
A comunidade de Kagurabachi é hoje uma das mais engajadas da internet, promovendo concursos, mutirões e eventos para valorizar a obra. Foi graças ao empenho desses leitores que, mesmo antes do lançamento do primeiro capítulo, a série já havia conquistado uma base de fãs sólida.
Desta vez, no entanto, o resultado foi ainda mais impressionante: alcançar diretamente o autor da obra por meio de um projeto encabeçado por um brasileiro – o “Absolute Hokazono”.
O nascimento do “Absolute Hokazono”
Quando a Anime NYC, uma das maiores convenções de anime do Ocidente, anunciou a participação presencial do autor de Kagurabachi, Takeru Hokazono, a comunidade simplesmente enlouqueceu – especialmente os fãs residentes nos Estados Unidos. Era a oportunidade perfeita para conhecer o criador de uma das obras mais populares do momento. Mas, para Doug, criador e administrador da Kagurabachi Brasil, tratava-se de algo ainda maior.
Era a chance de presentear o autor e agradecer-lhe por ter transformado a vida de tantas pessoas com sua obra.
Antes disso, Doug já havia organizado o evento “Hokazono-sensei’s Birthday 2025”, que consistia em publicar diariamente, até o aniversário do autor, uma ilustração em sua homenagem. Ao saber da ida de Hokazono a Nova Iorque, Doug decidiu contatar Deb Aoki, responsável pela presença do mangaká no evento, para perguntar se seria possível entregar um artbook ao autor.
Gentil e solícita, como sempre, Deb não apenas ouviu a ideia como deu sugestões, ajudando a transformá-la em algo mais viável: um USB flash drive com ilustrações de fãs de Kagurabachi. Cada uma das ilustrações representando um antigo comentário do autor, previamente publicado na sessão de comentários da Weekly Shonen Jump.
Produzindo o USB Flash drive
Foto do USB Flashdrive do projeto
Nesse ponto, o “Hokazono-sensei’s Birthday 2025” já havia evoluído para o flash drive “Absolute Hokazono”. Restava, porém, o maior desafio: executar em poucas semanas um projeto de grande escala.
Doug tinha contra si o tempo, mas contava com duas armas poderosas: a credibilidade da página Kagurabachi Brasil, a mais respeitada entre os seguidores da série, e uma comunidade engajada, pronta para transformar o projeto em realidade. Os BachiBros – como os fãs se autodenominam – abraçaram a ideia e começaram a trabalhar coletivamente.
Mais de cem artistas foram contatados, e coube a Doug coordenar todas as entregas. Nem sempre foi fácil: alguns participantes, por motivos pessoais ou profissionais, não conseguiram concluir suas artes a tempo, exigindo substituições de última hora. Uma coordenação que até mesmo eventos profissionais têm dificuldade de realizar. Mesmo assim, nada seria capaz de deter a comunidade internacional disposta a concretizar este incrível projeto.
Eram pessoas da Ásia, Europa, América, África, Oceania, todos juntos trabalhando para que o projeto funcionasse. Em entrevista ao Analyse It, Doug descreveu a experiência de trabalhar com fãs de todo o mundo:
“Incrível. É essa a sensação principal. Porque houve uma sintonia tão grande, um comprometimento, uma parceria. Inclusive, existem bachibros do Japão que estão participando também! Então, temos um GC aqui no Twitter (que permaneceu após a entrega das artes e acabou virando um GC pra um segundo projeto agora do aniversário de Kagurabachi). Os bachibros japoneses não ficam nele, então a comunicação com eles sempre foi à parte, mas eles ficaram felizes demais com o resultado!!”
Graças a essa mobilização, o flash drive reuniu trabalhos de mais de noventa artistas. Mas, para Doug, ainda não era suficiente: ele queria insistir no plano original do artbook.
De flash drive à artbook
Página do Artbook: “Absolute Hokazono”
Convencido de que o sonho do artbook era possível, Doug voltou a contatar Deb Aoki, que dessa vez encontrou uma forma de viabilizar a entrega do material a Hokazono antes de sua entrevista no palco principal. A alegria pela aprovação da ideia rapidamente deu lugar à preocupação:
“Como irei, do Brasil, conseguir entregar um artbook em Nova Iorque?”
Era preciso resolver diagramação, escolha da gráfica, impressão, acabamento do Artbook, além da personalização do flash drive – tudo isso produzido em Nova Iorque, o que elevava os custos, mas garantiria a entrega dentro do prazo. Parecia um problema impossível de se resolver, mas para a sorte de Doug e de todos os envolvidos, Kagurabachi é um mangá amado em várias partes do mundo, inclusive por seguidores que vivem em Nova Iorque. Um desses BachiBros, como um herói, se encarregou de buscar o artbook na gráfica e entregá-lo à produção do evento.
O esforço de grupo rendeu frutos. Pouco antes do painel principal, Deb Aoki, com seu profissionalismo e comprometimento, conseguiu que o apresentador Matt Alt entregasse o livro diretamente a Takeru Hokazono durante a entrevista, não antes, aumentando ainda mais a grandiosidade do momento. O momento foi emocionante: ao receber o presente, o autor exclamou “É tão fofo!!!” e exibiu o livro para todos os espectadores.
O sucesso foi tanto que Hokazono aceitou tirar uma foto com vários dos BachiBros que compareceram ao evento. Para o autor, era o seu primeiro evento presencial fora do Japão, e com certeza, entrou para sempre na sua memória.
Um marco para a comunidade
Hokazono (de máscara) juntamente com os BachiBro
O que Doug realizou pode parecer uma pequena ação, mas mostra o poder de uma comunidade apaixonada quando unida em torno de um objetivo. Um brasileiro, juntamente pessoas de todo o mundo, conseguiu produzir um artbook de altíssima qualidade, repleto de artes memoráveis, que agora provavelmente ocupa um lugar especial na estante do autor.
Um momento histórico para todos os BachiBros, que demonstravam mais uma vez a grande paixão pela obra. Um momento histórico que Doug nunca esquecerá:
“Um sonho sendo alcançado. Mas não puramente meu, e sim de todos os que acreditaram no projeto. A ideia sempre foi mostrar ao Hokazono o quanto ele é amado e admirado por aqui… Que ele sentisse na pele isso, que percebesse que não é só Kagurabachi, mas também sobre ele ser quem é… Então, quando soube que, no fim, deu tudo certo e vi todos os artistas que compartilharam desse sonho, dessa ideia maluca no começo de tudo, comemorando… Ah… Não tem preço. Tanta gente tocada por isso, e de uma forma tão legal, unida para fazer algo bom, algo que fizesse a diferença… Indescritível. Eu falava no GC que estava chorando e não conseguia parar, sentindo-me um bobo, porque era tanto sentimento misturado vendo tanta gente feliz e, depois, ainda ver o Hokazono retribuindo esse amor, pedindo para tirar uma foto com o pessoal… Surreal!”