A crise continua, mas em um momento de esperança, a Weekly Shonen Jump lança a primeira leva de três ou mais mangás realmente promissora dos últimos doze meses!
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ROKU NO OKASHI NA IE
Antes de abordarmos a TOC, apresentaremos uma breve síntese da recepção do público japonês quanto à nova série do mesmo autor de Agravity Boys. Roku no Okashi na Ie é uma comédia sobrenatural que descreve a trajetória de um jovem que, acidentalmente, despertou cinco grandes maldições e agora deverá coexistir com elas.
O público japonês aprovou a temática da narrativa, a caracterização dos personagens e o humor. A estética visual recebeu elogios, tal como ocorria com Agravity Boys, que logrou manter-se por mais de um ciclo de serialização, embora tenha sido descontinuado antes de completar um ano. Contudo, um dos pontos alvo de críticas severas foi justamente o excesso de diálogos e a densidade textual, que tornaram a leitura da série excessivamente pesada.
Os dois fatores que podem comprometer o êxito de Roku no Okashi na Ie são: a falta de engajamento prévio dos leitores (visto que muitos demonstram indiferença aos novos lançamentos) e o caráter denso da leitura, que impede o brilho da comédia. A arte, a personalidade dos personagens e as temáticas são aspectos que já agradam aos leitores; portanto, se o autor mantiver a qualidade das piadas e atentar-se ao excesso de informação a partir do segundo capítulo, e caso a estreia de Gintama atraia atenção também para os outros dois lançamentos do ciclo, vislumbro uma possibilidade de a obra prosperar.
TOP 5
A primeira posição foi ocupada por Someone Hertz, que, após os desempenhos comerciais insatisfatórios de JK e Tonari no Osoegawa, consolidou-se como o único êxito comercial de 2025 presente na revista atualmente. Todos os demais mangás foram descontinuados: em termos de novas séries, o ano de 2025 configurou-se como o mais deficitário para a revista desde 2010 e, em relação à receita global, possivelmente o pior ano da história da Weekly Shonen Jump. Someone Hertz, figurando como o único ponto de inflexão positivo de 2025, permanece recorrentemente no topo da classificação. Trata-se da única nova propriedade intelectual que o corpo editorial dispõe para impulsionar.
A gestão de Saito, que está prestes a iniciar o seu terceiro ano, necessita apresentar resultados imediatos. A manutenção deste rendimento no terceiro ou quarto ano pode resultar em uma exoneração antecipada, como ocorreu com gestões de décadas passadas. Saito precisa garantir que os títulos sem adaptação para anime se tornem sucessos comerciais e deve assegurar ao menos dois novos sucessos anuais.
Paralelamente, One Piece, que lançou sua segunda temporada e já se encontra em fase de discussões para as gravações da quarta (vale ressaltar que as filmagens da segunda e terceira temporadas ocorreram simultaneamente para otimizar custos e reduzir os prazos de produção), continua a ser o alicerce inabalável que parece perene. É improvável que One Piece seja concluído antes de 2032; por essa razão, essa situação desafiadora não deve ser resolvida de imediato.
Kagurabachi aproxima-se de seu terceiro aniversário sem que haja o anúncio de uma adaptação em anime. Lucca, articulista da Magazine, redigiu um excelente artigo sobre como a extensão da duração das produções de anime pode estar impactando negativamente o sucesso de novas obras. Para alcançar o êxito, Kagurabachi necessita não apenas cativar o público infanto-juvenil, mas também conquistar a audiência adulta que já acompanha Kimetsu no Yaiba e Jujutsu Kaisen. O cenário ideal seria uma estreia após a conclusão dessas obras; contudo, dado o panorama atual, ainda que ocorra um hiato de dois anos para o lançamento do anime de Kagurabachi, este deverá ocorrer antes mesmo do encerramento da adaptação de Kimetsu no Yaiba.
Encerrando o TOP 5, tivemos na quarta colocação Boku to Roboco e Ao no Hako.
ZONA INTERMEDIÁRIA
Os principais destaques da Zona Intermediária são os três estreantes: Under Doctor, Kaigeki no Kinato e Alien Headbutt. Enquanto o primeiro recebeu páginas coloridas para a promoção de sua suposta “boa recepção”, os outros dois ainda não foram contemplados com tal benefício. Entretanto, acredito que o corpo editorial precisará conceder uma sobrevida a um desses títulos, visto que o próximo ciclo deve estrear dois novos mangás (houve muitas sequências com três novas séries); assim, o que provavelmente obteve melhor recepção foi Under Doctor.
Contudo, considerando o reduzido volume de visualizações na plataforma digital Jump +, as colocações intermediárias que ocupam na TOC e, por fim, os comentários nos fóruns de discussão, é provável que os três sejam descontinuados ainda neste ano de 2026. Não se trata de uma recepção terrível, mas eles não despertaram a curiosidade necessária nos leitores para angariar votos suficientes para a permanência na revista.
Dessa forma, a Weekly Shonen Jump deve descartar mais um ciclo de três mangás. Observei no Reddit questionamentos sobre a frequência com que um ciclo de três obras é integralmente descartado: sim, na história da Weekly Shonen Jump, tal prática sempre foi comum. O que não é habitual é o descarte consecutivo de tantos títulos, especialmente em um período de escassez no qual deveria ser mais simples obter votos suficientes para a sobrevivência.
Normalmente, os anos em que registramos apenas um ou dois sucessos em um intervalo de dois anos foram períodos em que a revista estava tão saturada de êxitos que os novatos não conseguiam conquistar votos. Não é o cenário vigente, no qual a revista possui diversas obras de sucesso em fase de encerramento, muitos mangás com desempenho comercial medíocre e os estreantes não conseguem superar a votação de obras como Shinobigoto, Himaten e Exorcist no Kiyoshi-kun.
BOTTOM 5
Ingressando nas últimas cinco posições, tivemos Nue no Onmyouji, que permanece fixo entre os cinco últimos colocados – sendo posicionado no TOP 5 apenas em momentos específicos de arcos Battle-Shounen também específicos -. Mesmo com uma classificação baixa na TOC, Nue no Onmyouji não corre qualquer risco de cancelamento e deve ter sua adaptação em anime anunciada no aniversário, em maio, ou diretamente na Jump Festa de dezembro.
Logo em seguida figuram Himaten e Exorcist no Kiyoshi-kun, que devem receber em breve duas ou todas as séries do ciclo de janeiro-fevereiro como margem de segurança; por esse motivo, não correm risco de descontinuação.
Nas últimas duas colocações, tivemos JK Yuusha to Inkyo Maou, que pode ser concluído a qualquer momento, considerando o rumo de sua narrativa (que estrutura o terreno para sua inevitável interrupção), e Tonari no Osoegawa, que foi descontinuado após um primeiro capítulo bem recebido. Na verdade, tornou-se um padrão recorrente: um capítulo inicial com boa aceitação, contudo, que não retém a atenção do público o suficiente para a sobrevivência, culminando no cancelamento.




