E com uma bela capa, saiu o anime de Mayonaka Heart Tune! Como foi o debut de mais uma investida da Magazine nas romcom? Além disso, o final (?) repentino de Yashou no Kito, com um pequeno review! Isso e muito mais na nossa análise da Weekly Shonen Magazine, a segunda maior revista shonen do Japão. Começando pela TOC:
- Mayonaka Heart Tune (Capa, Primeiras Páginas Coloridas) Ch. 100
- Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 81
- Kakkou no linazuke Ch. 279
- Dream ✰ Jumbo ✰ Girl (Página Colorida) Ch. 28
- Blue Lock Ch. 330
- Sentai Daishikkaku Ch. 203
- Kanan sama wa Akumade Choroi Ch. 168
- Zero to Hyaku (Página Colorida) Ch. 07
- Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai Ch. 206
- Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su Ch. 249
- Kanojo, Okarishimasu Ch. 407
- Gachiakuta Ch. 160
- Banjou no Orion Ch. 83
- Yowayowa Sensei Ch. 150
- Seitokai ni mo ana wa aru! Ch. 157
- Mokushiroku no Yonkishi Ch. 220
- Suruga Meteor Ch. 44
- Kagari-ke no 8 Kyoudai Ch. 33
- Kyawaruri Hoteishiki (Oneshot)
- Kaijin Fugeki Ch. 64
- Yumene Connect Ch. 63
- Yashou no Kito Ch. 32 (FIM)
- Idolatry Ch. 22
- Watashi Yori mo Otona ni Naru na! (Oneshot)
Ausências: Kurotsuki no Yaergnacht Ch. 32, Hajime no Ippo Ch. 1512, Ahiru no Sora Ch. 616 (Hiato)

Raríssima capa de mangá nessa edição para celebrar o início do anime de Mayonaka Heart Tune! Além disso ganha aquela habitual página dupla de abertura, assim dando duas artes coloridas diferentes bem legais para seus fãs.
Como sabem, capa de mangá significa APOIO e CONFIANÇA do editorial. Acreditam que MayoTune pode ser um grande sucesso com seu anime e assim ganha o destaque raro, já que é mais lucrativo para a revista colocar modelos ou idols na capa geralmente.
Quanto ao anime em si, ele foi uma produção mediana em termos de animação como esperei. As cores e direção dão uma ajuda, mas é um direção de arte na média mesmo. Nada desastroso como o anime de Kuroiwa Medaka porém e a maioria das críticas que vi quanto a isso vieram mais de fãs ocidentais do mangá do que de gente conhecendo a série pela primeira vez — inclusive vi vários surpresos com algumas críticas nesse sentido.
As impressões inicias parecem positivas principalmente pelo Arisu. É assim como no mangá, ele traz um elemento mais incomum à obra com sua personalidade tão forte quanto a das heroínas. Enquanto o primeiro episódio apresenta cada uma das quatro garotas e suas metas, o foco e aprofundamento de personagem nele é no Arisu mesmo.
E como falei por meses antes do anime sair, as atuações eram mais importantes que qualquer outro aspecto da adaptação. Dá para dizer que Rikuya Yasuda vestiu a camisa e foi uma ótima escolha para o pomposo e confiante Yamabuki, já as garotas todas desempenharam bem, mas terão seus momentos chaves para se destacar. No geral parecendo um bom casting.
Quanto aos resultados? No momento, não parece nada demais. Os volumes anteriores tiveram um certo boost na Amazon, subindo às posições mais próximas dos lançamentos menores mensais, mas na Shoseki só o volume mais recente se beneficiou agora do anime, provavelmente vendendo mais para alguns fãs que não compraram os volumes mais novos ainda e foram “lembrados”.
De qualquer forma, cada vez mais boosts começam a vir tarde, com algumas obras como Tougen Anki e Sakamoto Days sendo exemplos de mangá com boost pós-anime, quando os novos fãs que estavam acompanhando a adaptação decidem continuar a história com a leitura do original.
Teremos uma imagem mais clara do patamar de MayoTune pós-anime com os próximos meses e seguirei trazendo informações. Quanto ao mangá, achei sensacional o timing da capa e anime chegarem junto do capítulo 100. Tudo planejado bonitinho (e CEDO).
O vice foi para Ao no Miburo que é outra série da Magazine com um anime em exibição. O boost parece não estar vindo para o mangá histórico do Shinsengumi também, mas ele já estreou MUITO bem na TV. Com mais de 4 pontos no “ibope” japonês, sendo o 4° anime mais assistido na sua primeira semana.
A semana seguinte também teve Ao no Miburo no top 10 entre os anime mais assistidos da televisão japonesa. É aquilo, o anime tem um horário excelente para a exibição e atrai um público mais casual, que não tem muito interesse em mangá, mas gosta de obras televisivas do Shinsengumi, como muitos drama.
É um aspecto único de Ao no Miburo, mas que traz diversidade à linha Magazine, que não pode se limitar apenas às séries longas já estabelecidas (como Ippo e Nanatsu) e romcoms.
Fechando o pódio, Kakkou no Iinazuke aparece em destaque com um dos seus melhores capítulos, focando na história dos pais do protagonista Nagi. Foi algo fora do comum e bem escrito, aparentemente também começando outro plot dentro do contexto geral do mangá. Muito Kakkou no Iinazuke pela frente.

Com uma posição alta (quarto) e uma página colorida, a mensagem aqui é clara: Dream Jumbo Girl terá muito apoio editoral em 2026.
O mangá não é nenhum titã de vendas, mas é amado pelos leitores semanais da revista e pelo público da Magazine Pocket. É símbolo de mudanças de forma de consumo já que sua popularidade e recepção são claramente superiores ao que suas vendas implicam, assim os editores apoiam a obra que é uma das que agrada esses leitores semanais que os apoiam tanto com as revistas quanto usando seu principal serviço digital.
Em quinto lugar, Blue Lock começa uma das partidas mais aguardadas pelos seus fãs. Quem leu a matéria passada sabe da importância do ano de 2026 para a franquia, então o lado do mangá também trará muitos momentos e embates para manter Blue Lock entre uma das maiores obras do mercado japonês.
Sentai Daishikkaku está na sexta posição em mais um capítulo bombástico, deixando a meta da “missão final” dos protagonistas clara. Começando também um flashback que pode responder as últimas questões da história. Devemos ter mais alguns meses com D e os Dragon Keepers.
Sétima colocação de destaque decente para Kanan-sama, que continua em ciclo promocional do anime, com mais artes e designs sendo revelados basicamente toda semana. O investimento na adaptação parece alto e não será surpresa se Kanan ganhar uma capa para seu lançamento também.

Zero to Hyaku ganha páginas coloridas para anunciar que seu primeiro volume sai em fevereiro, além disso é uma partida na qual o autor pode demonstrar sua impressionante qualidade de desenho, com momentos chaves para os personagens.
A forma com queo autor demonstra habilidade física e a forma do corpo durante ela é o aspecto mais poderoso de Zero to Hyaku. Existe uma elasticidade que ao mesmo tempo impressiona, mas é realista. É algo que traz o fantástico que existe no esporte real. É raro de se ver em spokon, que muitas vezes exageram ao ponto da fantasia para demonstrar a força de seus personagens.
Dito isso, Zero to Hyaku ainda continua “morno” em termos de volume nas redes. Mas veremos se ele pode se sair melhor que outras investidas recentes no esporte recente, como Love Forty e Suruga Meteor. O basquete é um esporte que muitas vezes se dá melhor na demografia shonen, então existe essa esperança.

Capítulo importante para a história no nosso nono colocado, Kuroiwa Medaka. Talvez seja o tom do ano.
Já Shangri-la Frontier continua com um dos seus focos de batalha, na décima posição. Não sei o que rola depois na web novel, mas a impressão que tenho no momento é que esse é só o começo de um longo arco. Posso estar errado, mas é o que me aparenta.
Nosso querido Kanojo, Okarishimasu é o décimo primeiro da TOC em mais um capítulo caótico no qual todas as pessoas no entorno do Kazuya parecem a própria Liga da Injustiça.
E o mangá chegou às 15 milhões de cópias em circulação global! De 13.5 milhões em Abril de 2025 para 14 milhões em Setembro de 2025 e agora 15 milhões em Janeiro de 2026. Esse aumento mais acelerado deve vir bem por causa da consistência em trazer novas temporadas para a série, com uma em 2025 e outra já anunciada para 2026.
A produção faz com que editoras ao redor do mundo se interessem em trazer mais cópias da série para seus mercados. E seja como for, Kanokari tem a fama e vendas para justificar essas cópias. Inegavelmente um dos grandes sucessos da Magazine na história.
Gachiakuta, ainda bem, sai um pouco da parte do fundão. É o décimo segundo, ali na meiuca. Também entrega um capítulo bem importante para a história e com um gancho que deixa qualquer fã ansioso para o próximo capítulo.
O fim do anime veio, então é um momento ideal para trazer elementos narrativos que manterão os leitores interessados em continuar a seguir a história.
Décimo terceiro da edição, Banjou no Orion continua com o seu padrão de ser ótimo. É um comodismo que todos gostariam de ter.
Na décima quarta colocação, Yowayowa Sensei, diferente de Kanan-sama, parece não ter começado ainda o marketing de seu anime. Os dois saem em Abril, então está demorando um pouco para trazer mais informações. Talvez cheguem em algum evento ou algo do tipo.
Já Seitokai ni mo Ana wa Aru, o décimo quinto colocado, não está com o anime com data ainda. Mas esse é o caso mais provável da produção ser de altíssima qualidade e a demora vir de esperar todos os animadores para o projeto. Acontece, mas quando o anime vier, terá grandes chances de um boost acima da média.
Mokushiroku no Yonkishi aparece em décimo sexto com um capítulo muito interessante: completamente sem falas! Aqui no site a gente fala, mas a habilidade artística de Nakaba em quadrinização, movimento e expressão é subestimada por muitos. O cara é um dos melhores da indústria nisso e trouxe todo o final da preparação da guerra nesse capítulo que passou tudo que acontece, os sentimentos dos personagens e ambientação por meio de imagens apenas. Sensacional.
Décimo sétimo lugar, Suruga Meteor veio com um daqueles capítulos de comédia clássicos de spokon após o time dos protagonistas ter derrotado um grande rival. O ritmo da história é de uma obra que se sente segura para ser uma daquelas spokon de centenas de capítulos. Pode ser confiança do autor ou dos editores, não sabemos ainda, mas no momento o mangá não parece correr risco.
Kagari-ke continua a marcha rumo ao fim, resolvendo mais aspectos da história e aparecendo em décimo oitavo na TOC.
Após um oneshot, Kaijin Fugeki aparece, por questões de rotação, em vigésimo na edição. Nada demais e é um capítulo com menos ação e mais focado em interações entre os personagens.
Yumene Connect, embora seguro no momento, costuma figurar mais próximo do fim. Tanto em termos de popularidade, que é consistente, mas nicho; quanto em termos de conteúdo, sendo o ecchi mais “hardcore” de todas as revistas shonen. O capítulo dessa semana mesmo não sairia na Jump ou na Sunday.
Capítulo final repentino para Yashou no Kito, falarei mais sobre no fim.
Uma ruim penúltima posição para Idolatry, ficando acima apenas de um oneshot. É ver agora se nas próximas semanas a obra começa a ranquear um pouco melhor pela sua nomeação ao AnimeJapan. Se não, ficará quase sempre ao fundo mesmo.
REVIEW: YASHOU NO KITO

Uma história clássica de aventura e fantasia, Yashou no Kito (Kito the Nightbell, em inglês) é um mangá sobre o titular Kito e o ex-escravo Roan e uma guilda de magos que viaja um mundo que discrimina usuários de magia enquanto procuram caixas mágicas chamadas Pandora. Cada reino com sua cultura seria seu próprio arco e aventura.
Numa revista que cada vez mais depende do público masculino mais velho, fãs de romcom, e outros nichos, a Magazine trouxe obras mais destinadas à demografias diferentes. Não que Kito seja especificamente escrito para mulheres, é uma história de fantasia com batalhas, num estilo tradicional para a revista que já abrigou Fairy Tail, mas seu traço e personagens claramente trazem aspectos que podem apelar mais à mulheres que as outras obras da revista que pendem para o público masculino mais que a média.
É completamente normal que revistas queiram ter obras de vários estilos e apelos. Então Kito chegou nesse contexto junto de Kagari-ke e algumas outras obras que visavam diversificar mais a line-up da Weekly Shonen Magazine.
Então por que Kito acabou cedo? Aqui chega a maior crítica ao mangá.

Muita gente, até quem gostou da história, comentou nos sites japoneses que a leitura era difícil pelos quadros apertados e quantidade de informação em cada um. Deixando assim difícil de entender o que acontecia ou “pesado” demais.
Sei que muitos leitores ocidentais acham “frescura”. Se a arte é tão bonita quanto Kito, por que isso seria um problema? A questão aqui é que os leitores japoneses se importam MUITO com isso. A razão é simples: é uma mídia visual e eles tem milhares de mangá à disposíção, então se você comprou a Magazine e viu páginas difíceis de entender, ainda tem 20 outros mangá para ler. Já um leitor da Magazine Pocket tem centenas de obras à disposição.
E, sim, a arte em Kito é sensacional, mas até quem trabalhou no mangá teve noção do tamanho das críticas quanto a isso. O volume 1 foi redesenhado para deixar os quadros maiores, mais simples de entender e com menos informação visual de fundo como cenários detalhados demais.
No entanto, a obra nunca se recuperou desse capítulo 1. Então não é como se tudo que veio depois pudesse ser avaliado por essa métrica, já que a maioria nem leu.
Eu li do começo ao fim e a autora melhorou muito nesses aspectos, então foi uma pena não ver isso refletido num crescimento de popularidade. A história trouxe mais elementos interessantes, como grupos diferentes, e o primeiro arco num outro reino teve tons que me remetiam a Magi, com uma aventura de fantasia e várias batalhas que revelam os problemas de um país alheio aos nossos protagonistas.

O final da obra foi claramente modificado pelo seu cancelamento, com um flashback começando revelando as origens de Kito e alguns dos elementos mais importantes da história.
E o flashback foi até o final, terminando em um romance inesperado. A obra preferiu adotar um “final não final” que rushar alguma conclusão ou inventar um arco concluindo as aventuras que nunca vimos que haviam sido prometidas no começo. Em certo sentido, é uma decisão respeitável autoral, mas que claramente deixa um feeling de “inacabado” (que é, de fato, o que acontece com um mangá cancelado).
Sendo sincero, eu tive que pesquisar em vários lugares para ver se a obra acabou REALMENTE. O “fin” não me parecia o final da obra e muita gente parece confusa, já que acaba como se fosse apenas um capítulo normal. Mas pelo que tudo indica, foi o final sim. Eu tenho até certo receio da próxima edição chegar e Kito aparecer lá, fazendo com que esse texto seja prematuro, mas acredito que é o final mesmo.
Então é, não sei os próximos passos para a autora. Ela é uma ótima artista e exala paixão pela sua história, mas trabalhos futuros precisarão focar em trazer isso numa forma mais compacta para que os leitores possam aos poucos acompanhar uma grande aventura. Começar pequeno e crescer. A Magazine Pocket pode ser até um lugar ideal para se iniciar, mas desejo boa sorte para os futuros trabalhos dela.

