Seo Kouji volta com uma nova comédia romântica, Ano Shima no Uminesou. O que o veterano traz com ele nessa nova obra? Blue Lock entrega um capítulo rabiscado… E o final de Kagari-ke, com mini review! Tudo isso e mais na nossa análise da Weekly Shonen Magazine, a segunda maior revista shonen do Japão. Começando pela TOC:
- Ano shima no Uminesou (Nova Série de Seo Kouji, Primeiras Páginas Coloridas) Ch. 01
- Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai (Página Colorida) Ch. 207
- Mokushiroku no Yonkishi Ch. 221
- Blue Lock Ch. 331
- Seitokai ni mo ana wa aru! Ch. 159
- Banjou no Orion Ch. 84
- Kanojo, Okarishimasu Ch. 408
- Suruga Meteor Ch. 45
- Kakkou no linazuke Ch. 280
- Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 82
- Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su Ch. 250
- Mayonaka Heart Tune Ch. 101
- Kanan sama wa Akumade Choroi Ch. 169
- Zero to Hyaku Ch. 08
- Kurotsuki no Yaergnacht Ch. 32
- Kagari no 8 Kyoudai (FIM) Ch. 34
- Yumene Connect Ch. 64
- Dream ✰ Jumbo ✰ Girl Ch. 29
- Gachiakuta Ch. 161
- Kyawaruri Hoteishiki (Mini Série Especial)
- Idolatry Ch. 23
Ausências: Kaijin Fugeki Ch. 65, Yowayowa Sensei Ch. 151, Sentai Daishikkaku Ch. 204, Hajime no Ippo Ch. 1512, Ahiru no Sora Ch. 616 (Hiato)


Pode surpreender, mas a capa foi para uma idol e não para o novo mangá do lendário Seo Kouji, com inúmeros hits na Shonen Magazine. O por que? Acho que justamente por ser algo “esperado” que ele volte. De qualquer forma, o mangá ainda ganhou um bom destaque na capa e, obviamente, as primeiras páginas coloridas.
Estamos falando de Ano Shima no Umine-sou, a mais nova comédia romântica do autor que recém terminou Megami no Café Terrace, e volta em poucos meses.
O mangá conta a história de Kazuma, um jovem que recém terminou a escola, e que é convidado por sua tia para viver e trabalhar numa pousada numa ilha remota. Com notícias recentes de que há um tesouro escondido na ilha, visitantes desesperados por dinheiro começaram a “invadir” o local, com a tia assim chamando seu sobrinho para servir de segurança para seu estabelecimento, que abriga diversas garotas.
Somos apresentados às residentes da pousada Umine, no maior tom de romcom possível, mas o foco é de uma heroína específica, Yuna. A estudante imediatamente mostra desconfiança e briga com Kazuma, que se mostra interessado no tesouro, algo que ela reprova.
O capítulo, com 64 páginas, continua a sua segunda metade com Yuna sendo atacada por alguns delinquentes que estão na ilha procurando pelas riquezas. Kazuma a defende e assim ganha sua confiança. Bem tradicional e tratado de forma cômica, com ele usando a técnica de Ami, personagem de Megami Café e assim criando um vínculo com a obra passada.
O capítulo termina com Yuna revelando que o tesouro é de sua família, que vive na ilha por gerações e que seu avô, no seu leito de morte, pediu para que ela o encontrasse. Kazuma concorda em ajudá-la e assim a premissa do mangá é apresentada.
Como podem ver, é um setup clássico para uma romcom, executado com maestria por um dos grandes nomes do gênero. Um protagonista conhecendo um lugar diferente, diversas heroínas atraentes, um plot para guiar aventuras e situações. A maior diferença em tom e estrutura em relação a Megami Café, trabalho anterior de Seo, é que o foco está bem maior em Yuna especificamente, com as demais heroínas não parecendo ser opções mais concretas de romance. Megami Café adotou algo próximo de Gotoubun no Hanayome, com cinco heroínas apresentadas de “forma igual” e um certo mistério em torno da escolhida. Aqui é claro quem é o foco.
Isso também aproxima Umine-sou dos trabalhos anteriores do autor, como Suzuka, Fuuka, etc, mas com o lado mais leve e de comédia que ele adotou em Megami Café. Além disso, obviamente ele tenta atrair os fãs de sua obra mais recente com uma conexão leve, que não aliena novos leitores, mas é um bônus para os antigos.
A recepção foi positiva, o nome do autor é basicamente uma “franquia” da Shonen Magazine, com a conta que promove seus trabalhos sendo “Seo Kouji Oficial” basicamente. É esperado que o mangá vá bem, mesmo que caia um pouco do patamar de Megami Café, já seria o suficiente para continuar serializado sem problemas. Se você gosta de romcom e quer ler uma nova com segurança de que não será cancelada, não existe aposta melhor que Umine-sou.

Sem a menor preocupação com a distribuição das páginas coloridas na revista, Kuroiwa Medaka é vice e uma arte em cores, promovendo seu novo volume.
A história tem seu progresso, mas ainda está longe do fim. Enquanto isso a revista lembrou de novo que teremos uma segunda temporada do anime, misteriosamente desaparecido. Minhas dúvidas continuam se houve alguma mudança na produção.
Fechando o pódio, Mokushiroku no Yonkishi está merecidamente em destaque por começar uma das batalhas mais aguardadas por seus leitores. São anos de construção até aqui e existe grande expectativa para as lutas que estarão em destaque nos próximos meses.
Em quarto lugar, Blue Lock entrega um capítulo com várias páginas incompletas, com apenas os sketch, sem a finalização da arte. A revista deixou um pedido de desculpas junto do capítulo.
Quem acompanha mangá semanal já sabe das dificuldades de produção. São 18~20 páginas que precisam estar prontas para impressão nessas revistas toda semana. E embora a Magazine seja bem mais relaxada e permita mais paradas para seus autores, ainda é um trabalho muito puxado.
Blue Lock está num arco de partida atrás de partida, com quadros detalhados e muitos personagens. O artista também está trabalhando no mangá desde 2018. Quanto mais tempo passa, mais difícil geralmente fica, já que artistas ficam com trabalho carregado por anos.
Não é comum capítulos assim em Blue Lock e não acredito que se tornará algo corriqueiro. ao menos por enquanto. Porém se isso acontecer mais vezes, devemos ver Blue Lock mais vezes ausente da revista. A Magazine é mais permissiva com isso, como podemos ver com Ippo, mas eles ainda querem sua obra mais popular e carro chefe (Blue Lock) o maior número de vezes possível nas suas edições.
Quinta posição para um capítulo bacana de Seitokai ni mo Ana wa Aru. O anime não chega, mas os produtos não param — nessa última semana até pelúcias da comédia já anunciaram. Sei que todas as empresas envolvidas estão doidas para esse anime sair.
Banjou no Orion, o sexto colocado, continua sua trajetória de excelência. Achar comentários para fazer é difícil pelas poucas novidades da obra no momento, mas continua firme e forte.
Sétimo da vez, Kanojo, Okarishimasu continua colocando Kazuya cada vez mais no inferno! Teremos um ano difícil para o protagonista. Fora isso, o marketing está já promovendo bastante a futura quinta temporada da adaptação.
Suruga Meteor com mais uma qualificação positiva, oitavo agora. E o capítulo da semana começa um arco para recrutar um novo membro para o time de baseball, focando num plot introduzido já lá no capítulo 2 do mangá. O planejamento continua dando confiança para a obra, que o autor trata como um spokon daqueles tradicionais que duram centenas de capítulos.
Nona colocação para Kakkou no Iinazuke, que pelo desenrolar da história planeja ser a próxima romcom a bater os 300 capítulos. Contagem regressiva para a marca.
Décimo lugar, Ao no Miburo está com anime em exibição, mas o mangá não ganha boost. É uma fenômeno interessante e diferente esse moderno de algumas adaptações serem bem recebidas, mas esse público simplesmente não migrar para o mangá (aconteceu com Witch Watch). Talvez leiam online, a gente não sabe pela falta de números.
Shangri-la Frontier, em décimo primeiro na TOC, bate os 250 capítulos. Muito longe de aonde a web novel está, o mangá será um dos carros chefes da Shonen Magazine ao longo da década toda. Tirando questões de saúde (que não parecem estar em voga ainda), a obra tem tudo para ser um pilar importante para muitos anos ainda.
Com dois episódios, o boost físico não deu as caras ainda para o décimo segundo colocado, Mayonaka Heart Tune. Porém os volumes anteriores do mangá estão com rankings na Amazon acima de vários volumes recentes de outras obras, sugerindo que algumas centenas de leitores estão aparecendo. Nada para quebrar a banca, mas nada desesperador.
O anime continua naquele estilo mediano, com ótimas atuações. A abertura tem algumas idéias legais, mas seu ponto principal é mesmo a música de Hoshimachi Suisei, que é bem popular e pode atrair fãs novos. É curioso que as seiyuu não cantaram nem a ending, mas elas terão bastante espaço com as insert song ao longo do anime. Também foi interessante de ver que tanto anime e mangá tiveram capítulos focados em Rikka — sinergia é algo interessante de se ver.
Décimo terceiro lugar, Kanan-sama continua com os capítulos episódicos. A minha impressão é que o autor quer que sejam capítulos “acessíveis”, visando novos fãs que cheguem pelo anime. Kanan já teve arcos longos, mas acho que, ao menos por um tempo, devemos continuar nessa toada mais light.
Zero to Hyaku é o décimo quarto do grid com o climax da partida em andamento. O autor tentou corrigir um problema típico das spokon modernas nas revistas shonen: a demora para a realização de partidas.
Construir um spokon é difícil porque geralmente os protagonistas são azaroes, então o cenário precisa ser feito de forma que um crescimento seja crível, mas muito treinamento e foco na construção do time sem partidas é algo que cansa os leitores modernos. Não só por não terem paciência, mas eles tem acesso à décadas de obras já completas e de qualidade, então se querem pular logo pro “prato principal”, vão preferir ler um Slam Dunk, Daiya no A, etc que acompanhar o semanal de um novato.
Mas esse rumo mais rápido para uma partida mais detalhada não parece ter impactado muito. O mangá continua com poucas interações em todas as plataformas e o cenário continua incerto até ter suas vendas. Talvez o público se interesse de apoiar mais por lá.
Posição mais baixa para Kurotsuki no Yaergnacht nessa semana, décimo quinto. Porém, contudo, no entanto… ganhará as primeiras páginas coloridas da próxima edição sem nem ter outro volume saindo ainda. Digno para o maior sucesso de 2025, que celebra 150 mil cópias em circulação com dois volumes.
Kagari-ke é o décimo sexto com seu capítulo final. Falarei mais sobre a obra no review depois da TOC.
Típica colocação para Yumene Connect, é o décimo sétimo. O ecchi mantêm vendas decentes, principalmente no digital, mas está abaixo de Kanan-sama e Yowayowa Sensei dentro da hierarquia dos ecchi da revista, portanto costuma aparecer mais para o fim.
Décimo oitavo lugar, Dream Jumbo Girl também está na normalidade. Está seguro, mas mais nessa posição intermediária baixa.
Antepenúltimo, Gachiakuta continua com uma grande batalha com revelações e pontas para desenvolvimentos futuros. Quem acompanha as matérias da Magazine no site já sabe, Gachiakuta é figurinha regular no final da revista, mas não está nunca em risco algum.
E após um oneshot, Idolatry pega de novo a última posição. Ruim para o mangá, que agora não terá mais almofadas. Veremos quanto chegar uma próxima leva (algo que pode levar um bom tempo na Magazine) e como a revista continuará marcando a obra na TOC para termos noção melhor do seu futuro.
REVIEW: KAGARI-KE NO 8 KYOUDAI

Como falado no review de Yashou no Kito do artigo anterior, a Weekly Shonen Magazine possui um interesse óbvio em expandir sua base de leitores. Apesar das demografias definirem muito do que é visto em cada revista, elas ainda querem o maior número possível de leitores e, portanto, expandem suas line-ups para atenderem demandas diferentes. Ou ao menos tentam.
Kagari-ke no 8 Kyoudai foi claramente uma tentativa de trazer algo com um pouco mais de apelo ao público feminino que também gosta de shonen. Não que dê para generalizar o que todo mundo gosta ou não, mas a idéia é de apresentar algo um pouco fora da linha atual e ver se é atrativo para outros grupos além dos que já compram a revista.
A história segue a pobre jovem Ito que está em busca de um emprego e acaba virando a empregada da mansão Kagari, uma família de monstros que também é um centro de atendimento para cuidar de outros seres sobrenaturais, que tentam conviver com humanos.

A premissa lembra a de obras como o clássico shoujo, Fruits Basket, e tem até umas pitadas de subtexto romântico, mas o foco maior ainda foi nos casos, que contavam com elementos de mistério e batalha — de arte fantástica inclusive, como exemplo acima.
Cada um dos arcos abordava a situação específica de um monstro e a dificuldade de convívio com os humanos, sempre num tom emocional, mas também esperançoso de um dia a coexistência ser possível para todos. Tivemos desde casos de serial killer até simples histórias emocionais como a de um jovem monstro que é adotado como neto de uma senhora humana nos seus anos finais de vida.
Um dos pontos mais fortes de Kagari-ke é justamente a capacidade do mangá de conseguir variar bastante em termos de tema e tom, mas sem perder a essência do que o faz interessante. Ito é basicamente uma “pedra” que nunca se rende às situações e que assim encoraja os membros da família Kagari a vencerem as batalhas ou resolverem os problemas que precisam de uma força física ou mágica maior.
Cada membro da família titular também possui seu próprio nicho, com personagens que lutam, outros que investigam, outros mais focados nas políticas da casa, etc. Designs criativos e com corpos e rostos bem distintos. Além de cada arco dar espaço para membros diferentes terem seu foco. Existia um problema porém deles serem pouco explorados em relação a Togo, o parceiro mais recorrente da protagonista nas histórias.
É uma crítica a se fazer quando o título traz a família como foco e sinto que não vi muito dela nesses 30+ capítulos. Claro, seria algo que viria com o tempo, mas autores de revistas grandes precisam ter um pacing um pouco mais rápido.
Tecnicamente falando, Kagari-ke sempre foi elogiado pela arte belíssima e boa quadrinização. E seu roteiro e personagens eram regularmente elogiados por “serem bem diferentes do que há na revista atualmente”.
Mas aí que está também seu maior problema para o cancelamento… A diferença grande demais do público.
Não é errado tentar apresentar mais obras em estilos diferentes e diria que Kagari-ke possuia a qualidade para a aposta, mas infelizmente ele nunca encontrou leitores o suficiente. Sem nem ter sido criticado direito, o mangá sofreu para chamar atenção e teve poucas chances desde o começo.
Talvez também fosse o caso de ser uma obra na Magazine Pocket, que tem um público mais distinto da revista principal, mas o mangá não deu certo. Podem ser que os designs não combinaram com o que os leitores queriam ou a protagonista não lutadora, mas a série bateu nessa barreira. Existe até a possibilidade do contraste dos elementos mais sombrios e batalhas terem entrado em conflito com quem só gostaria de ler uma série slice of life de monstros.
Dito isso, o mangá teve um daqueles finais cancelados mais insatisfatórios. É difícil de culpar o autor da obra, que sempre precisa pensar bem que caminho tomar nessa situação, mas acaba de forma repentina e sem solucionar muito do apresentado antes. Um arco final mais simples poderia ter encerrado de forma mais redonda.
No fim, Kagari-ke foi uma leitura agradável e competente, mas que passou muito tempo apresentando personagens e prometendo desenvolvimentos futuros que não vieram pelo seu cancelamento. Consigo ver uma obra de sucesso para o autor Sora Daichi, só não sei dizer se isso seria possível nas páginas da Magazine, sem perder a identidade de sua arte.
Mangá como mídia é tanto uma forma artística, mas também parte de uma indústria aonde lucros definem continuidade e rumo de suas obras. Achar uma balança entre a visão do autor e a popularidade necessária para manter o mangá em andamento é algo muito difícil. E também é difícil para uma revista não abandonar sua própria identidade — que não significa todo mangá ser igual, porque essa generalização é burra também, ao mesmo tempo que quer expandir sua gama de demografias e temas.
Desejo sorte para que o autor ache um espaço aonde possa contar uma história completa, ao mesmo tempo que consiga trabalhar melhor com um grande elenco. A premissa foi interessante, mas acredito que balanceando melhor tons e personagens possa entregar algo ainda mais concreto no futuro.

