Someone Hertz conquista a primeira colocação na mesma semana em que mostra a sua grande força nas vendas – ao mesmo tempo, Jujutsu Kaisen chega à sua conclusão. Venha ver a TOC desta semana:
Weekly Shounen Jump #15 (09/03/2026):
ONE PIECE c1176 (Capa e Página Colorida de Abertura)
01 – Someone Hertz c24
02 – SAKAMOTO DAYS c250
03 – Madan no Ichi c73
04 – Boku to Roboco c272
Shinobigoto c72 (Página Colorida)
05 – Kagurabachi c114
Alien Headbutt c05
06 – Ao no Hako c233
Jujutsu Kaisen -Modulo- c25 (Página Colorida, Capítulo FIM)
UNDER DOCTOR c07
07 – WITCH WATCH c239
Kaigeki no Kinato c06
08 – Akane-banashi c197
09 – Himaten! c81
10 – Nue no Onmyouji c136
11 – Exorcist no Kiyoshi-kun c83
Shi or Sotsugyou (Jump Short Frontier, 15 páginas, one-shot de Nagoshi Ryousuke)
12 – JK Yuusha to Inkyo Maou c16
13 – Tonari no Osoegawa c17
14 – Gonron Egg c18
4-koma Banksy (4 páginas, Série Curta de Suganuma Tatsuya)
Ruri Dragon c45 (Exclusivo da Versão Digital, entrou em Hiato até Abril)
Ausentes: HUNTER×HUNTER c411 (Hiato)
Weekly Shonen Jump #16 (16/03/2026):
Capa e Página Colorida de Abertura: SAKAMOTO DAYS c251
Página Colorida: Shinobigoto c73; Boku to Roboco c273; Kokonogi Kyuuta no Me ni Sawaru (47 páginas, One-Shot de Kobayashi Omusuke)
Ausente: ONE PIECE c1177
FIM DE JUJUTSU KAISEN
Jujutsu Kaisen chegou à sua conclusão e, desde o seu lançamento, a Weekly Shonen Jump lançou sete mangás, sendo que somente um parece ter dado certo: Someone Hertz. Foram seis meses que precisavam ser muito bem utilizados, mas aconteceu exatamente o contrário: fracassos atrás de fracassos.
Mas por que era tão importante aproveitar o sucesso de Jujutsu Kaisen? Pois o retorno da série criou um hype que colocou novamente a Weekly Shonen Jump no holofote mais uma vez. Era necessário, assim, aproveitar para lançar vários mangás de grande apelo, para reverter esses holofotes para as novas obras, aumentando sua popularidade inicial e também o seu alcance geral.
O grande problema é que, no geral, parece que a revista está com uma escassez preocupante de novos talentos, seja na Weekly Shonen Jump quanto na Jump+, levando a maioria dos mangás novos a venderem pouco. Algumas pessoas culpam a geração atual por ser muito imediatista, mas, no passado, os mangás eram cancelados com 10 a 14 capítulos bem mais frequentemente, e mesmo assim a Weekly Shonen Jump encontrava novos sucessos.
É verdade que Saito voltou a cancelar mais cedo que Nakano, mas mesmo assim está passando dos números dos anos 90 e 2000. Por isso, mesmo com os autores tendo, no geral, mais tempo para se provarem, não conseguem transformar os seus mangás em sucessos. Os leitores, no geral, não estão gostando tanto assim das obras lançadas na gestão de Saito.
Então, o que parecia uma grande esperança e um grande momento para planejar ótimas levas acabou se tornando mais uma possibilidade perdida. A Weekly Shonen Jump está cheia de possibilidades perdidas nesta década: o anime de Sakamoto Days indo para um estúdio mediano, o atraso no lançamento do anime de Kagurabachi e Akane Banashi, a transferência de Chainsaw Man para a Jump+ e sua sucessiva queda em vendas, e muitos outros casos.
E, em um oceano de oportunidades perdidas, a revista continua afundando lentamente.
SUCESSO DE SOMEONE HERTZ
O segundo volume de Someone Hertz foi lançado na primeira semana de março e, no seu primeiro dia de vendas, conseguiu vender mais que Ruri Dragon, mostrando uma grande força comercial. A obra está conseguindo conquistar os japoneses por dois elementos centrais importantes. O primeiro é a personalidade dos dois protagonistas, que têm uma química ótima e, ao mesmo tempo, conseguem se destacar individualmente.
O protagonista masculino representa muito bem o público masculino adolescente, que se sente bem representado. Enquanto isso, a protagonista feminina consegue agradar bastante tanto o público feminino (que é ao menos 1/3 dos compradores da revista) quanto o público masculino, que a acha extremamente simpática e fofa. Someone Hertz, deste modo, apresenta personagens fortes que carregam a história sem grandes problemas.
O segundo elemento crucial para a sua popularização é a sua comédia. Inicialmente criticada por algumas pessoas na 5chan e na Jump Matome, a sua comédia está agradando a grande maioria. O público se diverte e ri das interações dos personagens, ao mesmo tempo que relaxa e se apaixona pela atmosfera leve que toda a série carrega. É uma mistura bem equilibrada de comédia com Slice of Life, combinação clássica que tende a gerar muitos sucessos.
É provável que o segundo volume de Someone Hertz consiga superar a marca de 70 mil cópias vendidas em 4 semanas, consolidando-se assim como um dos principais sucessos do mercado atualmente. Para Saito, que construiu a sua carreira editorial através de mangás de esporte e mangás de comédia romântica, o sucesso de Someone Hertz é uma vitória muito simbólica, mas mesmo assim ainda não é suficiente para validar a sua gestão.
A Weekly Shonen Jump precisa encontrar mais sucessos do tamanho de Someone Hertz – não precisam ser obrigatoriamente novos sucessos Battle Shounen, podem ser mais comédias românticas, mas é necessário que sejam mais sucessos. No ano passado tivemos somente um sobrevivente; todos os demais foram cancelados, o que é simplesmente trágico. E já começamos o ano de 2026 com mais fracassos.
O sucesso de Someone Hertz é um respiro, mas, sozinho, não é suficiente para mudar a situação da revista.
Página Colorida de Shinobigoto
A PRÓXIMA LEVA
É justamente nessa lógica que voltamos à discussão sobre a próxima leva. A Weekly Shonen Jump deve lançar nas próximas semanas mais uma nova leva, com dois a quatro novos mangás (dependendo de quantos serão cancelados e se irão ocupar a vaga de Jujutsu Kaisen Modulo). Idealmente, como deveria ser essa leva?
Eu gosto bastante de uma leva de quatro, na qual temos um autor veterano como primeiro lançamento e último lançamento, colocando duas obras de autores novos como segundo e terceiro lançamento, para levar os leitores casuais a lerem todas as novidades. Contudo, o ideal parece não ser possível justamente pela escassez de veteranos retornando para a revista – uma outra crise que precisa ser estudada.
Alguns autores podem retornar. O autor do one-shot de Tate Roll, muito bem recepcionado, pode estrear em qualquer momento neste ano. Os vencedores das últimas quatro Golden Future Cup podem acabar dando as caras. O autor de Hell’s Paradise e Ayashimon está no processo de conclusão de uma nova ideia, indicando assim um possível retorno em breve, seja na Weekly Shonen Jump quanto na Jump+. O autor de Yuragi-sou no Yuuna-san teve um one-shot bem recepcionado e pode serializá-lo na próxima leva. Esses são os nomes mais prováveis entre aqueles mais conhecidos pelo público geral.
Especular sobre os gêneros a serem lançados eu acredito que seja inútil. A revista está precisando de mais Battle Shounen, esportes, comédias, dramas, ecchi e até mesmo comédias românticas (já que duas, para o padrão do mercado atual, são poucas). Por isso, novos sucessos são bem-vindos, independentemente do gênero. A leva, porém, precisa ter diversidade, para evitarmos o fiasco da leva de esporte, que só ajudou a diminuir ainda mais a esperança do público no gênero.
A nova leva não terá mais o hype de Jujutsu Kaisen Modulo, mas é essencial para afastar o clima de enterro que está na revista atualmente. Eu diria que somente um novo sucesso, se não for da dimensão de Kagurabachi, não vai conseguir animar o público, mas dois sucessos, que consigam vender acima de 30 mil cópias, devem salvar o ânimo dos leitores. A questão é: uma revista que não consegue nem encontrar um novo sucesso vai encontrar dois em uma leva só?
Milagres acontecem, mas são raros.

