaku no Bokura Ch. 13
- Onryou Biyori Ch. 06
- Banjou no Orion Ch. 113
- Lilim Holic Ch. 18
- Kaijin Fugeki Ch. 92
- Yowayowa Sensei Ch. 185
- Sentai Daishikkaku Ch. 224
- Kanan sama wa Akumade Choroi Ch. 199
- Suruga Meteor Ch. 78
- Yumene Connect Ch. 95
- Joshu-Chan wa Makerarenai (Oneshot de Gotomaru)
Ausências: Sensen Senki Ch. 16, Dream ✰ Jumbo ✰ Girl Ch. 60, Mayonaka Heart Tune Ch. 132, Gachiakuta Ch. 174, Hajime no Ippo Ch. 1516, Ahiru no Sora Ch. 616 (Hiato)

Essa será mais uma TOC mais enxuta, mas ainda abordando os maiores tópicos da semana! Começando temos uma capa de modelo como de hábito, mas Zero to Hyaku ganha as páginas coloridas de abertura de maneira até inesperada, principalmente se você segue os números de vendas da Magazine e percebe que o mangá possui resultados próximos ou inferiores a outros títulos cancelados.
Não é como Zero to Hyaku tivesse um desempenho muito diferente no digital, então a explicação está mais no momento atual da indústria e da identidade da Weekly Shonen Magazine como publicação em si.
Na última decada, o gênero spokon decaiu muito nas revistas shonen e não consegue mais vender em grande quantidade. Vale para Jump, Magazine, Sunday e Champion, com alguns raros sucessos surgindo nas plataformas digitais como a Jump+ e a Magazine Pocket, aonde existe uma variedade maior demográfica.
A Jump cancela todas as spokon, comparando-as diretamente com outros gêneros, mas a Sunday já por alguns anos prefere manter algumas spokon, mesmo com resultados fracos em vendas. A razão é para manter parte da identidade da revista, que já teve sucesso com mangá de esporte. A Magazine até tentou o caminho da Jump, mas após o fracasso de obras como Love Forty, pelo visto ela aceitou que spokons não devem voltar a vender muito mais e fez uma decisão.
Como uma revista que um dia já foi lar de várias spokon de sucesso, a Magazine entende que não pode ficar sem o gênero na sua linha, mesmo com baixas vendas. Um problema para a revista é que ela seja associada demais a um estilo específico, a Magazine não quer ser vista apenas como “revista de romcom” (mesmo que tenha tantos títulos battle quanto). Leitores praticamente imploraram para a Magazine manter Zero to Hyaku por ser algo que apela especificamente para essa velha guarda de leitores.
O mangá é bom sim. Com uma arte realista e de técnica impressionante, Zero to Hyaku é um sucessor espiritual de obras como Ahiru no Sora e Slam Dunk. Não estou falando que está naquele patamar de escrita, mas é eficiente e uma leitura que exala qualidade.
Dessa forma, os editores podem estar decidindo manter o mangá pensando por esse lado. O gênero não vende mesmo, então vamos manter uma obra de qualidade na revista. Os seus números até cresceram na Magazine Pocket, embora ainda não muito impressionantes, e os leitores semanais da revista podem gostar mais do mangá do que as vendas transparecem.
Por enquanto uma coisa é clara: Zero to Hyaku deve estar fora da zona de risco e a Magazine declara que sempre terá espaço para os esportes.
Kanojo, Okarishimasu: A narrativa continua conectando o arco atual com todos os personagens centrais já apresentados. Está cada vez com mais cara de ser possivelmente um dos últimos arcos do mangá — que mesmo assim pode durar mais alguns anos.
Shangri-la Frontier: Mais uma semana perto do topo da TOC. É um querido entre os leitores semanais e na próxima edição ganha as primeiras páginas coloridas para celebrar seu jogo mobile.
Uminesou: Além de trazer uma personagem de Megami Café para a narrativa, essa edição também contou com um mini capítulo de Megami no Café Terrace. Alguns podem dizer que o autor está usando sua obra antiga para promover a nova, mas sinceramente, pelos comentários de Seo Kouji, ele sempre pareceu disposto a continuar escrevendo os personagens de Café simplesmente por adorá-los.
Uminesou ainda é focado primariamente em novos personagens, mas obviamente essa conexão permite melhor a transição entre os leitores das duas séries.
Blue Lock: Mais um capítulo que saiu incompleto por problemas de saúde do artista. Oito páginas e pedido de desculpas, mas nunca algo legal de se ver. Como a Magazine é mais disposta a dar paradas aos seus autores e o mangá está bem acina na TOC apesar de estar incompleto, o atraso deve ter ficado claro apenas nos útimos momentos do prazo para entrega.
Já tivemos vários problemas do tipo nesse arco que é muito mais focado em partidas cheias de ação e poucos momentos pausados, o que pode sobrecarregar um artista mais do que o comum.
Dito isso, a comunicação precisa melhorar para que mais paradas ocorram de forma natural. Não é legal de ver Blue Lock em destaque na capa sabendo que só existem oito páginas ali dentro.
VS. Onee-san: Um oneshot curto que, muito provavelmente, foi publicado para preencher o espaço deixado pela metade do capítulo de Blue Lock. Entretanto há algo interessante nele: é de autoria de Akagi Suu, que publicou a mini série Janome-san esse ano na Magazine.
Para quem não sabe ou não lembra, Janome-san foi uma comédia romântica focada nas interações entre um garoto comum e uma menina demônio e teve uma recepção bem positiva entre os leitores da revista e da Magapoke, o que já levou alguns a especularem uma possível serialização futura.
A questão é que Akagi Suu é ainda um autor relativamente novo, com pouca experiência, então os editores devem estar testando-o muito internamente, pedindo oneshots e trabalhando para ajudar o autor a crescer. VS Onee-san é um curta gag que pode ter sido pensado justamente para ensiná-lo a trabalhar o ritmo de piadas dentro de um capítulo.
Por sua curta duração, não recebeu muitos comentários assim, mas Akagi Suu desponta como uma aposta interessante para os próximos anos.
Kakkou no Iinazuke: Acho que os leitores até estão espantados com o tanto de progresso que o mangá está fazendo rumo à conclusão. O ritmo aumento muito nas últimas semanas e é possível que logo o romance seja concretizado, com talvez mais alguns capítulos para uma conclusão das outras pontas do roteiro.
Mokushiroku no Yonkishi: Capítulo de luta entre dois dos personagens mais poderosos do mangá. É o que move os fãs do battle shonen e a revista fez questão de destacar na capa que esse capítulo traria exatamente o que eles querem.
Kuroiwa Medaka: Outro capítulo num ritmo desacelerado que não parece desagradar os leitores da Magapoke que continuam lendo em ótimos números a obra, mas que acredito que possa ser um fator para sua queda nas vendas físicas. Pode ser um ritmo que é melhor para o leitor semanal que para aquele que espera os volumes.
Seitokai ni mo ana wa aru!: Já falei muito bem do anime aqui e o episódio 2 continuou com o excelente trabalho de direção e arte, mesmo tendo menos momentos impactantes que o primeiro. O foco foi a introdução da personagem mais popular da obra, Komaro, e isso já deixou os fãs muito alegres.
E essa recepção positiva já está aparecendo nos rankings de vendas. Vários volumes de Seitokai apareceram nos rankings diários da Shoseki, incluindo os primeiros e o mais recente. É uma mistura de novos fãs e alguns leitores já existentes retomando a leitura.
Mas o resultado é ainda melhor no digital. Praticamente todos os volumes do mangá estão no top 100 de volumes mais vendidos da Amazon japonesa, com os mais antigos bem perto do topo da lista. Infelizmente, a gente não recebe esses números, então talvez o boost “visível” seja consideravelmente menor do que o boost real que o mangá receberá. Mangá com fanservice até tende a vender mais no digital já que os compradores não precisam passar por um caixa para a compra.
Incrivelmente, o anime está indo bem até no Ocidente, dentro do possível para um anime lançado oficialmente apenas no Oceanveil, um serviço bem nicho. Seitokai ficou em primeiro lugar no ranking do Anime Corner no seu debut e também está entre os maiores sucessos da temporada em fóruns como o Reddit.
Nem sempre uma adaptação de qualidade pode elevar muito o patamar de uma série, mas os personagens e comédia de Seitokai já haviam provado seu apelo com um público maior quando o mangá venceu o Tsugi Manga. O anime só está expandindo para outra mídia e deixando o Conselho Estudantil ainda mais importante para a Weekly Shonen Magazine.

Gunyuu wo Tsuzuru: A primeira das duas páginas coloridas consecutivas para promover o lançamento do primeiro volume do épico de fantasia chinesa. Não encarem como uma página colorida que confirma bom desempenho, a Magazine sempre dá cores para a promoção de volume.
O fato é, cada vez Gunyuu wo Tsuzuru fica mais distante das demais obras da Magazine na Pocket. Números realmente muito baixos e que não crescem, diferente de seus rivais como Killer+Sitter e Zureboku. Inclusive Sensen Senki terá até um lançamento em inglês oficial, Gunyuu continua se complicando em comparação direta.
KILLER+SITTER: Apesar de ter citado duas linhas acima, o crescimento de Killer+Sitter também não é lá essas Coca Cola. Geralmente seria considerado um desempenho mais fraco, mas o trunfo do mangá está justamente nas vendas físicas competentes para o momento.
Depois de ter batido os 5 mil volumes em duas semanas, o mangá de comédia e ação figurou em alguns dias da terceira semana da Shoseki, mas provavelmente não aparecerá no ranking semanal. Mas está ok, no momento o fato é que Killer+Sitter está indo melhor do que Jyushin no Katana no mesmo ponto e a competição está mais fácil agora com os novatos vendendo cada vez menos.
Continua com aquilo do volume 2 ser o momento da verdade para o mangá.
Yaergnacht: Com o anúncio do anime de Nue no Onmyouji pela Jump, alguns fãs já se perguntam quando a adaptação de Yaergnacht, o equivalente da Magazine, deve vir. Considerando seu sucesso e a velocidade da Kodansha para anúncios, muito provavelmente Yaergnacht anunciará sua adaptação em 2027, com um lançamento para 2028.
Ao no Miburo: Arco continua sem tanta pressa. É um dos maiores acontecimentos históricos do grupo antes do evento de sua futura destruição, então o autor deve querer aproveitar o máximo que dá do momento.
Zureboku: Lembram de quando eu falava que a autora poderia pegar a recepção inicial dos primeiros capítulos, ver o que os leitores gostaram e focar nisso enquanto descarta idéias menos populares? A impressão que os capítulos recentes passam é de que ela fez isso mesmo.
Apesar do foco do desentendimento dos personagens não ter desaparecido, ela avançou rapidamente a dinâmica romântica do casal principal. Esse era o elemento mais elogiado, e por muito até. Os leitores adoram Meguri e Fukanose, enquanto não são tão fãs do elenco extendido, então temos mais deles tendo quedinhas um pelo outro.
Isso levou o mangá a praticamente dobrar seus comentários nos capítulos pagos na Magapoke. Foi de uma média bem ruim para uma mais aceitável. Não garante segurança, mas cria momentum para o volume 1 a ser lançado nessa semana. Muitos leitores na plataforma elogiaram os desenvolvimentos recentes e podem contribuir com compras. Há esperança.
Onryou Biyori: É, por enquanto os capítulos pagos não estão decolando. Pode ser o caso dos leitores estarem esperando pela promoção de leitura livre, ainda mais que o mangá originalmente era uma obra gratuita que combinava mais com sua natureza casual e relaxada.
Banjou no Orion: Apesar de ser o próximo da fila do anúncio de anime, Orion será pulado para o anúncio de Yumene Connect. Acredito que uma das razões seja que a Magazine está mais bem conectada à produtoras interessadas em séries ecchi enquanto o drama, gênero principal de Orion, não ganha tantos hits na revista atualmente.
Isso não quer dizer que Banjou no Orion não terá anime, mas ficará na fila por mais um tempo. Pelas suas vendas acima da média de mercado acho difícil o mangá não ser adaptado.
Lilim Holic: História que se repete toda semana. Números altos na Magazine Pocket, números não tão altos na TOC da Weekly Shonen Magazine. Ainda seguro mesmo assim.
Kaijin Fugeki: Mais um que ficou mais para trás na fila, mas esse é mais entendível.
O criador Oh Great tira mais paradas a ponto do mangá ter menos capítulos que Yumene Connect, lançado depois. Além disso a complexidade de designs e o momvimento das danças e da ação exigem mais de um estúdio. Agenda é um dos principais fatores para um anime ser bem produzido ou não dá para acelera esse processo para Kaijin Fugeki.
Yowayowa Sensei: Anda com menos prioridade em geral, talvez pelo foco na maioria das semanas estar maior em outras séries ecchi com mais anúncios e novidades, como Kanan, Seitokai e agora Yumene também. Yowayowa está seguro, mas uma segunda temporada em anime o daria mais destaque na revista.
Sentai Daishikkaku: Continua a trajetória de menor foco pós-volta de hiato. Acredito que deva ser o caso pela maioria das semanas enquanto publica seu arco final.
Kanan-sama: Mais abaixo na edição por questão de rotação, além dos editores andarem deixando os ecchi mais para o fim nos últimos meses.
Suruga Meteor: A impressão é que Zero to Hyaku ter superado Suruga Meteor em vendas foi o suficiente para os editores ranquearem o mangá de baseball mais abaixo nas TOCs. Não é que eles achem que tenha um limite de spokons para apoiar, mas é normal que editores foquem um pouco mais na obra mais recente para tentar promover crescimento. Suruga Meteor ainda é um mangá primariamente aproveitado por leitores semanais da Magazine.
Yumene Connect: Bom, vazamentos vieram cedo na semana e já recebemos a notícia de que a edição 47 da Magazine desse ano trará um grande anúncio para Yumene Connect. Pouco tempo depois veio um post do SugoiLite, o mais confiável leaker de anime, dizendo que Yumene Connect anunciará seu anime logo. Então está semi confirmado praticamente.
A Magazine tem uma linha de produção ágil e não é surpresa que Yumene Connect chamou atenção por ser visto como um sucessor espiritual de To Love-ru, um mangá que até hoje é bastante popular (seu volume de extras recente vendeu mais que quase toda a linha moderna da Jump). Apesar de não vender muito como mangá físico, é o tipo de obra que pode ir muito melhor como anime.
Isso demonstra que as posições fracas de Yumene na TOC praticamente não importam. O mangá terá sua adaptação e sua posição na revista deve representar mais um foco maior em deixar o ecchi pesado para o final da leitura.
Falaremos mais do anime nas próximas semanas quando o anime provavelmente trará suas primeiras informações reais.
Joshu-Chan wa Makerarenai: Oneshot curto que foi publicado provavelmente para ocupar o espaço das páginas de Blue Lock.
E com isso chegamos ao fim. Estou bastante curioso com o anime de Yumene Connect, mas também com as vendas das novas séries, então teremos uma semana interessante pela frente. Agradecimentos especiais ao GH do site que sempre ajuda com o que é possível, que venha logo um anime de Futari Bus para ele. Até a próxima!
