Mitsuki Setoguchi
SeitoAna apresenta novidades do seu anime, mas que de alguma forma implicam alguma distância. Impressões positivas para o futuro de Kanan-sama? E aquele capítulo de Hajime no Ippo… Tudo isso e mais na nossa análise da segunda maior revista shonen do Japão, a Weekly Shonen Magazine. Começando pela TOC:
- Seitokai ni mo ana wa aru! (Primeiras Páginas Coloridas) Ch. 165
- Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 89
- Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai Ch. 213
- Banjou no Orion Ch. 90
- Mokushiroku no Yonkishi (Página Colorida) Ch. 228
- Zero to Hyaku Ch. 15
- Kanojo, Okarishimasu Ch. 415
- Blue Lock Ch. 338
- Ano shima no Uminesou (Página Colorida)
- Kakkou no linazuke Ch. 287
- Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su Ch. 257
- Mayonaka Heart Tune Ch. 108
- Suruga Meteor Ch. 50
- Yowayowa Sensei Ch. 157
- Kurotsuki no Yaergnacht Ch. 38
- Tasogare Machi Prisoners (Capítulo Especial da Magazine Pocket)
- Idolatry Ch. 30
- Kanan sama wa Akumade Choroi Ch. 174
- Hajime no Ippo Ch. 1515
- Futsu no Hon wa arimasen! (Capítulo Especial da Magazine Pocket)
- Osananajimi to wa Love Comedy ni Naranai (Capítulo Especial da Magazine Pocket)
- Yumene Connect Ch. 69
- Onryou Biyori (Série Curta) Ch. 03
Ausências: Dream ✰ Jumbo ✰ Girl Ch. 35, Kaijin Fugeki Ch. 69, Gachiakuta Ch. 164, Sentai Daishikkku Ch. 209, Ahiru no Sora Ch. 616 (Hiato)

Apesar de receber a primeira página colorida da edição, com a capa indo para uma idol, Seitokai ni mo Ana wa Aru (SeitoAna) entrega “apenas” uma página colorida simples. Em contrapartida, a edição trouxe alguns extras para a série.
Primeiramente, a revista publicou os designs do anime dos personagens. Curiosamente, em posições básicas e não num “key visual” num cenário e tudo mais. O foco foi justamente em ressaltar o maior nome do anime: Imamura Ryou. O designer e animador é um nome de muito respeito na indústria com passagens de destaque em franquias como Monogatari e Mushoku Tensei. Ele também foi o designer do PV de SeitoAna que viralizou e é um fã enorme do mangá que posta arte da série com regularidade.
Embora seja interessante ter um criador forte atrelado ao projeto, a falta de qualquer outra novidade em relação à adaptação coloca uma pulga atrás da orelha em relação a quando o anime pode sair. Sem data ou um trailer, cada vez é mais provável que, caso saia em 2026, o mais provável é que o anime chegue em Outubro.
Considerando o quão cedo as séries da Magazine costumam receber suas adaptações, SeitoAna demorar tanto é sinal de uma produção que talvez precisou esperar gente importante “abrir agenda” para trabalhar. A qualidade agradece, mas as vendas do mangá estão em um processo de queda que, apesar de brusca, ainda não é o ideal considerando o quanto o mangá é a maior aposta da Shonen Magazine a curto termo, tendo chegado a um patamar alto de vendas de mais de 40 mil vendas mensais físicas.
De qualquer forma, os editores ainda mantêm promoções regularmente para o mangá, que nessa semana ganhou mais uma colaboração com outros mangaça fazendo capítulos 4-koma da comédia. É explorar uma vantagem de um mangá episódico desse tipo — o “canon” e linearidade importa tão pouco que oportunidades do tipo surgem a todo mumento e permitem que SeitoAna fure a bolha da Magazine. É ver se o futuro anime pode auxiliar ainda mais.
Na segunda colocação, Ao no Miburo continua em destaque tanto pelo momento no mangá quanto na TV, com cenas chave para ambas mídias.
Apesar da série histórica ter mais de 200 capítulos contando suas duas partes, ainda não dá sinais de um final. Sabemos como o Shinsengumi histórico acabou, mas o autor escolhe bem aonde quer explorar mais certos eventos e aonde ele decide “pular” anos com timeskips. Isso faz com que a previsão de um encerramento seja muito difícil.
Mas considerando o peso de tudo que acontece com o Shinsengumi ainda, é fácil de ver 2 anos até ainda de publicação.
Fechando o pódio, parece que Kuroiwa Medaka será a aposta do editorial para o mundo pós-Kakkou no Iinazuke. Algo que por um lado é triste, já que o mangá parece ter alcançado seu potencial máximo já e mesmo assim não acham obras novas que apresentam mais potencial de vendas, mas que é merecedor também, já que não é culpa de Kuroiwa Medaka a situação geral da revista e da indústria, aonde TODAS as revistas passam por uma diminuição brusca das vendas.
Outra obra constantemente em posição alta, nessa semana sendo a quarta, é Banjou no Orion. O forte apoio editorial parte de uma confiança de que o mangá ainda tem muito a crescer, algo que é resultado tanto das impressões muito positivas de sua história quanto do sucesso anterior do autor com anime (Shigatsu Kimi).

Mokushiroku no Yonkishi é quinto colocado e ganha página colorida, em mais uma semana de promoção do jogo Nanatsu no Taizai Origins.
Sem o anime em exibição no momento, o game é o principal meio de promover a série fora da bolha da revista semanal. Se vai funcionar ou não, ainda não sabemos, mas a história está acompanhando o marketing e dando um grande momento de clímax, com envolvimento forte de todos os protagonistas de Nanatsu no Taizai. Acredito que voltaremos o foco aos Cavaleiros após esse período promocional.
Voto de confiança em Zero to Hyaku que, apesar de baixas vendas, aparece numa ótima sexta posição. O mangá começou com uma partida logo de cara e agora está usando seu tempo para focar na construção do time e treinamentos, etapas meio que “essenciais” pra fórmula clássica do spokon, que o autor segue com afinco — agrada os fãs de spokon, mas tenho minhas dúvidas se leitores mais casuais tem interesse em treinamentos do tipo.
Kanojo, Okarishimasu, o sétimo do grid, aposta em envolver ainda mais as outras heroínas no arco atual, que coloca Chizuru longe do protagonista Kazuya. Há quem se frustre com isso e há aqueles que celebram ver suas favoritas com mais destaque novamente, não dá para agradar gregos e troianos.
Oitavo lugar, o pilar Blue Lock termina o primeiro tempo do tão aguardado Japão vs França. Ainda não é uma partida eliminatória, mas já vai colocando temas e elementos a serem explorados a longo termo durante o grande arco da Copa Sub-20.
O ano de Blue Lock está apenas começando, com a segunda metade de 2026 trazendo o filme live action e provavelmente a nova temporada do anime. O momento é só de guiar o mangá até lá, quando a sinergia de mídias pode reviver e/ou trazer alguns leitores.

Segunda página colorida consecutiva e nona posição para Uminesou, nossa comédia de “vida lenta” (slow life), como definido pelos editores da revista.
Acreditei que essa arte colorida seria para a nova personagem, que foi inclusive o foco total do capítulo, mas Seo Kouji me driblou com uma arte da heroína principal do mangá. Pelo momento, ele deve ainda querer um foco maior nela por parte dos leitores, sem enganar que as outras garotas tenham tanto foco quanto ela.
Além disso, o mangá ganha uma data de lançamento para o primeiro volume no dia 16 de Abril. A minha maior dúvida sobre o mangá é saber o quanto ele cairia das vendas de Megami Café. É muito improvável que o novo mangá bata o antecessor em vendas, ainda mais num mercado em declínio e economia piorada, mas manter um patamar mais alto é essencial para uma revista que sofre para substituir seus hits com obras que ao menos vendam próximo daqueles que se vão. A figura de um autor veterano pode ajudar nisso.
Continuamos o arco final do décimo colocado, Kakkou no Iinazuke. No capítulo da semana, não existe uma grande corrida rumo ao final, mas a movimentação das pecinhas é visível. Creio que iremos até a segunda metade do ano assim.
O décimo primeiro lugar, Shangri-la Frontier, é outro que não tem pressa nenhuma. Batalhas “secundárias” como as atuais seriam resolvidas em um ou dois capítulos na maioria dos battle manga semanais, mas não é o caso de ShanFro que mantêm o nível de detalhes alto sempre.
O mangá tem uma vantagem similar com a de World Trigger: uma base de leitores fiel. A maioria dos mangá precisa correr contra o tempo para manter o leitor interessado, seja com ação ou twists na história, mas com séries com leitores acostumados à detalhar processos e lógica interna das lutas, é possível manter um ritmo menos alucinante.
Mayonaka Heart Tune, o décimo segundo da vez, deixou a sinergia entre anime e mangá o mais óbvia possível essa semana. É como se o mangá fosse uma “continuação” direta da história e dos temas apresentados na mesma semana na animação.
Obviamente, se você leu o mangá sabe que teve mais coisa acontencendo entre aquele momento e o atual, mas o Igarashi está conseguindo manter uma leitura que permite que o fã possa ver o anime, lembrar daqueles momentos do começo e ver a evolução dos personagens e da história até aqui. Não é por acaso que a recepção do anime melhora semana a semana, apesar da falta do backlog do mangá no Shoseki.
Curiosamente, virei o fim de semana vendo o show das vtubers do hololive no holofes e uma das últimas apresentações foi a Suisei cantando a abertura do anime de MayoTune para 20 mil pessoas presencialmente. Não é tão relacionado ao anime em si, mas encaixou tão bem com tanto o anime quanto o mangá e seu comentário sobre a cultura vtuber, abordada nos plots da Iko.
Rei da meiuca, Suruga Meteor continua em segurança na revista como décimo terceiro da edição. Fora das páginas do mundo do mangá, o Japão está no momento obcecado com o baseball por causa do World Baseball Classic, o mundial do esporte.
Assisti a última partida deles contra a Austrália, que foi um eletrizante 4 a 3 para o time nipônico, e sinto que dá para entender a manutenção de Suruga mesmo com vendas fracas (de 3 mil para baixo ao mês): o país respira o baseball fortemente devido à idolatria de Shohei Ohtani. Sim, existe sempre amor ao baseball por si, mas ter o maior jogador do mundo e uma seleção que busca um bicampeonato mundial eleva ainda mais essa paixão até para aquele público mais casual que não acompanha baseball normalmente.
Por enquanto, não vejo nenhum boost para o mangá (e nem acho que haverá), mas é claro que os editores acreditam que a Magazine não pode ficar sem o baseball na sua linha num dos maiores momentos de popularidade do esporte.
A décima quarta posição fica para mais um capítulo bem apimentado de Yowayowa Sensei. Continua alegrando seus leitores habituais.
Em contraste, Yaergnacht deixa o ecchi um pouco de lado para voltar mais ao seu lado de batalha. O mangá que, vira e mexe, bomba nas redes japonesas com cenas fora de contexto, continua precisando balancear o lado battle e o harém para agradar sua totalidade de fãs. Está conseguindo até o momento, com vendas estáveis para os três volumes até aqui, o décimo quinto posto na semana é apenas questão de rotação.
Após um capítulo especial da Magapoke, Idolatry dá uma respirada na décima sétima colocação com o capítulo final do arco do 3° Stage. De novo, impressão positiva nas redes, mas ainda incerteza em relação ao público geral.
Dito isso, o mangá não parece estar se despedindo até aqui. Claro, as coisas podem mudar de uma hora para a outra facilmente, mas a Magazine está cada vez mais pegando leve com vendas baixas. De se ver os rumos da história a partir do começo do próximo arco.
Apesar do décimo oitavo posto, Kanan-sama ganha mais confiança para o seu anime, com um trailer novo mostrando que a adaptação deve vir acima da média das romcom recentes da Magazine em questão de produção.
A performance de Koga Aoi como a titular Kanan é o grande destaque também, com ela fazendo uma voz próxima a que fazia em momentos mais descontraídos de Kaguya em Kaguya-sama. Gritinhos, tsunderismos, etc. É o pacote completo de popular seiyuu.
Com grande promoção/marketing, o time de Kanan-sama parece exalar confiança no produto final, a questão agora é esperar Abril para ver como de fato é. Já o mangá, como muitos leitores apontam, claramente pisou no freio em relação a arcos longos e está focando no slice of life, com a maioria dos capítulos recentes sendo facilmente entendível até sem o contexto da história. É basicamente uma tática para tentar conquistar novos leitores, principalmente o público mais casual que poderia fugir de um mangá de mais de 150 capítulos.
Hajime no Ippo, em décimo nono lugar mais provavelmente por uma questão de logística, anima seus leitores com um capítulo importante.
A luta atual por si já é algo que anima os leitores de longa data, mas esse capítulo em si teve uma recepção bem maior e mais positiva que o comum, já que é um daqueles momentos chaves que muita gente esperou por décadas. Não é por acaso que muitos comentários foram num tom de “esse mangá realmente tem vários protagonistas”.
Apesar do título ser referencial ao Ippo, é inegável que ao longo dessas dezenas de centenas de capítulos os leitores foram criando preferências por narrativas específicas e as jornadas pessoais até dos dito “secundários”.
Ippo não é o mangá que mais vende na Magazine, igual One Piece e Conan fazem em suas revistas, mas ele consegue subir o pilar de forma similar aos seus “rivais”. As vendas não são próximas deles, mas a importância de grandes movimentações nessa história são as que trazem aqueles leitores antigos de volta para checar a Shonen Magazine de novo.
Depois de dois capítulos especiais da Magapoke (com Osalove aparecendo de novo), temos Yumene Connect como penúltimo da edição.
E foi outro capítulo introspectivo e com um tom de resolução mais séria, com uma movimentação romântica genuína. Pode ser só o autor mexendo com o status quo da obra, mas mudanças bruscas assim sempre vão atiçar um leitor semanal, ainda mais considerando que, apesar de vender mais que vários dos novatos, Yumene Connect sempre foi tratado como um “sucesso menor” tanto na TOC quanto no lado promocional.
O julgamento sobre o futuro do ecchi continua em andamento.
E fechando a edição, o terceiro capítulo da série curta Onryou Biyori. A recepção continua bem decente, mas o autor precisaria rever bem o ritmo para transformar o mangá em uma história mais longa.
Por hoje, ficamos por aqui. A TOC da Jump está no ar também, então vamos para o cantinho da homepage dessa vez. Até a próxima!
