Aniversário de Shinobigoto, primeiro lugar de Akane Banashi, vendas de Roku no Okashi, quem serão os próximos cancelados e como os mangás de comédias estão na moda. Isso e muito mais na TOC #46 da Weekly Shonen Jump:
DOIS ANOS DE SHINOBIGOTO
O polêmico Shinobigoto está completando dois anos de vida: o mangá não é polêmico pelo seu conteúdo, que tende a ser bem dentro da norma, mas justamente por muitos questionarem, junto a Exorcist no Kiyoshi-kun, se a série merece estar comemorando dois anos de publicação.
A realidade é que ambos nasceram em uma época de transição na qual as vendas caíram drasticamente em todas as revistas, por isso, os números que apresentaram (entre 10 e 20 mil cópias vendidas) nos primeiros meses de vida foram vistos como horríveis. Atualmente, já enxergamos como números “normais” para séries que não são pilares.
Os editores inicialmente exageraram na publicidade de Exorcist no Kiyoshi-kun, e, depois que viram que a série não iria vingar, apostaram suas cartas em Shinobigoto, enquanto esperavam um outro battle-shonen de sucesso estrear, o que nunca aconteceu de fato. Under Doctor até prometia, mas está longe de entregar. Assim, os editores continuam apostando muito em Shinobigoto e Madan no Ichi, este último que realmente tem vendas de pilar (para o padrão moderno).
Shinobigoto não vende mais que Nue no Onmyouji, mas vende mais que Exorcist no Kiyoshi-kun, Boku to Roboco, Under Doctor, Roku no Okashi na Ie e Animal Signal, o que, por si só, já garante a sua sobrevivência na revista. A realidade é que Shinobigoto vai ganhar o seu anime, provavelmente em 2028 ou 2029, e quem sabe, se tiver uma grande adaptação, passe a ser conhecido pelo público geral.
TOC
Em primeiro lugar tivemos Akane Banashi, que vendeu 19 mil cópias em seu último volume lançado agora em outubro. Uma quantidade boa, já que se coloca acima de muitas obras, como por exemplo Witch Watch, Nue no Onmyouji e o já citado Shinobigoto. Sim, o anime não deu um grande boost em vendas (como triplicar os volumes vendidos), mas isso raramente acontece atualmente: o público tende a migrar diretamente para o digital ou ficar apenas no anime. Os tempos mudaram.
Em segundo lugar tivemos One Piece, que continua com seu ritmo normal para a conclusão: não vejo o mangá terminando antes de 2032, sinceramente. Oda, como a grande maioria dos autores, planeja um determinado arco, mas acaba gastando mais tempo do que o esperado; aconteceu com Wano, Elbaf e Egghead, por isso, o último arco da série, que deve chegar em 2027 ou 2028, deve durar ao menos cinco anos.
Em terceiro lugar tivemos Sakamoto Days, que continua sua caminhada para o encerramento, terminando provavelmente no primeiro semestre de 2027. A conclusão da série será um pouco “escondida” pelo anime de Kagurabachi, que será colocado como o grande battle-shonen da revista. Mas para quem acompanha a publicação de perto, logo irá notar que, a cada ano, o número de battle-shonens de sucesso está diminuindo mais e mais.
Em quarto lugar tivemos Boku to Roboco, que vendeu 3,8 mil cópias, muito próximo das 4 mil cópias de Exorcist no Kiyoshi-kun. Sim, Boku to Roboco está tendo uma queda gradual de vendas; contudo, nada que seja desesperador, já que o mercado como um todo passa por uma redução no volume comercializado. Além disso, a obra já completou 6 anos de lançamento, uma idade na qual quase todas as séries passam a ter uma redução natural em seus leitores e compradores de volumes. Já são 28 volumes lançados, o que não é brincadeira.
É incrível, mesmo assim, como o autor consegue manter a sua comédia agradando principalmente as crianças e o público comprador da revista. Boku to Roboco já se tornou um dos maiores clássicos da comédia da Weekly Shonen Jump neste século.
Em quinto lugar tivemos Madan no Ichi, que deve ser a principal aposta da revista para o ano de 2028, quando ganhar a sua adaptação em anime, com grandes chances de se tornar o anime de maior sucesso daquele ano. A questão é: qual estúdio vocês acham que seria ideal para Madan no Ichi? Comentem!
Roku no Okashi na Ie obteve a sexta colocação: seu primeiro volume vendeu bem, quase conseguindo superar Shinobigoto na primeira semana, e provavelmente vendendo mais do que Exorcist no Kiyoshi-kun vai vender neste mês de outubro. Por isso, as páginas coloridas valeram a pena, mesmo que a série não tenha tido vendas como Someone Hertz ou Kagurabachi em seu primeiro volume. Encontrar um novo mangá que venda acima de 10 mil cópias somente em formato físico atualmente já é uma vitória para todas as editoras.
Roku no Okashi na Ie fortalece ainda mais um line-up cheio de comédias: a nova geração da Weekly Shonen Jump está deixando claro que, após uma era de mangás mais violentos e sérios (na qual tivemos Kagurabachi como último sucesso), o público da revista está mais em busca de séries leves, sejam comédias modernas ou comédias românticas.
Aquela fase de obras mais obscuras que começou com Kimetsu no Yaiba, juntamente com Yakusoku no Neverland, e que depois vimos seguir com Jujutsu Kaisen e Chainsaw Man, parece não ser mais a “moda” (ainda existe e ainda influencia, mas não é mais a tendência principal). Essa palavra é importante, pois mesmo quando Chainsaw Man, Jujutsu Kaisen, Kimetsu no Yaiba e Yakusoku no Neverland estavam protagonizando a revista, ainda tínhamos sucessos como Dr. Stone, que ia por um caminho diferente.
Como em qualquer mercado e qualquer arte, temos modas que chegam, vão embora e, em alguns casos, também voltam. Agora, o que temos é justamente o retorno dos mangás mais leves, como sempre foi o comum na Weekly Shonen Jump.
Podemos analisar isto também sob a ótica do mundo moderno, talvez mais cansativo e pesado para as novas gerações, que estão procurando cada vez mais na arte distrações para o cotidiano. Podemos analisar sob a ótica de um contramovimento: após tantos mangás violentos, chegou o momento das obras mais leves na revista. Ou podemos analisar como um movimento do acaso, simplesmente coincidência; mas uma coisa é certa: as comédias (românticas ou tradicionais) e os mangás de luta com uma temática mais leve, mais clara e com boa dose de humor estão sobrevivendo mais do que os mangás mais sérios ou violentos.
Em sétimo lugar tivemos Witch Watch, que continua estável na revista, juntamente com o oitavo colocado Exorcist no Kiyoshi-kun, que segue sendo a nota de corte para a sobrevivência na publicação: se você vender mais, sobrevive; se vender menos, corre risco de cancelamento. Por isso Hal Formula, Animal Signal e Cannon Master estão correndo risco.
No caso do décimo colocado, Animal Signal, talvez vá sobreviver mais uma leva por causa de uma possível boa recepção interna, mas a realidade é que até mesmo Hal Formula conseguiu vender mais do que a comédia animal. Eu acredito que Hal Formula, na verdade, merece mais uma oportunidade, mas pelo que estamos vendo na TOC, isso provavelmente não vai acontecer.
É muito provável que os editores salvem 2-nen B-gumi Yuusha Destroyerz, Under Doctor e Animal Signal, deixando seus respectivos cancelamentos para a primeira leva de 2027, e cancelem, assim que terminar a GFC, Hal Formula e Cannon Master, além de darem a vaga da GFC para uma terceira série, totalizando assim uma nova leva de três mangás (a última leva do ano). Destroyerz e Animal Signal serão cancelados somente se a leva tiver quatro ou cinco mangás.
Essa leva deve estrear na Edição #49 ou na #50. Sobre Nue no Onmyouji, teremos uma matéria para comentar sobre o seu anime!





