
Ao no Hako liderando? O que os japoneses estão achando das seis novas séries lançadas nos últimos meses? Nige Jouzu no Wakagimi pode terminar ainda este ano? Venha ler a análise da TOC #33 de 2025!
Weekly Shonen Jump #34 (21/07/2025):
Página Colorida de Sakamoto Days
AVISO: A partir da próxima semana, a matéria de Notícias da Edição também contará com a TOC — sem análise, mas ainda assim presente — para que vocês possam ter acesso a ela o mais breve possível, já na quinta ou sexta-feira. Avalio igualmente a possibilidade do retorno do “meme da semana” nas matérias de notícias, embora isso ainda não esteja decidido.
Em uma revista atualmente repleta de títulos iniciantes, o público japonês tem se mostrado mais interessado em discutir as novas séries e especular quais poderão prosperar, do que propriamente comentar sobre as novidades desta edição ou da TOC. Contudo, depois de um longo período, temos finalmente uma edição rica em assuntos a serem explorados. Portanto, sem maiores delongas, convido-os a analisarmos posição por posição, mangá por mangá.
MANGÁS NÃO RANQUEADOS
Iniciando pelos não ranqueados. Na 5ch, entre os leitores veteranos, o título mais debatido é justamente Sakamoto Days, que recebeu a capa desta edição para celebrar o início do segundo cour do anime. Não que haja grande expectativa para este retorno — muito pelo contrário —, mas mesmo assim os editores têm investido bastante na divulgação da obra. Os frutos comerciais dessa promoção? No que concerne às vendas FÍSICAS, são consideravelmente decepcionantes. A esperança reside em ter ampliado o número de assinantes da revista ou o contingente de compradores digitais.
Também tivemos uma página colorida dedicada a Boku to Roboco, comemorando seu quinto aniversário. Muitos questionam a utilidade de Boku to Roboco dentro da revista — a série agrada à ampla maioria dos leitores, embora conte com poucos fãs realmente apaixonados. Assim, suas vendas não são expressivas, mas acaba por exercer um papel importante como comédia, divertindo aqueles que leem a revista integralmente. Enquanto se mantiver vendendo acima de 10 mil cópias, Boku to Roboco não deverá correr perigo de cancelamento.
Dentre os seis títulos novatos, o público japonês tenta discernir quais possuem reais chances de se consolidar. Nice Prison e Ekiden Bros aparentam estar destinados ao cancelamento, haja vista as severas críticas recebidas. É praticamente certo que Nice Prison será encerrado já na próxima leva, ao passo que Ekiden Bros deve resistir até algo entre novembro e janeiro. Recordo que em breve trarei as impressões dos japoneses sobre os três primeiros capítulos dessas séries.
Tomoshibi no Otr não obteve uma boa recepção, sobretudo durante o arco de treinamento; todavia, os dois últimos capítulos encontraram acolhida levemente superior. Sua principal vantagem é que, dentre os estreantes, foi o que mais capturou a atenção dos leitores, angariando semanalmente um volume considerável de comentários (ainda que muitos sejam negativos). Tomoshibi no Otr caminha para um provável cancelamento, mas como ainda mantém um público que o acompanha, se o autor conseguir acertar o rumo nos próximos capítulos, poderá até reverter o quadro, embora seja uma tarefa árdua.
Kaedegami segue dividindo opiniões: conta tanto com defensores entusiastas quanto com críticos ferrenhos, o que torna incerta sua trajetória. Neste capítulo, tivemos a aparição de “Hakutaku” (cujo contexto não explicarei, a fim de evitar spoilers), que divertiu bastante o público japonês: “Tava achando a Kaede até legal, mas aí o Hakutaku apareceu e eu caí na risada.”, escreveu um usuário da 5ch. Para quem não se recorda, Hakutaku foi um mangá cancelado no ano passado, e o “retorno do nome” tem gerado memes no fórum. Kaedegami é hoje o caso mais difícil de se prever se caminhará para o sucesso ou o fracasso.
Entre os dois novatos mais bem recebidos figura Harukaze Mound, que coleciona elogios, mas ainda carece daquele capítulo que conquiste de vez o público, estimulando-o a votar em peso — vale lembrar que, para sobreviver na revista, não basta agradar: é imprescindível convencer o leitor a votar e, depois, a comprar os volumes. Harukaze Mound vem desenvolvendo seus personagens de maneira sólida, embora o último capítulo tenha gerado algumas comparações com Kuroko no Basket. É fundamental não soar “demais Kuroko”, para não levantar suspeitas de plágio. Se conseguir entregar uma partida bem recebida, vejo Harukaze Mound chegando vivo a 2026… Quanto a tornar-se um sucesso? Ainda é prematuro afirmar.
Por fim, temos Ping Pong Peril, que pela segunda semana consecutiva foi o mangá mais comentado pelos japoneses. Os elogios são numerosos, equiparando-se em volume de comentários aos demais estreantes, contudo, em visualizações na Jump Plus, fica atrás de Kaedegami e Harukaze Mound. A falta de leitores efetivos pode vir a ser um obstáculo, pois de nada adianta um mangá colecionar elogios se não há quem compre. Ainda assim, é, de longe, o novo título mais enaltecido: “Ping Pong tá ótimo. Já nem parece um mangá de esporte, mas é divertido.”
A TOC:
Página Colorida de Boku to Roboco
Na primeira posição tivemos Ao no Hako, que alcançou o topo da TOC pela nona vez neste ano, consagrando-se como o mangá que mais liderou o ranking em 2025. O anime de Ao no Hako é um êxito considerável e o mangá vende tanto quanto Kagurabachi, razão pela qual os editores seguem promovendo a obra com afinco. Ao no Hako constitui um verdadeiro pilar da Weekly Shonen Jump, ao lado de Sakamoto Days e One Piece, embora haja chances concretas de encerrar-se nos próximos meses.
Seus arcos narrativos aproximam-se do desfecho, o que reduz o horizonte da série. A dúvida que paira é se terminará ainda este ano, num ritmo acelerado, ou se se estenderá até o próximo. Questão que, sem dúvida, preocupa os editores, pois até agora não despontou nenhum grande sucesso em 2025 e houve apenas um êxito comercial relevante em 2024. O mercado como um todo atravessa uma seca alarmante de sucessos, o que se revela um desafio cada vez mais crítico para as editoras. Nem mesmo a Jump Plus tem conseguido escapar desse cenário.
Em segundo lugar figurou ONE PIECE, que permanece soberano na revista. Logo em seguida, na terceira posição, apareceu Madan no Ichi, que dá sinais de estabilizar suas vendas na faixa de 70 a 80 mil cópias, um desempenho muito respeitável nos parâmetros atuais. Poucas são as séries sem anime que superam 50 mil cópias físicas hoje em dia, de modo que, embora possa parecer que Madan no Ichi esteja “abaixo do esperado”, seus números são, na realidade, bastante sólidos. Trata-se, inequivocamente, de um sucesso relativo (especialmente em comparação com outras obras sem adaptação animada).
Saltando para o quinto lugar, encontramos Nue no Onmyouji, que nas últimas semanas ascendeu no ranking. O motivo reside na melhora notória de sua recepção. Isso dificilmente trará incremento nas vendas, mas é inegável, tanto na Jump Matome quanto na 5ch, que o público tem elogiado cada vez mais Nue no Onmyouji. Muitos apontam este como o melhor arco da série até o momento. A TOC, embora seja decisão editorial, leva fortemente em consideração o que os leitores demonstram gostar, e os editores se sentem mais inclinados a posicionar bem Nue no Onmyouji agora que o entusiasmo pelos novos capítulos é evidente.
Na sexta colocação apareceu Kagurabachi, que segue absolutamente seguro na revista — a série ostenta vendas superiores a 140 mil cópias por volume, um patamar simplesmente extraordinário frente ao cenário atual. Já é raro um mangá vender acima de 50 mil cópias sem anime, com menos de vinte títulos alcançando isso no mercado inteiro. Kagurabachi ultrapassa essa barreira com folga, consolidando-se como um verdadeiro fenômeno.
Em contraste, na sétima posição temos Exorcist no Kiyoshi-Kun, que visivelmente se mantém na revista em razão de uma recepção interna mediana (nas votações) e pela expectativa dos editores de que venha a melhorar nas vendas. Hoje, o título enfrenta grandes dificuldades para ultrapassar 12 mil cópias por volume, vendendo menos que Negai no Astro, cancelado meses atrás. Mesmo num mercado em retração, as vendas de Exorcist no Kiyoshi-Kun são consideradas modestas.
Página Colorida de Akane Banashi
Não que seus concorrentes diretos, Himaten e Shinobigoto (respectivamente nono e décimo colocados), apresentem resultados muito superiores; a diferença entre eles é mínima. Porém, Kiyoshi-Kun é o caso mais preocupante do trio. Em um mercado onde vender acima de 10 mil cópias garante a sobrevivência em QUALQUER REVISTA, Kiyoshi-Kun segue resistindo. O futuro da obra dependerá basicamente de dois fatores:
1 – Que os editores não encontrem novos títulos capazes de vender mais de 20 mil cópias.
2- Que o mercado continue em retração a ponto de 10 mil cópias tornarem-se aceitáveis sob qualquer circunstância.
Ambos são cenários plausíveis, e restará observar atentamente os próximos meses. As vendas físicas tendem a declinar ainda mais, e com todas as plataformas (digitais e físicas) tendo dificuldades em emplacar novos sucessos, gradualmente os números fracos de Kiyoshi-Kun vão se tornando toleráveis, pois o sarrafo do mercado diminui mês após mês.
Por fim, na décima segunda colocação, tivemos Nige Jouzu no Wakagimi. O mangá parece prestes a se concluir, podendo encerrar-se já nas próximas três levas (aposto no período entre novembro e janeiro, mas não descarto um término um pouco antes ou depois). Cientes disso, os editores já vêm reduzindo o destaque dado à obra, que apesar disso é um dos maiores sucessos comerciais da revista.
É bastante provável (ainda que não certo) que Nige Jouzu no Wakagimi seja o último trabalho de Matsui na Weekly Shonen Jump. O autor é jovem e tem vigor para mangás mensais, mas não se sabe se dentro de quatro ou cinco anos terá disposição para o ritmo semanal. Dessa forma, o encerramento natural de Nige Jouzu no Wakagimi pode marcar um adeus definitivo, encerrando o ciclo de quem nos deu Ansatsu Kyoushitsu e Neuro, um marco que, caso se concretize, certamente entrará para a história.
Yusei Matsui é, afinal, o único mangaká que conseguiu lançar TRÊS sucessos na Weekly Shonen Jump, sem jamais ter conhecido o fracasso em seu currículo.