Feliz Ano Novo! Por aqui ainda temos o artigo da edição final (dupla) da Magazine de 2025 com destaques como: hiato de Hajime no Ippo e a operação Blue Lock para 2026. Tudo isso e mais na nossa análise da segunda maior revista shonen do Japão, a Weekly Shonen Magazine. Começando pela TOC:
- Blue Lock (Primeiras Páginas Coloridas) Ch. 329
- Kakkou no linazuke Ch. 278
- Mokushiroku no Yonkishi Ch. 219
- Sentai Daishikkaku Ch. 202
- Shangri-La Frontier ~Kusoge Hunter, Kamige ni Idoman to su Ch. 248
- Kanojo, Okarishimasu Ch. 406
- Kanan sama wa Akumade Choroi Ch. 167
- Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsujinai (Página Colorida) Ch. 205
- Kaijin Fugeki Ch. 63
- Mayonaka Heart Tune Ch. 99
- Suruga Meteor Ch. 43
- Kurotsuki no Yaergnacht Ch. 31
- Ao no Miburo: Shinsengumi hen Ch. 80
- Zero to Hyaku Ch. 06
- Idolatry (Página Colorida) Ch. 21
- Dream ✰ Jumbo ✰ Girl Ch. 27
- Kyawaruri Hoteishiki (Oneshot)
- Kyuketsuki to Erufu wa Kyo mo Futsu ga Wakaranai (Oneshot)
- Juujika no Rokunin (Capítulo Especial de Série da Magazine Pocket)
- Gachiakuta Ch. 159
- Yumene Connect Ch. 62
- Hajime no Ippo Ch. 1511
- Ojou sama wa Nagurareta Garu (Oneshot)
- Yowayowa Sensei Ch. 149
- Yashou no Kito Ch. 31
Ausências: Kagari-ke no 8 Kyoudai Ch. 33, Banjou no Orion Ch. 83, Seitokai ni mo ana wa aru! Ch. 157, Ahiru no Sora Ch. 616 (Hiato)

Terminando 2025 com uma capa de idol, as primeiras páginas coloridas ficam com o pilar Blue Lock, em promoção para as novidades da série em 2026.
É mais que natural o mangá mais popular de uma revista pegar as páginas coloridas iniciais de vez em quando, mas dessa vez o contexto é bem claro: 2026 é ano de investir pesado em Blue Lock. O mangá, que está naquela queda natural de vendas de séries longas que já tiveram anime, tem uma vantagem grande de ser de futebol e ter o privilégio de um boost a cada quatro anos pela Copa do Mundo.
Pessoas ficam loucas por futebol e a obra se beneficia disso. Então já preparados para o ano, estão promovendo aqui que o ano terá uma nova temporada de anime e uma adaptação live action do mangá. A revista traz inclusive alguns detalhes especiais dos cenários, roupas, etc, já criando um hype para isso.
Sei que esses live action de anime não são tão populares fora da Ásia e alguns podem pensar “mas isso ajuda mesmo?”. E, sim, ajuda. A generalização de que todo japonês é fã de anime é obviamente errada, então esses live action são formas de apresentar obras para um público mais mainstream e muitas vezes isso funciona ainda mais que um anime. Um caso famoso é Kingdom, que teve um boost muito maior pelos seus filmes live action que seu anime.
Dito isso, é improvável que Blue Lock explode mais com o filme que o anime, que já foi um sucesso enorme. Porém é uma boa medida para tentar atrair vários públicos diferentes com um timing excelente quando futebol estará na boca do povo.
E para o mangá, também hypam que será o ano do arco da Copa do Mundo sub-20 que já está em andamento e terá várias das partidas mais aguardadas pelos fãs. Cobriram todos os espaços para promover um 2026 saudável para o pilar da Shonen Magazine.
O vice é Kakkou no Iinazuke que introduziu um plot que pensei por um segundo: “seria isso uma forma de puxar arcos finais?”, mas já fui tantas vezes enganado por isso com esse mangá que logo descartei a idéia. Só acredito vendo, não dá para acreditar sempre no menino gritando lobo.
Fechando o pódio, Mokushiroku no Yonkishi está prontinho para entrar na sua Guerra Final, com vários personagens de Nanatsu no Taizai aparecendo e tudo mais. Mesmo assim, a tal guerra final deve durar o ano todo e mais um pouco, com lutas diversas para todos os personagens praticamente.
Caminhando rumo ao final, Sentai Daishikkaku recebe um forte quarto lugar. Ainda devemos ter meses para essa luta final, mas é improvável que a série passe de 2026. Pelo ritmo absurdamente acelerado da season 2 do anime, também acho improvável termos mais da adaptação.
Na quinta colocação, Shangri-la Frontier está numa batalha importante e com essa TOC mais tradicional, é inevitável que o segunda mangá que mais vende da revista fique lá para cima.
Caso similar ao do popular Kanojo, Okarishimasu, que dá suas caras como sexto da edição. Mais um capítulo que dá os caminhos que serão traçados pela comédia romântica em 2026, aparentemente com foco nas tramas de Mami e Ruka. Outro fato interessante é que apesar de todos esses anos de publicação, o autor Miyajima foi o único que não teve uma pausa sequer no ano! Por fim, o anime ganha outra temporada nesse ano.
Sétima posição para Kanan-sama, em modo de espera para Abril, quando seu anime chegará e deve elevar a popularidade da obra. Os capítulos andam bem casuais e episódicos recentemente, embora o mangá já tenha feito alguns arcos longos. Talvez uma forma de atrair novos leitores no momento.

Kuroiwa Medaka é o oitavo lugar e recebe uma página colorida de Natal. Considerando a importância das romcom para a Shonen Magazine, alguém PRECISAVA fazer uma arte de heroínas com tema natalino e ficou para a obra que, apesar de um anime decepcionante que pouco o boostou, ainda manteve uma popularidade decente, com vendas físicas acima da média do mercado moderno e ótimos números na Magazine Pocket.
O mangá ainda parecia que receberia sua segunda temporada logo considerando a produção simples, mas está demorando e nem temos notícias dela até agora. É possível talvez que estejam tentando melhorar as coisas, mas é mais provável ainda só que sejam problemas de agenda e produção. Pena.
Nono colocado, Kaijin Fugeki também na primeira metade da revista após um ano de consolidação como um mangá de boas vendas e potencial de crescimento futuro, com seu arco acabando certinho na última edição do ano.
Décimo da vez, Mayonaka Heart Tune ganhará uma das raras capas de mangá na próxima edição da revista, celebrando início de transmissão de seu anime. E por causa do timing será a primeira edição do ano do calendário 2026, além do capítulo 100 de MayoTune! O planejamento do editorial foi bom e saber aliar isso à paradas para descanso dos autores é algo a ser elogiado da forma que a Magazine conduz o ritmo de trabalho para seus autores.
A matéria aqui está saindo no mesmo dia do primeiro episódio, mas antes da transmissão dele, então comentários sobre o anime e a recepção ficarão para o artigo que vem.
Suruga Meteor continua com prestígio e é o décimo primeiro do grid. Na nova Shoseki será registrada uma “queda” grande de vendas do volume novo em relação ao anterior, mas não é bem assim de fato.
Explicando, os rankings da Shoseki semanais são baseados nos 500 volumes que mais venderam. Portanto não sabemos tudo que vende no mercado porque se o mangá foi o 501°, automaticamente fica fora da lista. E nesse mês de Dezembro, com feriados e presentes sendo comprados, várias séries grandes como Kimetsu no Yaiba tiveram vários de seus volumes antigos ranqueando, assim puxando séries “novas” menores para fora do ranking.
Por exemplo, o volume novo de Suruga Meteor pode ter vendido mais 1100 cópias na 2a semana, o que garantiria um top 500 geralmente, só que com 20 volumes de Kimetsu vendendo 1500 cópias cada, ele perde posições. E isso ocorreu com várias séries, além de lançamentos, etc. O que colocou Suruga pra fora.
“Mas isso não significa que as vendas são ruins?”, pode-se até falar isso, mas estamos falando de um mercado que essas diferenças pequenas começaram a ser importantes para avaliação das séries. Suruga Meteor não vende muito mesmo, mas vai bem na plataforma digital da Magazine Pocket e exibia um crescimento leve nas vendas físicas. Os editores claramente acreditam na série e promovem mais do que o esperado para suas vendas, mas o ponto é que ele não “perdeu metade dos leitores” de um volume para o outro.
Em décimo segundo lugar, o hit de 2025: Kurotsuki no Yaergnacht. Com o mangá sendo um hit garantido, a narrativa claramente desacelerou daquele ritmo inicial de mangá shonen querendo chamar atenção/sobreviver e agora está permitindo uma exploração mais lenta dos personagens e tudo mais.
É ver agora como o battle harem será promovido em 2026, se ganhará promoções mais próximas as que Kaijin Fugeki recebeu, preparando-o como uma das peças principais do futuro da Magazine.
Bem no meio da revista temos Ao no Miburo, em décimo terceiro. Capítulo mais leve após vários pesados, enquanto isso o anime está em exibição e, pelo visto, não deve melhorar muito as vendas do mangá, com sua popularidade sendo centralizada em produtos auxiliares.
A décima quarta posição vai para Zero to Hyaku, o novato de baseball. O mangá está na sua “primeira partida” e o autor está precisando demonstrar que sua ótima arte pode ser usada para a construção de partidas narrativamente interessantes. Está bom por enquanto, mas claramente ainda não chegamos no ápice do que ele planeja para essa partida.
Quanto à popularidade, o mangá esteve gratuito na Magazine Pocket esses dias e o número de comentários cresceu MUITO em relação aos capítulos pagos (mais de 10x), mas mesmo assim não são números que demonstram um hit imediato. Agrada aos fãs de spokon tradicionais, que torcem pela sobrevivência da série, mas a disparidade com o capítulo pago me faz pensar que o “momento da verdade” será quando o volume 1 chegar e ver o quanto vende.
De qualquer forma, o mangá ganhará uma página colorida promocional na próxima edição por popularidade, indicando apoio editorial no momento. Merecidamente terá seu tempo para se provar.

Com uma página colorida, mas posição não muito alta, Idolatry é o décimo quinto. Está claramente naquela posição de “observação” por parte dos editores, já que tem algumas métricas decentes (ranking digitais, Magapoke) e outras fracas (vendas).
O volume 2 caiu no mesmo problema de Suruga Meteor, não entrando na semana 2 do Shoseki. É bem ruim para o mangá não mostrar crescimento logo ali e a manutenção fica a cargo dos editores, se encontram nele algo igual viram em Suruga.
No entanto, o mangá conseguiu ser nomeado para o prêmio de “Mangá que queremos adaptados em anime” para o Anime Japan 2026, o maior evento da indústria de anime no Japão. Isso pode ajudar a série internamente se os editores virem na nomeação uma chance de crescimento ou demonstração de popularidade digital. Ainda mais com alguns posts ocidentais sobre o mangá ganhando atenção. É ver as próximas TOCs, dependerá também de quantas séries serão canceladas e a possibilidade de encerramentos naturais na próxima leva.
Décimo sexto lugar para Dream Jumbo Girl, com o mangá seguro para 2026 e ganhando página colorida na próxima edição. É ver se tem chance da obra ganhar outra adaptação absurdamente rápida igual a Kanojo mo Kanojo, também do autor Hiroyuki, que recebeu o anúncio com menos de um ano de publicação.
Após dois oneshots e um capítulo promocional de Juujika no Rokunin, um dos queridinhos da Magazine Pocket, temos Gachiakuta na vigésima posição.
As baixas aparições na TOC destoam do tratamento de luxo que a IP recebe, com um anime de duas cour de alta qualidade da Bones, segunda temporada já anunciada, peça teatral e um jogo para consoles. A única coisa que significa é que os editores encaram aspectos de Gachiakuta como algo que faz mais sentido para o fim de uma leitura semanal da revista inteira, igual Fumetsu no Anata e ficava geralmente no final da edição apesar de sua popularidade e forte apoio.
Fora isso, Kei Urana tem paz para a construção de sua história, com o arco atual continuando a ir além do esperado em termos de revelações e personagens envolvidos.
Uma vigésima primeira colocação habitual para Yumene Connect, que vive como o “guardião do portão” da Magazine, geralmente ficando acima das séries com risco de cancelamento na TOC.
O ecchi pode até não parecer dos mais promovidos pela revista, mas foi o mangá que mais recebeu páginas coloridas simples em 2025. O autor Kou Sawada é um daqueles que menos tem paradas e entrega capítulos longos com arte impressionante quase toda semana, assim sendo um daqueles que os editores podem contar para páginas coloridas e consistência para precisar usar menos oneshots para “preencher” as páginas deixadas pelos breaks dos demais artistas.
Hajime no Ippo é o vigésimo segundo lugar com mais um capítulo curto e um anúncio de hiato. Qualquer um que acompanha Ippo sabe, mas o mangá está tendo paradas com mais frequências e capítulos mais curtos. É tudo uma questão de saúde para George Morikawa, publicando o mangá num ritmo semanal por mais de três décadas.
Essas são questões naturais do tempo e que os editores precisam lidar com ao tratar de suas publicações mais longas. No caso, Morikawa ficou alguns dias no hospital e os lados provavelmente acharam melhor esperar para que o mangaka se recupere 100% do que forçar uma recuperação mais lenta e problemática e capítulos que sofram por isso.
Sei que há leitores que ficam frustrados com isso, o Morikawa vive discutindo com alguns nas suas páginas pessoais. E eu entendo que uma obra com a dimensão de Ippo se torne parte ativa da vida de vários leitores, mas a saúde do autor está em primeiro lugar. Talvez esse hiato possa implicar numa regularidade maior no futuro até, vamos ver.
O fato é que Ippo não deve demorar muitos meses para voltar, Morikawa continua ativo, lendo vários mangá, construindo gunpla, conversando com fãs na internet, ativamente envolvido em discussões sobre o futuro da indústria, tomando parte nos eventos de sua academia, etc. Ele adora a obra, o seu trabalho e a Weekly Shonen Magazine.
Se for uma parada curta, que seja porque Morikawa está bem.

Depois de outro oneshot (que talvez tenha entrado por alguma parada ou número menor de páginas repentino para alguma série), Yowayowa Sensei é o penúltimo. Nada demais, o mangá não está entre os mais populares, mas está estabelecido e com anime para estrear em 2026. Rotação às vezes implica que uma obra do tipo ficará para o fim às vezes.
E para fechar a edição, Yashou no Kito. Kagari-ke ainda não acabou pelas paradas da obra e da revista, então ainda não sabemos se Kito acabará depois. Diria que é capaz do mangá ter sobrevivido a leva por uma questão de timing, assim lhe dando mais uns 10 a 15 capítulos, algo que ocorre de vez em quando, igual quando Batchiri Scratch sobreviveu 50 capítulos com popularidade basicamente nula.
A narrativa parece tomar rumos mais próximos ao que a autora gostaria também, inclusive com um beijo BL no capítulo. A liberdade que a Magazine dá para seus autores é admirável e bem diferente da sua principal rival de mercado. Um adicional para atrair a atenção de mais autores.
E ficamos por aqui, o próximo artigo teremos a primeira TOC realmente lançada no ano de 2026! Novamente, feliz ano novo e nos veremos por aqui em 2026 também.
