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Mangá: O que transforma uma simples tradução numa boa adaptação.

Gustavo Costa 11/03/2026

A intenção é a chave.

Muitos sabem que o AnalyseIt é um site focado na cultura japonesa de forma mais técnica, analisando TOCs de revistas ou recepções de novas obras. Partindo disso, decidi escrever sobre o que faz um mangá ser considerado bem traduzido? Para chegar a resposta, será necessário me afastar por um tempinho dos mangás e olhar de forma macro o que é uma tradução de mídia.

Escolher a forma certa de traduzir uma obra para outro país é uma tarefa muito mais complexa do que se possa parecer a primeira vista, a princípio a própria palavra “tradução” já é imprópria, pois para qualquer obra que queira quebrar uma barreira linguística é necessário ir muito além, deve fazer uma adaptação! Enquanto a tradução se limita em apenas manter as palavras de forma que o público entenda o que está sendo dito, a adaptação precisa fazê-lo sentir de forma natural o que está sendo transmitido, qual a intenção daquela frase naquele momento, o que ela busca passar. É muito mais importante entender o porquê um personagem disse algo do que aquilo que foi dito.

Muito se pensa que para um trabalho como esse basta o domínio da língua base a qual a obra é traduzida, mas há muito mais elementos a serem considerados, como a emoção transmitida, o simbolismo cultural, o ritmo de fala, as especifidades intrínsecas da língua e principalmente, a mídia a ser escolhida. A metodologia para adaptar um filme estadunidense é diferente de um anime japonês, e para muitos isso é óbvio, entretanto, adaptar um filme estadunidense também é diferente de adaptar um filme britânico (mesma língua e mídia, mas culturas diferentes), um anime japonês também é diferente de um dorama japonês (mesma língua e cultura, mas mídia diferente).

Então e quanto aos mangás? O que é necessário para uma boa adaptação dessa mídia tão única que mundialmente, nunca foi tão popular quanto agora e nunca se teve tanto conteúdo sendo traduzido quanto agora, seja por volumes ou capítulos simultâneos, de forma física ou digital.

Uma imagem comparando a personagem Pitou de Hunter x Hunter no anime e no mangá onde ambas passam uma sensação de medo mas de maneiras diferentes
Exemplo de como um anime e um mangá podem mostrar a mesma sensação de perigo de formas diferentes.

Arquétipos

Personagens de mangá as vezes possuem arquétipos bem específicos, seja um protagonista sangue quente, um estrategista frio, a garota que se faz de difícil, um velho tarado… É importante manter padrões de fala, variações emocionais, maneirismos gestuais; tudo de forma equilibrada sem que fique caricato demais para o novo público (exceto se ser caricato faça parte da proposta do mangá) e que naturalmente esses personagens transmitam suas personalidades para o novo público sem perder suas nuances.

Terminologia

Há muitos termos comuns na cultura japonesa que é comum não se traduzir, “yokai”, “jutsu”, “oni”, “itagakimasu”, entre outros muitas vezes possuem um significado que não são traduzíveis sem uma perda parcial no significado. É entender qual o peso na obra de cada dado elemento e entender “devo manter este termo cultural não tão conhecido ou poderia suavizar com um termo mais comum?” Se ela foca em “Oni” como Kimetsu no Yaiba então evitar usar “Ogro” seria melhor, pois não define a mesma criatura mitológica, mas se for apenas um personagem citando uma criatura demoníaca assustadora para assustar uma criança? Ogro, que é um termo mais conhecido da comunidade brasileira poderia ser encaixado. O mesmo vale para Yokais que estão muito distantes da nossa concepção de demônio ou fantasma.

A expressão “Itagakimasu” muitas vezes traduzida como “obrigado pela refeição” ou “bom apetite” carrega um peso mais profundo, quase como se fosse uma oração antes da refeição, há todo um simbolismo cultural e até religioso dentro de uma única palavra. Saber se o personagem que o diz está a usando apenas como um agradecimento padrão (poderia ser traduzível) ou de fato como algo mais profundo, expressando um genuíno agradecimento que vá além de para quem a preparou (seria melhor manter no original).

Comparação ilustrativa entre um Ogro e um Oni
Ogros e Onis não são iguais, mas a depender da situação, às vezes ambos termos funcionem, às vezes apenas um.

Honoríficos

Entre tantas diferenças culturais, talvez a que mais distancie o Japão do Brasil seja o peso emocional que um honorífico pode carregar, eles definem toda uma relação entre dois personagens. Quando se usar “-san” é bem diferente de quando se usa “Sr.”, “-chan” nem sempre se traduz para “-inho”, isso sem contar a transição de quando chamar alguém pelo nome ou sobrenome. Uma adaptação de alto nível precisa entender caso a caso quando uma obra poderia se beneficiar ao preservá-los, adaptá-los ou contextualizá-los.

Para facilitar o entendimento, darei alguns exemplos sobre o tópico. Em um anime de artes marciais, nada mais natural do que manter “-sensei”, mas ainda assim talvez o mais ideal seria “Sensei Togashi” do que “Togashi-sensei”, afinal, o português é um idioma onde os pronomes de tratamento são pré-fixados, enquanto no japão, são pós-fixados. Entretanto em um ani me escolar, não vejo sentido em manter “sensei” quando “professor” é uma opção funcional.

Quanto a escolha entre nome e sobrenome ou honoríficos mais cotidianos como “-san”, “-chan” ou “-kun”, depende do peso que a obra bota nesta questão. É um mangá onde esse tópico é central em sua narrativa como em Karakai Jozu no Takagi-san (Takagi, a Mestra das Pegadinhas, no Brasil)? Ou é um simples mangá escolar onde esse tópico não é abordado e os honoríficos estão ali apenas porque se é natural do Japão, mas sem nenhum impacto na história? No caso do primeiro, o peso é tão forte que os personagens sequer possuem seus primeiros nomes revelados durante toda a obra, e ao contrário do que o título localizado faz parecer, a publicação oficial de Takagi-san no Brasil, mantém os honoríficos, afinal, como se adaptaria quando Takagi provoca o protagonista de não conseguir abandonar o “-san”? Não é como se ele estivesse usando “Srta. Takagi” ou como se ela pedisse para que ele a chamasse por um apelido.

A imagem mostra o personagem masculino Nishikata adicionando o honorifico para sua amigo quando ele havia tentado não usar. A personagem feminina percebe e diz que pensou que ele iria parar de usar o honorífico "-san".
Uma situação onde não há apelidos, primeiros nomes ou pronomes de tratamento que se encaixe para adaptar.

Entretanto, em muitas obras não é necessária toda essa complexidade. Em Boku no Hero Academia (My Hero Academia, no Brasil) se o personagem é chamado Bakugo Katsuki no Japão, aqui será adaptado para Katsuki Bakugo, se ele é chamado apenas de Bakugo, aqui poderia muito bem usar apenas Katsuki, e se for chamado de Kacchan, não haveria problema algum em adaptar para Kazinho.

Encerrando esse tópico, me manterei no exemplo anterior para explicar o uso complexo do “-chan” e a questão da contextualização. O que aparenta ser apenas uma forma mais fofa de chamar um amigo, em alguns contextos pode ser visto como provocação ou ridicularização, afinal, um adolescente não gostaria de ser chamado de “Kazinho”, e é exatamente por isso que o uso de um apelido que a princípio pareceria uma melhor opção como “Kaká” não transmite a mesma intenção que a anterior, pois não soa ridículo ou ofensivo. Se fosse duas amigas próximas onde uma chama a outra de “Júlia-chan”, tanto “Julinha” quanto “Juju” seriam opções igualmente válidas, a intenção é a que conta.

Fidelidade

A comunidade brasileira de mangás pode ser exigente, prezando por uma adaptação que saiba ser autêntica e fiel, criticando se algo parecer meio desleixado. Não há desrespeito maior do que trocas constantes de termos como se o tradutor não estivesse lendo sua própria obra. Se em um capítulo um golpe é traduzido como “Chama Neném” e no outro como “Bafo de Pimenta” é sinal de que houve alguma negligência, faltou fidelidade.

A mudança pode ter sido causado pelos mais diversos motivos, exemplificando alguns temos:

  • Pelo espaço longo de capítulos entre o uso do golpe na primeira e segunda vez, ao ponto do tradutor não lembrar mais de sua existência;
  • O material base é diferente, como se no início tivesse recebido uma versão já adaptada e depois passou a receber o material original, não percebendo que se tratava do mesmo golpe;
  • Um acontecimento futuro na obra poderia invalidar como foi adaptado originalmente, sendo assim necessário uma nova adaptação;
  • O tradutor pode ter sido substituído e o sucessor decidiu não seguir o conteúdo já adaptado, ignorando tudo já estabelecido;
  • O cliente (a editora original, o autor, etc) simplesmente exigiu a troca;
Exemplo onde um acontecimento futuro pode deixar a adaptação original errônea onde o título da obra no inglês não bate com a fala do personagem como ocorre no idioma original.
Exemplo onde um acontecimento futuro pode deixar a adaptação original errônea.

A confiança estabelecida com o leitor parece ter sido traída e isso se converterá em crítica. Claro que coisas assim podem ocorrer, algo pode passar desapercebido, mas muitas vezes sendo evitável. Por isso que revisões são necessárias, principalmente por terceiros, visto que ao revisar o próprio trabalho é natural que a maior parte dos erros sejam ignorados.

Na situação de uma revelação futura da história onde uma adaptação antiga que no início parecia válida e agora se torna falha, talvez seja inevitável, entretanto, em caso de uma tradução não simultânea, seria melhor se o tradutor pudesse estar sempre em dia com o material original ainda que a versão localizada esteja atrás. Talvez o erro fosse evitado se o tradutor soubesse que aquela revelação já havia ocorrido no material original quando ele trabalhava na tradução de capítulos passados. O tradutor precisa ser um leitor imerso da obra em que trabalha e estar sempre em dia com o que acontece de antemão.

Especificidade da Mídia Mangá

Qual a diferença quando se traduz um mangá e um anime? Não só a língua e cultura está sendo a mesma, mas também o conteúdo. Tudo dito anteriormente na matéria se encaixa em ambas as mídias de fato, então o que pode diferenciar ambas? A resposta está em suas diferentes estruturas, onde um anime pode ter linhas de falas mais definidas, o mangá é mais fragmentado em balões, o que requer uma atenção extra para evitar erros gramaticais.

Não se deve traduzir os balões de forma isolada, muitas vezes os balões anteriores (sim, no plural, não é só a última fala) dão contextos de gênero, número e grau. Toda essa estrutura que difere tanto um anime de um mangá é o motivo do porque um gênero específico costuma sofrer mais adaptações que outros quando é transportado entre mídias, pois esse gênero constantemente usa de sua própria estrutura para transmitir o que quer e o anime, cuja estrutura se difere de mangá, precisa se reinventar para transmitir a mesma intenção, a intenção do humor cômico.

A Piada se dá pelo personagem Miharu não existir no anime ainda quando o mangá estava naquele capítulo, sendo impossível o Morihito saber a voz de um personagem que não tinha uma voz escalada ainda.
A metalinguagem entre mídias sendo possível apenas pelo fato de mangá não possuir voz e pelo anime naquele ponto sequer ter uma voz escalada para o personagem.

Humor Cômico

Trocadilhos, referências culturais, um mero exagero visual, provavelmente a parte mais difícil de uma adaptação. Se uma troca de mídia já exige se reinventar, uma barreira linguística exige ainda mais para não se perder. Adaptar o humor sem perder o “timing” é extremamente complexo e exigente, manter o balanço entre o exagero e o natural, entender a intenção específica de cada piada e transmitir com clareza para o leitor, de forma que a fala realmente pareça ter vindo do linguajar brasileiro.

Talvez não seja o mais ideal simplesmente trocar uma piada com um cantor japonês e colocar o primeiro cantor brasileiro que imaginar, as vezes a piada não era por sua profissão mas por ser conhecido por sua arrogância, onde algum jogador de futebol brasileiro possa se encaixar melhor. Às vezes é um simples trocadilho com seu nome, então é necessário achar outro nome que funcione com o trocadilho em questão, é sempre sobre entender a intenção.

Dependendo da situação pode não ser possível adaptar uma piada por ser uma referência muito específica e que, por ser mostrada também visualmente no mangá, não dá permissão para fugir do que é dito, nesses casos, o que no japonês seria uma resposta rápida, no português exigiria não só o que foi dito como uma breve explicação do que foi dito, e esse tempo mais longo de leitura pode impactar a piada, então as vezes um momento cuja graça não foi tão efetiva possa ser compensado criando outra em um diferente momento para equilibrar, desde que seja oportuno e não frequente.

Saber exatamente o que pode ser alterado, removido, acrescentado ou mantido é de longe a parte mais difícil de uma adaptação. Não há um gabarito de qual a maneira correta isso deve ocorrer e essa imprevisibilidade é o que faz ser comum um mangá de comédia não ressoar tanto com o público. Sim, uma cultura diferente pode ser empecilho, mas não conseguir fazer essa aproximação da obra com o público apenas dificulta ainda mais.

Conclusão

Gostaria de deixar claro que não sou nenhum perito nessa área, não possuo nenhuma formação ou atuação em tradução de maneira profissional, tudo isso são apenas interpretações pessoais de alguém que interessa e conhece um pouco sobre o tema. Pode ser apenas um hobby, mas me aprofundei o suficiente para me posicionar a cerca de um assunto polêmico.

Todo esse trabalho de adaptação é difícil e complexo de se sustentar, ainda mais quando se tem um prazo para fazer. Os frutos que se colhem são variáveis, podendo fazer com que o leitor se identifique mais com uma obra e conhecer a si mesmo, ou que adquiria mais conhecimento cultural na infinita busca pelo saber e a aproximação para entender o outro.

A eterna discussão entre o Purismo literário vs. Liberdade poética é uma discussão sem fim, a resposta correta nunca existirá, o que existe são posicionamentos do que cada um acredita funcionar melhor. De forma resumida, todo esse texto só tem uma única intenção… Independente do lado em que esteja, não deixem a intenção do autor do texto se perder, pois se essa intenção não está mais presente, dá pra dizer que o autor está?

Tags: adaptação Anime humor intenção localização Manga tradução

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