A TOC da Weekly Shonen Jump retorna ao Analyse It, mas quanto realmente mudou nesses últimos meses? Sinceramente, pouco. Ainda assim, é hora de recapitular a situação de cada série. Venha conferir.
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Em primeiro lugar tivemos Ao no Hako, que está caminhando para o seu encerramento: a série, que continua vendendo acima de 100 mil cópias (algo não tão óbvio no mercado atual), é um dos pilares da revista juntamente com Sakamoto Days, One Piece e Kagurabachi. Por isso, seu iminente encerramento neste ano irá causar um “buraco” na line-up da revista. Não tanto por não ter substituto – Someone Hertz (que ganhou página colorida) chegou para ocupar o lugar de Ao no Hako –, mas porque, ao longo dos anos, têm terminado mais séries de sucesso do que estreado novas. Assim, pouco a pouco, a line-up da revista vai se tornando cada vez mais fraca.
A esperança de termos também uma chegada massiva de novos mangás de sucesso está se esvaziando com o passar dos meses: a gestão de Saito, que está prestes a completar dois anos, ainda não apresentou resultados robustos. Os novos autores não estão entregando mangás que consigam agradar o suficiente os leitores japoneses, resultando, assim, em obras com vendas iniciais baixas. Já os veteranos simplesmente não estão mais retornando à revista, tornando cada vez mais raro vermos uma leva na qual haja um nome mundialmente conhecido. É preciso novas séries de qualidade para sair dessa crise, mas não parece tão simples encontrá-las no mercado atual.
Em segundo lugar tivemos ONE PIECE, que continua em seu ritmo habitual de lançamento, o que significa que não deve terminar antes de 2030-2032. É bem provável que quase todos, se não todos, os mangás que estão atualmente na revista já tenham terminado quando One Piece chegar ao fim.
Em terceiro lugar tivemos Shinobigoto, que continua sendo uma das principais apostas da revista. Suas vendas (quase 20 mil cópias), para os padrões atuais, são consideradas “boas”, mas não são nada espetaculares, o que leva algumas pessoas a questionarem a divulgação da série. A realidade é que, desde 2024, a revista encontrou os seguintes sucessos: Exorcist no Kiyoshi-Kun, Himaten, Shinobigoto, Madan no Ichi e Someone Hertz. E os editores escolheram as três mais populares dos últimos dois anos para realizar uma grande divulgação.
Em uma situação de revista saudável, com muitos grandes sucessos, é bem provável que Shinobigoto recebesse um destaque menor. Mas, como é o terceiro maior sucesso dos últimos dois anos, acaba tendo grande divulgação. Assim que completar dois anos, é provável que os editores passem a divulgar um novo sucesso de 2026 no lugar de Shinobigoto; é o ciclo natural da revista. Os novos sucessos, com menos de dois anos, sempre recebem uma atenção muito maior do que aqueles que já são mais antigos.
Em quarto lugar tivemos Kagurabachi, que raramente consegue a primeira colocação na TOC, mas, mesmo assim, é um dos maiores sucessos da revista nesta década: é a segunda série que mais vende (ignorando Jujutsu Kaisen Modulo e Hunter x Hunter), além de estar sempre em destaque em quase todos os materiais promocionais, tornando quase insignificantes suas posições na TOC. É provável que Madan no Ichi receba maior destaque na TOC mais por ter ótima performance nas votações e por ser uma obra “Family-Friendly”, com grande apelo em todas as demografias, do que realmente por ter potencial comercial superior.
Mesmo assim, ambos são, de maneira inegável, os dois maiores sucessos da revista dos últimos três anos.
Em quinto lugar tivemos Exorcist no Kiyoshi-kun, que, após um período em que era o segundo novato mais divulgado de 2024 (atrás somente de Madan no Ichi), passou a ser colocado na geladeira pelos editores. A obra continua recebendo boas posições, como nesta semana, e ocasionais páginas coloridas, mas com frequência bem menor. Levando em consideração que este ano ainda teremos o encerramento de Sakamoto Days, Jujutsu Kaisen Modulo e Ao no Hako, não vejo Exorcist no Kiyoshi-kun correndo risco de cancelamento em curto ou médio prazo.
Em sexto lugar tivemos Witch Watch, que continua estável na revista: pode terminar no segundo semestre deste ano, como também pode terminar no próximo, mas é improvável que passe de 2027. Este também deve ser o último mangá de Shinohara na Weekly Shonen Jump, por causa de sua dificuldade em seguir o ritmo semanal em razão do avanço da idade. Por isso, aproveitem muito bem os últimos momentos de Witch Watch.
Em sétimo lugar tivemos Boku to Roboco, que continua estável. Há algumas especulações de que a série possa vir a terminar por causa da diminuição de suas vendas; por enquanto, não temos nenhum sinal claro de que isso vá acontecer, principalmente nesta fase da revista, em que quase nada se torna um grande sucesso.
Em oitavo lugar tivemos Himaten, que, entre os cinco sucessos dos últimos dois anos, é aquele com menor divulgação. O motivo não é bem claro, mas parece que Saito (Editor-Chefe) vê um potencial comercial menor em Himaten em comparação aos demais. Muitos pensavam inicialmente que fosse por causa de seu gênero (mangá de romance); contudo, Someone Hertz recebeu grande divulgação. Além disso, Saito é um editor especializado em obras de romance, por isso seria estranho tratar mal Himaten unicamente por causa do gênero.
O real motivo pelo qual Himaten, mesmo vendendo números muito parecidos com Exorcist-kun e Shinobigoto, tem divulgação bem menor nunca será completamente respondido. Ao invés de procurar um motivo único para o tratamento de Himaten, acredito que talvez seja uma soma de fatores. Os seguintes pontos podem ou não estar presentes na decisão: nenhuma grande proposta para adaptação em anime, votações internas não tão expressivas, gênero em comparação aos adversários, perspectiva de aumento nas vendas, duração total da série, entre outros.
Talvez, por exemplo, Someone Hertz tenha votações tão expressivas que os pontos negativos sejam ignorados, enquanto Himaten apresenta uma quantidade de votos mais mediana. São vários critérios que se somam e se subtraem para definir o tratamento de uma série. Não é justo, desse modo, atribuir ao acaso ou a um único fator o tratamento de Himaten. Sem termos completamente em mãos todos os dados, é complicado compreender. De qualquer modo, Himaten não corre risco de cancelamento em curto prazo.
O mesmo vale para Nue no Onmyouji, que, porém, por anos teve vendas bem mais expressivas, o que levou muitos ao consenso de que sua classificação mais baixa seja uma espécie de “Tratamento To-Love Ru”, mesmo o mangá não sendo realmente um ecchi. Nue no Onmyouji tem grande presença de fanservice em alguns arcos, mas passa longe de ser um ecchi como To Love Ru. De qualquer modo, também para Nue no Onmyouji não vejo risco de cancelamento em curto prazo; inclusive, é bem provável que neste ano tenhamos o anúncio de seu anime.
Nas três últimas colocações tivemos JK Yuusha to Inkyo Maou, Tonari no Osoegawa e Gonron Egg, que devem ser cancelados cedo ou tarde. A dúvida é: nesta leva que está por vir (com o encerramento de Jujutsu Kaisen Modulo), irão concluir somente Gonron Egg ou irão encerrar de vez quatro mangás (incluindo a conclusão natural de Jujutsu Kaisen Modulo)? É uma pergunta cuja resposta provavelmente teremos em março ou abril.
Sendo sincero, para mim não importa muito termos uma leva grande ou pequena: a leva de Someone Hertz e Jujutsu Kaisen Modulo acabou sendo mais significativa do que as duas seguintes somadas (que totalizam seis novos mangás). Por isso, o mais importante é termos novos mangás de qualidade que consigam agradar os japoneses.
COMO ESTÃO INDO OS TRÊS NOVATOS?
Já escrevemos uma matéria mostrando a recepção japonesa às três novas séries:
LEIA AQUI!




