Tá faltando mangá na Magazine?! Como assim? Com alguns problemas de saúde e prazo, entenda a situação. Além disso, Yaergnacht cresce cada vez mais em importância. E a visitinha do filho que saiu de casa, Dead Account. Tudo isso e mais na nossa análise da segunda maior revista shonen do Japão, a Weekly Shonen Magazine. Começando pela TOC:
- Kurotsuki no Yaergnacht (Primeiras Páginas Coloridas) Ch. 33
- Kaijin Fugeki Ch. 65
- Seitokai ni mo ana wa aru! Ch. 160
- Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su Ch. 251
- Ano shima no Uminesou Ch. 02
- Banjou no Orion Ch. 85
- Mayonaka Heart Tune Ch. 102
- Kanan sama wa Akumade Choroi (Página Colorida, Collab com quatro artistas) Ch. 170
- Blue Lock Ch. 332
- Kakkou no linazuke Ch. 281
- Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 83
- Kanojo, Okarishimasu Ch. 409
- Mokushiroku no Yonkishi Ch. 222
- Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai Ch. 208
- Zero to Hyaku Ch. 09
- Yumene Connect Ch. 65
- Kyoshitsu no Fuhatsu dan (Oneshot)
- Oni (Oneshot)
- Sentai Daishikkaku Ch. 204
- Idolatry Ch. 24
- Yowayowa Sensei Ch. 151
- Gachiakuta Ch. 162
- Tanpen Koko no Nichijou (Oneshot)
- Kyawaruri Hoteishiki (Capítulo Final de Mini Série Especial)
- Dead Account (Capítulo Especial da Magazine Pocket)
Ausências: Dream ✰ Jumbo ✰ Girl Ch. 30, Suruga Meteor Ch. 46, Hajime no Ippo Ch. 1512, Ahiru no Sora Ch. 616 (Hiato)


A capa vai para uma modelo de gravure e as primeiras páginas coloridas mantêm essa vibe de ensaio, com Kurotsuki no Yaergnacht recebendo três páginas em cor com as personagens que estampam as capas dos volume 1 a 3, com a revelação da arte de Brigitte estampando o mais novo, que sairá em 17 de Fevereiro.
Considerando o quão distante essas páginas coloridas estão do volume para sair, dá para dizer que é uma “primeira página colorida sem motivo”, ou seja, daquelas que só os pilares e principais séries recebem. A existência dessas obras em si já é garantia de merecimento de um destaque tão grande assim, é o mesmo que ganhar uma capa na Jump sem ser uma estreia ou aniversário, implica o apoio editorial acima da média.
E não é por acaso, eles destacam que a série tem 150 mil cópias em circulação com apenas dois volumes. Isso o torna num grande sucesso de mercado desse período de 2025 e 2026 e uma prioridade para uma Magazine que sofre para achar novos hits.
A história desacelerou também, em movimento típico de manga shonen semanal depois de conquistar segurança. Muitas obras precisam correr no início para apresentar conceitos e personagens que garantam uma base de leitores que atraia leitores, mas quando essa parte passa com sucesso, o autor pode relaxar um pouco para trabalhar no ritmo que prefere. Não quer dizer que não esteja acontecendo nada, mas temos mais momentos para os personagens interagirem e menos movimentos bruscos na história.
O autor Suzumoto Kou já tirou algumas paradas, então Yaergnacht não deve mergulhar em páginas coloridas, mas deve ganhar algumas ao longo do ano.
O vice é Kaijin Fugeki, em um capítulo muito importante para a história. Com revelações do passado, do mundo da obra e sobre seu protagonista Jin. Momentos do tipo costumam ganhar destaque e Kaijin Fugeki é justo de Yaergnacht o maior sucesso da Magazine sem um anime anunciado, fazendo assim um par interessante para começo da edição.
Fechando o pódio, Seitokai ni mo Ana wa Aru que é a obra mais promissora sem anime ainda. Já foi anunciado, mas ainda sem sair. É um capítulo bem divertido e com uma dinâmica que creio que muitos queriam ver, então os editores colocarem em destaque.
Shangri-la Frontier está em quarto lugar e é daquelas obras que ganha destaque em capas mesmo quando não tem página colorida. Os desenvolvimentos recentes da história são suficientes para promoção por causa da grande popularidade da obra, que é capaz de vender 100 mil cópias físicas ao mês, além de excelente desempenho digital.
O segundo capítulo de Ano Shima no Uminesou é o quinto no grid. Foca ainda mais nas interações e relação que será desenvolvida entre os dois personagens principais, deixando mais claro o tom do mangá como uma obra definida por esses dois, diferentemente do harém com tempo distribuído igualmente entre as heroínas como seu mangá anterior, Megami no Café Terrace.
Quanto à recepção, ela firmou ainda mais a opinião comum do primeiro capítulo: “eu sinto segurança porque é um mangá de Seo Kouji!”, “sei que será bom porque é do Seo Kouji”, “gosto de todas as obras do autor”, etc. As pessoas sabem o que esperar das romcom do mangaka e estão satisfeitas com ele corresponder às expectativas.
Uma vantagem enorme de autores veteranos é que os leitores sabem que: 1. é mais difícil da obra ser cancelada, assim permitindo uma leitura sem preocupações 2. a estrutura será mais profissional pela experiência de décadas de mangá, sem erros básicos de narrativa ou quadrinização. É o suficiente para muitos leitores.
Talvez seja mais difícil para atrair novos fãs casuais nesse momento, que é algo que ocorreu com Megami no Café Terrace, mas ainda é cedo para dizer se Uminesou será uma obra primariamente lida por fãs do autor.
Na sexta posição, outro mangá de futuro promissor em Banjou no Orion que, além das vendas decentes, vejo como potencial sucesso em anime pelos capítulos emocionantes e semelhanças com o sucesso Sangatsu no Lion. Um anime de destaque pode elevar a popularidade da obra.
A sétima colocação fica para Mayonaka Heart Tune com um capítulo interessante para Rikka. Enquanto isso anime está em exibição.
O terceiro episódio teve mais problemas de animação que os anteriores, mas esses comentários primariamente são feitos na esfera ocidental, com a maioria dos comentários japoneses nas redes sendo positivos, principalmente pela atuação dos seiyuu, nesse epi para Suzushiro Sayumi como Iko, e pela personalidade forte e divertida do protagonista Yamabuki.
Essa questão de animação sempre parece um foco maior em discussões ocidentais, sinceramente. Se outros aspectos cobrem, o anime ainda é bem recebido. Dito isso, os episódios 1 e 2 tiveram uma recepção abaixo da média em notas no Nicovideo, uma plataforma mais hardcore otaku — o que pode implicar alguns fãs da obra original desapontados. Dito isso, o epi 2 já teve um crescimento em relação ao 1 e se a trend continuar no 3, podemos ver como o público já ter as expectativas ajeitadas em relação à animação e focar mais em como o roteiro é adaptado e nas vozes.
O mangá continua sem aparecer na Shoseki, mas seus volumes antigos subiram ainda mais nos rankings da Amazon, em posição similar a lançamentos mensais menores. Ou seja, o backlog mesmo sem um boost físico ainda cresce em algumas milhares de cópias digitais. É continuar vendo se isso continua ou se o boost pode aparecer na lista física em algum momento. Nesse sentido, uma animação mais chamativa poderia atrair novos fãs; ou seja, enquanto o anime tem uma recepção decente, ele talvez poderia estar indo melhor. De qualquer forma, o mangá continua sendo importante por suas vendas e recepção acima da média de mercado.

Em oitavo lugar e com página colorida (de coelhas, será que combinaram com Yaergnacht?), Kanan-sama continua naquele ritmo de grande promoção com o anime para Abril.
O tanto que estão promovendo e tudo que se vê do anime me dá a impressão de ser uma grande produção que todas as empresas envolvidas estão confiantes de ser um dos sucessos da temporada. Das adaptações recentes de romcom ou ecchi da Magazine, os PVs e imagens sugerem que Kanan possa ter ganhado na loteria de produção com o competente estúdio Kai — que bizarramente terá três animes nessa temporada. Talvez os times sejam bem divididos ou o tempo de produção de cada tenha sido diferente.
Foram anunciadas as cantoras de abertura e encerramento também. OP pela banda de rock Faulieu, com sua primeira canção para anime, e a ED pelo Aogiri Koukou, um grupo de vtubers — continuando a tradição de músicas de vtuber para anime da Magazine (Kuroiwa Medaka, Gachiakuta, Mayonaka Heart Tune). A revista promove bastante vtubers num todo, já que deve apelar aos seus leitores.
E essa edição ainda teve quatro páginas extras para Kanan, com artistas convidados fazendo mini capítulos. São eles kurodabb (A-Channel), Harunatsu Akito (Hetare are), hei (Kamiina Botan) e Wataru Rei (Fate Grand Order Epic of Remnant). Nomes interessantes da cena otaku. Kanan apela para esse grupo e está sabendo como fazer marketing nesse contexto.
Na nona colocação, Blue Lock é como Shangri-la Frontier: sua mera presença na revista já é um atrativo enorme. Mas ajuda quando temos partidas hypadas como a atual entre Japão e França.
A arte voltou ao seu padrão, com o capítulo passado inacabado sendo algo fora da curva no momento. A produção deve ter preferido deixar aquele capítulo para arrumar no volume do que ter dois capítulos em seguida com problemas.
Em décimo na TOC temos Kakkou no Iinazuke que ganhará as primeiras páginas coloridas de novo na edição seguinte, em celebração de seu sexto aniversário. Kakkou no Iinazuke foi a obra que mais ganhou essas páginas em 2025 e o mesmo pode se repetir em 2026 já que, pelo visto, a autora Yoshikawa Miki é uma máquina. Além dela parar pouco, ainda lança um outro mangá mensal e sempre escreve na TOC sobre os vários jogos que zera todo mês!
Leaks dizem que a série pode estar começando seu arco final, mas isso será melhor falado no próximo artigo.
A décima primeira posição é de Ao no Miburo, um dos reis da TV. Obviamente, muitos apontam que a audiência é ajudada por passar logo antes do querido Detetive Conan, mas é uma jogada elogiável para o comitê de produção, já que Miburo tem um apelo grande para o público feminino que também adora Conan.
Já o mangá está dando foco na figura de Sakamoto Ryouma, um dos nomes mais importantes do período histórico e que trará arcos bombásticos no futuro próximo.
Kanojo, Okarishimasu com um capítulo mais morno, fica em posto mais morno: décimo segundo.
O décimo terceiro lugar é de Mokushiroku no Yonkishi, com a revista promovendo a aguardada batalha contra Arthur. O jogo da franquia Nanatsu no Taizai foi recentemente adiado para Março, então pode ser que tenhamos mais promoção por lá.
Assim como Kanokari, o décimo quarto é mais uma romcom em semana morna: Kuroiwa Medaka.
Na décima quinta posição, Zero to Hyaku novamente deixou seus capítulos gratuitos na Magazine Pocket, para atrair mais atenção. Eles devem ter noção que a presença online do mangá de basquete é baixa e estão fazendo isso para que os leitores possam curtir a primeira partida da série, aonde a arte espetacular do autor surpreende e a dinâmica da dupla principal fica em destaque. Esses capítulos (1 ao 8) também são basicamente o primeiro volume, o autor já mostrando suas habilidades de cara para causar impacto aos compradores.
Será complicado porém. Em comparação, a conta de Suruga Meteor no X está com 5400 seguidores e a de Idolatry com 7700. São séries diferentes e mais velhas, e esses seguidores não significam tanto quando não compram volumes, mas Zero to Hyaku ainda está em apenas 275. Precisa crescer sua presença e fama, já que esses dois mangá mesmo vendem abaixo das 3 mil cópias mensais.
Mas há uma vantagem no momento que é o tema que coloquei em destaque na matéria: está faltando mangá para encher as páginas da revista. Isso talvez ajude séries que consigam entregar capítulos com mais regularidade. Falarei mais sobre abaixo ao falar dos oneshots.
Yumene Connect é o décimo sexto da TOC com um capítulo apresentando uma nova personagem para a rotação de malucos do elenco. Está sempre mais ou menos nessa posição na TOC, um pouco abaixo da metade, mas ganha várias páginas coloridas. É o legítimo “sucesso nicho”.
E aqui começam os oneshots e capítulos especiais da edição. São cinco nessa semana, mas vamos tendo dois ou mais em várias edições recentes. O que explica esse tanto de extras?
É simples, problemas nascidos de publicação semanal, como autores com dificuldade de manter o ritmo e problemas de saúde, e “problemas” derivados às soluções da própria Magazine, como a rotação de autores e séries com número menor de páginas.
Não é uma crítica às medidas deles de forma alguma. Proteger a saúde dos autores com rotação é ótimo e termos séries como Kanan-sama, Seitokai no Ana e Kuroiwa Medaka que são lançadas com menos páginas que o padrão, permitindo que esses autores façam parte de uma revista semanal. A questão é que isso já implica num número menor de páginas em si.
Recentemente, Ippo entrou num break repetindo por problemas de saúde do autor, mesmo com vários breaks e capítulos com menos páginas. Isso é a provável razão de termos uma “mini série” de quatro capítulos cobrindo o espaço. Mas além disso temos mais situações como Kaijin Fugeki e Gachiakuta, que pelo nível alto de arte ficam frequentemente em break. E Gachiakuta essa semana entregou um capítulo de apenas seis páginas.
Então sim, mesmo com as formas da Magazine de proteger seus artistas, eventualmente questões como idade e tempo demais fazendo mangá semanal podem afetar os autores. Só ver o capítulo passado de Blue Lock.
Isso dá uma força mais para autores que conseguem lançar muitos capítulos sem problemas. Não é por acaso que a Kamio, autora de Yowayowa Sensei, e Sawada Kou, autor de Yumene Connect, ganham tantas páginas coloridas. Sim, suas séries tem certa popularidade, mas também são dois dos autores mais regulares, que menos tiram breaks e entregam capítulos e volumes cheios. Então eles são nomes ideais para páginas coloridas, que exigem ainda mais trabalho.
Mas nesse contexto, a Magazine pode se ver obrigada a adicionar mais séries fixas à rotação ou também manter mais autores que saibam que podem dar conta do ritmo semanal. Essa é uma questão cada vez mais comum para as revistas shonen semanais, que não querem ter a imagem negativa de lançar capítulos incompletos ou que seus autores tenham problemas de saúde, mas definitivamente não querem ter várias edições igauis essa de cinco extras.
Enfim, continuando. Sentai Daishikkaku é o décimo nono lugar e está naquela contagem regressiva, mas continua num flashback no meio da luta final. Meses ainda para entregar um final completo.
Idolatry conquista a vigésima posição e, ao menos por agora, escapa de ser o último. Não é um grande pulo, mas é algo a menos. Suas esperanças por enquanto ficam em tentar transformar popularidade online para vendas, ver se a nomeação no AnimeJapan ajuda e a questão da necessidade de autores regulares iguais a dupla da série. Veremos.
Na vigésima primara colocação, Yowayowa Sensei tem um capítulo focado em uma personagem secundária e, por isso, recebe menos prioridade com os outros ecchi em Yaergnacht e Kanan tendo um foco maior nas páginas coloridas. Normal.
E como mencionado anteriormente, Gachiakuta entregou um capítulo de seis páginas e terá break na edição seguinte. Até por isso ser o vigésimo segundo faz sentido e pode ser uma explicação para uma série popular ser ranqueada mais para baixo com frequência.
Depois de um oneshot, Kyawaruri Hoteishiki acaba sua publicação curta de quatro capítulos. Era um mangá focado em ser “kawaii” com uma garota meio gyaru num estilo remanescente de personagens como os de Shugo Chara, nos anos 2000. A autora já havia feito alguns oneshots e teve chance de apresentar essa série, possivelmente cobrindo o espaço deixado repentinamente por Hajime no Ippo. Esperamos que ela possa voltar com uma série longa no futuro.
E fechando a edição, temos o retorno triunfal de Dead Account. Assim como Odisseu voltando à Ítaca depois de mais de dez anos e inúmeras provações e desafios, Dead Account volta ao seu berço, a Shonen Magazine, após ser transferido para a Magazine Pocket em 2023 ao ser mais popular na plataforma digital que na revista física.
E lá Dead Account cresceu em popularidade na plataforma a ponto de se tornar um battle shonen longo e que até ganhou um anime de TV, atualmente em exibição. O anime em si está bem na média, mas é uma conquista interessante do autor que passou por esse processo de mudança. Ele inclusive recebeu um elogio de Hiro Mashima, a lenda por trás de Fairy Tail, dizendo que estava vendo o anime de Dead Account.
Muitos sonham com essa possibilidade para suas séries preferidas indo mal em revistas: “por que não mandar para a Jump+/Magazine Pocket/Webry?” e essa não é uma opção real ou que faça sentido para 90% dos casos. Dead Account ficou naquela exceção e chegou ao seu anime de TV, a marca de sucesso para um manga shonen das grandes revistas.
O autor até mandou uma mensagem na TOC dizendo algo como “Há quanto tempo!”. E aí, gostariam de ver mais casos do tipo nas revistas?
A matéria dessa vez fica por aqui. O site deve voltar a ficar mais agitado lá para Fevereiro, mas espero que quem acompanha a Magazine (ou as TOCs dela) esteja curtindo ou tirando algum proveito. Até a próxima, teremos uma nova mini série até, com um estilo meio Ruri Dragon. Não percam!
