Kaijin Fugeki recebe recomendação de Araki, de Jojo’s Bizarre Adventure, Sentai Daishikkaku decide desafiar o roteiro e começa um “novo” arco final, e como Zero to Hyaku começou seus primeiros dias de venda. Tudo isso, vários oneshots e mais na nossa análise da Weekly Shonen Magazine, a segunda maior revista shonen do Japão. Começando pela TOC:
- Kaijin Fugeki (Primeiras Páginas Coloridas) Ch. 67
- Kanojo, Okarishimasu Ch. 413
- Blue Lock Ch. 336
- Yowayowa Sensei (Página Colorida) Ch. 155
- Hajime no Ippo Ch. 1514
- WHITE (Oneshot)
- Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai Ch. 211
- Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su Ch. 255
- Zero to Hyaku (Página Colorida) Ch. 13
- Ano shima no Uminesou Ch. 06
- Mokushiroku no Yonkishi Ch. 226
- Mayonaka Heart Tune Ch. 106
- Senpai Kouhai Kanarazu Shinu! (Oneshot Especial da Magazine Pocket)
- Suruga Meteor Ch. 48
- Kurotsuki no Yaergnacht Ch. 37
- Dream ✰ Jumbo ✰ Girl Ch. 33
- Sentai Daishikkaku Ch. 208
- Kakkou no linazuke Ch. 285
- Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 87
- Seitokai ni mo ana wa aru! Ch. 163
- Pen no Yume ni aka wo sasu (Capítulo Especial da Magazine Pocket)
- Kanan sama wa Akumade Choroi Ch. 172
- Onryou Biyori (Nova Série Curta) Ch. 01
- Idolatry Ch. 28
- Batsu Gemu (Oneshot)
Ausências: Yumene Connect Ch. 68, Banjou no Orion Ch. 89, Gachiakuta Ch. 164, Ahiru no Sora 616 (Hiato)

Modelo na capa, mas a nossa primeira obra é Kaijin Fugeki, em semana gloriosa que conta com: linda página de abertura colorida, capítulo cheio de revelações e várias novidades que detalharei a seguir.
Primeiramente, grande destaque para a recomendação do famoso Hirohiko Araki, autor do enorme e clássico Jojo’s Bizarre Adventure. Escrevendo a recomendação do volume 7 de Kaijin Fugeki, o mangaka descreve o charme e a essência divina do mangá, que traz um mundo de divindades e espiritualidade.
Em um dos arcos anteriores da história, tivemos uma paródia clara de Jojo, com o protagonista Jin socando e gritando o Oraoraora igual Jotaro e Star Platinum faziam nos quadrinhos de Araki. Oh Great comentou que era um grande fã de Jojo crescendo, até pedindo desculpas ao Araki pela referência (em tom jocoso, antes que assumam o pior).
Certa vez, Nisio Isin (Monogatari, Medaka Box, e uns outros 40 títulos de sucesso) comentou sobre como era a divisão dos leitores da Jump da Era de Ouro na sua infância: as crianças legais liam Dragon Ball, Slam Dunk e Yu Yu Hakusho, mas os “diferentões” e esquisitos gostavam é de ler Jojo, que era um regular da Jump, mas que vivia mais do meio para o fim da TOC. Jojo trazia uma bizarrice própria que agradava e fascinava esses leitores.
Muitos deles cresceram e se tornaram mangaka, novelistas, criadores em outras mídias, etc. Não que não gostassem também de Dragon Ball, mas alguns autores foram mais influenciados por Jojo. E Oh Great é um que pode ser visto assim, com Kaijin Fugeki focando muito no seu estilo esotérico, poderes estranhos e uma narrativa que preza mais pelo desenvolvimento temático das idéias do autor do que consistência interna de mundo.
Recomendações raramente vão fazer um mangá voar em vendas, mas essa faz um sentido maior em termos artísticos.
Continuando… o volume novo saiu e, como de costume, pegou bons rankings no Shoseki. Ainda sem os números semanais, o mangá deve permanecer ali perto da faixa dos 20 mil volumes vendidos ao mês.
E, por fim, a revista também anunciou o lançamento japonês, em Maio, de Smoke, um mangá colorido que o Oh Great produziu para o mercado francês ao mesmo tempo que fazia os capítulos semanais de Kaijin Fugeki. Alguns temas como humanidade vs tecnologia até são presentes em ambas as obras — ao menos de acordo com a sinopse, já que não tenho como ler Smoke. Trabalheira danada de fazer tudo isso, de forma que impressiona que ele não precisou tirar uma pausa longa no último ano.

O vice ficou para Kanojo, Okarishimasu, com uma dobradinha legal de ouro e prata nas duas últimas edições da revista. O capítulo em si é até morno, o que me surpreende um tanto dele estar tão em destaque, mas considerando o tanto de promoções e produtos sendo anunciados nesse começo de ano, acho que é parte do hype para a nova temporada do anime.
Fechando o pódio, Blue Lock está ali por mil e um motivos diferentes, mas dá para resumir numa palavra só: pilar. É pilar, então aparece na ponta quando querem.
Curiosamente, assisti alguns jogos de futebol na TV japonesa recentemente e vi comerciais promovendo “manga de futebol” em geral, com várias obras como Ao Ashi, Days, Giant Killing e, primeiramente, Blue Lock. Então sim, posso falar para vocês que Blue Lock é sim promovido para fãs de futebol e esportes em geral, não só para esse público de mangá ou crianças. Não sei o quanto esse público é parte da base compradora, mas deve existir em alguma escala ao menos.

Aproveitando o Dia dos Namorados, a revista deu página colorida bem ecchi e quarta posição para Yowayowa Sensei, além de trazer algumas novidades do anime. Página enganosa aliás — a Hiyori nem aparece nesse capítulo.
A parte promocional traz comentários das vozes das personagens do elenco “secundário”. A irmã do Abikura é a veterana Nakahara Mai (Rena em Higurashi) que sempre soube fazer essas vozes fofas, a Kuguri recebe a voz da Natsuyoshi Yuuko que possui uma boa range vocal e recentemente teve um grande hit no Japão sendo a voz da Kaguya em Chou Kaguya Hime, a Yuuki é a Sasahara Yuu que sempre dá uma voz bem única para personagens como a Emilico em Shadows House ou em Puniru com a personagem titular, e por fim temos a Igoma Yurie para a Mukubayashi, o outro interesse romântico do mangá — Yurie é a voz de Ruby em Oshi no Ko e disse que é a primeira vez dela num ecchi, então quer mostrar esse lado novo de sua atuação para os fãs. No geral, um elenco bem escolhido e que pode ajudar a ganhar algum destaque, já que a animação em si não parece ser brilhante.
No quinto lugar, Hajime no Ippo entrega mais outro capítulo completinho. Porém, break na próxima semana. Acho que não é preciso dizer o óbvio para os fãs de Ippo, mas para quem não pensa nisso ainda, é melhor tratar a publicação como irregular do que semanal. Faz parte.
Depois de um oneshot (começou), Kuroiwa Medaka aparece em sétimo lugar já no arco da viagem escolar. Lembram que eu tinha falado que Kuroiwa Medaka poderia ganhar mais primeiras páginas coloridas “sem motivo” com os encerramentos da revista? Pois é, rolará exatamente isso na próxima edição quando o mangá recebe uma por “começo de novo arco”, sendo que já estamos nesse novo arco tem uns 3 capítulos.
Boas vendas físicas, digitais e ranking alto na Magazine Pocket, a Magazine continuará promovendo Kuroiwa Medaka enquanto ele tiver esses aspectos fortes, ainda mais numa line-up perdendo força em popularidade.
Shangri-la Frontier, em oitavo na TOC, é igual seu escritor Katarina. Sempre em paz, mas frenéticos. O mangá continua com ação constante, mas não perde a empolgação, já o seu autor zera uns 100 jogos por ano, enquanto joga um monte de card games. Máquinas.

Página colorida promovendo o primeiro volume de Zero to Hyaku, nono colocado.
Considerando o baixo número de comentários e interações nas redes, vejo o resultado inicial como positivo. O mangá apareceu por dias na casa dos 100 no Shoseki diário, então é possível que tenha uma primeira semana próxima das primeiras semanas de Suruga Meteor e Idolatry.
“E isso lá é positivo?” É no sentido de que poderia ser pior. Sua permanência continuará dependendo de um crescimento em vendas e visualizações, mas o pior foi evitado de ter ido muito pior que outros dois estreantes recentes. Infelizmente, a barra está cada vez mais baixa para a Magazine e esse tanto de breaks dá ainda mais espaço para certas obras (se os editores quiserem) — só nessa edição são cinco capítulos especiais!
Um fato é que a Magazine quer sucessos de esporte, a dúvida é se Zero to Hyaku continuará sendo promovido no meio da TOC ou vai para o final agora que seu volume saiu.
Décima posição para Uminesou, que anuncia duas páginas coloridas para as próximas semanas pela grande popularidade. Totalmente esperado já que é um autor veterano de sucesso voltando rápido e mesmo se perder metade dos leitores da obra anterior, ainda fica muito acima da maioria dos novatos.
Mokushiroku no Yonkishi, o décimo primeiro colocado, tem uma certa mudança no rumo da batalha. Ainda estamos em estado de ver como a história continua daqui.
Décimo segundo do grid, Mayonaka Heart Tune continua com a aprovação do anime subindo, ao mesmo tempo que acho que o episódio mais recente foi o mais fraquinho em questão de produção. O Yamabuki cative muito os fãs. Não que as garotas sejam impopulares, mas o adendo de um protagonista mais ativo ajuda bastante trazendo um ponto especial para o trabalho.
Pulando mais um oneshot, Suruga Meteor é o décimo quarto lugar, com mais uma performance decente na TOC. A história também está preparando o caminho para o primeiro Koshien (o tradicional torneio nacional do Ensino Médio no Japão) de verão, um arco sempre muito aguardado por todo leitor de um mangá de baseball.
Yaergnacht, décimo quinto da edição, foi mais battle essa semana mesmo sem luta, mas apresentando poderes e hypando a próxima grande batalha da obra.
Além disso, tivemos o anúncio que o mangá bateu as 200 mil cópias em circulação com três volumes. É um grande sucesso para as condições atuais de mercado, ainda mais numa revista que está vendo cada vez mais obras que vendem abaixo de 10 mil cópias mensais sobrevivendo ali para baixo. Não que Yaergnacht esteja vendendo tudo isso no físico, mas é uma obra que se aproveita do meio digital.
As vendas devem se estabilizar nessa faixa até um anime no futuro, mas é o suficiente para promoção constante, ainda mais numa revista que não despreza o ecchi como as suas duas rivais.
Décimo sexto, Dream Jumbo Girl continua naquela situação de estar sólido na TOC, em segurança, mas sem mostrar muito crescimento. O Hiroyuki até promove bastante o mangá pessoalmente, mas a indústria em si mostra dificuldade para qualquer obra crescer sem algo para causar uma explosão.
Situação inusitada para nosso décimo sétimo colocado, Sentai Daishikkaku: o mangá começou “outro” arco final. Como assim?
Só para deixar claro, o editorial nunca tinha anunciado que estava com o mangá em seu arco final, mas a história e os personagens abertamente falavam que estavam na batalha final, no vilão final, etc. O ponto é que sempre foi estranho esse arco final estar acabando sem um anúncio de conclusão próxima.
E aí a história fez a revelação de uma forma metalinguística: “vamos durar mais um pouquinho e fazer um outro arco final”. Era o plano desde o princípio pelo andar da carruagem, mas esse twist pegou até os fãs de surpresa. O que o Negi Haruba está pensando?
Considerando que a fama do autor veio pelo tanto que ele conseguia torcer e mudar os rumos das romcom, com um final chocante, é interessante que ele esteja seguindo a tradição e transformando o final de Sentai Daishikkaku em outra quebra de expectativa.
Eu não tenho nem idéia para onde a história vai agora, com tantos vilões derrotados, e nem a duração que isso terá. O mangá ainda deve terminar em 2026, mas não mais tão logo quanto pensava. Privilégios de um autor que fez seu nome na história da Magazine.
Décima oitava colocação para Kakkou no Iinazuke naquela rotação habitual. Ao menos esteve em destaque na capa junto de Kanokari, como as duas maiores romcom da revista — posição possivelmente herdada por Kuroiwa Medaka num futuro próximo.
Ao no Miburo mais para baixo também, é o décimo nono. Mas ganha página colorida na próxima edição, batendo enquanto o ferro está quente com o anime e o mangá está num arco envolvendo figuras populares e conhecidas como Itou Kashitarou e Sakamoto Ryouma.
Apesar de ser apenas o vigésimo da semana, Seitokai ni mo Ana wa Aru tem muito a celebrar já que notícias do seu anime estão finalmente vindo nas próximas semanas. O movimento faz sentido já que recentemente seus animadores andam bem mais ativos e postando artes nas redes sociais. Um trailer pode criar um grande hype considerando o quão viral o teaser em anime do mangá foi no passado.
Pulamos mais um oneshot e temos Kanan-sama, em vigésimo segundo lugar. Celebrando o Dia dos Namorados também, o anime promoveu um drama CD com os seiyuu da adaptação e uma ilustração especial da Kanan fazendo chocolate. Até o momento vejo o marketing acertando na promoção da série e a produção de qualidade também dá esperança que Kanan quebre a maldição e tenha um boost significativo para seus números atuais.
Logo abaixo temos uma nova mini série especial: Onryou Biyori. Com quatro capítulos, o mangá conta a história de uma gyaru que consegue ver espíritos e se torna amiga de uma fantasma. É uma comédia simples, mas com uma arte bacana.
Bizarramente, o primeiro capítulo foi muito melhor na Magapoke que a grande maioria dos estreantes normais, com os leitores tendo gostado da protagonista, seu design e da dinâmica de uma gyaru com uma assombração atrás dela querendo amizade. Lembra um pouco um Mieruko-chan, mas menos sombrio.
O autor, que tem algumas publicações online, não deu a entender que está no mesmo caso de “isso pode virar série se for bem recebido”, mas não seria surpresa os editores perguntarem a ele se quer continuar no futuro caso o curta realmente performe bem.
Precisando encher espaço, esses curtas estão dando oportunidades do editorial de fazer testes e espero que algum deles seja aproveitado.
Penúltimo, Idolatry só não fecha a revista porque tem um oneshot abaixo. O capítulo, novamente, foi muito bem recebido com muita gente elogiando os autores do mangá. É o mangá que contradiz muitas das métricas que montei aqui ao longo do tempo que escrevo já que ele tem uma presença na Pocket e nas redes muito maior que outros mangá de baixas vendas.
Só de ter um alto número de comentários no capítulo pago indica interesse em comprar a série, mas isso não se transfere para os volumes ou a TOC. É ver se continua ou não no futuro para entender melhor o que houve.
E é isso por essa semana. Dá uma certa agonia ver tantas TOCs da Magazine na homepage do site, mas manter o ritmo escrevendo semanalmente me deixa mais atento às mudanças da revista. E quanto ao pessoal com problema no Disqus… por algum motivo até eu tenho, mas perguntarei se tem como ver. Até a próxima.
